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terça-feira, setembro 05, 2023

Ter um "P" de Pelé




Sua pele preta,
sua camisa branca,
Tinham plena sintonia
Com sua companheira
A cada dança
E ela merecia

O escudo no peito
Nas mesmas cores
Fez seu palco uma Vila
Fez tudo primeiro
Lances precursores
Que hoje um craque desfila

Ele parou, no Cosmos.
Uma guerra, adversários
Hoje, parou o Edson
O do CPF, o terráqueo
A Pelé sempre foram postos
Adjetivos extraordinários

Justos! E justo no ano em minutos finais
Quase nos 45 do segundo
A TV volta lá pra 58
O preto e branco do luto
Ocupam todos canais
Emocionam o mundo

Mundo que ele levantou
De azul como a santa
Na mão, nos pés, na cabeça
Camisa amarela ou branca
Em saltos comemorou
Essa imagem que não cansa

Quem cansa de ver gol?
Ainda mais quando é Pelé
Até nos gols que não fez
Sem tocar na bola, olé
Da trave, um vento soprou
Uruguaio apelou pra fé

Teve aquele do círculo central
O Gordon Banks na cabeçada
Todas no México em 70
Pelé eternizou até jogada
Sem grito de gol da geral
De tão magistral
Pelé quem fez a 10 encantada

Entraram mil duzentas e oitenta e duas
Em mil trezentas e sessenta e quatro partidas
Tudo em Pelé é milenar
Mil cento e dezesseis na mesma camisa
Fez a história e cores do Santos, as suas
Fez a histporia do futebol eras distintas

Antes e depois da Majestade
Pelé, adjetivo de referência
Ser o Pelé no que faz
Ser Pelé é a excelência
É transpor a habilidade
Que não se resume à ciência

Compararam os amigos 10
Edson e Diego, Pelé e Maradona
Não era pra haver disputa
Era pra se exaltar a honra
Da bola, que teve o prazer de tocar esses pés
E do céu que os reencontra

Sabe quando se diz que fulano tem um quê?
Que tem algo especial que destoa?
Vamos trocar o Q pelo P? Iria bem nesse caso
P pra perfeito, pra poder, pra pessoa
Se a gente adotasse, aceitasse o tal P
Do Pelé, bastaria o P, fica implícita a coroa. 

quinta-feira, outubro 27, 2022

Carta-Símbolo

Bom dia, tudo bem? Espero que sim. Bom, eu estou te escrevendo isso, pois, gostaria muito de sua atenção em alguns poucos minutos desta leitura. Como você está lendo, foi trazido até aqui por algum amigo, algum link, alguma pessoa da qual você tem um mínimo de consideração para que ela enviasse e você se desse ao trabalho de abrir. Obrigado desde já!

Queria muito só conversar contigo sobre esse momento de muita atenção e tensão que se aproxima. “Ah, mas, eu não ligo pra política”. Bom, eu tenho uma notícia triste pra te dar. Você ligando ou não, ela acontece e conforme acontece altera a sua vida e a minha. “Mas, pra mim, eu tenho que trabalhar pra ‘baralho’ do mesmo jeito, ganhe quem ganhar”. Sim, disso não estamos livres, afinal, estamos no mesmo grupo. Você pode ganhar 10, 50 vezes mais que eu ou metade, 1/3 do que ganho e, ainda assim, estamos no mesmo grupo. O dos pobres e trabalhadores. “Mas, eu tenho uma vida estável, casa própria, propriedades, carros, imóveis...” Enquanto você tiver que trabalhar para manter ou tudo isso não veio de herança, você está no mesmo grupo que eu e que muitos que ganham até menos. Mas, não é nisso que quero despender seu tempo.

Hoje, não vim aqui pedir voto, vim propor um papo, do qual estou inteiramente aberto a ouvir suas ponderações. Hoje, quero trazer pra conversa seu olhar mais crítico possível sobre nossa história. Não só do Brasil, mas, do mundo. Certa vez, aprendi no filme “V de Vingança” que um prédio, uma obra, uma construção, um monumento só têm importância pela sociedade que o cerca e o que ele representa pra ela. Por exemplo: imagine um atentado no Brasil. Se uma bomba ou um avião, como ocorreu nos Estados Unidos no 11 de setembro de 2001, atinge um monumento de uma praça qualquer em uma cidade qualquer. Para a população local, causa um impacto. Agora, imagine estes mesmos aviões atingindo o Cristo Redentor. Ambos são monumentos, ambos têm sua representatividade, no entanto, o ataque ao símbolo (talvez o mais) conhecido do Brasil tem outros olhares, e repito, quer você ligue pra isso ou não. Uma explosão ao Cristo Redentor simboliza um ataque à fé cristã, um ataque com o intuito de ferir a imagem do Brasil perante o mundo ou demonstrar nossa fragilidade em segurança, ou seja, há uma série de simbologias que cercam. Fosse uma obra qualquer em um canto qualquer, poderíamos até lamentar, mas, ok, bora pro próximo assunto, vida que segue.

Mas, o que isso tem a ver com a política e as eleições? TUDO, meu amigo, absolutamente tudo. Estamos vivendo um período em que as pessoas estão achando que um fato, uma fala, um ato ou negligência é só um fato, uma fala, um ato ou uma negligência. Tudo o que a gente faz simboliza algo. Aí, na sua família, sabe aquele cuidado em algum encontro de não fazer ou falar algo porque isso pode machucar a outra pessoa? Sabe quando você pensa 1000 vezes no que vai dar de presente para um irmão e pra outro para que não haja uma interpretação de preferência ou algo do tipo? Isso é política, meu amigo, quer você goste, queira ou não. Mas, meu foco não é um presente, nem a sua reunião familiar, mas, entendermos que qualquer ação vai além dela, tem continuidade, interpretações e desdobramentos.

