Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, fevereiro 22, 2024

Sentido do Amor

Amor tem que fazer sentido
Sem fazer sentido
Essa frase parece que não faz o menor sentido, mas faz
Faz muito sentido
 
Qual o sentido do amor?
Estamos falando de qual perspectiva
O sentido da mão que ele vai?
Sentido bairro, sentido centro...
Ou o sentido é no sentido de razão pelo qual ele existe?
 
Amor é pra sentir, pra que o outro sinta
E o sentido seja de mão dupla
Na mesma quantidade de faixas de subida ou descida da serra
Claro, pode haver operações pontuais,
de uma faixa estar carregada e a outra cede
Conforme a sazonalidade
 
Amor é sentido. Você sente? Por quem? Pelo quê?
Você sente que sentem por você?
Amor, senta comigo, me conta o que sente
Sinta minha preocupação pra que você se sinta bem comigo
Centenas, milhares, se preciso,
quero que sentemos à mesa pra realinhar os sentidos
 
Amor é carro potente na estrada, muita velocidade, pé no talo
Mal vê placas e, numa dessas, desvios podem causar retornos bem complexos
Amor tem trilha, tem estrada, chão de paralelepípedo e lugares pouco habitados e bem remotos, chão de terra. Nesse caso, não adianta a velocidade ou quantidade de cavalos do motor.
Amor é jeito, é saber pilotar, é dividir a direção
 
Se a rota está certa, e eu sinto que está, basta seguirmos nosso GPS chamado de coração e na nossa frequência, no norro ritmo, tudo, acredite, vai continuar fazendo sentido

Sem Nem Citá-lo

Não vou ter a pretensão de ser inovador
De reinventar falar dele
Será só mais um poema, talvez sem valor
Servirá só pra que eu desanuvie o peito
Já falaram, já cantaram, nada novo pra se expor
 
De novo, novo mesmo, só a quentura, o fervor
De quando ele aparece de repente
Aí a gente nem sabe se seu codinome é beija-flor
Como segredos daquela canção de antigamente
 
É assim que a linha flui ao escritor
Sem nem entender se vem de longe
Pra quem ouve no ar um som se compor
Pra quem prepara um prato
Sem tempero pronto pra dar mais sabor
 
Ele é força, às vezes de vontade, às vezes, motor
Mas, é também jangada, um barco à vela
Ao soprar do vento, êh vento que nem sempre sopra a favor
O vento seca desde tinta na tela
Até a lágrima de um dissabor
 
Carregam nas tintas, fazem combinar toda cor
Ele se sustenta na infinitude
Tim Maia pedia motivos pra dor
Chico tem uma pedra no peito pela mentira
Jobim e Vinícius, como cenário, o Redentor
 
Agora, me diz, adianta apelo ao Senhor?
Apelo pra nunca mais ou pra sempre?
Imagina responder isso, vamos supor
Nunca mais ou pra sempre, vazio ou presente
Prisioneiro, libertador
 
Há quem tenta não dormir e o sonhador
Que faz questão do risco
Poeta tem que ser o risco e o rabiscado
Senão, nem faz sentido a poesia
Tantos versos sobre ele, sem nem citá-lo
Desculpe, sou só um amador.

quinta-feira, janeiro 13, 2022

Tenho Sentido

Nunca vivi o que tenho sentido
De um sentido ter encontrado
E após definido o lado
Nele, ter me mantido
 
A ponto que o sentido aponta
Para uma rota desconhecida
Finalmente um rumo na vida
Onde a morte perdeu a conta
 
De quantas vezes quis chegar
Em quantas já foi presente
Em amor tão ausente
Na intenção de gozar
 
Contraditório dizer fogo frio
Conflito que me confronta
O mundo devolve, desconta
Esse cio, sombrio, vazio
 
Sentir tem definição vasta
Serve do sexo ao coração
Do eterno à ocasião
Do sempre sim ao basta
 
Sentimos a hora de ir e parar
De encontrar-se no espaço
Hoje, é o que faço
Pro meu mundo girar
 
Tem giros em falso
Frouxos, fracos, frágeis
Energias dispensáveis
Em passos descalços
 
Compassado aos batimentos
Que nesse chão molhado
Tem choro e prazer derramado
Orgasmos e sofrimentos
 
Sem arrependimento do prazer vivido
Assimilo que estavam na estrada
Que precisava ser caminhada
Pra então ter entendido
 
Quem o corpo pede uma gozada
Quem a alma pede um bom dia
Quem uma pernoite resolvia
Quem se quer andar de mão dada

quinta-feira, agosto 19, 2021

Amor Tem Tamanho?

