Mostrando postagens com marcador #poesiasdodiego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #poesiasdodiego. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, outubro 31, 2024

A Face Racista da Bola

Na bola, já perdemos tanta coisa
Copas, competições, finais
Taças, amistoso, premiações
Nossos dribles eram diferenciais
O país do futebol perdeu o tempo da bola
O campo de terra não é mais escola
De improviso como era lá atrás
 
Num tapete preciso ninguém mais discute
Se saiu ou não nas laterais
A bola rola tanto fora do campo
Decisões, pra dizer pouco, imorais
Não importa mais o gol crucial
Nem títulos na galeria real
Outro degrau hoje importa mais
 
É claro, eles nunca dirão o motivo
Apenas preferências pessoais
Nem a camisa pesou o bastante
Com suas proporções mundiais
Há quem justifique comportamento
Que é violento, lacrador, mimizento
Esse negócio de pautas raciais
 
Só que vindo de onde vem
Socialmente em condições desleais
Aquela camisa 7 branca
Vista nos camelôs em varais
Era só sonho de criança
Hoje, seu nome a estampa
Nem assim, o branco é paz
 
Eu sei que na bola, já tivemos derrotas
Algumas até surreais
Temos perdido até nosso amarelo
A camisa se destacava das demais
É exatamente falando de cor,
Que a bola de ouro, a Balon D’Or
Armou seu time pra trás
 
Uma tática defensiva, conservadora
Num jogo de estratégias bem racionais
Como as seleções europeias antigamente
Tentavam copiar o que a gente faz
Ou fazia, em jogadas espetaculares
Mesmo ainda definindo placares
Nossos lugares não são iguais
 
São confederações, federações de toda Europa
Coniventes em esferas intercontinentais
Em plena Suíça, a FIFA se atrasa
Sob aplausos de eternos rivais
Sobrepõe-se um negócio que não se explica
Um sentimento como título que se unifica
E ninguém se prejudica nos tribunais
 
Realmente Vini, não é Junior o que você passa
Agressões, ofensas, ameaças verbais
Contra sua cor linda e retinta, que à camisa contrasta
Idêntico à letra preta que escreve brancos jornais
Só pra encerrar, era sua essa conquista
Marcou na bola, a face racista
Onde nessa estrofe, pus as letras iniciais

sexta-feira, outubro 18, 2024

Pra Que Tanta Foto?

Pra que tanta foto?
Ah, pra guardar a lembrança
Eu mesmo tinha na lembrança
Que tinha começado um poema assim:
Pra que tanta foto?
 
Mas, não achei
Não postei, não digitei
Mas, na minha lembrança
Eu tenho uma imagem
Num papel, de caneta azul escrito
Cheio de rabisco
Uma rascunhagem
 
Mas, a pergunta persiste:
Pra que tanta foto?
Pra fazer postagem
Os mais novos nem vão entender essa frase:
Lembra quando as fotos eram num filme?
12, 24, 36 poses
Era em pose a quantidade
Havia limite e autocontrole
 
Será que isso vale uma foto?
Hoje, tudo vale uma foto!
Sabe quando não se tira nenhuma?
Quando é algo de suma importância
E tão bom
Que nem vem na lembrança
Tirar foto alguma
Ninguém pergunta: vamos tirar uma foto?
 
Pra que tanta foto?
Se nem tem mais os albinhos da Kodak
Porta-retratos não têm mais lugar de destaque
Poses viraram Mega e Gigabytes
Pastas, microcards
Memórias quase infinitas
De tanta imagem que cabe
Nos celulares, fototecas e galerias
Ao encherem, viram links pro Drive
 
Fotos flutuam nas nuvens
Não olhamos nem uma nem outra
É tanta foto, de tanta coisa
Tremidas, desenquadradas
Na correria louca
Não vem na lembrança, apagá-las
 
Aí a gente abre
Arrasta, arrasta, arrasta
De tanto arrastar, dá tontura
Foto vídeo, download, captura
Você consegue organizar as pastas
E ter alguma ordem, estrutura?
Ou é só um monte de figura
Que essas, pelo menos,
o tempo não desgasta
 
Mas, também não bate sol
A gente mal bate o olho
Se de alguma foto bate saudade
A cansativa procura rebate
E nos perdemos no bolo
Nos perdemos no rolo (da câmera)
 
Não lembramos nem como procura...
Cronologicamente?
Pode ser, mas, logicamente, a gente se perde
É tanta foto e a gente nem percebe
A gente.
A lógica é que a gente não esquece
Os cliques da mente
Os cliques que as lentes não veem
Que as galerias digitais não têm
São as fotos que, de fato, duram pra sempre.

terça-feira, outubro 15, 2024

Como se mede o tempo?