Além dos exemplos explosivos ou familiares, poderia citar também simbologias e sinais de afetividade. Quando você vê um traje de um personagem do programa que adorava quando criança, você pode ter se tornado a pessoa mais fria e dura que há e respeito qualquer que seja o histórico de vida que te trouxe até isso, e, mesmo assim, essa memória, eu sei que dá aquele quentinho no coração de reativar lembranças afetuosas e agradáveis. Mas, no fundo, no fundo mesmo, é só uma roupa. Só que, pra você, não. Entende?

Isso vale tanto lá quanto cá. Se dá aquele conforto, pode dar angústia também. Se você tiver em algum cantinho da sua memória algum período de dificuldade financeira, de saúde, de uma saudade, qualquer situação que te destrave essa lembrança, você sentirá o amargor na boca. Você já pode ter perdido um familiar e lembrar quando passa em uma rua, quando sente um cheiro, pode ser até do hospital, enfim, esses gatilhos quando disparam dificilmente conseguimos conter a munição.

Hoje, vivemos uma série de símbolos todos os dias, de falas que vão muito além de um texto ou de uma voz que pronuncia. Eu, por exemplo, não vivi a ditadura, porém, sou jornalista e estudei o que foi feito. Quando ouço alguém falar em prol disso, o sangue ferve, o refluxo sobe e a boca é consumida por um péssimo sabor. Quando todos os símbolos de um movimento são copiados representa que você se identifica com ele. Vamos a mais um exemplo: (hoje eu tô cheio de exemplos, né?) quem gosta de rock, como identificamos? Claro, há uma série de estereótipos, porém, quando se vai a um show desse gênero musical, você entende aquela tribo, aquele grupo, pela cor preta das roupas, pelos gestos com as mãos, pelos cabelos ou pela falta deles. Sim, isso é um estereótipo, porém, dificilmente, veremos junto ao grupo de roqueiros, estilos muito destacados. O estilo faz parte do contexto, do pertencimento.

Como eu disse que a adequação aos símbolos de um estilo aproxima quem se identifica e nos insere em um grupo, isso também vale para o bem ou para o mal. Na história, temos simbologias ditatoriais, fascistas, nazistas, e todas elas têm seus códigos que aproxima os interessados a pertencerem ao cenário e contexto. Hoje, no Brasil, ainda vemos denúncias e prisões de grupos que se utilizam da suástica, símbolo do nazismo. Outros símbolos e estéticas do movimento foram reprisadas recentemente, como um cenário, o copo de leite e até a trilha sonora. “Ah, mas é só um copo de leite”. (volte ao início e leia até entender, obrigado)

Passeios de moto ou motociata, como chamam agora, fizeram parte de movimentos fascistas com Mussolini, na Itália. E seguem rememoradas, revisitadas e na versão brazuca. Ou seja...

À parte disso, se eu só propusesse que você pensasse no nazismo, no fascismo e na ditadura, eu te perguntaria: as pessoas que exaltam esses movimentos, se engajam a eles, votaria em quem? É do lado dessas pessoas que você quer estar?

Tem uma frase do Ernest Hemingway que diz: “- Mas, quem vai estar ao meu lado na trincheira? - E isso importa? – Mais que a própria guerra”.

É sobre pertencimento. Quem são os seus?

Olha só o que aconteceu com a camisa do Brasil, da Seleção Brasileira, em pleno ano de Copa do Mundo. Seria porque só esse grupelho defende e representa o Brasil? Não, houve um sequestro com essa finalidade. A de mostrar que o verde e o amarelo pertencem a eles. Não, não pertencem. As cores e nossa bandeira foram símbolos roubados, usurpados. "Ah, mas é só uma camisa amarela, qualquer um pode usar". Não mesmo. Quem opta por usar já é identificado como sendo de um bando. Entende o quanto um simples pano de uma simples camiseta não é só um tecido com uma mera estampa? Assim como o Monte Fuji, no Japão, a Torre Eiffel, em Paris, você pode simplesmente ignorar a existência e isso não ter valor pra você. PRA VOCÊ. O que não tira o valor real destes pontos turísticos que levam interessados do mundo inteiro a conhecerem e, simplesmente, chegar perto, tirar uma foto no local simboliza para cada ser a história que o levou até lá. Você pode desprezar o que cada símbolo representa e, mesmo assim, ele ainda representa.

Quando você se junta a um grupo pela fé, há uma série de representações, seja pelas roupas, pelas palavras ou expressões do vocabulário que te incluem ali. E você pode, mesmo sendo de um determinado perfil, conviver, respeitar e até amar ao próximo, mesmo que o vocabulário, trajes e expressões sejam diferentes do seu. Sim, isso é possível e até permitido. Pode parecer ridículo o que escrevo, mas, não, no Brasil de hoje, não é, se faz necessário reforçar, escrever, deixar claro. Seguindo este conceito de amar ao próximo, quem você tem visto fazer exatamente o contrário? “Ah, mas tem dos 2 lados”. Sim, pode haver, mas, você sabe que não é na mesma proporção, você sabe. Outra coisa que você sabe é que Deus, Jesus, ou o nome que der para seu ser superior que acredita, é que ele era a imagem da bondade, da essência da expressão compartilhar (muito antes do uso atual). Hoje, se ataca quem combate a fome, quem defende o amor, quem aponta e critica o ódio. Que Deus é esse que você cultua? Será que se ele voltasse, vocês andariam juntos? Você o seguiria? Ou daria hate?