Não importa o tamanho do papel 

ou da tela 

que você está lendo isso, 

o amor cabe aqui.

Como assim?

Escreve-se amor em um grão de arroz, 

em faixas, em outdoor, em artes que ocupam prédios inteiros.

Mas o tamanho da fonte realmente importante é de onde esse amor emana. 

Amor não é sobre tamanho de frases e versos

domingo, agosto 15, 2021

Te via

Sonhei que te encontrava por acaso
E por acaso você vinha ao meu encontro
Estávamos em vias opostas
Não sei dizer exato se naquele ponto
Eu era ida ou era volta 

Eu não era, eu estava, você também
Em movimento, a via tinha sentido
Eram contrárias as direções
Destinos não definidos
Cruzaram-se sem previsões 

Permitidos por luzes e segundos
Que dizem quem vai e quem fica
Conspirou a favor o universo
A vermelha, a pé, me diz: siga
Veio a desordem ao meu progresso 

O verde e o amarelo do farol
Param meus passos nos cruzamentos
E tudo combinou pra que eu te olhasse
Nem meu rumo eu sabia, quanto mais dos ventos
Quem estava a favor e quem o enfrentasse 

Sei que o desejo tomou conta
Dois olhares se devoraram
Passos às frente, encorajaram-se
Pararam, decidiram, voltaram, 
Conversaram, desejaram-se 

As velocidades que corriam
Eram nada perto dos batimentos 
A temperatura fria da rua
Era nada perto do calor de dentro
Desejando a outra pele nua 

Não havia lugar, era uma via
Pra que pudessem expelir tamanho ardor
As roupas quentes não faziam mais sentido
Só que ali, seria atentado ao pudor
Com agravamento de pena merecido 

Amar tem sentimentos e sentidos no plural
Uma rotatória, uma via que se cruza
Às vezes, continua, às vezes, atravessa
Às vezes tem placa que tal direção recusa
Às vezes, tem colisões, por ordem nem sempre expressa

sexta-feira, agosto 06, 2021

Minha Paisagem

Eu nem consigo imaginar
O quão abençoado
O que faria jus ao prêmio
De acordar a teu lado 

Porque acordar e te ver
Deve ser como abrir a janela
Ter a paisagem do prazer
Na mais artística tela 

Ao desejar bom dia, te beijar
Ao viver o dia, te admirar
Vê-la no tom do sol a se por
Escrevê-la vendo o sol se impor 

Impor o clarão amanhecendo
Seus olhos, meus sóis, brilhando
Nos lençóis, te envolvendo
Dando nós
Nós? 
Só sonhando...

sexta-feira, fevereiro 12, 2021

Olha, me desculpa...

Olha, me desculpa, viu?
Às vezes a gente se perde
Perde a razão, o senso
E faz algo tão imbecil 
Que o pior dos piores olhares está vendo
O seu, aí dentro
Remoendo, tentando se entender

Olha, me desculpa, viu?
Eu não queria te fazer sofrer
E eu pensei em como me redimir
Pensei em te dar flores,
Só que no caminho, eu desisti.

Sabe por quê?
Porque eu sei que gosta de receber
Buquê ou arranjo, do mais simples até
Cores vivas, com vasinho, raiz
Aquele pequenino pé

Olha, me desculpa, viu?
Eu não trouxe mesmo as rosas
Porque se eu tivesse trazido
Eu só seria clichê, pra fazer o pedido
Aquele de desculpas, arrependido
Pra você, eu quero dar flores de vários jeitos
Pra te fazer sorrir, pra enfeitar sua estante
Te trazer vasinhos em várias datas
Fazer com que todo dia seja importante

Quero que receba flores minhas
Com alegria e não com lágrima presa
Olha, me desculpa, viu?
Às vezes, plantamos sementinhas
Que destroem a natureza

Olha, eu entendi que mesmo desculpando
A dor fica agulhando, cutucando,
Vamo falar a real? Doendo pra cacete!
Eu entendo suas angústias,
Sempre repletas de contexto
Mas, eu te peço, imploro, na moral,
Não quero ficar inventando pretexto
Pra me eximir das minhas culpas

Olha, me desculpa, viu?
Espero que, pelo menos, um dia consiga totalmente
Deixo as flores pra te dar como presente
Nessas ocasiões
Flores pra chorar? Só na última partida
Não vou trazer lacinhos e orquídeas
Quando nossas emoções forem cinzas

