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sábado, agosto 21, 2021

Perdida

A palavra PERDIDA
Me achou, me confundiu, me perturbou
A bala, só costumamos citá-la
Se ela se alojou
 
Em um corpo,
geralmente,
quase sempre todos
Da mesma cor
 
Até ela tem endereço
O destino do seu feito
Recebe até flor
 
Perdida
Quando se fala em vida
Pega a via em qualquer mão
Dizia que perdida era a da prostituição
Perdida? Como perdida?
Tão achada e consumida
Por um troco de tostão
Perdida é a partida sem razão
Que poderia ser prevenida
Perdemos de um em um
Mais de meio milhão
A mensagem ficou perdida
 
Ignorada, não respondida
Por omissão
GE-NO-CI-DA
Vidas que poderiam ser encontradas,
abraçadas, nem tiveram despedida
Aproximação proibida
Distâncias limitadas
Só que perdemos a medida
 
Rotas
Entramos em ruas erradas
Contornamos pontes e avenidas
Os GPSs indicam
Recalculando
Para, encosta e retoma
O caminho ali se desenhando
 
Enquanto há caminhos no escuro
A gente segue estudando
Se formando, trabalhando
Tudo em nome do futuro, inseguro
Construindo nosso chão
Mesmo com ele nos pisando
 
E toda condição sofrida
É vista como etapa
Que vai ser vencida
Na frase mais contraditória
Uma vitória perdida
 
Vencem boletos, meses
E cai o salário
A gente ainda sonha, às vezes
E desperta pro mundo contrário
Quem levanta pra levantar o necessário
Faz da rotina seu pão,
O alimento diário
Matutino
E a palavra perdida, quando vai pro masculino
Ganha um tom intencional
Uma fuga pra não ser percebida
Por alguma ação escondida
No mundo filmado e transmitido
Em tempo real
Do perdido planejado
Ao nada plano, social
 
Socialmente pensada
Pra não ser dividida
Duelo de mão contra espada
Arma contra alma, L ou R na parada
Para! Essa luta, só por existir já está definida
 
Se uma munição está preparada
Engatilhada
Nem a bala nem a mira
Que deveria se chamar de perdida

terça-feira, agosto 17, 2021

Erres e Erros

Ele, aquele lá, que inflama
Ódio a quem ama
E conclama
Que a população se arme
E não se ame
 
Que diferença faz um “r”...
 
Portanto, não erre!
Que, por esse erro, olha o vexame
  
Tem horas que parece
Que Deus olhou pro Brasil
E deu-nos essa sina
Uma mente assassina
 
Subiu a rampa do Planalto
Verde e amarelo na faixa
Ordem e Progresso na bandeira
 
Da ignorância, o arauto
Da cultura mais baixa
De crueldade rasteira
 
Eu só escrevo poesia
Deixo o samba pros compositores
Mas, lamentos não nos faltam
Pessoas sim, números saltam
Mortos por corruptores
 
Negacionistas da doença que mata
O que mata é que a mensagem
Sequencialmente ignorada
Negligenciada
Poderia ser respondida
E pior, foi proposital
Mas, afinal,
O que esperar de um brutal e boçal genocida?



Coincidência: esse poema entra no blog num dia 17.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Mataria?

Você tem direito, sem punição
A cometer uma infração
Qual seria?

Adaptando a questão
Uma chance na munição
Quem mataria?

Faça a sua reflexão
Seu rancor ia pra ação
Um fim daria?

Eu tomei minha decisão
Eu sendo alvo ou opção

Só assim, atiraria!

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Refletiro

Nosso irmão foi atingido
Eu fabriquei a munição
Não pensei ser pro inimigo
Que acertaria meu irmão

Ah, se eu tivesse refletido
Ou tido mais percepção
Era tão distante o som do tiro
Que não tive a dimensão

É, meu irmão, meu vizinho, meu amigo
Tem quem diga: percebi e me arrependo
Hoje, choro por ti; choraria, fosse comigo
Choro pelo odioso momento

O ódio que vai, volta mais combativo
Não escolhe alvo, vai pro arrebento
Não fui o disparo, fui só o gatilho
Fiz o fuzil e a bala; e agora, me rendo.