Hoje, não estamos defendendo ‘o nosso’. Estamos tentando defender “os nossos”. Mas, está bem difícil de mostrar aos nossos que estamos no mesmo bote salva-vidas, não é nem um barco, não. Parece que quem pensamos ser os nossos, no fundo, almejam nos derrubar do bote, isso sim. Só esquecem que, se houver um remo e precisar remar, é melhor não estar sozinho se quiser ir mais longe. E mais, é melhor a remada ser coordenada para não andarem em círculos sem sair do lugar.

Ah, e cuidado, se aparecer um transatlântico, ele nem vai te ver ou ouvir. Só vai passar por cima. Vocês não estão no mesmo barco.


sábado, outubro 08, 2022

Como é Grande meu Foda-se por Você

Sabe aquela música?
"Mas, com palavras, não sei dizer"
No caso, não é de um amor tão grande
Que pretendo escrever

Sim, é de algo gigante
Talvez até maior que aquele amor
Inegavelmente intrigante
Cada vez mais constante

É também um sentimento
A cada dia mais distante
O alheio sofrimento
Ignorado, irrelevante

Importante é o nosso
E só
Se não me atingem destroços
Que explodam, 
sem dó
Sem ré
Avança, sufoca
O nó
A corda enforca
Do fogo faz pó

Cinzas, sejam quartas, domingos ou quintas
Todos os dias têm
Lágrimas de despedidas
Só de alguns quando se vai alguém

Só que meu país, nesse assunto, já foi bem
Hoje, o mal tomou conta
A ponto de perder a conta
De perder a ponta... da meada
Não se sabe onde o mal acaba
Nem se o bem um dia vem

O verde matou a esperança
Quem disse que ela morre por último?
O amarelo da fartura e bonança
Estampou luito e infortúnio
Não foi por azar, foi previsto
Não faltou avisar, insisto
Rindo, cumpriu-se o intuito

A revolta já deu meia-volta
Inverteu o sentido
Não sente mais pra que lado tem ido
Nem importa
Quem se importa com gente morta?
A gente nem liga pro choro de quem tá vivo.

quarta-feira, setembro 29, 2021

Óbito Também é Alta

Óbito também é Alta
Óbito é alta
Entendeu?
Óbito – alta
 
Sim, é alto o número de mortes
A sorte nos falta
Mas não é só sorte
É fruto de um golpe
De missão incauta
 
Tiram-se os lençóis
Tira-se a terra
Fecham-se paletós
Pais, tios, avós
Tira o ar e já era
 
Siglas: UTI, IML
Do leito ao luto
Do quarto aos sete
Palmos que despede
O fim absoluto
 
Respiro curto
Versos breves
Crime absurdo
Que nenhum insulto
Descreve
 
Tem nome, sobrenome e assinatura
Prevent, Senior, Bolsonaro
Essa foi a postura
Cada um pague a sepultura
Previdência é algo caro
 
Óbito também é alta
Deixar o hospital e o leito
O plano de saúde contrasta
O kit morte já não basta
Tirar o ar está no preceito
 
Já não bastasse Mandetta, Pazuelo, Teich
Queiroga e a cloroquina
Usaram a máxima do Reich
Lealdade e Obediência
Lema da ação assassina
 
Será que vivo pra vê-lo pagar?
Milhares de adeus
Mortes como alta hospitalar
Um plano sem carência pra matar
É esse povo que se diz de Deus?
 
Era, pra hoje, a Prevent estar em chamas
A sede queimando, derretendo
Seria uma calorosa vingança
A quem eles ceifaram a esperança
De uma avó se restabelecendo
 
Slogans replicados
Inclusive na crueldade
Brasil acima dos enterrados
Incinerando os cremados
Testando a humanidade
 
Nem precisa testar
Já fomos reprovados
Prontuários pra ocultar
Sem nem velórios pra chorar
Pra eles, só resultados
 
Nós perdemos
Braços que não dão mais abraços
Somos a cada dia um pouco menos
A cada dia, um pouco mais, morremos
Com tantos crimes macabros
 
Quero deixar público meu prontuário
Minha dose é a escrita frequente
Desabafo sempre que necessário
Eles mataram e nada diz o contrário
Só a corja de Jair e a Prevent

sexta-feira, setembro 24, 2021

Ele Na ONU Não É Nóis

Sabe quando a gente nem quer mais falar?
É esse o limite pra aceitar a derrota
Eles não querem apenas triunfar
Eles querem além da vitória
Nosso direito ao sonho e lugar
Eles querem roubar
Como a luta e história

Eles tomaram sim e falam pela gente
No espaço público, na TV, na Organização das Nações Unidas
Ele está lá, afinal, é o presidente
Pela votação (na urna eletrônica) a ele conferida
Perante o mundo, indiscriminadamente, mente
A recepção estrangeira é condizente
Ao desdém e nojo com que ele trata vidas

Em 12 minutos, mentiu, mentiu e mentiu de novo
De tão abjeto, desfilou sua arrogância
800 dólares de auxílio pro povo?
Omitiu que no Brasil a ganância
Deixa o agro (nada pop) resolver no fogo
As reações são asfixia e ânsia

Amazônia, índio, tudo por ele era extinto
Como qualquer decoro e diplomacia
Covid sufocando, ele imitando e rindo
Testemunhou que usou remédio que não servia
Falou pro mundo de cloroquina e não entendia
Porque ninguém estava seguindo
O tratamento precoce que ele vem insistindo
E a ciência séria não consentia

Não acabou por aí o pronunciamento
Disse que afastou socialismo e corrupção
Não faz ideia do que está dizendo
Envergonhando muito a nação
Milhares de mortos, quase seiscentos
Por ignorância... por ignorância, não
Por criminosa omissão

Aqui, temos outras verdades a dizer
Vacinas escassas à necessidade
Prevent Senior testou humanos pra ver
Se o Kit Covid tinha efetividade
Teve empresário que deixou a mãe morrer
Testando seu direito de escolher, sua liberdade
merecia uma estátua pra homenagear a saudade
Duvido que ele deve ter
O significado de humanidade ele nem deve conhecer

