Mostrando postagens com marcador sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, novembro 18, 2025

Armas made in Rio

Minha visão anda tão fria
Só que esses dias
A dor que assolou o Rio
Cruzou esse meio fio 
Desalmada com fuzil
Pra invadir a calçada
Pegou descalça
A normalidade falsa
De comunidades abandonadas

Não é que não tem gente
É que essa gente não conta
Quando a mira aponta
Qualquer que seja a contagem
O argumento desmonta
Que foi algo diferente

Não foi!

Não mudou o formato
Não mudou o retrato
Nem o alvo mudou 
Muda-se o endereço
Não muda o desapreço 
Com que o Estado tratou

É geralmente como ele trata
Matar na favela é a bala de prata
Para quem neles vota
Cancela-se o CPF
Nunca o CNPJ
Que tem assinatura
Legenda e legislatura
Só não assina a nota

O chefe que deu o aval
Para que o gatilho policial
Subisse a Penha e o Alemão
Não levou em consideração
Que o que chamaram de megaoperação
Trouxe mais corpos que fuzis
Não pode ser natural
A morte ser tão banal
E dependendo do autor e da cor
São dois ou mais rostos de Brasis

Pra ter tantas palmas quanto balas
Essa conta não condiz
Que a vida isso, a vida aquilo
Não bate com nossas falas
Pro Estado do Rio é a quilo
Que são vendidas, distribuídas
Vidas ceifadas nas armas

Armas que no RJ não são fabricadas
Imagina a 12 ou AK cariocas da gema
Nem vem escrito made in Rio
Made in Morro, dá pra rastrear no sistema
Nem as drogas são ali preparadas
Pela lei, no RJ também são proibidas
Como não compensa ficalizá-las
Já que o preço são vidas
Tudo continua como na semana passada
Só mudar o jovem e a arma empunhada

Daqui uns dias, a dor geral se despede
Nada mais se faz
Quem perdeu alguém, perdeu
Fica o Castr... opa, o rastro de tudo que aconteceu
A falsa sensação de paz
Das belezas naturais
Da cidade maravilhosa
Lema que tanto se vangloria
Até logo mais, em outro dia, 
Tudo recomeça
Sem ensaio de cena, 
Se encena a mesma peça

Mesmo texto
E com pretexto de combate ao crime
O governador define
Foi um sucesso a ação

Da omissão que pouco se diz
Por mais que o morador apele
A dor que vai pro mundo legendada
Aqui, leva a legenda do PL
Só que é dificilmente assimilada

Eu nem consigo explicar
Só lamentar pelo Rio
Que já rendeu tanta poesia
Nessa, não rima janeiro, fevereiro e março
28 de outubro deixou outro verso, outro traço
Um dia, acima de tudo, sangrento
Já pensou se o Cristo Redentor
Com seus estendidos braços
Deixasse o Rio menos violento
Sob o sol, tanto corpo empilhado
Não dá pra culpá-lo do fracasso
Se o passo não muda faz tempo

sexta-feira, novembro 11, 2022

Bolsonarismo

Como chama mesmo aquele negócio lá?
Aquele troço que dá na gente
Faz a gente se agoniar
Ter raiva do diferente
De odiar até parente
Mas, parente também, a gente não pode optar

É um tal 'dum' sentimento
Que o coração chega a ferver
Não tem aquele ar de lamento
É mais um negócio de arder
Queima, mas num chega a doer
A fervura que 'tá' por dentro

É uma mistura que tem quem acredita
Que é paz, chamam até de fé, boa postura
Que a palavra de Deus até explica
Como entenderam na escritura
Que, convenhamos, não é toda criatura
Que é de fato bendita

Sabe o "pegou pra Cristo"? É perfeito.
O povo de Cristo 'tá' louvando torturador
Pedindo matança em nome do respeito
Estão pegando DE NOVO pra Cristo o Senhor
Mata! Em nome do meu cristão valor
Que aí o doutor põe lá no B.O.: suspeito

