sua camisa branca,
terça-feira, setembro 05, 2023
Ter um "P" de Pelé
sua camisa branca,
quinta-feira, outubro 27, 2022
Carta-Símbolo
Bom dia, tudo bem? Espero que sim. Bom, eu estou te escrevendo isso, pois, gostaria muito de sua atenção em alguns poucos minutos desta leitura. Como você está lendo, foi trazido até aqui por algum amigo, algum link, alguma pessoa da qual você tem um mínimo de consideração para que ela enviasse e você se desse ao trabalho de abrir. Obrigado desde já!
Queria muito só conversar contigo sobre esse momento de muita atenção e tensão que se aproxima. “Ah, mas, eu não ligo pra política”. Bom, eu tenho uma notícia triste pra te dar. Você ligando ou não, ela acontece e conforme acontece altera a sua vida e a minha. “Mas, pra mim, eu tenho que trabalhar pra ‘baralho’ do mesmo jeito, ganhe quem ganhar”. Sim, disso não estamos livres, afinal, estamos no mesmo grupo. Você pode ganhar 10, 50 vezes mais que eu ou metade, 1/3 do que ganho e, ainda assim, estamos no mesmo grupo. O dos pobres e trabalhadores. “Mas, eu tenho uma vida estável, casa própria, propriedades, carros, imóveis...” Enquanto você tiver que trabalhar para manter ou tudo isso não veio de herança, você está no mesmo grupo que eu e que muitos que ganham até menos. Mas, não é nisso que quero despender seu tempo.
Hoje, não vim aqui pedir voto, vim propor um papo, do qual estou inteiramente aberto a ouvir suas ponderações. Hoje, quero trazer pra conversa seu olhar mais crítico possível sobre nossa história. Não só do Brasil, mas, do mundo. Certa vez, aprendi no filme “V de Vingança” que um prédio, uma obra, uma construção, um monumento só têm importância pela sociedade que o cerca e o que ele representa pra ela. Por exemplo: imagine um atentado no Brasil. Se uma bomba ou um avião, como ocorreu nos Estados Unidos no 11 de setembro de 2001, atinge um monumento de uma praça qualquer em uma cidade qualquer. Para a população local, causa um impacto. Agora, imagine estes mesmos aviões atingindo o Cristo Redentor. Ambos são monumentos, ambos têm sua representatividade, no entanto, o ataque ao símbolo (talvez o mais) conhecido do Brasil tem outros olhares, e repito, quer você ligue pra isso ou não. Uma explosão ao Cristo Redentor simboliza um ataque à fé cristã, um ataque com o intuito de ferir a imagem do Brasil perante o mundo ou demonstrar nossa fragilidade em segurança, ou seja, há uma série de simbologias que cercam. Fosse uma obra qualquer em um canto qualquer, poderíamos até lamentar, mas, ok, bora pro próximo assunto, vida que segue.
Mas, o que isso tem a ver com a política e as eleições? TUDO, meu amigo, absolutamente tudo. Estamos vivendo um período em que as pessoas estão achando que um fato, uma fala, um ato ou negligência é só um fato, uma fala, um ato ou uma negligência. Tudo o que a gente faz simboliza algo. Aí, na sua família, sabe aquele cuidado em algum encontro de não fazer ou falar algo porque isso pode machucar a outra pessoa? Sabe quando você pensa 1000 vezes no que vai dar de presente para um irmão e pra outro para que não haja uma interpretação de preferência ou algo do tipo? Isso é política, meu amigo, quer você goste, queira ou não. Mas, meu foco não é um presente, nem a sua reunião familiar, mas, entendermos que qualquer ação vai além dela, tem continuidade, interpretações e desdobramentos.
Além dos exemplos explosivos ou familiares, poderia citar também simbologias e sinais de afetividade. Quando você vê um traje de um personagem do programa que adorava quando criança, você pode ter se tornado a pessoa mais fria e dura que há e respeito qualquer que seja o histórico de vida que te trouxe até isso, e, mesmo assim, essa memória, eu sei que dá aquele quentinho no coração de reativar lembranças afetuosas e agradáveis. Mas, no fundo, no fundo mesmo, é só uma roupa. Só que, pra você, não. Entende?