Deixarei pras manhãs floridas
Quero que receba flores minhas
Mas, quando pudermos ser jardim
Pra que essas ocupem suas lembranças
E não decorem só a cena do fim. 

terça-feira, janeiro 26, 2021

Amor a Lápis

Às vezes eu tento falar de amor
De coração, de sentimento
Meu percurso com a caneta mira a flor
Brotando, florindo em seu olor
Balançando com o vento

Assim que a caneta toca o papel
Com seu azul mais escuro
Que aquele azul clarinho do céu
O punho fica mais tenso, inseguro
Não o desenho como pincel

Esse pode ir nas primárias
Secundárias, aquarelas
Podem criar misturas
Mais cores, texturas
Pra pintá-la tão bela
Canetas são pra documentos e assinaturas
Amor se escreve a lápis,
Se apaga, se rasura
Se contorna em sombra e detalhes
Mas tem validade, o tempo apura
O dito hoje, amanhã não são verdades

Sim, se ama hoje e amanhã, não
Pois o fim do amor não é um fato
É uma percepção

Amor pode ser ilustrado
O rosto do ser amado
Mas, pra virar dor, basta um borrão
Uma lágrima que cai
E molha a cor da tinta que escolheu
Talvez o valor da obra morra
Assim como o amor que morreu

sexta-feira, dezembro 25, 2020

Amar Sem Lógica

Amar é fazer o que a lógica não explica
Você vai lá, e quando viu, já fez
Você pega todas suas regras metódicas
E rabisca
E o mais impressionante, você se contraria outra vez

Você se descobre, nem sei se descobrir é a palavra
Mas, você tira o que te acoberta
Aí sim, de cara exposta, aberta
Se destrava

Tira travas, cadeados
Do coração com correntes
Não enxerga concorrentes
Fica acelerado

É contraditório
Ele acelera com quem nos traz paz
Ele simplesmente só bate
Nada sente
Com quem a gente
Quer nada mais


terça-feira, dezembro 22, 2020

O Primeiro e o Último "Eu Te Amo"

O primeiro "Eu te Amo" é mais fácil de dizer
Que o último
O primeiro, você ensaia, se prepara,
Se preocupa...

Será que 'tá' na hora?
Por maior a ansiedade que aflora
De repente, você dispara
E quem ouve, de repente, chora,
Não esperava

Agora, o último não tem ensaio
Não tem preparo
É quase um 'desculpa'
Porque ele nem ocupa a memória
Você percebe que ao longo da história
Não quer mais dizer

E não diz
Já foi dito
E se comparar o último com o primeiro
Só último "Eu te Amo" é infinito

quinta-feira, novembro 12, 2020

Sempre em Seu Abraço

Já te abracei
E nesses segundos
Cheguei a crer
Que o chão não era asfalto e cimento
Era tudo algodão e nada cinzento

A cidade nem era tão urbana
Tinha um quê de ingenuidade
Bem de interior
Era justa e humana
Tinha sua identidade

Mais linda, mais cor
E ainda no abraço
Quando seus cabelos em mim encostaram
Em meus ombros repousaram

Percebi que os movimentos que faziam
Em alguns sonhos me acordaram
Pude acarinhá-los quando dormiam
Sonhei que pude pausar o mundo

Se eu pudesse de fato
Sim, eu o faria
Somente quando de novo te encontrasse
Nesse instante que eu te abraçasse, eu pausaria

Nessa hora, eu pediria que o controle quebrasse
Por mim, ele só funcionaria
Se seus braços do meu desatasse 
Pra que eu rebobinasse, recomeçasse

Pra ter final feliz
Pra sempre, boa noite, 
Pra sempre, bom dia.

quinta-feira, maio 21, 2020

Canções e Versos de Amor


O Compositor
O poeta
O escritor
O contador

Eles são as marginais de uma metrópole
As vias de caminhões pesados
E de motos velozes
Eles são a fiação da energia
Que recarrega seus Androids e Ipods
Que mantêm sua geladeira fria
Da lata, o primeiro gole
O combustível que move

Uma palavra bem colocada
Um acorde bem arpejado
Faz o cupido acertar a flechada
Traduz a dor de um amor acabado

Eu assumo que ainda reluto
Falar de romantismo, de casais
Considero-me um ignorante absoluto
Nesse tema, incapaz
As palavras de mim, parecem falsas
Não soam reais