Olha que eu nem falei o nome
Só pra quem tem visão apurada
Já sabe até o que ele come
Uma falta de empatia como entrada
Um rancor sangrando, uma alma gelada
Menu em branco não apaga fome

segunda-feira, outubro 10, 2022

Nem Só Uma Segunda, Nem Só Uma Letra

É uma segunda-feira
Como qualquer outra
Uma manhã costumeira
Em que toca o despertador
E a gente se apronta
Pra luta diária, semanal, mensal...
Pra cair aquele valor
Que a gente ajeita a conta
Pra zerar no final

Só que hoje, essa segunda
Não é primeira, nem terceira,
Nem a última de luta
É uma segunda corriqueira?
Também não, de forma alguma

É uma segunda diferente
Pra alguns, pode estar alegre
Em outras expressões se percebe
A tristeza mais presente

Pode ser decepção, ter sido ilusão
Pode não ser nada disso
Pode estar indiferente
Mas, aquele com sorriso
Pode estampar estar contente

Minha estampa hoje é com letra
Feita à mão, na caneta, na sulfite
E acredite, ou não, a letra que faço
Em palavras não se omite

Sim, é o caso, faço questão
A letra que minha mão esquerda redige
Começa com L: luta como se exige
Liberdade, sim, mas antes,
Libertação!


(escrito dia 03.10.2022 - 1 dia depois do 1º turno)

sábado, outubro 08, 2022

Como é Grande meu Foda-se por Você

Sabe aquela música?
"Mas, com palavras, não sei dizer"
No caso, não é de um amor tão grande
Que pretendo escrever

Sim, é de algo gigante
Talvez até maior que aquele amor
Inegavelmente intrigante
Cada vez mais constante

É também um sentimento
A cada dia mais distante
O alheio sofrimento
Ignorado, irrelevante

Importante é o nosso
E só
Se não me atingem destroços
Que explodam, 
sem dó
Sem ré
Avança, sufoca
O nó
A corda enforca
Do fogo faz pó

Cinzas, sejam quartas, domingos ou quintas
Todos os dias têm
Lágrimas de despedidas
Só de alguns quando se vai alguém

Só que meu país, nesse assunto, já foi bem
Hoje, o mal tomou conta
A ponto de perder a conta
De perder a ponta... da meada
Não se sabe onde o mal acaba
Nem se o bem um dia vem

O verde matou a esperança
Quem disse que ela morre por último?
O amarelo da fartura e bonança
Estampou luito e infortúnio
Não foi por azar, foi previsto
Não faltou avisar, insisto
Rindo, cumpriu-se o intuito

A revolta já deu meia-volta
Inverteu o sentido
Não sente mais pra que lado tem ido
Nem importa
Quem se importa com gente morta?
A gente nem liga pro choro de quem tá vivo.

sexta-feira, outubro 07, 2022

Cores Mortas

Sim, tem cor que mata
Corrigindo: tem cor que faz morrer
No Brasil multicor, dependendo a paleta
É valeta
Caixão, vela preta
Na vala a descer

E aqui é sortido, nada sortudo
Sem sorte, muito menos sorteado
É sempre o mesmo grupo
Colorido, todo preto e vermelho estrelado

Nosso verde da mata mata
Não amarela
Seu progresso desordenado
Deixa sequelas
A união de cores da aquarela
Num tom fosco apagado

Às vezes, é preciso, melhor assim
Que apagado, deletado, 
no sentido de dar fim

Sim, aqui se matam vermelhos
De pele ou de partido
Pretos na pele, e esse é o motivo
Quem é pelo arco-íris identificado
Também muito arriscado
Se está na sigla definido

Sim, é tudo disfarce
Esse país tropical que se fantasia de carnaval
A nossa real face
É ser o país mais perigoso
A quem busque o gozo no sexo igual
Morre pela origem do prazer
Com dolo e com aval
Inclusive eleitoral

Sim, o povo brasileiro se encontrou
Assumiu a postura, impostora
Hipócrita, conservadora
Que tenta se impor
Sem pudor de disparar e matar
Armada, em nome do Senhor
Cristo que nem ouse voltar
Iriam confundí-lo pela cor

quinta-feira, outubro 06, 2022

As Verdades

O que seria a verdade?
O que se acredita?
Cada um teria a sua, podemos dizer, realidade?
Nem o que se publica
Nem a intimidade
São a verdade absoluta
Há verdades ocultas
E muitas