Isso vale tanto lá quanto cá. Se dá aquele conforto, pode dar angústia também. Se você tiver em algum cantinho da sua memória algum período de dificuldade financeira, de saúde, de uma saudade, qualquer situação que te destrave essa lembrança, você sentirá o amargor na boca. Você já pode ter perdido um familiar e lembrar quando passa em uma rua, quando sente um cheiro, pode ser até do hospital, enfim, esses gatilhos quando disparam dificilmente conseguimos conter a munição.
Hoje, vivemos uma série de símbolos todos os dias, de falas que vão muito além de um texto ou de uma voz que pronuncia. Eu, por exemplo, não vivi a ditadura, porém, sou jornalista e estudei o que foi feito. Quando ouço alguém falar em prol disso, o sangue ferve, o refluxo sobe e a boca é consumida por um péssimo sabor. Quando todos os símbolos de um movimento são copiados representa que você se identifica com ele. Vamos a mais um exemplo: (hoje eu tô cheio de exemplos, né?) quem gosta de rock, como identificamos? Claro, há uma série de estereótipos, porém, quando se vai a um show desse gênero musical, você entende aquela tribo, aquele grupo, pela cor preta das roupas, pelos gestos com as mãos, pelos cabelos ou pela falta deles. Sim, isso é um estereótipo, porém, dificilmente, veremos junto ao grupo de roqueiros, estilos muito destacados. O estilo faz parte do contexto, do pertencimento.
Como eu disse que a adequação aos símbolos de um estilo aproxima quem se identifica e nos insere em um grupo, isso também vale para o bem ou para o mal. Na história, temos simbologias ditatoriais, fascistas, nazistas, e todas elas têm seus códigos que aproxima os interessados a pertencerem ao cenário e contexto. Hoje, no Brasil, ainda vemos denúncias e prisões de grupos que se utilizam da suástica, símbolo do nazismo. Outros símbolos e estéticas do movimento foram reprisadas recentemente, como um cenário, o copo de leite e até a trilha sonora. “Ah, mas é só um copo de leite”. (volte ao início e leia até entender, obrigado)
Passeios de moto ou motociata, como chamam agora, fizeram parte de movimentos fascistas com Mussolini, na Itália. E seguem rememoradas, revisitadas e na versão brazuca. Ou seja...
À parte disso, se eu só propusesse que você pensasse no nazismo, no fascismo e na ditadura, eu te perguntaria: as pessoas que exaltam esses movimentos, se engajam a eles, votaria em quem? É do lado dessas pessoas que você quer estar?
Tem uma frase do Ernest Hemingway que diz: “- Mas, quem vai estar ao meu lado na trincheira? - E isso importa? – Mais que a própria guerra”.
É sobre pertencimento. Quem são
os seus?
Olha só o que aconteceu com a camisa do Brasil, da Seleção Brasileira, em pleno ano de Copa do Mundo. Seria porque só esse grupelho defende e representa o Brasil? Não, houve um sequestro com essa finalidade. A de mostrar que o verde e o amarelo pertencem a eles. Não, não pertencem. As cores e nossa bandeira foram símbolos roubados, usurpados. "Ah, mas é só uma camisa amarela, qualquer um pode usar". Não mesmo. Quem opta por usar já é identificado como sendo de um bando. Entende o quanto um simples pano de uma simples camiseta não é só um tecido com uma mera estampa? Assim como o Monte Fuji, no Japão, a Torre Eiffel, em Paris, você pode simplesmente ignorar a existência e isso não ter valor pra você. PRA VOCÊ. O que não tira o valor real destes pontos turísticos que levam interessados do mundo inteiro a conhecerem e, simplesmente, chegar perto, tirar uma foto no local simboliza para cada ser a história que o levou até lá. Você pode desprezar o que cada símbolo representa e, mesmo assim, ele ainda representa.
Quando você se junta a um grupo
pela fé, há uma série de representações, seja pelas roupas, pelas palavras ou
expressões do vocabulário que te incluem ali. E você pode, mesmo sendo de um
determinado perfil, conviver, respeitar e até amar ao próximo, mesmo que o
vocabulário, trajes e expressões sejam diferentes do seu. Sim, isso é possível
e até permitido. Pode parecer ridículo o que escrevo, mas, não, no Brasil de
hoje, não é, se faz necessário reforçar, escrever, deixar claro. Seguindo este
conceito de amar ao próximo, quem você tem visto fazer exatamente o contrário? “Ah,
mas tem dos 2 lados”. Sim, pode haver, mas, você sabe que não é na mesma
proporção, você sabe. Outra coisa que você sabe é que Deus, Jesus, ou o nome
que der para seu ser superior que acredita, é que ele era a imagem da bondade, da
essência da expressão compartilhar (muito antes do uso atual). Hoje, se ataca
quem combate a fome, quem defende o amor, quem aponta e critica o ódio. Que Deus
é esse que você cultua? Será que se ele voltasse, vocês andariam juntos? Você o
seguiria? Ou daria hate?
