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sexta-feira, junho 23, 2023

Culpas

Vamos metralhar a petralhada
"Ah, bobagem, figura de linguagem"

80 tiros num carro de família
"Ah, isso é culpa do presidente?"
Ele levou 5 dias pra dizer que foi incidente
E que o Exército era inocente

Veio a pandemia que ele chamou de gripezinha
Pra quem dizia que a família defendia
São quase 700 mil de luto
"Mas, morreu gente em todo mundo"

Sim, só que aqui se recusou vacina
Sabe quantos morreram na China?
Não deu 6 mil; aqui, 100 vezes mais
Mas, a culpa não é dele, não
Coitado, tão capaz

Da gripezinha pra outra 'inha', rachadinha
Mas, na real é tudo 'ão', tudo 'ona'
Um cheque de 89 mil é um checão
E 39 quilos num avião, é besteirinha
Daquela brancona
Sabe aquela farinha que curtia o Maradona?

Você já perdeu alguém?
Seu luto foi mimimi?
Alguém te perguntou: vai ficar chorando até quando?
Tudo bobagem, a gente que fica forçando

Agora, fala aí: já conheceu alguma tribo indígena?
Deve ser uma experiência bacana
Mas, olha, se te oferecerem pra comer carne humana
Talvez não seja de bom grado aceitar
Mesmo que servido com banana
Só acho que com princípios cristãos, não parece combinar

Ah, e quem diria, como chamar de pedofilia
Pintar um clima com uma menina de 14 anos
"Ele tinha outros planos
Averiguar o que acontecia"

Mas, aí o que ele fez?
Acionou a ministra dos Direitos Humanos?
Não, não fez nada, só falou num podcast
Ah, então ele entrou, viu meninas menores venezuelanas
Segundo ele, se prostituindo e não fez nada?
O que faltou pra fazer? Pintar um clima?

Ali no Complexo, só traficante
"Ah, ele só se expressa mal,
Fala sem pensar o que vem na cabeça"
É exatamente isso

Eu não quero pra me representar
Alguém que venha esse tipo de coisa na cabeça
Porque em quem vem esse tipo de coisa na cabeça
Não tem moral, só encontra gente igual
Que o escolhe pra vociferar seu preconceito
Racial, social, sexual, de tudo quanto é jeito
Eu não aceito esse tipo de sujeito
Eu não aceito estar sujeito ao seu normal
Ele não é nem singular, é um zero
Nem esquerdo, nem direito, só um zero
Enquanto nossa força é plural.



Poesias escritas em novembro ou dezembro de 2022

quinta-feira, junho 22, 2023

Vencemos

Sim, pode sorrir
Livres, libertamo-nos, liberdade
Lutamos pra atingir
Quem nos fez alvo pra ferir
Nossa sanidade

Sofremos pra resistir
À imensurável crueldade
Vendo gente nossa partir
Com eles a consentir
Sem qualquer piedade

Escolhemos o "L" da luta
Contra o "B" da barbárie
Vencemos a desigual disputa
Amigo, comemora, desfruta,
Antes que o outro lado dispare

Esse é o padrão de conduta
Do mau perdedor, repare
Armam-se em covardia absoluta
Só que nossa gente junta
Leva vantagem

Levamos vantagem sim, vencemos
Ganhamos, derrotamos a máquina
Do golpe pra cá, nada tivemos
Até sorrir, desaprendemos
Quase esquecemos
Desesperança trágica

Recuperar o que perdemos
De fé e amor, somos uma fábrica
Ao nosso lugar, voltaremos
Ao seu dispor, não estaremos
E é pra ontem, pra por em prática

Onde nos querem, nós não queremos
Não nos curvaremos ao que oferece
Nenhum passo atrás, não retrocedemos
Comemore, sobrevivemos
Cada um de nós, merece

Foram bilhões, mansões, bolsolões
Ônibus interceptados
Foram assédios pelos patrões
Pro passe livre, precisamos de ações
Pro cidadão ter votado

E derrotado, o lado errado faz manifestações
Contra a democracia, contra a realidade
Em mente vazia, vozes de alucinações
É tanta vergonha, em tantas versões
Que a risada nem é por maldade

Teve o que se pendurou no caminhão
Teve choro no quartel e hino a um pneu
Teve um lado vitorioso na eleição
Ver quem se enxerga no capitão
E é tanta gente que, nem importa
Mesmo ganhando, enquanto gente, a gente perdeu



Poesias escritas em novembro ou dezembro de 2022

sexta-feira, novembro 11, 2022

Bolsonarismo

Como chama mesmo aquele negócio lá?
Aquele troço que dá na gente
Faz a gente se agoniar
Ter raiva do diferente
De odiar até parente
Mas, parente também, a gente não pode optar

É um tal 'dum' sentimento
Que o coração chega a ferver
Não tem aquele ar de lamento
É mais um negócio de arder
Queima, mas num chega a doer
A fervura que 'tá' por dentro

É uma mistura que tem quem acredita
Que é paz, chamam até de fé, boa postura
Que a palavra de Deus até explica
Como entenderam na escritura
Que, convenhamos, não é toda criatura
Que é de fato bendita

Sabe o "pegou pra Cristo"? É perfeito.
O povo de Cristo 'tá' louvando torturador
Pedindo matança em nome do respeito
Estão pegando DE NOVO pra Cristo o Senhor
Mata! Em nome do meu cristão valor
Que aí o doutor põe lá no B.O.: suspeito

Olha que eu nem falei o nome
Só pra quem tem visão apurada
Já sabe até o que ele come
Uma falta de empatia como entrada
Um rancor sangrando, uma alma gelada
Menu em branco não apaga fome

quinta-feira, outubro 27, 2022

Carta-Símbolo

Bom dia, tudo bem? Espero que sim. Bom, eu estou te escrevendo isso, pois, gostaria muito de sua atenção em alguns poucos minutos desta leitura. Como você está lendo, foi trazido até aqui por algum amigo, algum link, alguma pessoa da qual você tem um mínimo de consideração para que ela enviasse e você se desse ao trabalho de abrir. Obrigado desde já!