Como se mede o tempo?
Pelo tempo que falta ou tempo vivido?
Há quem calcule em horas, minutos
Há quem nem calcula, pois é tempo perdido
Já que não se sabe o tempo restante
Põe na conta as fotos na estante
Cada sorriso, o tempo amarelou
As fotos de antes vão se embaçando
Nitidez e cores se misturando
O tempo exato ninguém marcou
 
São fotos mais ou menos de tal ano
Se nem o ano a gente consegue lembrar
Pra quê pressa pra tudo ser passado
Ao ponto de não poder escutar
A vida em velocidade real
A tecnologia nos fez achar normal
Acelerar vídeos e mensagens de voz
Ganha tempo, essa é a impressão
A fala perde toda inflexão
É um tanto faz tão atroz
 
Atrás de otimizar o tempo
Ninguém me diz como se mede
Como você repara que o tempo se foi?
Se nenhuma pausa se concede
Agora, eu vou te dizer como eu reparo
É pela mão do meu filho ao meu lado
Quando eu segurava aquela mãozinha
Ou ele a usava toda pra me segurar um dedo
Eu, ainda mais novo, morria de medo
De tudo que vinha
 
Mas, sabe como se mede o tempo?
É quando se repara na diminuição
Da distância proporcional
Da dele na minha mão
Os tamanhos vão se igualando
E vai passar, está se aproximando
Isso vale também pra altura
Pra beijar sua cabeça, eu abaixava
De cima pra baixo, olhava
Ainda te beijo, sem baixar a postura
 
E digo ainda... até você ter vergonha
Do pai querer ser carinhoso
Não sei quando o tempo vira essa chave
Vai doer, mas, eu vou entender, meu garoto
Sabe como mais se mede o tempo?
Quando a roupa é no mesmo departamento
E minha gaveta, percebo defasada
Minhas meias brancas, encardidas
Quando crianças, as claras eram proibidas
Pra patinar andando pela casa
 
Você nem liga que eu dou bronca
Você que está certo, fodam-se as meias brancas
Por mais que não vá esfrega-las no tanque
Meias nunca serão inteiras lembranças
O tempo, a gente não sabe o ponto final
Você já aprendeu sua conta ideal?
Afinal, cada um no seu tempo, mede o tempo pra si
Há tempos que queremos que dure uma vida, ou além
Há tempos que mostram quem é quem
Todo esse tempo me fez esse alguém que chegou até aqui
 
Por fim, pra não perder mais tempo
Nem são perdas usados em versos
Pauso
Encontros, áudios, cafés expressos
Expressos? Sentimentos ninguém expressa
A mais nenhum ouvido interessa
Tem tanta mensagem não dita
Em respiração, em silêncio
Fração de segundo, um tempo imenso
Se dor aflita grita e não se escuta... imagina escrita

quarta-feira, outubro 02, 2024

Acontece Poesia

Pra começar a contar
Não ando mais prevenido
Sempre tinha um caderno na bolsa
Pro caso d’um poema sentido
 
É... sentido... os versos estão aí pelo ar
Quem os enxergar , que canete
Aí peguei a folha na impressora do trampo
Antes que a mente o mote disperse
 
E, pensando agora, nem lembro da última vez
Que botei papel e caneta pra conversar
Faz tempo e é curioso
Parecia que a poesia flutuava em outro lugar
 
A gente não vinha se trombando
E nem é porque eu não queria
Cheguei até pensar que era idade
Naturalidade, ah, o tempo distancia
 
Mas, não era nada disso
De cabeça baixa, o raio é curto
Aí a poesia, mesmo ali em volta
E eu andando outro percurso
 