Talvez a verdade mesmo nem exista
Qual a sua? A que se avista? A do insta?
Ou do travesseiro? Elas falam mesma língua?
Há verdades tão distintas, tão distantes
Seu idioma de antes já virou estrangeiro

Há verdades atualizadas
Que não eram até então
O sistema te obriga a aceitá-las
O sistema te impõe nova versão
O sistema nunca te dá opção

Você já parou pra pensar...
quantas novas verdades você tem?
Por amor, pressão ou necessidade
Qual sua melhor versão já mostrou a alguém?
Qual nunca escondeu de ninguém?
Fala a verdade!

Não é falta de personalidade, nem vaidade
Ver o que nossa alma contém
Com os dados que o mundo retém
Do convívio em sociedade
O saldo é liberdade ou refém?

Sim, você mudou, eu também
Tenho ainda mais à pele a sensibilidade
Só quero propor que repense
Que se lembre de alguém de quem sinta saudade

Saudade não escolhe quem
Ela dói sem piedade
Nem precisa responder
Talvez já esteja até respondido
Sua vida, a minha, a de um desconhecido, 
será que o mesmo preço têm?
Diz aí: sua verdade de hoje
De verdade, te faz bem?

terça-feira, fevereiro 15, 2022

Balas Amargas

Mais um corpo preto assassinado
Mais um corpo preto assassinado
A cada dia, um novo caso
Sem A pra virar acaso
Não é acaso, é descaso

Ou melhor dizendo, tem causa
Só não tem pausa
É um atras do outro
Em comum, a cor do corpo

Dessa vez, um vendedor de balas
Das doces, não das amargas
De por na boca, não nas armas

Balas todos os dias são vendidas
Algumas saboreadas
Outras perdidas
Algumas encontradas
Após perdermos vidas

Uma é 3, duas é cinco,
É um racismo cínico
À luz do dia em Niterói
E o que mais me destrói
É que não acabou
Logo terá outro, sempre preto,
Que, no susto, a arma disparou
 
E não tem idade,
Menino de 9 anos, mesma do meu filho
Também virou alvo do gatilho
Pra ferir o pai, líder na comunidade

Disputas territoriais
Litígio agrário, áreas rurais
Anunciaram-se policiais
Invadiram a casa e sem menos nem mais
Pegaram o moleque embaixo da cama
E mataram na frente dos pais
Nesse caso, vingança, mais que desumana
mas, adivinhe a cor do rapaz
 
Esse, em Pernambuco, Barreiros
De criança, tinha uma charada que eu ouvia
Qual dos estados brasileiros
Com 10 letras e nenhuma repetia
O que de fato o estado brasileiro repete
É o R-A-C-I-S-M-O
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete

sexta-feira, fevereiro 11, 2022

Empatia Sem Empate

Congolês morto a pauladas
Ao cobrar duas diárias ao patrão
Outro, com 3 balas disparadas
Ao pegar a chave no próprio portão

Um comete crime em palavras
Que o nazismo deve ter seu quinhão
É um direito à opinião
Enquanto o presidente ameaça
Deputados envenenam nosso arroz com feijão

Só que a casa que preocupa é a da tela
De vidro mesmo é nosso telhado
Das paredes ao teto, apedrejado
Com nossa cara na janela

Aí surge a palavra empatia
Apelos e vídeos de arrependimento
Eu não me rendo a essa hipocrisia
De desconstruído e aprendendo

Juro, de boa, que eu até me esforçaria
Se houvesse humanidade aí dentro
Se não causasse ou vibrasse nossa agonia
Não empata, não dá harmonia, 
A fala vazia com o procedimento

terça-feira, fevereiro 01, 2022

Por Moïse Kabangabe

Quanto vale o seu dia?
É exatamente isso que eu ‘tô’ perguntando
Quanto vale seu dia?
É... custa quanto?
 