Queria muito só conversar contigo sobre esse momento de muita atenção e tensão que se aproxima. “Ah, mas, eu não ligo pra política”. Bom, eu tenho uma notícia triste pra te dar. Você ligando ou não, ela acontece e conforme acontece altera a sua vida e a minha. “Mas, pra mim, eu tenho que trabalhar pra ‘baralho’ do mesmo jeito, ganhe quem ganhar”. Sim, disso não estamos livres, afinal, estamos no mesmo grupo. Você pode ganhar 10, 50 vezes mais que eu ou metade, 1/3 do que ganho e, ainda assim, estamos no mesmo grupo. O dos pobres e trabalhadores. “Mas, eu tenho uma vida estável, casa própria, propriedades, carros, imóveis...” Enquanto você tiver que trabalhar para manter ou tudo isso não veio de herança, você está no mesmo grupo que eu e que muitos que ganham até menos. Mas, não é nisso que quero despender seu tempo.

Hoje, não vim aqui pedir voto, vim propor um papo, do qual estou inteiramente aberto a ouvir suas ponderações. Hoje, quero trazer pra conversa seu olhar mais crítico possível sobre nossa história. Não só do Brasil, mas, do mundo. Certa vez, aprendi no filme “V de Vingança” que um prédio, uma obra, uma construção, um monumento só têm importância pela sociedade que o cerca e o que ele representa pra ela. Por exemplo: imagine um atentado no Brasil. Se uma bomba ou um avião, como ocorreu nos Estados Unidos no 11 de setembro de 2001, atinge um monumento de uma praça qualquer em uma cidade qualquer. Para a população local, causa um impacto. Agora, imagine estes mesmos aviões atingindo o Cristo Redentor. Ambos são monumentos, ambos têm sua representatividade, no entanto, o ataque ao símbolo (talvez o mais) conhecido do Brasil tem outros olhares, e repito, quer você ligue pra isso ou não. Uma explosão ao Cristo Redentor simboliza um ataque à fé cristã, um ataque com o intuito de ferir a imagem do Brasil perante o mundo ou demonstrar nossa fragilidade em segurança, ou seja, há uma série de simbologias que cercam. Fosse uma obra qualquer em um canto qualquer, poderíamos até lamentar, mas, ok, bora pro próximo assunto, vida que segue.

Mas, o que isso tem a ver com a política e as eleições? TUDO, meu amigo, absolutamente tudo. Estamos vivendo um período em que as pessoas estão achando que um fato, uma fala, um ato ou negligência é só um fato, uma fala, um ato ou uma negligência. Tudo o que a gente faz simboliza algo. Aí, na sua família, sabe aquele cuidado em algum encontro de não fazer ou falar algo porque isso pode machucar a outra pessoa? Sabe quando você pensa 1000 vezes no que vai dar de presente para um irmão e pra outro para que não haja uma interpretação de preferência ou algo do tipo? Isso é política, meu amigo, quer você goste, queira ou não. Mas, meu foco não é um presente, nem a sua reunião familiar, mas, entendermos que qualquer ação vai além dela, tem continuidade, interpretações e desdobramentos.

Além dos exemplos explosivos ou familiares, poderia citar também simbologias e sinais de afetividade. Quando você vê um traje de um personagem do programa que adorava quando criança, você pode ter se tornado a pessoa mais fria e dura que há e respeito qualquer que seja o histórico de vida que te trouxe até isso, e, mesmo assim, essa memória, eu sei que dá aquele quentinho no coração de reativar lembranças afetuosas e agradáveis. Mas, no fundo, no fundo mesmo, é só uma roupa. Só que, pra você, não. Entende?

Isso vale tanto lá quanto cá. Se dá aquele conforto, pode dar angústia também. Se você tiver em algum cantinho da sua memória algum período de dificuldade financeira, de saúde, de uma saudade, qualquer situação que te destrave essa lembrança, você sentirá o amargor na boca. Você já pode ter perdido um familiar e lembrar quando passa em uma rua, quando sente um cheiro, pode ser até do hospital, enfim, esses gatilhos quando disparam dificilmente conseguimos conter a munição.

Hoje, vivemos uma série de símbolos todos os dias, de falas que vão muito além de um texto ou de uma voz que pronuncia. Eu, por exemplo, não vivi a ditadura, porém, sou jornalista e estudei o que foi feito. Quando ouço alguém falar em prol disso, o sangue ferve, o refluxo sobe e a boca é consumida por um péssimo sabor. Quando todos os símbolos de um movimento são copiados representa que você se identifica com ele. Vamos a mais um exemplo: (hoje eu tô cheio de exemplos, né?) quem gosta de rock, como identificamos? Claro, há uma série de estereótipos, porém, quando se vai a um show desse gênero musical, você entende aquela tribo, aquele grupo, pela cor preta das roupas, pelos gestos com as mãos, pelos cabelos ou pela falta deles. Sim, isso é um estereótipo, porém, dificilmente, veremos junto ao grupo de roqueiros, estilos muito destacados. O estilo faz parte do contexto, do pertencimento.