Corrupção em família, sob aplausos na cerquinha
Da turma do cercadinho, seu gado de auditório
Perante o mundo, aquela mesma ladainha
Sem ouvidos nem respeito ao falatório
Vai te restar a última linha
No seu futuro torpe e inglório

Diante do mundo, nos rebaixa
A cada frase que pronuncia
Quando descer a rampa e entregar a faixa
Vai pagar a dor que nos impelia
Aí vamos ver se encaixa
Tudo que fala de tortura, de minoria 
De toda essa porra que cê acha
Aí eu quero ver
Vai ser nóis e a tua valentia

quinta-feira, setembro 23, 2021

Ignóbil Heinze

Senador Heinze, do Rio Grande do Sul,
Já comecei com uma boa rima
Mas, como na poesia e gramática
Sempre fui nota azul
Prefiro forma mais pragmática
Educada e fina

Ele, que sempre defende cloroquina
Colocou Mia Khalifa em estudo de medicina
Também fala direto de um médico
Concorrente ao Nobel da Paz
Sabe, seu Heinze? Ignóbil, Heinze?
Sabe quem merecia o Nobel da Paz?

Aquela mãe que tem um filho preto baleado
E falam que foi bala perdida
Pra essa caberia, uma honra merecida
Se ela não pega um cano e vai pro arrebento
Essa merecia mais que o reconhecimento

Sabe quem mais?
O Nóbel ou Nobél
Poderia ser dado
A quem revida no papel
Tudo que lhe é roubado

O Nobel da Paz deveria ir pro moleque
Pr'aquela menina
Que cresce na rua, passa fome e ainda sorri
Pra essa criança que a gente vê na esquina
E não cria em si
Naturalmente uma intenção assassina

O Nobel da Paz, seu Heinze, 
Deveria ser sempre de um brasileiro
Viver no Brasil que recusa vacina
E a gente não incendiar o planalto
Com aquele sequestrador lá dentro
Que nos tomou a esperança de assalto
Só confirma

Somos muito da paz
Pacíficos, passivos e pacientes
Intubados, inconscientes
Desacordados, condescendentes
Já imaginou a gente situado
Preparado pra linha de frente
O Nobel, pode deixa quieto, tá ligado?
Eu só quero a paz pra vida da gente.

segunda-feira, agosto 30, 2021

Feijão, Fuzil e Violão

Com os punhos se ergue uma guerra
Se faz um gesto, se empunha um fuzil
Ou violão 

Quando esse mesmo punho se cerra
Em postura e protesto não mais servil
Revolução 

Esse mesmo punho se solta e circula
Vai mexendo, remexendo, temperando
O caldeirão 

Esse mesmo punho é quem mistura
Sentimento, escrevendo, musicando
O feijão 

A rigidez ou leveza
Está em como se senta à mesa
Se a faca é para refeição
Ou para agressão 

O punho posicionado
Dedilhar ou engatilhado
Diz se é capaz de fazer melodia 
Ou só entoar agonia 

Então, peço a sua gentileza
Feijão e violão de sobremesa
Fuzil não tem afinação
Só produz choro sem canção 

Já tem ferro no feijão preparado
Pro nosso povo esfomeado
Desse alimento já se fez tanta poesia
Agora, posar de arma um violão, 
É desarmá-lo, desarmonia

terça-feira, agosto 17, 2021

Erres e Erros

Ele, aquele lá, que inflama
Ódio a quem ama
E conclama
Que a população se arme
E não se ame
 
Que diferença faz um “r”...
 
Portanto, não erre!
Que, por esse erro, olha o vexame
  
Tem horas que parece
Que Deus olhou pro Brasil
E deu-nos essa sina
Uma mente assassina
 
Subiu a rampa do Planalto
Verde e amarelo na faixa
Ordem e Progresso na bandeira
 
Da ignorância, o arauto
Da cultura mais baixa
De crueldade rasteira
 
Eu só escrevo poesia
Deixo o samba pros compositores
Mas, lamentos não nos faltam
Pessoas sim, números saltam
Mortos por corruptores
 
Negacionistas da doença que mata
O que mata é que a mensagem
Sequencialmente ignorada
Negligenciada
Poderia ser respondida
E pior, foi proposital
Mas, afinal,
O que esperar de um brutal e boçal genocida?



Coincidência: esse poema entra no blog num dia 17.

quinta-feira, julho 29, 2021

Frio

Está frio, bem frio
Acusam meus pés, mesmo aquecidos
Ou tentando
Em meias de não tão grossos fios
Congelando
 
Claro, tem aí certo exagero
Força de expressão
Não é pra tanto
O frio dos pés não é o primeiro
Que incomoda a sensação
 
Há os sem meias, sem blusas, sem teto
Sem calças, descalços nos concretos
O que não é nada abstrato, nem arte
É na esquina de uma cidade
Chão áspero que arde
Uma criança ao relento,
Desse cenário ser parte
 
Campanhas do agasalho
Campanhas de inverno
Sem colcha de retalho
Sem apoio, sem trabalho
Sem ambiente interno
É tudo, tudo externo
De tudo está fora ao extremo
 
O teto é o invariável breu
Luzes de faróis e da lua
Das estrelas e do poste da rua
E o que aconteceu
Antes de amanhecer
Só quem sub-viveu ou sobreviveu
Que pode dizer
 
Está frio e à noite, aperta
O tempo espaça, passa lento
Será que o sol de manhã conserta
Esse clima de frio (e) violento?

terça-feira, maio 04, 2021

O Voto

O que diz seu voto?
Sim, começo assim, direto
Pergunto no ato
 
Sim, eu me importo
Pode ter mais de um correto
Há também um pior, é fato
 
Eu friamente anoto
Quem votou no abjeto
Pra cobrar o pato
 
Hoje pago em mortos
Num futuro incerto
Ou um plano exato
 
Seu voto significa
O que interfere
O que te atinge
O que te fere
 
Seu voto também diz
Quais pessoas verbais
Além das primeiras
Seu intuito traz
 
O que diz seu voto
Quando nenhum te representa
Há lutas que se discorda
Há monstros que se enfrenta
 
Sabe o que também diz seu voto?
Qual bandeira você agita
Se os seus, ela acolhe
Diz o que tu acreditas.
 