E seu dissesse que seu expediente vale uma vida?
Eu ouviria: como assim? Que exagero...
Pois, eu vivo no Brasil brasileiro
Onde um congolês fez cobrança devida
A grana de 2 dias de lida
Trampando no Rio de Janeiro
 
A cobrança não foi bem recebida
Ali mesmo fizeram o acerto
Espancaram até a morte um corpo preto
Em covardia mais descabida
Eram 5 na mesma batida
Sem prestações
Racismo aqui não é segredo
Ripa de madeira e bastões
15 minutos de agressões
Mataram sem medo
 
Naturalizou-se a tal ponto
Um imigrante morrer espancado
Ainda por cima, amarrado
Por alguns poucos contos
Que o país, mesmo noticiado
Não está em luto pelo rapaz do Congo
Nem se encontra inflamado
Pronto para o confronto
 
E olha que ironia
Quiosque Tropicália
Nem o movimento referencia
Nem o sentimento de um País Tropical
Abençoado por Deus
Ao contrário, parece que fomos abandonados
Cada um que se vire com os seus
 
Barra da Tijuca, 24 de janeiro
24 também a idade
De Moïse Kabangabe
Rio, do mês que ele morreu
Pra ele não será o Rio de fevereiro e março
Pra essa família, o Rio não continua lindo
Ele continua indo
Como se nada tivesse acontecido
Só que aconteceu, eu não disfarço
Meu verso grita escrito
Mas não faz estardalhaço

sexta-feira, dezembro 03, 2021

Primeiros Pretos

Ô, na moral, "cês" já repararam
Que "nóis tamo" em 2021
E ainda é bem comum
Ainda ontem publicaram

A primeira mulher a fazer isso
A primeira pessoa preta naquilo
Primeiro, primeira trans naquilo outro
Sabe de tudo isso o que é mais louco?

É que precisou tanto tempo
Pra um passo que ainda é pouco
Vozes que viraram silêncio
Além dos que seguem roucos

Claro, o passo merece aplauso
Palmas que deveriam ter batido
Seu avô ter ouvido
Ainda menino e descalço

Era pra ser como o carro voador
No passado, o previam
Nesse ar, que não congestionou
As frases que ouviam seu bisavô
Agora há pouco repetiam

Frases e comportamentos
Que o tempo não envelheceu
Vozes jovens as repetem
Com infeliz argumento
É um posicionamento
Direito meu
Ao crivo do crime não submetem

Tem um exemplo aqui
Você conhece Theodosina?
Theodosina Rosário Ribeiro
Esse nome foi o primeiro
Sabe como eu descobri
Primeiro ouvi,
Depois pesquisei e vi

Que, como vereadora, mulher preta
Foi precursora
Na Assembleia Legislativa também
Parece da hora, motiva
A voz preta ativa
Ali, representada, sendo alguém
Só que aí vem o porém

Ela só chegou lá em meia-oito
Em meio a ditadura
Quando o poder era ao meio
meio-censura, meio-tortura

Meio mundo sumiu
E depois da Theodosina
A próxima imagem preta feminina
Que o voto definiu
Exigiu 40 anos sem tanta melanina
Definindo o que é legal pro Brasil

De 83 a 2010
Nenhuma mulher preta botou os pés
A voz na tribuna, como eleita
Surge então, Leci Brandão
Sambista, cabeça feita, de posição

Que não seja mais preciso
Décadas de um intervalo nocivo
À nossa representação, miscigenação
Ao antirracismo
Pense nisso na eleição

Dizem... dizem...
Sabe o que não pode dizer?
Que não foi avisado
É triste a gente tão conectado
Sem nem se entender
Conectado, mas não 'tamo' ligado

Eu nem sei o que eu posso ser o 1º pardo a fazer
Se um dia chegar a ser, eu não queria
Preferiria ser o de número 100, mil
ou até cem mil
Eu queria menos estreito o funil

Pra que, em 2021
Não vire notícia capaz de surpreender
A primeira pessoa X, Y, Z
A alcançar tal desafio

É da hora a notícia da chegada
Mas notícia boa, boa mesmo
Não é notícia atrasada

quinta-feira, setembro 23, 2021

Ignóbil Heinze

Senador Heinze, do Rio Grande do Sul,
Já comecei com uma boa rima
Mas, como na poesia e gramática
Sempre fui nota azul
Prefiro forma mais pragmática
Educada e fina

Ele, que sempre defende cloroquina
Colocou Mia Khalifa em estudo de medicina
Também fala direto de um médico
Concorrente ao Nobel da Paz
Sabe, seu Heinze? Ignóbil, Heinze?
Sabe quem merecia o Nobel da Paz?