Como eu disse que a adequação aos símbolos de um estilo aproxima quem se identifica e nos insere em um grupo, isso também vale para o bem ou para o mal. Na história, temos simbologias ditatoriais, fascistas, nazistas, e todas elas têm seus códigos que aproxima os interessados a pertencerem ao cenário e contexto. Hoje, no Brasil, ainda vemos denúncias e prisões de grupos que se utilizam da suástica, símbolo do nazismo. Outros símbolos e estéticas do movimento foram reprisadas recentemente, como um cenário, o copo de leite e até a trilha sonora. “Ah, mas é só um copo de leite”. (volte ao início e leia até entender, obrigado)

Passeios de moto ou motociata, como chamam agora, fizeram parte de movimentos fascistas com Mussolini, na Itália. E seguem rememoradas, revisitadas e na versão brazuca. Ou seja...

À parte disso, se eu só propusesse que você pensasse no nazismo, no fascismo e na ditadura, eu te perguntaria: as pessoas que exaltam esses movimentos, se engajam a eles, votaria em quem? É do lado dessas pessoas que você quer estar?

Tem uma frase do Ernest Hemingway que diz: “- Mas, quem vai estar ao meu lado na trincheira? - E isso importa? – Mais que a própria guerra”.

É sobre pertencimento. Quem são os seus?

Olha só o que aconteceu com a camisa do Brasil, da Seleção Brasileira, em pleno ano de Copa do Mundo. Seria porque só esse grupelho defende e representa o Brasil? Não, houve um sequestro com essa finalidade. A de mostrar que o verde e o amarelo pertencem a eles. Não, não pertencem. As cores e nossa bandeira foram símbolos roubados, usurpados. "Ah, mas é só uma camisa amarela, qualquer um pode usar". Não mesmo. Quem opta por usar já é identificado como sendo de um bando. Entende o quanto um simples pano de uma simples camiseta não é só um tecido com uma mera estampa? Assim como o Monte Fuji, no Japão, a Torre Eiffel, em Paris, você pode simplesmente ignorar a existência e isso não ter valor pra você. PRA VOCÊ. O que não tira o valor real destes pontos turísticos que levam interessados do mundo inteiro a conhecerem e, simplesmente, chegar perto, tirar uma foto no local simboliza para cada ser a história que o levou até lá. Você pode desprezar o que cada símbolo representa e, mesmo assim, ele ainda representa.

Quando você se junta a um grupo pela fé, há uma série de representações, seja pelas roupas, pelas palavras ou expressões do vocabulário que te incluem ali. E você pode, mesmo sendo de um determinado perfil, conviver, respeitar e até amar ao próximo, mesmo que o vocabulário, trajes e expressões sejam diferentes do seu. Sim, isso é possível e até permitido. Pode parecer ridículo o que escrevo, mas, não, no Brasil de hoje, não é, se faz necessário reforçar, escrever, deixar claro. Seguindo este conceito de amar ao próximo, quem você tem visto fazer exatamente o contrário? “Ah, mas tem dos 2 lados”. Sim, pode haver, mas, você sabe que não é na mesma proporção, você sabe. Outra coisa que você sabe é que Deus, Jesus, ou o nome que der para seu ser superior que acredita, é que ele era a imagem da bondade, da essência da expressão compartilhar (muito antes do uso atual). Hoje, se ataca quem combate a fome, quem defende o amor, quem aponta e critica o ódio. Que Deus é esse que você cultua? Será que se ele voltasse, vocês andariam juntos? Você o seguiria? Ou daria hate?

Hoje, não estamos defendendo ‘o nosso’. Estamos tentando defender “os nossos”. Mas, está bem difícil de mostrar aos nossos que estamos no mesmo bote salva-vidas, não é nem um barco, não. Parece que quem pensamos ser os nossos, no fundo, almejam nos derrubar do bote, isso sim. Só esquecem que, se houver um remo e precisar remar, é melhor não estar sozinho se quiser ir mais longe. E mais, é melhor a remada ser coordenada para não andarem em círculos sem sair do lugar.

Ah, e cuidado, se aparecer um transatlântico, ele nem vai te ver ou ouvir. Só vai passar por cima. Vocês não estão no mesmo barco.


segunda-feira, outubro 24, 2022

Não Se Pinta

Sabe o que se pinta?
Quadros, paredes, gravuras
A lápis, verniz, spray, tintas
Primárias, secundárias, misturas
Tonalidades claras ou escuras

Pintam-se também muros
Grafitam cor e suavidade
Nem a arte os deixam menos duros
Pelo duro papel na sociedade
Um obstáculo à propriedade

Sabe o que não se pinta?
A verdade; é sem pintura ou maquiagem
Em idade de adolescência ainda
A inocência toma ciência do homem selvagem
Imposta à convivência, obriga a coragem

Sabe o que também não se pinta?
Clima com menores de idade
Esse clima é uma tempestade infinda
Pintar um clima não tem contexto que cabe
Não tem clima, é um quadro covarde
O nome do quadro?
Deus, Pátria, Família e Liberdade

sábado, outubro 08, 2022

Como é Grande meu Foda-se por Você

Sabe aquela música?
"Mas, com palavras, não sei dizer"
No caso, não é de um amor tão grande
Que pretendo escrever

Sim, é de algo gigante
Talvez até maior que aquele amor
Inegavelmente intrigante
Cada vez mais constante

É também um sentimento
A cada dia mais distante
O alheio sofrimento
Ignorado, irrelevante

Importante é o nosso
E só
Se não me atingem destroços
Que explodam, 
sem dó
Sem ré
Avança, sufoca
O nó
A corda enforca
Do fogo faz pó

Cinzas, sejam quartas, domingos ou quintas
Todos os dias têm
Lágrimas de despedidas
Só de alguns quando se vai alguém

Só que meu país, nesse assunto, já foi bem
Hoje, o mal tomou conta
A ponto de perder a conta
De perder a ponta... da meada
Não se sabe onde o mal acaba
Nem se o bem um dia vem