Seu voto também fala de você
Não se isente, por favor
Não é cochicho, nem fofoca
É o que te dói pra se opor
 
Seu voto diz onde te dói
E o que tanto faz
Seu voto pode não querer guerra
Mas não primar pela paz

quarta-feira, abril 28, 2021

É... Guedes

É... Guedes, a gente quer viver
Por isso que a gente tanto contraria
O seu trabalho pra gente morrer
Nossa ambição nos diferencia
 
Vocês nos calculam na economia
E a gente calcula os presentes
Os sobreviventes
Desse genocídio na pandemia
 
Nosso cálculo não é no Fundo de Garantia
É na garantia que no Fundo do coração
Não vamos perder um irmão
Seja de sangue, seja da vida
 
Guedes, sim, queremos saúde e chegar aos 100
Três dígitos na identidade
Um a menos do que vocês matam por dia
Sorrindo, zombando da saudade
 
Guedes, imagina bater 101, 102, 103
E ter quem nos ama agradecendo
Não, por você não terá tal intento
Pra você, o que conta é a Previdência
E sim, seremos sempre seu tormento
O pesadelo, se tiver uma consciência
 
Vocês nunca entenderão
Que são o mais tenebroso momento
Que matou uma multidão
 
O tempo os levará muito além da prisão
Seremos a assombração do seu pensamento
Sempre caminhando contra o vento
Vocês roubaram o documento da nossa nação
 
Nossa bandeira é o tecido que embrulha caixão
O verde e amarelo tão vivos
São a cor do luto pro mundo e nós sabemos a razão
Os culpados e os omissos
 
Pela vacinação, pelo pão, arroz e feijão, pela refeição
Sem fundos pra garantia no prato
Sem doses pra garantia no braço
Sem um verbo que seja exato
Só não digo que não tem verbo
Porque deixar morrer também é ato.

quinta-feira, março 04, 2021

Numericamente


No dia que tivemos 1910 mortos por COVID-19, tivemos um clássico na capital de um dos times fundado exatamente nesse ano, 1910, de cores branca e preta, um time de massa. Mas não é da bola que rolou na grama verde, cor do seu adversário, que quero falar. 

Concentro-me nas cores de um dos times: o branco de quem luta pela vida, dos médicos e aventais estafados numa saga que não termina. E o preto do luto que vai tomando a bandeira tão viva em suas cores verde, amarela e azul. O jogo teve 4 gols, um pra cada dígito de mortes em um só dia. Um pra cada ponto percentual negativo do resultado do nosso PIB também divulgado hoje. Aqui, o gol tem sido sempre contra. Contra a nossa meta. E a meta de quem deveria defender é rir, caçoar, zombar das mortes e antes ironizavam uma fala que não havia uma meta, mas, quando se alcançasse, 'dobraríamos a meta'. Hoje, a meta é a morte. Já dobramos, triplicamos, multiplicamos por 10 e vamos seguir avançando para outro lema: "BRASIL ACIMA DE TODOS", no ranking de vítimas fatais da COVID-19.

Hoje bateram 10 aviões da TAM, como o voo 3054, em 2007. Nove deles cheios e um com pouco mais da metade da capacidade. Se você não sente o peito doer com isso, vá se tratar urgente.
 
Se você não dorme e acorda todo dia com ódio do negacionismo do presidente em relutar na aquisição de vacinas, você realmente está vivendo em um mundo paralelo. Vá se tratar também. 

Bons tempos que o que mais doía era um 7x1, ou melhor, o jogo era aqui, 1x7. Agora, vc tira o x desse meio e usa pra representar o negacionismo, o X em relação a termos vacina. Nada, só X em todo lugar. E quantos nomes, pais, avós se foram deixando o X da questão: quem é o culpado?
O nosso 1 a 7 não foi assinalado com X.  Foi apertado o botão verde, como nossa bandeira, escrito CONFIRMA.
E HOJE? 
VOCÊ SE CONFORMA?

terça-feira, fevereiro 02, 2021

Meu Doce Brasil

Ah, meu Brasil

Esse país é uma doçura
O problema é a fatura
E aquela criatura

Aqui é terra de fartura
E de fratura
Na conta pública
Exposta, posta, reposta
Só a resposta que é impura
Ou puramente suja

Aqui, o leite condensado
Não é só ingrediente
De pudim e rapadura
Ele serve pra mostrar que o presidente
Nessa lata se lambuza

Ah, Moça, quanto você custa?
162 reais a lata,
sem pechincha, sem desculpa
Você pode me distribuir no Exército
Para todos os soldados
Pode me por em fervura
Pode me usar na receita
Pode me usar na suruba

Depois, um chicletinho pra relaxar
Liptus, mentol, pra dar frescor
Afinal, não tenho frescura
Atendo do Planalto à prefeitura
Da democracia à ditadura
Todos apreciam meu sabor

Docinho, saboroso, do início ao fim
Misturo com amendoim
Pagam R$5,45 por uma de mim
Paçoca, soca, soca, soca assim
E pode botar chantilly
É assim que o povo gosta
E juntinho, a gente ri

Ah, num ri não? Ri sim.
Coletiva: a lata de leite condensado
É pra vocês enfiarem na bunda
Aplausos, risos e gritos
Enumero as classes de filhos da puta

Ministros, inclusive o da Cultura
Agora, não é mais ministério
É secretaria, e é uma fria cada dia que dura

Os sertanejos, alguns tiveram a cara dura
De querer separar a postura
Não foi um encontro político
Então, vamos excluir o modo crítico nesse caso

Caso, o goleiro Bruno o convidasse
Pra um churrasco num sítio você iria
Pra bater uma bola seria

Se a Richtofen fosse sua fã
E te chamasse pr'um almocinho aleatório
Compareceria?