Aquela mãe que tem um filho preto baleado
E falam que foi bala perdida
Pra essa caberia, uma honra merecida
Se ela não pega um cano e vai pro arrebento
Essa merecia mais que o reconhecimento

Sabe quem mais?
O Nóbel ou Nobél
Poderia ser dado
A quem revida no papel
Tudo que lhe é roubado

O Nobel da Paz deveria ir pro moleque
Pr'aquela menina
Que cresce na rua, passa fome e ainda sorri
Pra essa criança que a gente vê na esquina
E não cria em si
Naturalmente uma intenção assassina

O Nobel da Paz, seu Heinze, 
Deveria ser sempre de um brasileiro
Viver no Brasil que recusa vacina
E a gente não incendiar o planalto
Com aquele sequestrador lá dentro
Que nos tomou a esperança de assalto
Só confirma

Somos muito da paz
Pacíficos, passivos e pacientes
Intubados, inconscientes
Desacordados, condescendentes
Já imaginou a gente situado
Preparado pra linha de frente
O Nobel, pode deixa quieto, tá ligado?
Eu só quero a paz pra vida da gente.

quinta-feira, setembro 16, 2021

Senta

Pra não ficar de fora
Excluído do momento
Do repetitivo movimento
Que tudo manda sentar
Resolvi participar

Ligo o rádio, batidão
E senta, senta, senta
Nem é mais só o funk pesadão
Antes era o tal proibidão
Hoje, o sertanejo, que era só modão
Já troca o "Aôôô, peããão"
Pelo senta, senta, senta

Ó, tá tudo na boa!
Quem quer sentar, que sente,
que sinta a sentada, sente à vontade

Agora, eu também vou mandar sentar

- Mas, na poesia, Machado?
Sem música, sem compasso?

Sim, da forma que eu faço
Você não vai ficar parado
Aí nesse mesmo lugar

Senta
Senta do dedo na caneta
Senta o verbo no discurso
Senta a ideia, dá a letra
Levanta e se apropria do recurso

Senta,
Senta a mão na cara
Senta a bronca em quem merece
Senta a porrada, se preciso
Em quem senta e se atreve

A sentar no lugar
Pra gente ocupar
Senta, senta o braço
Senta o risco, passa o traço
Em quem senta em nosso espaço

Esses tentam nos calar
Dão uns tiros de 'ameaço'
Muitos outros pra matar
Sentam o dedo nos nossos
Depois, sobre o crime vão sentar
Engavetam folha e corpos
E a gente sentado a olhar

Depois de tanta sentada
Senta a bica
Manda pra longe
Quem acha que define aonde
A gente vai ou fica

Senta, dá aquela estudada
Que aí, "cê" levanta e anda
Não sobra só o senta e quica

terça-feira, agosto 17, 2021

Erres e Erros

Ele, aquele lá, que inflama
Ódio a quem ama
E conclama
Que a população se arme
E não se ame
 
Que diferença faz um “r”...
 
Portanto, não erre!
Que, por esse erro, olha o vexame
  
Tem horas que parece
Que Deus olhou pro Brasil
E deu-nos essa sina
Uma mente assassina
 
Subiu a rampa do Planalto
Verde e amarelo na faixa
Ordem e Progresso na bandeira
 
Da ignorância, o arauto
Da cultura mais baixa
De crueldade rasteira
 
Eu só escrevo poesia
Deixo o samba pros compositores
Mas, lamentos não nos faltam
Pessoas sim, números saltam
Mortos por corruptores
 
Negacionistas da doença que mata
O que mata é que a mensagem
Sequencialmente ignorada
Negligenciada
Poderia ser respondida
E pior, foi proposital
Mas, afinal,
O que esperar de um brutal e boçal genocida?