O verde matou a esperança
Quem disse que ela morre por último?
O amarelo da fartura e bonança
Estampou luito e infortúnio
Não foi por azar, foi previsto
Não faltou avisar, insisto
Rindo, cumpriu-se o intuito

A revolta já deu meia-volta
Inverteu o sentido
Não sente mais pra que lado tem ido
Nem importa
Quem se importa com gente morta?
A gente nem liga pro choro de quem tá vivo.

sexta-feira, setembro 24, 2021

Ele Na ONU Não É Nóis

Sabe quando a gente nem quer mais falar?
É esse o limite pra aceitar a derrota
Eles não querem apenas triunfar
Eles querem além da vitória
Nosso direito ao sonho e lugar
Eles querem roubar
Como a luta e história

Eles tomaram sim e falam pela gente
No espaço público, na TV, na Organização das Nações Unidas
Ele está lá, afinal, é o presidente
Pela votação (na urna eletrônica) a ele conferida
Perante o mundo, indiscriminadamente, mente
A recepção estrangeira é condizente
Ao desdém e nojo com que ele trata vidas

Em 12 minutos, mentiu, mentiu e mentiu de novo
De tão abjeto, desfilou sua arrogância
800 dólares de auxílio pro povo?
Omitiu que no Brasil a ganância
Deixa o agro (nada pop) resolver no fogo
As reações são asfixia e ânsia

Amazônia, índio, tudo por ele era extinto
Como qualquer decoro e diplomacia
Covid sufocando, ele imitando e rindo
Testemunhou que usou remédio que não servia
Falou pro mundo de cloroquina e não entendia
Porque ninguém estava seguindo
O tratamento precoce que ele vem insistindo
E a ciência séria não consentia

Não acabou por aí o pronunciamento
Disse que afastou socialismo e corrupção
Não faz ideia do que está dizendo
Envergonhando muito a nação
Milhares de mortos, quase seiscentos
Por ignorância... por ignorância, não
Por criminosa omissão

Aqui, temos outras verdades a dizer
Vacinas escassas à necessidade
Prevent Senior testou humanos pra ver
Se o Kit Covid tinha efetividade
Teve empresário que deixou a mãe morrer
Testando seu direito de escolher, sua liberdade
merecia uma estátua pra homenagear a saudade
Duvido que ele deve ter
O significado de humanidade ele nem deve conhecer

Corrupção em família, sob aplausos na cerquinha
Da turma do cercadinho, seu gado de auditório
Perante o mundo, aquela mesma ladainha
Sem ouvidos nem respeito ao falatório
Vai te restar a última linha
No seu futuro torpe e inglório

Diante do mundo, nos rebaixa
A cada frase que pronuncia
Quando descer a rampa e entregar a faixa
Vai pagar a dor que nos impelia
Aí vamos ver se encaixa
Tudo que fala de tortura, de minoria 
De toda essa porra que cê acha
Aí eu quero ver
Vai ser nóis e a tua valentia

terça-feira, agosto 17, 2021

Erres e Erros

Ele, aquele lá, que inflama
Ódio a quem ama
E conclama
Que a população se arme
E não se ame
 
Que diferença faz um “r”...
 
Portanto, não erre!
Que, por esse erro, olha o vexame
  
Tem horas que parece
Que Deus olhou pro Brasil
E deu-nos essa sina
Uma mente assassina
 
Subiu a rampa do Planalto
Verde e amarelo na faixa
Ordem e Progresso na bandeira
 
Da ignorância, o arauto
Da cultura mais baixa
De crueldade rasteira
 
Eu só escrevo poesia
Deixo o samba pros compositores
Mas, lamentos não nos faltam
Pessoas sim, números saltam
Mortos por corruptores
 
Negacionistas da doença que mata
O que mata é que a mensagem
Sequencialmente ignorada
Negligenciada
Poderia ser respondida
E pior, foi proposital
Mas, afinal,
O que esperar de um brutal e boçal genocida?



Coincidência: esse poema entra no blog num dia 17.

segunda-feira, abril 26, 2021

TRÊS MIL SEISCENTOS E CINQUENTA

Hoje eu também colaborei
No mar salgado
Enxugado por ombros e lenços
Enlutados
Eu chorei
 
Derramei lágrimas
Enquanto há sátiras
De pessoas sádicas
Em posição estratégica
Pra aumentar a trágica
Situação histórica
Uma figura patética
Abaixo da crítica
Que parece ouvir música
Em choros de dor
Em seus ouvidos, a marcha fúnebre
Soa como cântico clássico
No caixão sem acústica
 
Não se ouve o hino dizer do impávido
Colosso, nossa terra, nosso povo, ao contrário
Está pávido, pálido, ávido
Pelo remédio, pela vida do próximo
 
Chegou sua vez
Mas nossa vez, hoje matou 3
4 dígitos
TRÊS MIL, SEISCENTOS E CINQUENTA
Numeral, escrito por extenso
Assim como nomes
Que não são números
Com exceção ao 01, 02, 03 e 04
Aqueles são inomináveis
No sobrenome, igualmente abomináveis
Mas, esses números diários
Na casa do terceiro milhar
Parecem que ainda não reúnem
Dados necessários pra desengavetar
 
Pedidos em gavetas
Corpos em gavetas
Roupas de 300 mil mortos em gavetas
E as roupas dos vivos, pretas.