Não, Sorocaba, não acaba de foder o rolê
Que já ta mais que fodido
Falo dele porque veio se defender
Pois foi atacado, ofendido
Convenhamos, merecido

Não se senta à mesa da ditadura
E finge não sentir a agrura
O refluxo apura
Na boca, secura
O silêncio é o gesto que atura

Não se senta à mesa
De quem não tem defesa
De quem ironiza a morte
Da carne compartilham o corte

Não se senta à mesa e se cala
De quem prefere bala
E não se abala
Com mais de 220 mil perdas

Não se senta à mesa
E se serve da mesma bandeja
Não se compartilha da mesma bebida
Que molha as palavras de um genocida

quarta-feira, janeiro 27, 2021

Como Chegamos a Esse Ponto?

Como chegamos a esse ponto?
E não é o final, ainda tem mais oração
Ponto final, parágrafo, na outra linha, travessão.
- Vacinação vai começar dia D, na hora H
Houve uma série de piadas usando outras siglas
Gerou repercussão
Era essa ideia, todo mundo comentar

Querem piadas, pois fazem de nós, piadas
Ou fazem piadas de nós, como queiram
Somos os personagens da anedota
Eles invertem o papel
Fazendo a gente de idiota

Sendo que o maior dos idiotas
Está lá no planalto
Elegeram com a desculpa (esfarrapada)
Que ele acabaria com o assalto
Às contas do país

Ele só acabou mesmo com o país
Não com o assalto, ao contrário
Pra isso, os filhos lucram alto
Chocolates, laranja, açaí
Tudo na área alimentícia
Sabe aquele posto do Pergunta ali?
Guedes é falácia, evolução fictícia
Queiroz e o condomínio da milícia
E nem precisam fugir
Está com eles, a polícia
O policial, cidadão
E a instituição, até esfera federal

Moro, Weintraub, Damares e Salles,
Todos fizeram parte
Desse genocídio infernal
Desde o começo com Mandetta
Até o capeta deve olhar com muito orgulho
O que fez e faz esse pessoal

Como chegamos a esse ponto?
Que o Butantan, centenário
Tivesse a confiança discutida
Com tanto argumento precário?

Como chegamos a esse ponto?
Que tomar vacina é errado
Que cloroquina salva vida
Que seu DNA será chipado

Como chegamos a esse ponto?
Desacreditar do especialista
A burrice se encontrou com a prepotência
Que é tudo uma conspiração comunista

Como chegamos a esse ponto?
Do imbecil perder a vergonha de ser
De seu achismo se opor à ciência
Talvez, eu consiga entender
Elas se veem no espelho
A estupidez elevou ao poder
Aquele filho da puta
Que ocupa a presidência

quarta-feira, dezembro 30, 2020

O Inexplicável 2020

2020 iniciou com esperanças, já que 2019 não foi lá essas coisas. Bom... era o que pensávamos. Houve quem apelou para o par de 20 para achar que tudo se alinharia e que, por qualquer afinidade numerológica, seria um ano de expectativas positivas. A cada dia, novas tecnologias, a cada ano, uma infinidade de inovações que mudam a praticidade de nossas vidas. Só que às vezes, um computador, com muita informação armazenada, simplesmente trava. Precisamos descarregá-lo de conteúdo para ele funcionar melhor com menos funções. Acredito que aconteceu algo similar com nossas vidas. Porém, de forma muito mais grave.

Nós retrocedemos e parece que esvaziamos todas as funções básicas do nosso sistema operacional. O programa de texto não reconhece mais as palavras. As planilhas começam a calcular errado. Os programas de desenhar e pintar agora trabalham só com branco e preto. Jogamos fora muito além do que precisávamos.

Surge, no Brasil, a pandemia. Junto com ela, ideias do início do século passado voltam à tona. Sabe quando você está jogando um videogame e já avançou muitas fases? Já vencemos batalhas, superamos etapas e quando já estávamos bem à frente, foi como se a luz tivesse acabado e nosso jogo, que não salvamos na memória, se perdeu. Vamos ter que começar do zero...

Em pleno ano de 2020, as vacinas viraram ponto de interrogação. Institutos renomados mundialmente, como o Butantan, tiveram que despender trabalho em se organizar para uma campanha massiva em rádio e televisão para dizer: “Olha, a gente trabalha nisso há 101 anos, o mundo confia no que a gente faz. Somos confiáveis, viu, população brasileira?”

Esse é só um dos exemplos. A internet deu voz para todos, inclusive para quem não tem o que falar. Mas, a necessidade de dizer algo é tanta que liga a câmera e vai. Só que nessa ida, leva muita gente de carona que engrossa o coro de quem nada tinha a acrescentar. A pretensão de julgar-se apto a elaborar teorias promove vozes que, sem propriedade alguma, levantam dúvidas e sugerem desconfiança. No final, isso só contribui para a incerteza e desqualificação de quem de fato deveria ser a referência e, acaba não sendo, pura e simplesmente porque a pessoa duvida e pronto. Por que duvida? Não tem um porque, só duvida mesmo. E reforça a estupidez questionando o direito que possui de duvidar.