Sem visão panorâmica, periférica
Não sente nem o cheiro, nem escuta
E poesia tem tudo isso?
Quando te chamam de amor, um aroma de flor
O sabor de uma pele, a língua desfruta
 
Eu andava sem palavras
A todas essas delícias da vida
E esses dias, o que me lembrou de procurá-las
Foi uma bobagem assim percebida
 
Uma mesa pra família tomar café
Me passa a manteiga aí do seu lado
Meu filho, pela irmã acolhido
Amor, traz aquilo do mercado
 
A poesia ficou me lembrando
Dos encontros que sempre tivemos
Do quanto ela me alivia
Da dor desses tempos modernos
 
O buscar um pão é meu carinho
Minha rima traduzida em ato
No dia, a situação corriqueira
Quase nunca se faz retrato
 
Só que ao escrever, eternizo
Do café, o cheiro e a fumaça
O simples dia que amanhece
O dia inteiro acontece
Poesia
Diante dos meus olhos, passa
 
Às vezes, tudo bem, a gente não vê
Esquecido na caneca, o café esfria
Pro céu, nada muda se eu não olhar
O sol nunca será ou foi escuridão
Mesmo quando eu não o via

segunda-feira, maio 06, 2024

Alvenarias e Sentimentos

Desastre, desespero, descuido, descaso
Tudo desapropriado
Pelo tão próprio temporal
Impróprio
Ele cheio de propriedade
Impõe-se a quem não estava a postos
A quem estava posto em documento
E ele sem nem deixar lenços
Decompõe em água
Alvenarias e sentimentos
 
Diz seu nome, o atual estado
Rio Grande, como pode um rio ilhado?
Cercado de... as cercas se arrebentaram
As barragens cederam
As ruas inundaram
Pros telhados, as pessoas correram
E, do alto, não se enxergavam
Geralmente, é assim
De cima, não vemos pessoas
Não encontramos olhares
Só que dessa vez, telhados eram patamares
O nível das águas invadindo lares
A água, essencial à vida,
Tirando a vida de familiares
 
Solidariedade é comum ao brasileiro
Quando algo assim acontece
O que de fato minha alma adoece
É ver que o poder verdadeiro
E sim, eu falo de recurso, de dinheiro
Está com quem pouco se oferece
Fala-se muito em oração e prece
São bem-vindas também
Mas, se antes desse ‘em nome do pai’, desse amém
Humanidade houvesse
As previsões, nada santificadas
Cartas descritas e marcadas
Deveriam ter sido lidas e aplicadas
Seriam vidas protegidas
Mortes não privatizadas
 
As mortes vêm em PPPs
Parcerias público-privadas
Mortos, tanto faz, tanto fez
A culpa é somente das águas
Sim, ela é invasora
Só não é sem aviso
Nem um caso avulso
Ela nos avilta
E, nesse caso, sem volta
A revolta mesmo
É que não será a última
O último desastre
Sem vazão
Morre-se na correnteza
E por mais forte que seja a corrente
De solidariedade, de arrecadação
A razão não se represa
Ela transborda
Nos interesses da empresa
E a família presa
Espera resgate
Jet-skis, helicópteros, qualquer coisa que salve
Que os céus os salve
Que a chuva pare
Que por todos nós seja entendido
Que o céu não está dando castigo
A tempestade não é covarde
Não vem à toa
O temporal não é vingativo
A dor e o pranto que nos ressoa
Tem legendas, cifrões repartidos
Culpado? Tem, pô!
Culpa do tempo? 
Ao mesmo tempo, violento e passivo

sexta-feira, fevereiro 23, 2024

Meu/ Teu Espelho

Não gosto do que vejo
Meu rosto no espelho
O corpo traz um peso
O rosto também confirma
Que não desejo
 
O olhar tem certo desespero
Corre, visando dinheiro
Faz-se cego para vê-lo
Cego para além do vidro
No papel de espelho
 
A passada é ofegante
Contínua, frustrante
Repetitiva, agoniante
Silenciosa de boca
De alma gritante
 
Teu espelho te agrada o bastante?
Tua imagem, teu semblante
Tua dor sufocante
Tem que esperar
Falar nem sempre é relevante
 