Coincidência: esse poema entra no blog num dia 17.

quinta-feira, julho 29, 2021

Frio

Está frio, bem frio
Acusam meus pés, mesmo aquecidos
Ou tentando
Em meias de não tão grossos fios
Congelando
 
Claro, tem aí certo exagero
Força de expressão
Não é pra tanto
O frio dos pés não é o primeiro
Que incomoda a sensação
 
Há os sem meias, sem blusas, sem teto
Sem calças, descalços nos concretos
O que não é nada abstrato, nem arte
É na esquina de uma cidade
Chão áspero que arde
Uma criança ao relento,
Desse cenário ser parte
 
Campanhas do agasalho
Campanhas de inverno
Sem colcha de retalho
Sem apoio, sem trabalho
Sem ambiente interno
É tudo, tudo externo
De tudo está fora ao extremo
 
O teto é o invariável breu
Luzes de faróis e da lua
Das estrelas e do poste da rua
E o que aconteceu
Antes de amanhecer
Só quem sub-viveu ou sobreviveu
Que pode dizer
 
Está frio e à noite, aperta
O tempo espaça, passa lento
Será que o sol de manhã conserta
Esse clima de frio (e) violento?

terça-feira, maio 04, 2021

O Voto

O que diz seu voto?
Sim, começo assim, direto
Pergunto no ato
 
Sim, eu me importo
Pode ter mais de um correto
Há também um pior, é fato
 
Eu friamente anoto
Quem votou no abjeto
Pra cobrar o pato
 
Hoje pago em mortos
Num futuro incerto
Ou um plano exato
 
Seu voto significa
O que interfere
O que te atinge
O que te fere
 
Seu voto também diz
Quais pessoas verbais
Além das primeiras
Seu intuito traz
 
O que diz seu voto
Quando nenhum te representa
Há lutas que se discorda
Há monstros que se enfrenta
 
Sabe o que também diz seu voto?
Qual bandeira você agita
Se os seus, ela acolhe
Diz o que tu acreditas.
 
Seu voto também fala de você
Não se isente, por favor
Não é cochicho, nem fofoca
É o que te dói pra se opor
 
Seu voto diz onde te dói
E o que tanto faz
Seu voto pode não querer guerra
Mas não primar pela paz

quarta-feira, abril 28, 2021

É... Guedes

É... Guedes, a gente quer viver
Por isso que a gente tanto contraria
O seu trabalho pra gente morrer
Nossa ambição nos diferencia
 
Vocês nos calculam na economia
E a gente calcula os presentes
Os sobreviventes
Desse genocídio na pandemia
 
Nosso cálculo não é no Fundo de Garantia
É na garantia que no Fundo do coração
Não vamos perder um irmão
Seja de sangue, seja da vida
 
Guedes, sim, queremos saúde e chegar aos 100
Três dígitos na identidade
Um a menos do que vocês matam por dia
Sorrindo, zombando da saudade
 
Guedes, imagina bater 101, 102, 103
E ter quem nos ama agradecendo
Não, por você não terá tal intento
Pra você, o que conta é a Previdência
E sim, seremos sempre seu tormento
O pesadelo, se tiver uma consciência
 
Vocês nunca entenderão
Que são o mais tenebroso momento
Que matou uma multidão
 
O tempo os levará muito além da prisão
Seremos a assombração do seu pensamento
Sempre caminhando contra o vento
Vocês roubaram o documento da nossa nação
 
Nossa bandeira é o tecido que embrulha caixão
O verde e amarelo tão vivos
São a cor do luto pro mundo e nós sabemos a razão
Os culpados e os omissos
 
Pela vacinação, pelo pão, arroz e feijão, pela refeição
Sem fundos pra garantia no prato
Sem doses pra garantia no braço
Sem um verbo que seja exato
Só não digo que não tem verbo
Porque deixar morrer também é ato.

quinta-feira, março 04, 2021

Numericamente


No dia que tivemos 1910 mortos por COVID-19, tivemos um clássico na capital de um dos times fundado exatamente nesse ano, 1910, de cores branca e preta, um time de massa. Mas não é da bola que rolou na grama verde, cor do seu adversário, que quero falar. 