Esse poema escrevi antes até do que está postado anterior a esse 'Escalada'. Mas, como fiz esse em vídeo em rede social, nem o redigi para publicá-lo aqui na data. Espero que independente da dor que estamos vivendo com as perdas por Covid no Brasil, você possa apreciar o poema.

quarta-feira, abril 07, 2021

Escalada

Escalada é a manchetada do jornal
Mas, no Brasil tem outros sentidos
No Brasil, se escala pra baixo
No Brasil, nos sobram motivos
Não é só uma fala que “eu acho”
 
No Brasil, a morte virou quantia banal
Seguimos inertes e passivos
Passamos os 4 mil naturalmente
Matar sempre foi o objetivo
E com ironia do presidente
 
É genocídio
Sem alívio,
Sem auxílio
Com dízimo
 
É Genocida
É contra vida
É descabida
A covardia
 
Estamos em escalada
Quando morriam centenas na Itália
Era comoção, dor verdadeira
Hoje, o símbolo mundial da mortalha
É o verde-amarelo bandeira
 
Está sem estrelas na esfera azulada
Elas se descosturaram
Estão no universo, cada uma por si
Algumas, como decadentes figuraram
Do céu se descolaram, enquanto ele ri
 
Ri da morte em escalada
Ri sem termos piada
Ri e passa a boiada
Ri, porque a nossa dor é a parte engraçada
 
Ri de pedirmos vacina
Ri sob efeito de cloroquina
Ri receita ivermectina
Ri de sua obra assassina
 
Enquanto a vacina segue atrasada
O Congresso aprova o fura-fila
Vacina pra empresas e patrões
Se era pequena a esperança de consegui-la
Ela reduz e se reduz em frações

Com a parte que importa vacinada
A notícia perderá força na crítica
Enquanto ainda navegamos no mesmo mar
Em iates, botes, a nado, a se afogar
Há intensa cobertura jornalística
E ela aos poucos se acaba
Quando a vez de quem tem voz chegar
 
A fila... fura
A vacina... fura
Havia cura
A faca... não
 
O que não houve foi procura
Lisura
E há genocídio
Uns vão dizer que foi surpreendente
De um presidente que sempre idolatrou tortura
 
Pra COVID, falta ar
Pro Brasil, falta ar
Pra esperança, falta ar
Em vacinas, aplicam ar
 
Faltam leitos pra deitar
Faltam carros pros corpos levar
Tiveram a ideia
De como amontoar
Em uma das imagens mais tristes
Mortos e mais mortos por COVID
Empilhados numa perua escolar

quinta-feira, março 04, 2021

Numericamente


No dia que tivemos 1910 mortos por COVID-19, tivemos um clássico na capital de um dos times fundado exatamente nesse ano, 1910, de cores branca e preta, um time de massa. Mas não é da bola que rolou na grama verde, cor do seu adversário, que quero falar. 

Concentro-me nas cores de um dos times: o branco de quem luta pela vida, dos médicos e aventais estafados numa saga que não termina. E o preto do luto que vai tomando a bandeira tão viva em suas cores verde, amarela e azul. O jogo teve 4 gols, um pra cada dígito de mortes em um só dia. Um pra cada ponto percentual negativo do resultado do nosso PIB também divulgado hoje. Aqui, o gol tem sido sempre contra. Contra a nossa meta. E a meta de quem deveria defender é rir, caçoar, zombar das mortes e antes ironizavam uma fala que não havia uma meta, mas, quando se alcançasse, 'dobraríamos a meta'. Hoje, a meta é a morte. Já dobramos, triplicamos, multiplicamos por 10 e vamos seguir avançando para outro lema: "BRASIL ACIMA DE TODOS", no ranking de vítimas fatais da COVID-19.

Hoje bateram 10 aviões da TAM, como o voo 3054, em 2007. Nove deles cheios e um com pouco mais da metade da capacidade. Se você não sente o peito doer com isso, vá se tratar urgente.
 
Se você não dorme e acorda todo dia com ódio do negacionismo do presidente em relutar na aquisição de vacinas, você realmente está vivendo em um mundo paralelo. Vá se tratar também. 

Bons tempos que o que mais doía era um 7x1, ou melhor, o jogo era aqui, 1x7. Agora, vc tira o x desse meio e usa pra representar o negacionismo, o X em relação a termos vacina. Nada, só X em todo lugar. E quantos nomes, pais, avós se foram deixando o X da questão: quem é o culpado?
O nosso 1 a 7 não foi assinalado com X.  Foi apertado o botão verde, como nossa bandeira, escrito CONFIRMA.
E HOJE? 
VOCÊ SE CONFORMA?

quarta-feira, janeiro 27, 2021

Como Chegamos a Esse Ponto?

Como chegamos a esse ponto?
E não é o final, ainda tem mais oração
Ponto final, parágrafo, na outra linha, travessão.
- Vacinação vai começar dia D, na hora H
Houve uma série de piadas usando outras siglas
Gerou repercussão
Era essa ideia, todo mundo comentar

Querem piadas, pois fazem de nós, piadas
Ou fazem piadas de nós, como queiram
Somos os personagens da anedota
Eles invertem o papel
Fazendo a gente de idiota

Sendo que o maior dos idiotas
Está lá no planalto
Elegeram com a desculpa (esfarrapada)
Que ele acabaria com o assalto
Às contas do país

Ele só acabou mesmo com o país
Não com o assalto, ao contrário
Pra isso, os filhos lucram alto
Chocolates, laranja, açaí
Tudo na área alimentícia
Sabe aquele posto do Pergunta ali?
Guedes é falácia, evolução fictícia
Queiroz e o condomínio da milícia
E nem precisam fugir
Está com eles, a polícia
O policial, cidadão
E a instituição, até esfera federal

Moro, Weintraub, Damares e Salles,
Todos fizeram parte
Desse genocídio infernal
Desde o começo com Mandetta
Até o capeta deve olhar com muito orgulho
O que fez e faz esse pessoal

Como chegamos a esse ponto?
Que o Butantan, centenário
Tivesse a confiança discutida
Com tanto argumento precário?