Graças a sei lá o quê, o ano acaba amanhã. O que vai mudar? Só o 1 do dígito final. As pessoas continuarão espelhadas na ignorância. E quando digo ignorância, nesse caso, serve nos dois sentidos: o de desconhecimento e o de rispidez. Afinal, essa ignorância é o que hoje nos representa perante o mundo. Ao olhar para cá, pensam: o que será que aconteceu com aquele Brasil do povo hospitaleiro e de calor humano?

A resposta é que aquele Brasil, de fato, nunca existiu. Continuamos um país preconceituoso com a nossa própria cara. Continuamos um país hipócrita, laico, de maioria cristã e que, se for pra vir um Cristo com a imagem e semelhança de quem o diz representar aqui, segura aí, não vem, não. Continuamos um país perigoso nas ruas e em casa, principalmente para mulheres, meninas e crianças em geral. Continuamos sendo um país repleto de Bolsonaros ao nosso redor. Sim, aquele seu tio do pavê que faz piada misógina, é um deles. Aquele seu vizinho crente que bate na mulher, idem. Aquele dono de comércio com nome de santo que assedia as funcionárias ou põe o segurança em total atenção com clientes negros, também. Tudo isso é o Brasil. O país sem vacina.

Mas, em 2018, você apertou 17, táoquei? Ah, você não apertou? Então, você é da turma que falou que políticos são todos iguais e anulou? Espero que você tenha aprendido. Não acredito nisso, mas, torço. Eles não são todos iguais. E a desigualdade deles reflete na nossa. Estamos desiguais a boa parte do mundo, que começou a tentativa de salvar vidas. Ele Não.

E daí? Não ligo pra isso – disse ele. E você também, quando apertou o Confirma. Plantamos um laranjal. De lá, não se colhe maçãs.

terça-feira, dezembro 22, 2020

Rio de Dezembro

Faz mais de uma semana que voltei
Ainda não me debrucei
Ou melhor, não tinha me debruçado
Pra escrever o Rio

O Rio já tão declamado
Não há linha que eu possa puxar o fio
Que ninguém tenha falado
E começando pela fala, o "S" chiado e o "I" dobrado

Nunca perceberam o "I"?
Pede pro carioca falar Rio
O segundo "I" é meio tonzinho pra baixo
RIiO
E bota i no meixmo, eixtra, e por aí vai...

E lá, por onde você vai
É alertado, uma tensão do carai
Retorna de ré, fica abaixado

O Rio com suas praias
Não senti o mar salgado
O Rio de shorts e saias
De um calor exagerado

E sabe qual foi o maior exagero?
A maior discrepância?
Foi ver um morro equilibrado
Por esperança

E abençoado por uma igreja
Ali, quem mora, teme a tempestade
Ali quem prega, já conhece a bonança

Não sei se é mármore que fala
Mas, a fachada, por si só já fala
Não vou lembrar o nome
Mas, era letra por letra separada
Estilosamente fixado
Aço fosco, escovado

Luxuosa, a ponto de eu nem duvidar
Se me falassem que era o portal do céu
Bastava olhar
O que pra uns era lar
Ou o que era o caminho fiel
Não parecia difícil a escolha
Por qual iria andar
10% de dúvida cruel

Pouco à frente, já na curva
Perguntei o nome daquele morro
Pra fazer jus à referência no meu verso

"Não tem nome, não, ali foi invasão, ocupação"
Meu pensamento sempre em processo
Já pensou: 
se nem o local mereceu um endereço, uma localização
Imagina o cidadão que ali se alojou

E logo na entrada de outro morro
Chamou minha atenção
O armamento pesado, empunhado
Preparado pela corporação

Para que, em qualquer situação,
Estivesse engatilhado
Sobre rodas ou pé no chão
No banco de trás da viatura
Corpo na postura e arma na mão

Rodamos Mangueira, Vila Isabel,
Maracanã, Cacique de Ramos
Do Cristo, passei perto, olhei pro céu
Era tanta neblina que nem enxergamos

Pense numa fumaça
Que conforme a tarde passa
E o breu vem chegando
Foi melhor voltar pra casa
Na Ilha do Witzel, afastado como tantos

O Rio, às vezes, é de lágrimas
Da violência de cenas trágicas
Mas, também é de emoções, como o carnaval
Quando é ainda mais atração mundial
Pela Sapucaí e suas mágicas

Magias, encantos, efeitos especiais
Belezas esculturais
Em corpos humanos
Em construções naturais

O Rio de Janeiro, do samba, da Lapa
Do futebol, tema que não escapa
De Zico, Garrincha, Edmundo e Romário

De camisas da escola
Tanto quanto as de time
São tantas peculiaridades
Que mesmo com tantas obras
Esse poema (e mais outro, e mais outro e mais outro...)
Todos seriam necessários
Porque pra um Rio, não há palavra que exprime
E expresse ou resuma o que traz o mundo inteiro
É pelo calor do ser brasileiro?
Não creio...
Pelo menos que seja só isso, nem a bossa
Nem aquele abraço, nem as Águas de Março
Que tudo isso é muito cosa nostra

As águas desse Rio não são
Nem de janeiro, nem de março
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
Miliciano e desigual  
Estou escrevendo em dezembro
De um próximo ano 
com fevereiro sem carnaval

sexta-feira, novembro 13, 2020

Eis Você

 Ô cara de pau, 
Você ainda não entendeu
O que está acontecendo no Brasil
O tal gigante não acordou
Tá mais que dopado, se drogou
O ódio ebuliu

A cada absurdo daquele boçal
Que você, mesmo que anulou, elegeu
Tem destruído o pouco que se construiu
Tá aí o desmanche que você optou
Tem quem reconheceu que errou
Mas tem quem se orgulha do que conseguiu

Peçam que eu não seja radical
"Tem gente que, por protesto, escolheu"
Peraí, quer que eu releve quem quis bala e fuzil
Sendo que os alvos são os "meus"?