E as canções?
Essa é minha música, aquela é a nossa...
Enquanto percorre a extensão do seu rádio de frequência modulada
Um mundo de notas
Num segundo são cantadas
Timbres, tons
Pelo locutor
Anunciadas, desanunciadas,
Dedicadas

Tem horas, parece que está falando da gente
Popular, então, muito da gente,
Quem escreve, canta, toca, dança, é da gente

A sua vida amorosa pode chorar de saudade, de tristeza
Pode se identificar
Pode se espelhar na beleza
E a lágrima molhar
Seja uma moda sertaneja
Uma lua de mel em Veneza
Um violão e aquela canção pra todo mundo cantar
A mim agrada mais um banjo oco, seco, sem muito ressoar
Um surdo ou só um repique de mão
Mais um pandeiro pra percussão,
Mesmo no fundo vazio de um bar.

sábado, maio 16, 2020

Fogo à Parte

Ela, livre, querendo amar
Ele, amando outra mulher
Os dois se curtem na cama
Ele a devora em seus lábios
Até sentir ela contrair e relaxar

O breu no quarto
Ela exige, ele não quer
Ele quer vê-la em chamas
Num fogo que os dois acharam a temperatura
E ela chega lá em fartura
Em gritos de fazer inveja
Aos quartos vizinhos

A ele, ela parecia sincera
Em seu prazer declarado
Não para, de novo, vem vindo
Eles se travam nas pernas
Até ficarem largados, suados

Depois que o coração acelera
Deita-se em seu peito, que estava ao lado
Acende um cigarro
Minutos de silêncio
Tem início uma conversa
Enquanto o quarto se preenche
Com as músicas do rádio

Ela esperava a segunda edição
De prazer, putaquepariu, que tesão
Ele ousou tentar,
em vão

Ela foi ao céu muitas vezes, ele não
Ah, aquela canção, justo aquela
Fez pesar como se fosse traição
Fez repensar a condição

De um prazer que não se preza a chegar
Parecia uma vingança consciente
Da mente que, de repente, fez-se apresentar
Aquela música fez lembrá-lo de quem ama

Ela continuava ali, disposta
Exposta, mesmo à pouca luz
Esperava uma proposta
Demais capítulos, edições, continuações
Só que para evitar frustrações

Ela decidiu: paramos, não posso continuar
Certamente, vou me machucar
Ele consentiu, afinal
sua cabeça também estava em outro lugar

Logo após, se vestiram
Mais um pouco conversaram
Mais umas canções, ouviram
Valeu o tempo que se curtiram
Pagaram, saíram

Que ela encontre o amor
E que ele, bom... ele eu não sei
Ninguém precisa saber
As duas estradas vão seguir
Em vias paralelas
Canções continuarão tocando e eles ouvindo
Chorando ou rindo

Lamentando não verem o sol nascendo
Ou caindo pelo alcance da janela
Horizonte, destino não se enxerga

Vive-se, abastece-se de prazer e arte
Às vezes, só o corpo se entrega
Às vezes, a alma se apega
Esses dois podem e vão amar
À parte.

sexta-feira, maio 15, 2020

Traição

Só se fala em traição
Que a tentação provoca
E quando se cai nela
Pensando bem aqui
O melhor verbo pra combinar com tentação
É cair!

Muito mais comum de ouvir
Que seu antagonista: resistir
Em quantas tentações caíste?
No campo da conquista
Você é do que insiste?
E depois, descarte, despiste?

Porque o corpo contraria
E ignora o sentimento
O desejo que angustia
Queima por dentro
Um prazer de momento, avalia
Com quem quer começar o dia
E ouvir o boa noite sonolento?

quinta-feira, maio 14, 2020

Na Paixão e no Tesão

Cantores nas introduções
"Vamos falar de amor"
Ouvem-se melodias: teclas e violões
Repetitivos refrões
De um compositor

E quem nunca amou
Quem não sente saudade
Quem se decepcionou
Quem por paixão chorou
E ficou só na vontade

Os caminhos são conhecidos
Da nossa realidade
Peraí, realidade?
O que tem de realidade em apaixonar-se?
O olhar se... dilata
O chão parece que fica macio... cio...
A gente perde o fio da meada

E agora, por mais que eu dei pra falar disso,
Que nunca foi meu tema
Eu posso dizer
Eu falo só de passado, de anos
Talvez deles, mais que uma dezena
Mas, eu lembro de quando
Alguma vez eu olhava, desejava, pensava
E nada acontecia
Eu até me inspirava e escrevia
Sobre o desejo que aflorava
e logo arrefecia