Como chegamos a esse ponto?
Que tomar vacina é errado
Que cloroquina salva vida
Que seu DNA será chipado

Como chegamos a esse ponto?
Desacreditar do especialista
A burrice se encontrou com a prepotência
Que é tudo uma conspiração comunista

Como chegamos a esse ponto?
Do imbecil perder a vergonha de ser
De seu achismo se opor à ciência
Talvez, eu consiga entender
Elas se veem no espelho
A estupidez elevou ao poder
Aquele filho da puta
Que ocupa a presidência

quarta-feira, dezembro 30, 2020

O Inexplicável 2020

2020 iniciou com esperanças, já que 2019 não foi lá essas coisas. Bom... era o que pensávamos. Houve quem apelou para o par de 20 para achar que tudo se alinharia e que, por qualquer afinidade numerológica, seria um ano de expectativas positivas. A cada dia, novas tecnologias, a cada ano, uma infinidade de inovações que mudam a praticidade de nossas vidas. Só que às vezes, um computador, com muita informação armazenada, simplesmente trava. Precisamos descarregá-lo de conteúdo para ele funcionar melhor com menos funções. Acredito que aconteceu algo similar com nossas vidas. Porém, de forma muito mais grave.

Nós retrocedemos e parece que esvaziamos todas as funções básicas do nosso sistema operacional. O programa de texto não reconhece mais as palavras. As planilhas começam a calcular errado. Os programas de desenhar e pintar agora trabalham só com branco e preto. Jogamos fora muito além do que precisávamos.

Surge, no Brasil, a pandemia. Junto com ela, ideias do início do século passado voltam à tona. Sabe quando você está jogando um videogame e já avançou muitas fases? Já vencemos batalhas, superamos etapas e quando já estávamos bem à frente, foi como se a luz tivesse acabado e nosso jogo, que não salvamos na memória, se perdeu. Vamos ter que começar do zero...

Em pleno ano de 2020, as vacinas viraram ponto de interrogação. Institutos renomados mundialmente, como o Butantan, tiveram que despender trabalho em se organizar para uma campanha massiva em rádio e televisão para dizer: “Olha, a gente trabalha nisso há 101 anos, o mundo confia no que a gente faz. Somos confiáveis, viu, população brasileira?”

Esse é só um dos exemplos. A internet deu voz para todos, inclusive para quem não tem o que falar. Mas, a necessidade de dizer algo é tanta que liga a câmera e vai. Só que nessa ida, leva muita gente de carona que engrossa o coro de quem nada tinha a acrescentar. A pretensão de julgar-se apto a elaborar teorias promove vozes que, sem propriedade alguma, levantam dúvidas e sugerem desconfiança. No final, isso só contribui para a incerteza e desqualificação de quem de fato deveria ser a referência e, acaba não sendo, pura e simplesmente porque a pessoa duvida e pronto. Por que duvida? Não tem um porque, só duvida mesmo. E reforça a estupidez questionando o direito que possui de duvidar.

Graças a sei lá o quê, o ano acaba amanhã. O que vai mudar? Só o 1 do dígito final. As pessoas continuarão espelhadas na ignorância. E quando digo ignorância, nesse caso, serve nos dois sentidos: o de desconhecimento e o de rispidez. Afinal, essa ignorância é o que hoje nos representa perante o mundo. Ao olhar para cá, pensam: o que será que aconteceu com aquele Brasil do povo hospitaleiro e de calor humano?

A resposta é que aquele Brasil, de fato, nunca existiu. Continuamos um país preconceituoso com a nossa própria cara. Continuamos um país hipócrita, laico, de maioria cristã e que, se for pra vir um Cristo com a imagem e semelhança de quem o diz representar aqui, segura aí, não vem, não. Continuamos um país perigoso nas ruas e em casa, principalmente para mulheres, meninas e crianças em geral. Continuamos sendo um país repleto de Bolsonaros ao nosso redor. Sim, aquele seu tio do pavê que faz piada misógina, é um deles. Aquele seu vizinho crente que bate na mulher, idem. Aquele dono de comércio com nome de santo que assedia as funcionárias ou põe o segurança em total atenção com clientes negros, também. Tudo isso é o Brasil. O país sem vacina.

Mas, em 2018, você apertou 17, táoquei? Ah, você não apertou? Então, você é da turma que falou que políticos são todos iguais e anulou? Espero que você tenha aprendido. Não acredito nisso, mas, torço. Eles não são todos iguais. E a desigualdade deles reflete na nossa. Estamos desiguais a boa parte do mundo, que começou a tentativa de salvar vidas. Ele Não.

E daí? Não ligo pra isso – disse ele. E você também, quando apertou o Confirma. Plantamos um laranjal. De lá, não se colhe maçãs.

sexta-feira, novembro 13, 2020

Eis Você

 Ô cara de pau, 
Você ainda não entendeu
O que está acontecendo no Brasil
O tal gigante não acordou
Tá mais que dopado, se drogou
O ódio ebuliu

A cada absurdo daquele boçal
Que você, mesmo que anulou, elegeu
Tem destruído o pouco que se construiu
Tá aí o desmanche que você optou
Tem quem reconheceu que errou
Mas tem quem se orgulha do que conseguiu

Peçam que eu não seja radical
"Tem gente que, por protesto, escolheu"
Peraí, quer que eu releve quem quis bala e fuzil
Sendo que os alvos são os "meus"?