Hoje, não estamos defendendo ‘o nosso’. Estamos tentando defender “os nossos”. Mas, está bem difícil de mostrar aos nossos que estamos no mesmo bote salva-vidas, não é nem um barco, não. Parece que quem pensamos ser os nossos, no fundo, almejam nos derrubar do bote, isso sim. Só esquecem que, se houver um remo e precisar remar, é melhor não estar sozinho se quiser ir mais longe. E mais, é melhor a remada ser coordenada para não andarem em círculos sem sair do lugar.
Ah, e cuidado, se aparecer um transatlântico, ele nem vai te ver ou ouvir. Só vai passar por cima. Vocês não estão no mesmo barco.
sábado, outubro 08, 2022
Como é Grande meu Foda-se por Você
quarta-feira, setembro 29, 2021
Óbito Também é Alta
Óbito – alta
Sim, é alto o número de mortes
A sorte nos falta
Mas não é só sorte
É fruto de um golpe
De missão incauta
Tiram-se os lençóis
Tira-se a terra
Fecham-se paletós
Pais, tios, avós
Tira o ar e já era
Siglas: UTI, IML
Do leito ao luto
Do quarto aos sete
Palmos que despede
O fim absoluto
Respiro curto
Versos breves
Crime absurdo
Que nenhum insulto
Descreve
Tem nome, sobrenome e assinatura
Prevent, Senior, Bolsonaro
Essa foi a postura
Cada um pague a sepultura
Previdência é algo caro
Óbito também é alta
Deixar o hospital e o leito
O plano de saúde contrasta
O kit morte já não basta
Tirar o ar está no preceito
Já não bastasse Mandetta, Pazuelo, Teich
Queiroga e a cloroquina
Usaram a máxima do Reich
Lealdade e Obediência
Lema da ação assassina
Será que vivo pra vê-lo pagar?
Milhares de adeus
Mortes como alta hospitalar
Um plano sem carência pra matar
É esse povo que se diz de Deus?
Era, pra hoje, a Prevent estar em chamas
A sede queimando, derretendo
Seria uma calorosa vingança
A quem eles ceifaram a esperança
De uma avó se restabelecendo
Slogans replicados
Inclusive na crueldade
Brasil acima dos enterrados
Incinerando os cremados
Testando a humanidade
Nem precisa testar
Já fomos reprovados
Prontuários pra ocultar
Sem nem velórios pra chorar
Pra eles, só resultados
Nós perdemos
Braços que não dão mais abraços
Somos a cada dia um pouco menos
A cada dia, um pouco mais, morremos
Com tantos crimes macabros
Quero deixar público meu prontuário
Minha dose é a escrita frequente
Desabafo sempre que necessário
Eles mataram e nada diz o contrário
Só a corja de Jair e a Prevent
sexta-feira, setembro 24, 2021
Ele Na ONU Não É Nóis
quinta-feira, setembro 23, 2021
Ignóbil Heinze
segunda-feira, agosto 30, 2021
Feijão, Fuzil e Violão
Em postura e protesto não mais servil
Revolução
Vai mexendo, remexendo, temperando
O caldeirão
Sentimento, escrevendo, musicando
O feijão
Está em como se senta à mesa
Se a faca é para refeição
Ou para agressão
Dedilhar ou engatilhado
Diz se é capaz de fazer melodia
Ou só entoar agonia
Feijão e violão de sobremesa
Fuzil não tem afinação
Só produz choro sem canção
Pro nosso povo esfomeado
Desse alimento já se fez tanta poesia
Agora, posar de arma um violão,
terça-feira, agosto 17, 2021
Erres e Erros
Ódio a quem ama
E conclama
Que a população se arme
E não se ame
Que, por esse erro, olha o vexame
Que Deus olhou pro Brasil
E deu-nos essa sina
Uma mente assassina
Verde e amarelo na faixa
Ordem e Progresso na bandeira
Da cultura mais baixa
De crueldade rasteira
Deixo o samba pros compositores
Mas, lamentos não nos faltam
Pessoas sim, números saltam
Mortos por corruptores
O que mata é que a mensagem
Sequencialmente ignorada
Negligenciada
Poderia ser respondida
E pior, foi proposital
Mas, afinal,
O que esperar de um brutal e boçal genocida?