Concentro-me nas cores de um dos times: o branco de quem luta pela vida, dos médicos e aventais estafados numa saga que não termina. E o preto do luto que vai tomando a bandeira tão viva em suas cores verde, amarela e azul. O jogo teve 4 gols, um pra cada dígito de mortes em um só dia. Um pra cada ponto percentual negativo do resultado do nosso PIB também divulgado hoje. Aqui, o gol tem sido sempre contra. Contra a nossa meta. E a meta de quem deveria defender é rir, caçoar, zombar das mortes e antes ironizavam uma fala que não havia uma meta, mas, quando se alcançasse, 'dobraríamos a meta'. Hoje, a meta é a morte. Já dobramos, triplicamos, multiplicamos por 10 e vamos seguir avançando para outro lema: "BRASIL ACIMA DE TODOS", no ranking de vítimas fatais da COVID-19.

Hoje bateram 10 aviões da TAM, como o voo 3054, em 2007. Nove deles cheios e um com pouco mais da metade da capacidade. Se você não sente o peito doer com isso, vá se tratar urgente.
 
Se você não dorme e acorda todo dia com ódio do negacionismo do presidente em relutar na aquisição de vacinas, você realmente está vivendo em um mundo paralelo. Vá se tratar também. 

Bons tempos que o que mais doía era um 7x1, ou melhor, o jogo era aqui, 1x7. Agora, vc tira o x desse meio e usa pra representar o negacionismo, o X em relação a termos vacina. Nada, só X em todo lugar. E quantos nomes, pais, avós se foram deixando o X da questão: quem é o culpado?
O nosso 1 a 7 não foi assinalado com X.  Foi apertado o botão verde, como nossa bandeira, escrito CONFIRMA.
E HOJE? 
VOCÊ SE CONFORMA?

terça-feira, fevereiro 02, 2021

Meu Doce Brasil

Ah, meu Brasil

Esse país é uma doçura
O problema é a fatura
E aquela criatura

Aqui é terra de fartura
E de fratura
Na conta pública
Exposta, posta, reposta
Só a resposta que é impura
Ou puramente suja

Aqui, o leite condensado
Não é só ingrediente
De pudim e rapadura
Ele serve pra mostrar que o presidente
Nessa lata se lambuza

Ah, Moça, quanto você custa?
162 reais a lata,
sem pechincha, sem desculpa
Você pode me distribuir no Exército
Para todos os soldados
Pode me por em fervura
Pode me usar na receita
Pode me usar na suruba

Depois, um chicletinho pra relaxar
Liptus, mentol, pra dar frescor
Afinal, não tenho frescura
Atendo do Planalto à prefeitura
Da democracia à ditadura
Todos apreciam meu sabor

Docinho, saboroso, do início ao fim
Misturo com amendoim
Pagam R$5,45 por uma de mim
Paçoca, soca, soca, soca assim
E pode botar chantilly
É assim que o povo gosta
E juntinho, a gente ri

Ah, num ri não? Ri sim.
Coletiva: a lata de leite condensado
É pra vocês enfiarem na bunda
Aplausos, risos e gritos
Enumero as classes de filhos da puta

Ministros, inclusive o da Cultura
Agora, não é mais ministério
É secretaria, e é uma fria cada dia que dura

Os sertanejos, alguns tiveram a cara dura
De querer separar a postura
Não foi um encontro político
Então, vamos excluir o modo crítico nesse caso

Caso, o goleiro Bruno o convidasse
Pra um churrasco num sítio você iria
Pra bater uma bola seria

Se a Richtofen fosse sua fã
E te chamasse pr'um almocinho aleatório
Compareceria?