Não digo que confio no que acusa o Jornal
O nível de crueldade não surpreendeu
Era tudo previsto, sim, você contribuiu
Por favor, não venha dizer que se enganou
A Amazônia, o Pantanal, tudo incendiou
Seu voto no táoquei, tudo isso consentiu

Ele avisou que acabaria com ONG de cunho ambiental
E olhem, que surpresa, adivinha o que aconteceu
O tal posto Ipiranga brochou e o PIB não subiu
O dólar que ia cair na metade, já quase dobrou
Diz a plenos pulmões que com a corrupção acabou
E na conta da Michele, Queiroz pôs 89 mil

Vou rasgar o ECA, em nome da fé cristã e moral
Livros que tratavam de ditadura, esses, já recolheu
Vamos reensinar que a repressão nunca existiu
Foi demitido quem discordou
Na Saúde,  numa pandemia, trocou e de novo trocou
Quem não quis a Cloroquina que pro Trump pediu 

Como se não bastasse, essa doença mundial
Propagou mentiras, como as que o elegeu
A medicina desmereceu e a população confundiu
O genocídio do "E daí" de terra das covas, a mão sujou
Enganado quem pensa que as mãos lavou
Seu tanto faz, tudo isso permitiu

Moralidade, família tradicional, um laranjal
Milícia representada com seu voto, não o meu
Moro e sua justiça que logo desistiu
É aquilo que você no fundo, e nem tão fundo, sonhou
Brasil, mostra tua cara. Atendendo a pedidos, mostrou
Bolsonaro e sua corja é você no espelho mais vil

Só não tinha coragem de dizer
Achou quem falasse por você
Quis alguém que o refletisse no poder
A mim, dá nojo. A ti, a imagem do seu ser

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

Novo Passo pra Trás

Dois mil e dezenove,
O ano então começou
Dia 1 do 1 chegou
A esperança que se renove
Nesse discurso que cansou

Parem, por favor, de fingir
Só a virada de calendário
A contagem de 3, 2, 1, no horário
Não diz que o mundo vai evoluir
Muito, muuuito pelo contrário

Nós buscamos no passado, o futuro
Pelo aprendizado, pela história?
Antes fosse, mas, pela opressão da escória
Que se impôs, deixando claro que o escuro
Tomou seu lugar no pódio da glória

E nem precisou ser goleador
Ou ouvir: “esses negros cantam demais”
Ele só mostrou que seu muro desfaz
Como um sopro na casa de Heitor
E nem somos lobos correndo atrás

Foi madeira pra tudo que é lado
Madeira, matéria-prima de construção
Os tocos que alicerçam no chão
Mesmo num morro dependurado
Foi nosso passo pra impulsão

E o passo que já foi dado
Não recua NEM FO-DEN-DO!
Pode ser até o Coiso dizendo
O futuro é inesperado?
Não acho, mas, o meu passo
Pelo menos, desse não me arrependo

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Torcida e efeito

Chegamos ao governo Bolsonaro
O mito como foi designado
Tem muito pouco ou quase nada
A se orgulhar por ser “culpado”

Antes de eu ser apedrejado
Entenda o que escrevi
Ele pode ter vendido bem o perfil
O que eu realmente não entendi
É quando e onde foi qualificado
Pra governar (como diz a música) a porra do Brasil

E mais: estamos sob a gestão (ou indigestão) de Jair
Isso não significa que vou secar, agourar,
Nem tampouco, consentir
Que Ustra seja brilhante ou livro de cabeceira
Você consente ou leva na brincadeira?
Eu lembrarei se algo assim te atingir

Não desejo nada, nem o mal, nem o bem
Estou só de butuca, a olhar o que vem
Torcer? Não é futebol que a bola pega um vento
Caprichosamente, vai na trave
Rebate e vai fora, ou mata e vai dentro

Guardo a torcida pro futebol
Que o goleiro adversário sobe pra tirar a bola
Na cara bate o sol, meu nove se aproveita
E a torcida comemora
Ou num chute que desvia e pega efeito
O goleiro já saía, a bola entra e não tem jeito
Isso cabe torcida
Todo mundo lado a lado, gente unida, camisa igual
Sentimentos movidos por um ideal
Gritar ‘é campeão no final’

Não vou ficar de boa
Com quem acha de boa ser fã de torturador
Ser opressor por essência e com consciência
Nós, rivais, eles chamam de defensor de ladrão
Do cara que está na prisão
Não, você não entendeu sua condição

Quer arma e munição?
Sentirá no peito, a perfuração
Um pouco acima da facada do #EleNão

segunda-feira, outubro 29, 2018

Vários Nãos


Não queria começar esse poema
Pedindo a você empatia
Por algo que não é seu problema

Não adianta eu pedir seu cuidado
Com quem sofre pelo que é, todo dia
E pedir que você fique ao lado

Não posso esperar sua comoção
Em um discurso pela democracia
Se não viveu sob opressão

Não despertarei seu sentimento
Sobre preconceituosas fobias
Em cada ataque violento

Não creio que assumirá tal postura
Quem releva, se abstém ou silencia
Posiciona-se: a opressão atura

Não ouvirei levantar sua voz
Por quem sofre covardia
De ataque como agora, feroz

Seus vários nãos são positivos
Indicativos de sua posição
Omitir-se, jeito um tanto expressivo

É uma forma de corrupção
Há o consciente infrator ativo
E o que encobre a visão

Há quem não veja motivo
Pra tanta preocupação
Curiosamente, se chama passivo
Ao discurso sem paz, ELE NÃO