quinta-feira, julho 29, 2021
Frio
Acusam meus pés, mesmo aquecidos
Ou tentando
Em meias de não tão grossos fios
Congelando
Força de expressão
Não é pra tanto
O frio dos pés não é o primeiro
Que incomoda a sensação
Sem calças, descalços nos concretos
O que não é nada abstrato, nem arte
É na esquina de uma cidade
Chão áspero que arde
Uma criança ao relento,
Desse cenário ser parte
Campanhas de inverno
Sem colcha de retalho
Sem apoio, sem trabalho
Sem ambiente interno
É tudo, tudo externo
De tudo está fora ao extremo
Luzes de faróis e da lua
Das estrelas e do poste da rua
E o que aconteceu
Antes de amanhecer
Só quem sub-viveu ou sobreviveu
Que pode dizer
O tempo espaça, passa lento
Será que o sol de manhã conserta
Esse clima de frio (e) violento?
terça-feira, maio 04, 2021
O Voto
Sim, começo assim, direto
Pergunto no ato
Sim, eu me importo
Pode ter mais de um correto
Há também um pior, é fato
Eu friamente anoto
Quem votou no abjeto
Pra cobrar o pato
Hoje pago em mortos
Num futuro incerto
Ou um plano exato
Seu voto significa
O que interfere
O que te atinge
O que te fere
Seu voto também diz
Quais pessoas verbais
Além das primeiras
Seu intuito traz
O que diz seu voto
Quando nenhum te representa
Há lutas que se discorda
Há monstros que se enfrenta
Sabe o que também diz seu voto?
Qual bandeira você agita
Se os seus, ela acolhe
Diz o que tu acreditas.
Seu voto também fala de você
Não se isente, por favor
Não é cochicho, nem fofoca
É o que te dói pra se opor
Seu voto diz onde te dói
E o que tanto faz
Seu voto pode não querer guerra
Mas não primar pela paz
quarta-feira, abril 28, 2021
É... Guedes
Por isso que a gente tanto contraria
O seu trabalho pra gente morrer
Nossa ambição nos diferencia
E a gente calcula os presentes
Os sobreviventes
Desse genocídio na pandemia
É na garantia que no Fundo do coração
Não vamos perder um irmão
Seja de sangue, seja da vida
Três dígitos na identidade
Um a menos do que vocês matam por dia
Sorrindo, zombando da saudade
E ter quem nos ama agradecendo
Não, por você não terá tal intento
Pra você, o que conta é a Previdência
E sim, seremos sempre seu tormento
O pesadelo, se tiver uma consciência
Que são o mais tenebroso momento
Que matou uma multidão
Seremos a assombração do seu pensamento
Sempre caminhando contra o vento
Vocês roubaram o documento da nossa nação
O verde e amarelo tão vivos
São a cor do luto pro mundo e nós sabemos a razão
Os culpados e os omissos
Sem fundos pra garantia no prato
Sem doses pra garantia no braço
Sem um verbo que seja exato
Só não digo que não tem verbo
Porque deixar morrer também é ato.
quinta-feira, março 04, 2021
Numericamente
No dia que tivemos 1910 mortos por COVID-19, tivemos um clássico na capital de um dos times fundado exatamente nesse ano, 1910, de cores branca e preta, um time de massa. Mas não é da bola que rolou na grama verde, cor do seu adversário, que quero falar.
terça-feira, fevereiro 02, 2021
Meu Doce Brasil
Esse país é uma doçura
O problema é a fatura
E aquela criatura
E de fratura
Na conta pública
Exposta, posta, reposta
Só a resposta que é impura
Ou puramente suja
Aqui, o leite condensado
Não é só ingrediente
De pudim e rapadura
Ele serve pra mostrar que o presidente
Nessa lata se lambuza
Ah, Moça, quanto você custa?
162 reais a lata,
sem pechincha, sem desculpa
Você pode me distribuir no Exército
Para todos os soldados
Pode me por em fervura
Pode me usar na receita
Pode me usar na suruba
Depois, um chicletinho pra relaxar
Liptus, mentol, pra dar frescor
Afinal, não tenho frescura
Atendo do Planalto à prefeitura
Da democracia à ditadura
Todos apreciam meu sabor
Docinho, saboroso, do início ao fim
Misturo com amendoim
Pagam R$5,45 por uma de mim
Paçoca, soca, soca, soca assim
E pode botar chantilly
É assim que o povo gosta
E juntinho, a gente ri
Ah, num ri não? Ri sim.