No meu espelho, fico triste em dizer
A imagem que está me obriga ver
Uma versão que eu não queria ter
Uma estrada cansada, esgotada
Dos passos em vão, não do ser
 
Seja o teu ou o meu espelho, a missão é proteger
Da trinca, do azar que a maldição pode abater
Espelhos refletem sonhos que deixamos se esconder
Você, no teu espelho, tua alma te lembra
Reflexo é o que se perde, o que que morreu
E reflexão é o que ousou sobreviver

quinta-feira, fevereiro 22, 2024

Sem Nem Citá-lo

Não vou ter a pretensão de ser inovador
De reinventar falar dele
Será só mais um poema, talvez sem valor
Servirá só pra que eu desanuvie o peito
Já falaram, já cantaram, nada novo pra se expor
 
De novo, novo mesmo, só a quentura, o fervor
De quando ele aparece de repente
Aí a gente nem sabe se seu codinome é beija-flor
Como segredos daquela canção de antigamente
 
É assim que a linha flui ao escritor
Sem nem entender se vem de longe
Pra quem ouve no ar um som se compor
Pra quem prepara um prato
Sem tempero pronto pra dar mais sabor
 
Ele é força, às vezes de vontade, às vezes, motor
Mas, é também jangada, um barco à vela
Ao soprar do vento, êh vento que nem sempre sopra a favor
O vento seca desde tinta na tela
Até a lágrima de um dissabor
 
Carregam nas tintas, fazem combinar toda cor
Ele se sustenta na infinitude
Tim Maia pedia motivos pra dor
Chico tem uma pedra no peito pela mentira
Jobim e Vinícius, como cenário, o Redentor
 
Agora, me diz, adianta apelo ao Senhor?
Apelo pra nunca mais ou pra sempre?
Imagina responder isso, vamos supor
Nunca mais ou pra sempre, vazio ou presente
Prisioneiro, libertador
 
Há quem tenta não dormir e o sonhador
Que faz questão do risco
Poeta tem que ser o risco e o rabiscado
Senão, nem faz sentido a poesia
Tantos versos sobre ele, sem nem citá-lo
Desculpe, sou só um amador.

terça-feira, setembro 05, 2023

Repara Bem

Repara bem
O quanto a gente se vê na escuridão
Não é preferência
Caberia até uma discussão
Filosófica, experimental
Da aparência

Repara bem
O quanto a gente mal se enxerga
Se olha de verdade
Pensa aí: há quanto tempo nem se observa
Dos seus olhos pra dentro
Sua intimidade

Repara bem
O quanto se vê em reflexos do dia
De passagem
Vitrines, janelas em carros ou lataria
Pode até ter desfoque
Mas é sua imagem

Repara bem
O quanto seu olho mesmo desfoca
Sua visão distorce
Ao ponto que nem filtro retoca
Em nenhum grau se vê
Por mais que a vista se force

Repara bem
Reparei pra escrever tudo isso
Era transparente
Eu só me via naquele vidro
Pois era noite
Eu me via em minha frente

De dia,
Não adiantaria eu reparar
Veria o jardim e o que tinha além
Seria bom também de olhar
Mas não veria meus passos
Nem se eu reparasse bem

Ter um "P" de Pelé




Sua pele preta,
sua camisa branca,
Tinham plena sintonia
Com sua companheira
A cada dança
E ela merecia

O escudo no peito
Nas mesmas cores
Fez seu palco uma Vila
Fez tudo primeiro
Lances precursores
Que hoje um craque desfila

Ele parou, no Cosmos.
Uma guerra, adversários
Hoje, parou o Edson
O do CPF, o terráqueo
A Pelé sempre foram postos
Adjetivos extraordinários

Justos! E justo no ano em minutos finais
Quase nos 45 do segundo
A TV volta lá pra 58
O preto e branco do luto
Ocupam todos canais
Emocionam o mundo

Mundo que ele levantou
De azul como a santa
Na mão, nos pés, na cabeça
Camisa amarela ou branca
Em saltos comemorou
Essa imagem que não cansa