Não, Sorocaba, não acaba de foder o rolê
Que já ta mais que fodido
Falo dele porque veio se defender
Pois foi atacado, ofendido
Convenhamos, merecido

Não se senta à mesa da ditadura
E finge não sentir a agrura
O refluxo apura
Na boca, secura
O silêncio é o gesto que atura

Não se senta à mesa
De quem não tem defesa
De quem ironiza a morte
Da carne compartilham o corte

Não se senta à mesa e se cala
De quem prefere bala
E não se abala
Com mais de 220 mil perdas

Não se senta à mesa
E se serve da mesma bandeja
Não se compartilha da mesma bebida
Que molha as palavras de um genocida

quinta-feira, janeiro 28, 2021

Até Onde Eu Sabia

Até onde eu sabia
Cada um tem sua função
A experiência lhe concedia
Habilidade na profissão

Até onde eu sabia
O cozinheiro cozinhava
A costureira cerzia
O professor ensinava

Até onde eu sabia
O mecânico consertava
Pintava na funilaria
Pneu, a borracharia arrumava

Até onde eu sabia
A carne, o açougueiro cortava
A atendente te recebia
E a caixa te cobrava

Digo "Até onde eu sabia"
Porque eu acho que eu não tô sabendo mais
Em 2021, numa pandemia global
Se questionam Órgãos de saúde mundiais

Até onde eu sabia e o Ministério da Saúde advertia
Em caso de necessidade, procure um médico
Não é por nada, não, 
mas, acho que esse é um caso de necessidade
Aí aquele tio do zap acredita no cap.
no mentecapto do capitão reformado
O mundo inteiro tem pesquisado, estudado
Mas, o certo é o presidente do Brasil
Não, porra! Cala a boca, imbecil!

Até onde eu sabia, a tia que via a receita da Ana Maria 
Só palpitava se no bolo vai coco ralado ou não
Agora, formada no whats, com pós no face
Sempre dá opinião

Até onde eu sabia
Quando se ia na oficina
O médico apontava
É a rebimboca da parafuseta
Não cabia discutir, se a peça era da China
Afinal, ele que manjava
Como tentou respeitar o Mandetta
Hoje, poderiam questionar
Pega seu carro então
E leva pro padeiro olhar
Até onde eu sabia
Padeiro fazia pão

IMUNOLOGISTAS
Esse é o nome da profissão
Com a missão de nos salvar
Estão com nossas vidas na mão
Eles, os médicos e os cilindros de ar
E devido à apatia
Um pouco de fé, não faz mal, não
Vale também se ajoelhar

Até onde eu sabia,
o mundo todo sabia
Que poeta faz poesia
Vacina combate pandemia
Sua pretensa sabedoria
Ignorante com valentia
Só deveria se calar

quarta-feira, janeiro 27, 2021

Como Chegamos a Esse Ponto?

Como chegamos a esse ponto?
E não é o final, ainda tem mais oração
Ponto final, parágrafo, na outra linha, travessão.
- Vacinação vai começar dia D, na hora H
Houve uma série de piadas usando outras siglas
Gerou repercussão
Era essa ideia, todo mundo comentar

Querem piadas, pois fazem de nós, piadas
Ou fazem piadas de nós, como queiram
Somos os personagens da anedota
Eles invertem o papel
Fazendo a gente de idiota

Sendo que o maior dos idiotas
Está lá no planalto
Elegeram com a desculpa (esfarrapada)
Que ele acabaria com o assalto
Às contas do país

Ele só acabou mesmo com o país
Não com o assalto, ao contrário
Pra isso, os filhos lucram alto
Chocolates, laranja, açaí
Tudo na área alimentícia
Sabe aquele posto do Pergunta ali?
Guedes é falácia, evolução fictícia
Queiroz e o condomínio da milícia
E nem precisam fugir
Está com eles, a polícia
O policial, cidadão
E a instituição, até esfera federal

Moro, Weintraub, Damares e Salles,
Todos fizeram parte
Desse genocídio infernal
Desde o começo com Mandetta
Até o capeta deve olhar com muito orgulho
O que fez e faz esse pessoal

Como chegamos a esse ponto?
Que o Butantan, centenário
Tivesse a confiança discutida
Com tanto argumento precário?

Como chegamos a esse ponto?
Que tomar vacina é errado
Que cloroquina salva vida
Que seu DNA será chipado

Como chegamos a esse ponto?
Desacreditar do especialista
A burrice se encontrou com a prepotência
Que é tudo uma conspiração comunista

Como chegamos a esse ponto?
Do imbecil perder a vergonha de ser
De seu achismo se opor à ciência
Talvez, eu consiga entender
Elas se veem no espelho
A estupidez elevou ao poder
Aquele filho da puta
Que ocupa a presidência