Coletiva: a lata de leite condensado
É pra vocês enfiarem na bunda
Aplausos, risos e gritos
Enumero as classes de filhos da puta
Agora, não é mais ministério
É secretaria, e é uma fria cada dia que dura
De querer separar a postura
Não foi um encontro político
Então, vamos excluir o modo crítico nesse caso
Caso, o goleiro Bruno o convidasse
Pra um churrasco num sítio você iria
Pra bater uma bola seria
Se a Richtofen fosse sua fã
E te chamasse pr'um almocinho aleatório
Compareceria?
Não, Sorocaba, não acaba de foder o rolê
Que já ta mais que fodido
Falo dele porque veio se defender
Pois foi atacado, ofendido
Convenhamos, merecido
Não se senta à mesa da ditadura
E finge não sentir a agrura
O refluxo apura
Na boca, secura
O silêncio é o gesto que atura
Não se senta à mesa
De quem não tem defesa
De quem ironiza a morte
Da carne compartilham o corte
Não se senta à mesa e se cala
De quem prefere bala
E não se abala
Com mais de 220 mil perdas
Não se senta à mesa
E se serve da mesma bandeja
Não se compartilha da mesma bebida
Que molha as palavras de um genocida
quarta-feira, janeiro 27, 2021
Como Chegamos a Esse Ponto?
quarta-feira, dezembro 30, 2020
O Inexplicável 2020
Nós retrocedemos e parece que esvaziamos todas as funções
básicas do nosso sistema operacional. O programa de texto não reconhece mais as
palavras. As planilhas começam a calcular errado. Os programas de desenhar e
pintar agora trabalham só com branco e preto. Jogamos fora muito além do que
precisávamos.
Surge, no Brasil, a pandemia. Junto com ela, ideias do
início do século passado voltam à tona. Sabe quando você está jogando um videogame
e já avançou muitas fases? Já vencemos batalhas, superamos etapas e quando já
estávamos bem à frente, foi como se a luz tivesse acabado e nosso jogo, que não
salvamos na memória, se perdeu. Vamos ter que começar do zero...
Em pleno ano de 2020, as vacinas viraram ponto de
interrogação. Institutos renomados mundialmente, como o Butantan, tiveram que
despender trabalho em se organizar para uma campanha massiva em rádio e
televisão para dizer: “Olha, a gente trabalha nisso há 101 anos, o mundo confia
no que a gente faz. Somos confiáveis, viu, população brasileira?”
Esse é só um dos exemplos. A internet deu voz para todos, inclusive para quem não tem o que falar. Mas, a necessidade de dizer algo é tanta que liga a câmera e vai. Só que nessa ida, leva muita gente de carona que engrossa o coro de quem nada tinha a acrescentar. A pretensão de julgar-se apto a elaborar teorias promove vozes que, sem propriedade alguma, levantam dúvidas e sugerem desconfiança. No final, isso só contribui para a incerteza e desqualificação de quem de fato deveria ser a referência e, acaba não sendo, pura e simplesmente porque a pessoa duvida e pronto. Por que duvida? Não tem um porque, só duvida mesmo. E reforça a estupidez questionando o direito que possui de duvidar.
Graças a sei lá o quê, o ano acaba amanhã. O que vai mudar?
Só o 1 do dígito final. As pessoas continuarão espelhadas na ignorância. E
quando digo ignorância, nesse caso, serve nos dois sentidos: o de
desconhecimento e o de rispidez. Afinal, essa ignorância é o que hoje nos
representa perante o mundo. Ao olhar para cá, pensam: o que será que aconteceu
com aquele Brasil do povo hospitaleiro e de calor humano?
A resposta é que aquele Brasil, de fato, nunca existiu.
Continuamos um país preconceituoso com a nossa própria cara. Continuamos um
país hipócrita, laico, de maioria cristã e que, se for pra vir um Cristo com a
imagem e semelhança de quem o diz representar aqui, segura aí, não vem, não.
Continuamos um país perigoso nas ruas e em casa, principalmente para mulheres,
meninas e crianças em geral. Continuamos sendo um país repleto de Bolsonaros ao
nosso redor. Sim, aquele seu tio do pavê que faz piada misógina, é um deles.