Quem cansa de ver gol?
Ainda mais quando é Pelé
Até nos gols que não fez
Sem tocar na bola, olé
Da trave, um vento soprou
Uruguaio apelou pra fé

Teve aquele do círculo central
O Gordon Banks na cabeçada
Todas no México em 70
Pelé eternizou até jogada
Sem grito de gol da geral
De tão magistral
Pelé quem fez a 10 encantada

Entraram mil duzentas e oitenta e duas
Em mil trezentas e sessenta e quatro partidas
Tudo em Pelé é milenar
Mil cento e dezesseis na mesma camisa
Fez a história e cores do Santos, as suas
Fez a histporia do futebol eras distintas

Antes e depois da Majestade
Pelé, adjetivo de referência
Ser o Pelé no que faz
Ser Pelé é a excelência
É transpor a habilidade
Que não se resume à ciência

Compararam os amigos 10
Edson e Diego, Pelé e Maradona
Não era pra haver disputa
Era pra se exaltar a honra
Da bola, que teve o prazer de tocar esses pés
E do céu que os reencontra

Sabe quando se diz que fulano tem um quê?
Que tem algo especial que destoa?
Vamos trocar o Q pelo P? Iria bem nesse caso
P pra perfeito, pra poder, pra pessoa
Se a gente adotasse, aceitasse o tal P
Do Pelé, bastaria o P, fica implícita a coroa. 

sexta-feira, junho 23, 2023

Culpas

Vamos metralhar a petralhada
"Ah, bobagem, figura de linguagem"

80 tiros num carro de família
"Ah, isso é culpa do presidente?"
Ele levou 5 dias pra dizer que foi incidente
E que o Exército era inocente

Veio a pandemia que ele chamou de gripezinha
Pra quem dizia que a família defendia
São quase 700 mil de luto
"Mas, morreu gente em todo mundo"

Sim, só que aqui se recusou vacina
Sabe quantos morreram na China?
Não deu 6 mil; aqui, 100 vezes mais
Mas, a culpa não é dele, não
Coitado, tão capaz

Da gripezinha pra outra 'inha', rachadinha
Mas, na real é tudo 'ão', tudo 'ona'
Um cheque de 89 mil é um checão
E 39 quilos num avião, é besteirinha
Daquela brancona
Sabe aquela farinha que curtia o Maradona?

Você já perdeu alguém?
Seu luto foi mimimi?
Alguém te perguntou: vai ficar chorando até quando?
Tudo bobagem, a gente que fica forçando

Agora, fala aí: já conheceu alguma tribo indígena?
Deve ser uma experiência bacana
Mas, olha, se te oferecerem pra comer carne humana
Talvez não seja de bom grado aceitar
Mesmo que servido com banana
Só acho que com princípios cristãos, não parece combinar

Ah, e quem diria, como chamar de pedofilia
Pintar um clima com uma menina de 14 anos
"Ele tinha outros planos
Averiguar o que acontecia"

Mas, aí o que ele fez?
Acionou a ministra dos Direitos Humanos?
Não, não fez nada, só falou num podcast
Ah, então ele entrou, viu meninas menores venezuelanas
Segundo ele, se prostituindo e não fez nada?
O que faltou pra fazer? Pintar um clima?

Ali no Complexo, só traficante
"Ah, ele só se expressa mal,
Fala sem pensar o que vem na cabeça"
É exatamente isso

Eu não quero pra me representar
Alguém que venha esse tipo de coisa na cabeça
Porque em quem vem esse tipo de coisa na cabeça
Não tem moral, só encontra gente igual
Que o escolhe pra vociferar seu preconceito
Racial, social, sexual, de tudo quanto é jeito
Eu não aceito esse tipo de sujeito
Eu não aceito estar sujeito ao seu normal
Ele não é nem singular, é um zero
Nem esquerdo, nem direito, só um zero
Enquanto nossa força é plural.



Poesias escritas em novembro ou dezembro de 2022

quinta-feira, junho 22, 2023

Menos Terra

Tem mais gente e menos Terra
Menos Terra pra gente
Pra Terra, se a gente "já era"
É indiferente
Ela já viveu outras eras
Bem antes de ter gente

8 bilhões espalhados pelo mundo
Hoje, você já agradeceu sua sorte?
De achar alguém que quer junto?
De um amor que vale a morte?

