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segunda-feira, outubro 24, 2022

Não Se Pinta

Sabe o que se pinta?
Quadros, paredes, gravuras
A lápis, verniz, spray, tintas
Primárias, secundárias, misturas
Tonalidades claras ou escuras

Pintam-se também muros
Grafitam cor e suavidade
Nem a arte os deixam menos duros
Pelo duro papel na sociedade
Um obstáculo à propriedade

Sabe o que não se pinta?
A verdade; é sem pintura ou maquiagem
Em idade de adolescência ainda
A inocência toma ciência do homem selvagem
Imposta à convivência, obriga a coragem

Sabe o que também não se pinta?
Clima com menores de idade
Esse clima é uma tempestade infinda
Pintar um clima não tem contexto que cabe
Não tem clima, é um quadro covarde
O nome do quadro?
Deus, Pátria, Família e Liberdade

quarta-feira, agosto 01, 2018

A Mulher Sub

Ferida, fera, fora (Temer), fora a faca fincada
Todos os dias, na rua, no trampo, no ‘buso’
Todos os dias, todas as horas, destratada
Todas as idas, todas as voltas, abuso
Todas partidas, todas chegadas, te uso
Toda sua vida, submetida por nada

Submissão, submersa, suburbana
Subemprego, sub-amada, subtraída
Não traída no sentido de traição profana
Falo desde a renda diminuída
À saia sexy desprotegida
Que ao estupro lhe atribui a fama

Mulheres, senhoras, minas, ou como quiserem
Esse machismo nojento é culpa nossa
Nunca nos preocupamos se esses atos te ferem
Olhamos se a bunda é boa, o peito é grande e a coxa é grossa
Se reclamar, a gente se apossa
Os tempos mudaram, alguns não percebem

O quanto esse machismo foi perpetuado
Mais novo, não percebia o quão escroto era
Se não era estimulado, também não era criticado
Hoje mais ligado, o que de mim se espera
Meu filho educado, esse erro se encerra
Machistas não passarão, já são passado

Assumir que pensava errado não reduz o erro
Só nos torna mais consciente pra mudança
Ao ser percebido, levante a bandeira primeiro
Ao retrocesso crescente, não deixe essa herança
Homem não quer ser o fo...? Seja a segurança
Pra confiança dela te enxergar como parceiro

Hoje ela teme a rua, o trampo, o busão
Voltamos então à estrofe inicial
Vamos proporcioná-las evolução
E não ser encoxada por seu asqueroso pau
Nem pela impunidade do juiz Eugênio do Amaral
Que entende ejaculação como importunação
Sem constrangimento moral

A substância gosmenta, nojenta, submete
Não mete, mas invade a privacidade,
A privê cidade, a perversidade
Onde o sexo em local público
Local público, não corpo público
Não causa espanto de novidade

E sob o sol a pino do dia
A ferida doía, não apenas a pele melecada sentia
No coletivo, ato tão repulsivo que lhe agredia
Na avenida ou sob a via
Em estação subterrânea
Habitual, corriqueira infâmia

Contra a sub-moça, submissa, sub-assalariada

Sempre cercada
Sem subterfúgio pra não ser caçada
Sem refúgio, sem ter fuga momentânea
Pra se sentir tranquilizada

Do submundo onde ela vive
Coisificada em línguas várias
Ela provocou, não me contive
Imputei-lhe punições sumárias
Invadi-lhe proibidas áreas
À sua vontade nem um pouco me ative

Ativei, ativo, ataquei, meu motivo
Agressivo, reativo ao sex appeal
Pistola criminosa é só no estilo fuzil
Pênis agrediu, é crime abusivo
Criminosos de pen, pens, pênis, permissivo
Representantes legais do Brasil

A mulher deve ser sub sim
Sublimada, sublinhada
Em cada traço, colorida em todo espaço
Espaçada em toda cor
Espaço pra que não haja atentado ao pudor
E ela seja de novo violentada
‘Respeita as mina’, camarada
E fique ciente: ISSO NÃO É UM FAVOR!

sexta-feira, setembro 01, 2017

Importunação ao Pescoço

Porra! Caralho!
Não são apenas interjeições
Elas têm ligação
Não são apenas palavrões
Nesta situação

Porra do caralho!
Parece grosseiro meu linguajar
Esporraram na moça no coletivo
Chegou pro juiz avaliar
Não houve constrangimento ofensivo

Vai se foder, seu filho da puta
E quando isso acontecer, que te esporrem
No pescoço, na cara, na boca pra se calar
Enquanto na moça, as gotas escorrem
Com qual cabeça mesmo é pra pensar?

Juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto
Quero este nome no poema registrado
José foi um Zé no tom mais negativo
De gênio, o Eugênio tem vacilado
De Amaral, daria boa rima neste ocorrido

Segundo ele não foi estupro ato tão escroto (do escroto do escroto)
E se fosse sua mãe, sua filha, o que acharia?
Houve até esse absurdo no debate
Seriam mais duas mulheres que a esta situação exporia
Elas não mereceriam abuso tão covarde

Nem elas, nem nenhuma outra, sem consentimento
Já ouvi relatos de quem foi roubado
Não se pode ir ou voltar dormindo
Você pode até ser esporrado
Sem tempo do pau ficar de novo armado
O estuprador já está saindo

Ah, não configura estupro, seu juiz
“Importunação ofensiva ao pudor”, definiu
Ofensiva ao pudor, não à moça violentada
Cobrador, inteligente o modo que agiu
Chamou a polícia e aguardou a chegada

Foi conduzido, protegido sem ser agredido
Teve o respaldo da condução policial
E ainda foi salvo de um linchamento
Que, nesse caso, seria reação natural
Da excitação do povo, não aquela do seu... Amaral
Achou normal, não foi violento
Não houve conjunção carnal
Entre aspas: “Não houve constrangimento”

Afinal, pra Justiça nossa cara é alvo banal
Pra ejacular a todo momento
Lembro de Raimundos, Esporrei na Manivela
Mas, a Justiça, se ao nível dela nivela,
Pro que ela faz...
Julga esse ato até pouco nojento.