Minha poesia foi ficando fria
Vazia de visões distorcidas
De amores, paixões, casais que se entreolham
No cruzamento de um trem
De prazeres que se forjam
Pensando no outro alguém
Senão o prazer não vem

Casais que se descobrem
Insaciáveis em dois corpos
Precisam terceiros, quartos, quintos, sextos
Todos em quartos distintos
Ou às vezes no mesmo

Prazer, paixão, ambos estão no olhar
Do ato do gozo que faz revirar
Na paixão, é o mundo que se põe a girar
A vista começa a embaçar
E a gente ainda nem saiu do lugar

Seja pernoite ou meia hora
O que importa é o compromisso
Esquece quem está fora
O compromisso do prazer combinado
Esse sim é proibido e liberado, tudo ao mesmo tempo

Pela pureza julgado
Os corpos jogados, acabados, extasiados, lambuzados
Com ou sem envolvimento
Eles se envolvem, se atritam
Dissolvem-se e gritam
Em ação, só fodem, se xingam
"Te amos" também podem, só não mintam

Com "te amo" não se brinca
Com desejo, orgasmo e cama
Pode ser pura diversão
A mais perfeita trinca
Melhor ainda quem se ama
Sem terceira relação

quarta-feira, maio 13, 2020

Meu Paladar

Uma voz marcada por acentos regionais
Que eu já imaginei em impuras condições
Que eu nunca poderei dizer, confessar jamais
Você nunca poderá saber
O quão bem sua presença traz
Quase a relevar minhas convicções

Farei esse poema o mais curto que puder
Diferente do brilho do sol em teus fios
Nem imagino se um dia você souber
Os meus profanos desejos
Em descobri-la como prazer em mulher
Tem horas que duvido se não passa de delírio

Na real, eu acho que te inventei,
Em detalhes, desenhei a forma corporal
Na oralidade te declamei, seu orgasmo derramei
Meu paladar saboreando seu corpo,
Feminino, escultural, uma obra linda ao natural
E, de repente, satisfeito, acordei
Só um sonho, um encontro, nem um pouco formal

terça-feira, maio 12, 2020

A Não-Paixão

Agora dei pra falar de sentimento
Minhas linhas sempre foram duras
Como as notícias ou o que vi nas ruas
Que eu olhava e a inspiração chegava
Isso é só um exemplo

Agora, olhando mais pra dentro
Não posso dizer que já me entendo
Certamente, estou me reconhecendo

Sim, eu saí do automático
Buscando aprender o funcionamento
Por que no passado, amei tanto
E após um triste encerramento,
Triste pra mim, exclusivamente

Eu não consigo chorar lembrando
Eu não consigo chorar nem quando
Duvido se é pra sempre

“Que o pra sempre, sempre acaba”

E por falar em músicas românticas
Ou de fim ou de saudade
Nada, nenhuma, nem um pouco me abala
Sinto até inveja, sabe?

De quem ouve uma música de amor
E chora, seja qual motivo for
Pela lembrança do cheiro da flor
Pelo tempo que deteriora

Os acordes tocam alto
As vozes o procuram
Às vezes, se destoam
Se ajeitam, se desculpam
As canções então se afinam
Os versos se combinam
Ao fim, rimam?
Talvez, não é certeza
O que é certo é que tanto tempo só vivendo
Parece que eu esqueci, perdi um vocabulário
Paixão é uma
Parece que fui esquecendo
Significados se perdendo

Se tudo isso,
Se o amor fosse um livro
O que teria no glossário?

Paixão, como eu falei, teria que ter
Ligações no horário mais alternativo
Parece que o tempo roda ao contrário na ânsia de rever
Aquele comportamento primário
Adolescente, incendiário

Em que tudo é pra vida
O grande amor da juventude
No mais perfeito cenário
Nessa idade, a intensidade convicta
Num tempo nada sedentário

Ilude, agora me fala
Você pode nunca mais se iludir
Mas, nunca mais se apaixona

Sinto, como se um dia, escolhi
Você nem precisa me ouvir
A não-paixão não decepciona
Isso eu posso te garantir
Mas, olha, tenho percebido que não vale a pena
Se apaixonar-se é um problema
Muito pior, o vazio de nada sentir

segunda-feira, maio 11, 2020

A Luz do Amor que é Cega


Eu nunca fui de falar de amor nos meus versos
Ultimamente, tenho usado minhas linhas
Até pra refletir, debater comigo
Se queremos nos sentir completos
Ou buscamos só reflexos
A luz é quem dá o sentido