Quando não se ama o que vale a vida
A vida o que vale, então?
8 bilhões, na visão mais positiva
É mais gente pra ajudar na missão

Em um ano pesado como foi
Mais gente são mais braços
Esse número alcançado em (20)22
Com tantos recursos escassos
Só lá na frente bem depois
Veremos avanços e fracassos

O que vem em 2023
Por enquanto, é só esperança
Pode fazer seus rituais, superstições
Tudo que seu sonho alcança
A fé busca opções
Passos de marcha ou de dança
Vão depender dos seus ouvidos
Como escutam as canções



Poesia escrita entre novembro e dezembro de 2022.

quarta-feira, junho 21, 2023

Carta pra Deus

Na moral, Deus, sou espírita, tá ligado?
Acredito em reencarnação, em evolução espiritual
E tem uma frase tipo "moral da história" que espalho aos chegados
Não peça a Deus paciência, virá algo pra elevar o grau
Peça paz ou sabedoriapra encarar os atrasa-lado
Deus, eu tava aqui ouvindo Chico Buarque - Partido Alto
E tô achando que tu tá de sacanagem, na moral

Que porra de provação é essa, é prova pública pra vestibular
A gente tem que debater c'os irmão que não sai lá da sua casa
Que arma não é um bagulho que cê ia aprovar
Que rir dos outros morrendo não orna com sua palavra
Não consigo imaginá-lo na Galileia a peregrinar
Trombando nego doente, com fome e danando a julgar
Também... quer o quê? Tem um monte de filho essa raça
Que multiplicar peixe, vagabundo? Faz tua vara e vai pescar

Na moralzinha, Deus, deu falha na Matrix numas gerações?
Seus filhos fazendo mó fuá aqui, 'cê' num vem?
Se o Senhor visse os culto, do quanto arrecada nas sessões
Mano do céu, de 10 em 10 por cento, de vários quarteirões
Se ouve os gritão de amém.
Tá nível Fuvest a gente manter cabeça boa com essas questões
Deus, quem se diz seu aliado, até seu porta-voz, nem copiou suas lições
E garantem que vão tá contigo aí no além

A gente tá tão louco das ideia que os seus andam defendendo tortura
Imagino que seja um assunto delicado pra Ti, esse tema é sofrido, doído
E aí, nós, de boa, temos que quase desenhar que esse proceder na postura
Matou inclusive o Senhor e mais um monte que nem foi defendido, protegido
Aí os 'matadô', 'torturadô' são condecorados por bravura
Até contexto pra pedofilia, sua turma hoje em dia procura
A gente que lute pra argumentar com sentido, tamo fudido

Deus, vê se salva a próxima safra, qual insumo tá faltando?
Multiplica aí, 'cê' não é o bichão? O 'oni' tudo? E ó, credita os cashback dessa vida
A gente nem tá evitando a fadiga, tá real se desgastando, eu fico me perguntando
Se a cada reencarnação dá uma evoluída, a gente avança e tu castiga?
Ou o ponto de evolução dessa é dar murro em ponta de faca tentando
A gente até tenta falar, só que até o Papa andam xingando
A mão de tanto murro, tá ferida
Deus, se quiser, dá uma força aí e, se for o caso, 
Se não derem uns bicos nela, pede ajuda pra Aparecida.

terça-feira, junho 20, 2023

Cabeça de um Depressivo

"Cê" tem um minutinho pra me ouvir?
Quem dera fosse claro assim, objetivo
A cabeça de um depressivo (em tratamento, quando escrevi; em alta, quando postei)
A gente nem consegue pedir
E, se conseguisse, talvez nem saberia dizer
Um bom lenitivo, escrever
Margens e páginas percorrer
Depois do comprimido

Enquanto os miligramas agem
Meus versos reagem
Não se comprimem por dosagem
E escrevem, escrevem, escrevem,
Diversas vezes se perdem
No caminho, a mensagem
Os papéis envelhecem
Os estros se esquecem
Foi perdida a viagem
Não, a poesia é desfrutar da passagem

Às vezes, não passa,
Vai um tempo
Com farol travado, vermelho
O verde nem ameaça
O amarelo no centro
Desordena o aparelho

Na cabeça de um depressivo
Destrava o gatilho de repente
Acredite, nem sempre é claro o motivo
Nem tudo que dói é na gente
Na cara, não toma a frente
Por dentro, um ódio agressivo

Invasivo também cabe à definição
Acolhimento é outra parada, parceiro
Ouvidos que consultam o coração primeiro
Terão sempre predileção
Já que leu ou ouviu esse apelo inteiro
Pensa um pouco nisso e obrigado da atenção.