Não digo que confio no que acusa o Jornal
O nível de crueldade não surpreendeu
Era tudo previsto, sim, você contribuiu
Por favor, não venha dizer que se enganou
A Amazônia, o Pantanal, tudo incendiou
Seu voto no táoquei, tudo isso consentiu

Ele avisou que acabaria com ONG de cunho ambiental
E olhem, que surpresa, adivinha o que aconteceu
O tal posto Ipiranga brochou e o PIB não subiu
O dólar que ia cair na metade, já quase dobrou
Diz a plenos pulmões que com a corrupção acabou
E na conta da Michele, Queiroz pôs 89 mil

Vou rasgar o ECA, em nome da fé cristã e moral
Livros que tratavam de ditadura, esses, já recolheu
Vamos reensinar que a repressão nunca existiu
Foi demitido quem discordou
Na Saúde,  numa pandemia, trocou e de novo trocou
Quem não quis a Cloroquina que pro Trump pediu 

Como se não bastasse, essa doença mundial
Propagou mentiras, como as que o elegeu
A medicina desmereceu e a população confundiu
O genocídio do "E daí" de terra das covas, a mão sujou
Enganado quem pensa que as mãos lavou
Seu tanto faz, tudo isso permitiu

Moralidade, família tradicional, um laranjal
Milícia representada com seu voto, não o meu
Moro e sua justiça que logo desistiu
É aquilo que você no fundo, e nem tão fundo, sonhou
Brasil, mostra tua cara. Atendendo a pedidos, mostrou
Bolsonaro e sua corja é você no espelho mais vil

Só não tinha coragem de dizer
Achou quem falasse por você
Quis alguém que o refletisse no poder
A mim, dá nojo. A ti, a imagem do seu ser

quinta-feira, junho 11, 2020

Não me peça Toalha

Precisou o mundo parar pra você perceber
Que não há empatia no mundo real
Só #SomosTodos no virtual
E ainda assim, não vai entender
Que um “E Daí” com tanta gente a sofrer
Não pode ser frase presidencial

É imoral, inescrupuloso, digno de nojo
Mas, não... é algo avisado, previsto
O abismo foi anunciado e tem registro
“Podia ter matado 30 mil”
E olha que ele falava de ditadura
O vírus gripezinha já machuca o Brasil
E quem foi lá, gritar, se aglomerar
Tinha como figura peculiar o Paulo Cintura

Saúde é o que interessa, dizia o bordão
Nada disso, é a economia, disse o Bozão
E com isso, não se economiza em caixão
Em vala, em descaso, em omissão
Enterram-se corpos, dados e informação

Isso já é ditadura,
Essa era a desculpa
Que na época dos generais, não havia roubalheira
Corrupção, falcatrua, sacanagem
Havia sim, em forma de opressão e tortura
A qualquer reportagem

Os hospitais, sem novidade, sem condições
O recurso nessa área é do Estado
Como está seu histórico de votações?
Aqui, São Paulo, está sempre o tucanato
Há algumas gerações

E o ônibus? Devido, a pandemia,
só pode todo mundo sentado
Isso devia ser todo dia, todo dia
Eu não deveria ficar espantado

E o que mais me agonia
É quem pede que eu releve quem votou 17
Ou até quem anulou naquele dia
Como disse Brecht, lavou as mãos na bacia de sangue
Não venha me pedir pra pegar a toalha
Pra ajudar a secar
Você, no fundo quer que eu também sangre
Eu disse que eu seria o alvo
Que os meus seriam o alvo
Você só dizia que eu exagerava
Sabe o Ninguém solta a mão de ninguém
Que você ironizava
Eu continuo com a mão grudada aos meus
E os meus, não levaram tudo aquilo na piada.

quarta-feira, abril 29, 2020

"E daí?"

Eu que sempre escrevi
Sobre o que vi
Sobre o que nos jornais, li, ouvi e assisti
Sobre o que senti
Sobre o que me abati
Quando refleti
Meus conceitos revi
Por vezes, desisti
De cena, saí
Ao desprezo, me permiti
Levei minha poesia, insisti
Com desdém, me feri
Mas, fingi
Está tubo bem, resisti
Continuei, não caí
Meu caderno reabri, redigi
Digitei, imprimi
À missão que vim, ainda não cumpri
Aos que se vão assim, não me despedi
A minha dor em versos e estrofes, reparti
Nem pra versos, nem pra mortes,
Ninguém ‘tá nem aí’
“E daí?”

sábado, abril 04, 2020

Infectados Faz Tempo

Vai muito além nossa contaminação
Já estamos infectados faz tempo
Pro Corona, logo mais, surge vacina
Fisicamente, se cura por dentro
Só não tem cura pra razão
Se o ódio no coração confina

Esse, espalha na digitação
Viraliza e não há medicamento
Até a palavra, nesse caso, combina
RG? Não, IP é o documento
Que na bio, se diz cristão
E defende quem extermina

Nem precisa de arma na mão
Só uma caneta, BIC não,
porque é francesa
Até com Macron, ele arrumou treta
Ofendeu a mulher do cara
Foi falar dela e julgar beleza

Deixa eu voltar aqui no papo do “extermina”
Além do Corona que, facilmente, contamina
A desinformação e o desserviço oficial
Não estavam escritos como uma sina
Foi uma escolha racional e eleitoral
No mocorongo que é contra mina, contra mano, contra mona
Contra isolamento social

Sabe o que ele é a favor
De dizer que é gripezinha o Corona
E com seu histórico de atleta
Tem imunidade natural

Olimpíada, Champions, Fórmula 1, NBA
Itália, França, Espanha, China,
Hoje, 29, passou das duas mil mortes nos USA
Covid-19,
Já teve uma tal gripe suína, datada de 2009
Agora, tive uma dúvida, por favor me informe:
Se, pro gado, não é perigosa
Vacina da febre aftosa serve pra gripe bovina?
Sinceramente, não sei

Eles só pegam carona num ódio febril
E fazem carreata, cheio de bandeira do Brasil
#FiqueEmCasa é mamata
A demissão é a munição do fuzil
Onde o jogo nunca empata
Mira e não dá tiros
Deixa que o Coronavírus mata

quinta-feira, janeiro 23, 2020

O que é arte?