De quem vem em sua direção
Se vem com nitidez e perfeita
Ou só silhueta
Ou a luz ilumina a partida
O adeus, a despedida
Fica a reflexão
A decepção
A ilusão repetida

Parece refrão de sucesso
Todo mundo canta e se emociona igual
E parece que a gente não aprende
Que o coração, é na invasão o acesso
O batimento debilita o racional

E com isso, a luz que define se é partida ou chegada
Deixa a gente cego
Será que aquela frase conhecida
Que o amor é cego pode ser repensada?
Há sempre aquela pessoa convencida
Que diz: à paixão não me entrego, me nego
Pego e não me apego
Essa, quando se vê apaixonada
É a mais, digamos assim, perdida, pra não falar palavrão

Pois, a cegueira na visão
É por essa luz encontrada
Numa trilha que estava e nem sabia
Numa contínua escuridão
Nem breu nem luz em demasia

“É preciso amaaaar”
Sabendo que tem amanhã
A mente precisa estar sã
Senão o que de melhor aconteceria
Pode apostar, o pior traria
A estrada apagada, de repente iluminada
Confunde a mão da via

Pode amar, até deve eu diria
Mas amar é saber olhar
Um simples farol não pode ofuscar
Enquanto guia
Sem rota ensaiada
Numa BR perigosa
Infinitos retões
Velocidade aumenta
Tempo diminui
Falo de retas e curvas sinuosas?
Estou falando de paixões
Antes de envolver corações
Deleitam-se em colchões
Os corpos, acalenta
O prazer flui
E fui ou ela foi
E fim.

sábado, maio 09, 2020

Azar no Jogo, o Amor é um Jogo

Azar no jogo, sorte no amor
Fiquei pensando nessa frase
Não sou exímio jogador
Em qualquer modalidade

Bom, pra falar a verdade
Nem de jogo eu gosto
Tira a Dama de Copas na sorte
Em ambos corações não aposto
A dama manilha, o rei é mais forte
A mentira é o gol desse esporte
Caiu na blefada eu não mostro
Foi o tempo que me ensinou o macete no corte

Sinto como se tivesse escolhido
Deixar o amor no “a gente pcisa marcá”
E sabe aquele “claro, vamos” que nunca vai chegar?
E não cola nem desculpa de “tinha esquecido”

Nunca fiz questão de estar amando
De sentir aquele nervoso de paixão
Eu sei que isso não é da gente calculando
Planejando, dá uns ‘estralo’ na visão
Palpitação e os cambau
O que eu quero dizer
É que nem lembro se já fiz questão de ter
Aquele amor, com musiquinha do casal
Sabe... acho que só nesse caso
Quis ser jogador profissional

A sorte não me acompanhou
Mas, deveria
Não me fez parcerias
Nas cartas ou no gol
Na caçapa cairia
A tacada é calculada
A jogada é fria
Diferente do amor

Eu escrevo poesia,
Mas, esse tema
Eu temo
E é um tipo de temor
Como uma precaução

Como se fosse possível prever
Mas, eu, se pudesse escolher
Não teria indecisão, e você?
Um amor de valor, o valor do sifrão
Qual pode mais te prender?
E o mais intrigante: sem qual preferia viver?

quinta-feira, abril 02, 2020

A Canção que eu nem Ouvia

Eu nem sei explicar
Tem horas que quero fugir
Deixar o barco navegar
Outros mares conhecer
Em cada um me banhar

Mas, cada vez que isso acontece
Basta eu lembrar de você
Tudo em volta se enternece
A canção que eu nem ouvia
Repetiria se pudesse

Ela toca no rádio e eu procuro
Nos aplicativos musicais
Sinto tipo adolescente imaturo
Num sazonal amor pra valer
Que nem dá tempo de escrever futuro

Quando eu penso aonde quero ir
Eu te vejo na chegada
Se eu imaginar me divertir
Sua presença é confirmada
Só não quero a cortina fechada
E a luz apagada após aplaudir

Cortina fechada, só numa condição
Pra te ver dormir, sem claridade
Até o sol pra te alcançar, precisa permissão
Ele não precisa decifrar sua noite
Éramos só nós, ele estava ocupado no Japão