Sorriso Sem Clique

Tem frase dita sem pretensão
Que provoca reflexão
É difícil expressar felicidade
Mais fácil a dor ter expressão
Ela parece ter mais necessidade

Se felizes, podemos sorrir
Gritar, pular, dançar
Mas traduzir com propriedade
No escrever e falar
Tem outra dificuldade

Já a tristeza
Transborda adjetivos
Advérbios, metáforas
Versos contínuos
Rimas, mágoas

Já reparou em quais momentos
Nem foto você tirou?
Lembra aí o sentimento...
Daquele instante...
Alguém 'printou'?
O clique não era importante
Só que a imagem marcou

sexta-feira, novembro 11, 2022

Bolsonarismo

Como chama mesmo aquele negócio lá?
Aquele troço que dá na gente
Faz a gente se agoniar
Ter raiva do diferente
De odiar até parente
Mas, parente também, a gente não pode optar

É um tal 'dum' sentimento
Que o coração chega a ferver
Não tem aquele ar de lamento
É mais um negócio de arder
Queima, mas num chega a doer
A fervura que 'tá' por dentro

É uma mistura que tem quem acredita
Que é paz, chamam até de fé, boa postura
Que a palavra de Deus até explica
Como entenderam na escritura
Que, convenhamos, não é toda criatura
Que é de fato bendita

Sabe o "pegou pra Cristo"? É perfeito.
O povo de Cristo 'tá' louvando torturador
Pedindo matança em nome do respeito
Estão pegando DE NOVO pra Cristo o Senhor
Mata! Em nome do meu cristão valor
Que aí o doutor põe lá no B.O.: suspeito

Olha que eu nem falei o nome
Só pra quem tem visão apurada
Já sabe até o que ele come
Uma falta de empatia como entrada
Um rancor sangrando, uma alma gelada
Menu em branco não apaga fome

segunda-feira, outubro 24, 2022

Não Se Pinta

Sabe o que se pinta?
Quadros, paredes, gravuras
A lápis, verniz, spray, tintas
Primárias, secundárias, misturas
Tonalidades claras ou escuras

Pintam-se também muros
Grafitam cor e suavidade
Nem a arte os deixam menos duros
Pelo duro papel na sociedade
Um obstáculo à propriedade

Sabe o que não se pinta?
A verdade; é sem pintura ou maquiagem
Em idade de adolescência ainda
A inocência toma ciência do homem selvagem
Imposta à convivência, obriga a coragem

Sabe o que também não se pinta?
Clima com menores de idade
Esse clima é uma tempestade infinda
Pintar um clima não tem contexto que cabe
Não tem clima, é um quadro covarde
O nome do quadro?
Deus, Pátria, Família e Liberdade

segunda-feira, outubro 10, 2022

Nem Só Uma Segunda, Nem Só Uma Letra

É uma segunda-feira
Como qualquer outra
Uma manhã costumeira
Em que toca o despertador
E a gente se apronta
Pra luta diária, semanal, mensal...
Pra cair aquele valor
Que a gente ajeita a conta
Pra zerar no final

Só que hoje, essa segunda
Não é primeira, nem terceira,
Nem a última de luta
É uma segunda corriqueira?
Também não, de forma alguma

É uma segunda diferente
Pra alguns, pode estar alegre
Em outras expressões se percebe
A tristeza mais presente

Pode ser decepção, ter sido ilusão
Pode não ser nada disso
Pode estar indiferente
Mas, aquele com sorriso
Pode estampar estar contente

Minha estampa hoje é com letra
Feita à mão, na caneta, na sulfite
E acredite, ou não, a letra que faço
Em palavras não se omite

Sim, é o caso, faço questão
A letra que minha mão esquerda redige
Começa com L: luta como se exige
Liberdade, sim, mas antes,
Libertação!