Dei um Google pra pesquisar
O vocábulo no dicionário
Deu aptidão, dom, habilidade
De exercer algum trabalho
Se tem critério pra ser arte
A inspiração é o primário

Mas, se tem um bicho que transpira
É esse tal de bicho-artista
Artista não é vagabundo, seu presidente
Escuta também, ministro nazista
'Cês' pensa que é fácil fazer verso
E rimá bonito sobre fascista e racista?

Dói pensar em tamanha burrice
Fazer um concurso da arte nacional
"Ou então não será nada"
Nem de longe, vocês tem essa moral
A gente continua fazendo a nossa
E põe nas cordas no sarau

Cola quem faz do barro, cultura
Quem canta, dança, interpreta
Pra vocês, tanto faz, grande bosta
Se acham que a Terra é uma tábua reta
Eu vou exigir profundidade
Pra vocês entenderem poeta?

O que são, não escondem mais
Pior é quem faz "o desavisado"
Não é comigo, então foda-se
O sertanejo industrializado
Do axé ao funk e pagodjé
Like, views, RT, bico calado

Em cima do muro, disfarçando
Olha pra cima, assobia
Dizem aí, cada um faz sua parte
Ao cantor, a cantoria
Ao ator, o personagem
Arte é contramão de covardia

A arte imita a vida
A vida que vive a gente
Dura, mas a gente ainda faz arte
Pra embelezar o que sente
Pra criança que arte é farra
Pinta o 7, adolescente

Grita, pula, quica e faz lelê
Pronto, tem mais um milionário
Fama na rede, Globo e virtual
'Arteiro', você só está no cenário
Figurante, triste papel
Não cabe no meu cordel, nem no vocabulário.

quarta-feira, janeiro 01, 2020

Roupa Nova e Sapato Velho


Ano Novo
Despediu-se 2019
Não basta que o look se renove
Pra usar branco na virada
Roupa Nova estreada
Roupa Nova... lembrei de Sapato Velho
Sobre o que a maturidade nos traz
Sobre o que servia tempo atrás
A canção rememora
Aquilo que já foi lindo outrora
Pode aquecer ainda mais
Afinal, temos a tal afetiva memória
Que pode trazer enorme prazer
Nem dá pra dizer do que ela é capaz

Mas, nem tudo que é passado
Pode ser presente,
Tipo os de Natal, embrulhado
Tem presente que é um passado latente
Doente, retrógrado
Olhar pra frente? Não, pro lado, disfarçado
Ignorado, ignorando o tanto de absurdos que aconteceu
Ignorar também é uma posição que escolheu

E sim, você tá ligado
Que o ano ter virado de 19 pra vinte
Só vem te mostrar
Que no ano encerrado
Foi bem revelado com quem você está
E sim, esse com quem você tá junto
Tem um conjunto de escrotices pra carregar
Nem faz questão de ocultar
Aliás, ele tem sim alguns segredos
Visíveis até pra quem não quer enxergar
Os dele, você não quer ver
Nós, você não vê de fato

Você que gritou
A gente que paga o pato
Da gente que faz e lava o prato
Da gente que cozinhou
Na panela que é o retrato
Do som que silenciou
E nos obrigou
A segurar na mão e dizer: não desato
Ninguém solta, segura
Esse ano, sabe quando cê vai no banco e tira extrato?
Vamos listar a fatura
Teríamos tortura
Apoiado, exaltado

Ditadura, tema citado
Abordado, até cogitado
Por um deputado
Filho da puta? Não, do arrombado

Pra virar a década, falta 1
Depois desse, mais 2
Ele e os 3
Ao todo são 4, quatro Bolsonaros

E quem achava naquela musiquinha infantil
Que um elefante incomoda muita gente
Não imaginava Bolsonaro presidente
Dessa porra do Brasil

Sim, porra, sêmen, no sentido mais literal
Machismo, racismo, homofobia, feminicídio, violência armada e/ou sexual

Crianças mortas com bala perdida?
Não! A bala era a menos perdida
Foi inclusive anunciada
A corrupção de combatida
Foi familiarizada, Fa(milícia)rizada

Pra refrescar a lembrança
Um bom suco de laranja
Com bastante vitamina C
C de Caixa 2, C de Cadê o Queiroz?
C de Condomínio com criminosos
C de capitão cuzão
C de Calar o Cinema, a Cultura
C de Cultuar o Ustra
Cultuar o Ustra
C.U.
A propósito, você que de alguma forma, contribuiu
Vai, sem prazer, tomar no cu ou vá pra puta que pariu
Só faz um favor: não diz que relevou o preconceito esse ano e acreditava num plano
Você escolheu um miliciano a um professor
Gás, gasolina, carne, tudo aumentou
E a tudo passou pano

Bom, começou o Ano Novo
Sabe o que restou? Pega aquela mesma panela
Bota só ovo. E aí fritou ou cozinhou?

Fogo baixo, deixa baixo o nível da educação
Com o Sinistro Weintraub, é garantido
Governo laico-cristão
Onde Jesus e armas juntos, faz sentido
Estamos no mesmo sentido, tudo plano
Jesus, se volta a ser humano, tava fudido
Ai, se não voltasse brancão, machão,
Aquele cabelão
Sem essa de pão dividido
Queremos livre mercado,
Se ele volta com esse papo
De tudo compartilhado, dividido por igual
Só esse negócio de cruz que é ultrapassado
Foi 2019; em 18, deu 17
Mas, agora é 38, o calibre, mortal
Com a pena sendo ou não legal
É sem pena, mira na cabecinha e tchau.