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sexta-feira, abril 27, 2012

Ondas do Jequi


Nos pés que se vão, a sandália de couro
Feita a mão, com mãos desta terra
Onde a cultura, um conhecido tesouro
Espalha-se nos palcos, na voz do poeta

Araçuaí, Jequitinhonha, Vale, Minas,
Na ausência do sal nas ondas, o suor
Muitos preferem a seca nas rimas
Prefiro falar do aconchego ao redor

Do café e biscoito sempre à mesa
Das expressões, do requeijão
Da cachaça e da esperteza, uai
Da calorosa e que calor na recepção

A estrada estará lá quando eu voltar
As ondas que estive, talvez flutuem
Boas lembranças que levo, espero deixar
Nosso futuro? Que nossos destinos atuem.

domingo, fevereiro 05, 2012

Perdendo a Visão

Ando perdendo a visão
Nada de caso clínico
Ando olhando outros passos
Sem destino? Talvez...

Até aí nada demais
Mas, a cada passo, fica pra trás
O olhar pro lado, global
Não tenho enxergado
O então dito normal

Sob vales e rios
Que enfeitam manhãs de cor
E na tarde, são sombras ao calor
Escondo-me atrás de tudo
Menos da palavra

Da visão sonolenta
Que a dose a mais, incomoda
Quase atormenta
Mas assim como eu,
a poesia se aguenta

E não saiu de mim
A dose de Zulu, sem refresco
A marmita também requentando
O relógio da 8 horas marcando
Cronometrando o alívio do tempo que passa
E a vida por mim também passa

E como ando perdendo a visão,
Não reconheço Maria e João
A moça da banca, o moço do pão
Não tem sentido fazer poesia
Por mais que valham as belezas
Das paisagens, de um belo dia
Num quadro, uma ilustração

Minha rima, tem outra meta
Outra métrica
De baixo pra cima
Soco no queixo, sem delongas,
esquerda direta

Essa revolta me contamina
Induz provoca, alucina
Inquieta
Não há mais ou menos poesia
Nada de listá-las
Por qualquer critério
Ordinal, ordinário, vão

Assim como conceitos poéticos
Dos letrados escritores
Minha poesia ora dá socos
Ora dá flores
Ora carinhos, ora espinhos, ora razão
Sem os limites patéticos
De limitar caminhos à minha expressão

Devasto versos sem licença
Mas ando perdendo a visão
Enxergo apenas o chão
Tento em termos, mostrar o cheiro da terra
Ando alheio ao suor e ao calo da mão

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Espaço

O ambiente faz o poeta
E não há como focar nos conflitos urbanos
Se aqui os seres humanos
Veem tudo de outra forma
Porque aqui tudo tem outra forma
Não diria que falar de cantos,
pássaros, árvores, vales são tantos
Festas, montes, homenagens aos santos
Seria algo menos poético
Nem menos, nem mais sentimento
Poesia não tem escalonamento
É inspiração, momento
Aqui não dá pra fugir do tema
Não muito, naturalmente vira o pano de fundo
Onde cada poeta cria seu mundo
E nele viaja...
Seja nas asas da imaginação
De um sonho, de um poema
De uma realidade presente
Distante aparentemente
Muitas vezes, pra muitos olhos, transparente
É invisível nossa gente
E o brilho se faz reluzente quando distante
Também por vezes, de reflexo indiferente

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Luar do fim de tarde

O que parecia um dia normal
Com o tema natural
Dia chuvoso ou com sol
De repente, mudou de cor

E a beleza do sol nascente
Bem mais atraente
É vê-lo se por

Esconder-se timidamente
Entre as montanhas, bem mais calor
Pelo desejo de enxergar o horizonte
Sentir o por do sol de perto, estando longe

Não tão distante
Está ao lado
Quase ao alcance
Bem perto das mãos
Sem queimar as digitais

Sonho ou alucinação
Faz cada tarde brilhar mais
Mesmo com o sol sendo astro-rei
À noite, perde a realeza
E vai reinar onde nem sei
E aqui domina a princesa

Cheia de encantos, ganha o céu
Reflete o rei do dia
Com a classe exigente da noite
A cada minuto que anoitecia
De poder se encheria

Porque atrás da mesma montanha
Tímido, eu me esquivava
Enquanto você me encantava
Eu de longe te admirava
O sol enfim descansava
E com você, luar do fim da tarde
Eu, de novo, me encontraria

sábado, novembro 05, 2011

Parece bobagem


Parece bobagem pra uns
Sentar à beira de um bar
Ouvir sons incomuns
Raros de se escutar

E fugir do tumulto geral
Do sucesso que canta a nação
E num palco tão original
Cordas vibram a voz da emoção

Quem espera o som tão distante
Não enxerga a um palmo do olhar
Não leva seu canto adiante
Não entende seu próprio lugar

Nem entende o que fala o vizinho
Desconhece o prazer musical
De ouvir um cochicho baixinho
Só conhece pular carnaval

Cachaça, música, caldo, companhia
Som, espaço, amigos, melodia
Cerveja, conversa, encontros, melodia
Tudo à sua volta, basta fazer poesia.

terça-feira, outubro 04, 2011

Fontes

Parece ironia
Mas, em pleno dia do poeta
A inspiração aqui no Vale
cai do céu
A chuva tão esperada
Molha além do chão
Traz palavras e voz
à garganta que secava
Quase calava
Clamando por água
Não a sede física, saciada em copos
Ela também
Mas, não somente ela.
À fonte de inspiração,
que seca, pouco pode banhar de cultura
e regozijar os que dela se aproximam
E independente da temporada
Se de seca ou de temporais
A fonte está lá
Mesmo sem água, edificadas ou naturais
Sabe-se onde está
Onde fica, onde é, onde tem
E olhe ao seu redor
Há muitas fontes
Muitas inativas, muitas jorrando
Muitas se formando
Outras, pingando
E é dessa água, clara,
com sabor de água da fonte
que o poeta se deleita
Saboreia, aprecia, se delicia
E proporciona a oferta de um gole
O caminho sob as gotas
Além de um rio, de uma imensa foz
De uma cascata como paisagem
A correnteza forte, atroz
Sem afogar na abordagem
O que parece natural
Para uns, mais que miragem
E noutra fonte, nada igual
Sem ser contida por barragem.