(escrito dia 03.10.2022 - 1 dia depois do 1º turno)

Um exemplo: Professor

Quanto você tem mudado o mundo?
Seu mundo aí, seu quintal de fundo
Quanto será que você é assunto?
Quantos podem contar que você caminha junto?

Onde está, aí, nesse lugar
Algo você pode contribuir,
Pra evoluir, melhorar
De aprender a ensinar
Consumir, experimentar
Pode se omitir ou levantar

Pensei aqui num exemplo: professor
Que razão a vida teria só acordar
Pra degustar pó de giz, por um X valor
Será que é só isso?
Um papel em branco amassado
Pra uns, é só lixo,
Pra outros, cada linha é espaço
Onde dá pra compor

Uma aula não é só tempo
É uma chance
De um acolhimento
E bem capaz de fazer alguém bem capaz
Mais autoconfiante

A sala é só um espaço de teoria
O mundo é a prática
Cheio de análise, não só sintática
Vista por ângulos não calculados na geometria
Pois, nosso saldo não é pura matemática
Requer sociologia, filosofia
Professor não é só didática
Nem só diploma em pedagogia
É alma empática, arte dramática
Serve-se até de poesia

sábado, outubro 08, 2022

Como é Grande meu Foda-se por Você

Sabe aquela música?
"Mas, com palavras, não sei dizer"
No caso, não é de um amor tão grande
Que pretendo escrever

Sim, é de algo gigante
Talvez até maior que aquele amor
Inegavelmente intrigante
Cada vez mais constante

É também um sentimento
A cada dia mais distante
O alheio sofrimento
Ignorado, irrelevante

Importante é o nosso
E só
Se não me atingem destroços
Que explodam, 
sem dó
Sem ré
Avança, sufoca
O nó
A corda enforca
Do fogo faz pó

Cinzas, sejam quartas, domingos ou quintas
Todos os dias têm
Lágrimas de despedidas
Só de alguns quando se vai alguém

Só que meu país, nesse assunto, já foi bem
Hoje, o mal tomou conta
A ponto de perder a conta
De perder a ponta... da meada
Não se sabe onde o mal acaba
Nem se o bem um dia vem

O verde matou a esperança
Quem disse que ela morre por último?
O amarelo da fartura e bonança
Estampou luito e infortúnio
Não foi por azar, foi previsto
Não faltou avisar, insisto
Rindo, cumpriu-se o intuito

A revolta já deu meia-volta
Inverteu o sentido
Não sente mais pra que lado tem ido
Nem importa
Quem se importa com gente morta?
A gente nem liga pro choro de quem tá vivo.

sexta-feira, outubro 07, 2022

Cores Mortas

Sim, tem cor que mata
Corrigindo: tem cor que faz morrer
No Brasil multicor, dependendo a paleta
É valeta
Caixão, vela preta
Na vala a descer

E aqui é sortido, nada sortudo
Sem sorte, muito menos sorteado
É sempre o mesmo grupo
Colorido, todo preto e vermelho estrelado

Nosso verde da mata mata
Não amarela
Seu progresso desordenado
Deixa sequelas
A união de cores da aquarela
Num tom fosco apagado

Às vezes, é preciso, melhor assim
Que apagado, deletado, 
no sentido de dar fim

Sim, aqui se matam vermelhos
De pele ou de partido
Pretos na pele, e esse é o motivo
Quem é pelo arco-íris identificado
Também muito arriscado
Se está na sigla definido

Sim, é tudo disfarce
Esse país tropical que se fantasia de carnaval
A nossa real face
É ser o país mais perigoso
A quem busque o gozo no sexo igual
Morre pela origem do prazer
Com dolo e com aval
Inclusive eleitoral

Sim, o povo brasileiro se encontrou
Assumiu a postura, impostora
Hipócrita, conservadora
Que tenta se impor
Sem pudor de disparar e matar
Armada, em nome do Senhor
Cristo que nem ouse voltar
Iriam confundí-lo pela cor