Aquele seu vizinho crente que bate na mulher, idem. Aquele dono de comércio com
nome de santo que assedia as funcionárias ou põe o segurança em total atenção
com clientes negros, também. Tudo isso é o Brasil. O país sem vacina.
Mas, em 2018, você apertou 17, táoquei? Ah, você não
apertou? Então, você é da turma que falou que políticos são todos iguais e
anulou? Espero que você tenha aprendido. Não acredito nisso, mas, torço. Eles
não são todos iguais. E a desigualdade deles reflete na nossa. Estamos
desiguais a boa parte do mundo, que começou a tentativa de salvar vidas. Ele
Não.
E daí? Não ligo pra isso – disse ele. E você também, quando
apertou o Confirma. Plantamos um laranjal. De lá, não se colhe maçãs.
terça-feira, dezembro 22, 2020
Rio de Dezembro
sexta-feira, novembro 13, 2020
Eis Você
Ô cara de pau, Você ainda não entendeu
O que está acontecendo no Brasil
O tal gigante não acordou
Tá mais que dopado, se drogou
O ódio ebuliu
Que você, mesmo que anulou, elegeu
Tem destruído o pouco que se construiu
Tá aí o desmanche que você optou
Tem quem reconheceu que errou
Mas tem quem se orgulha do que conseguiu
"Tem gente que, por protesto, escolheu"
Peraí, quer que eu releve quem quis bala e fuzil
Sendo que os alvos são os "meus"?
O nível de crueldade não surpreendeu
Era tudo previsto, sim, você contribuiu
Por favor, não venha dizer que se enganou
A Amazônia, o Pantanal, tudo incendiou
Seu voto no táoquei, tudo isso consentiu
E olhem, que surpresa, adivinha o que aconteceu
O tal posto Ipiranga brochou e o PIB não subiu
O dólar que ia cair na metade, já quase dobrou
Diz a plenos pulmões que com a corrupção acabou
E na conta da Michele, Queiroz pôs 89 mil
Vou rasgar o ECA, em nome da fé cristã e moral
Livros que tratavam de ditadura, esses, já recolheu
Vamos reensinar que a repressão nunca existiu
Foi demitido quem discordou
Na Saúde, numa pandemia, trocou e de novo trocou
Quem não quis a Cloroquina que pro Trump pediu
Como se não bastasse, essa doença mundial
Propagou mentiras, como as que o elegeu
A medicina desmereceu e a população confundiu
O genocídio do "E daí" de terra das covas, a mão sujou
Enganado quem pensa que as mãos lavou
Seu tanto faz, tudo isso permitiu
Moralidade, família tradicional, um laranjal
Milícia representada com seu voto, não o meu
Moro e sua justiça que logo desistiu
É aquilo que você no fundo, e nem tão fundo, sonhou
Brasil, mostra tua cara. Atendendo a pedidos, mostrou
Bolsonaro e sua corja é você no espelho mais vil
Só não tinha coragem de dizer
Achou quem falasse por você
Quis alguém que o refletisse no poder
A mim, dá nojo. A ti, a imagem do seu ser
segunda-feira, fevereiro 25, 2019
Novo Passo pra Trás
O ano então começou
Dia 1 do 1 chegou
A esperança que se renove
Nesse discurso que cansou
Parem, por favor, de fingir
Só a virada de calendário
A contagem de 3, 2, 1, no horário
Não diz que o mundo vai evoluir
Muito, muuuito pelo contrário
Nós buscamos no passado, o futuro
Pelo aprendizado, pela história?
Antes fosse, mas, pela opressão da escória
Que se impôs, deixando claro que o escuro
Tomou seu lugar no pódio da glória
E nem precisou ser goleador
Ou ouvir: “esses negros cantam demais”
Ele só mostrou que seu muro desfaz
Como um sopro na casa de Heitor
E nem somos lobos correndo atrás
Foi madeira pra tudo que é lado
Madeira, matéria-prima de construção
Os tocos que alicerçam no chão
Mesmo num morro dependurado
Foi nosso passo pra impulsão
E o passo que já foi dado
Não recua NEM FO-DEN-DO!
Pode ser até o Coiso dizendo
O futuro é inesperado?
Não acho, mas, o meu passo
Pelo menos, desse não me arrependo
sexta-feira, fevereiro 22, 2019
Torcida e efeito
O mito como foi designado
Tem muito pouco ou quase nada
A se orgulhar por ser “culpado”
Antes de eu ser apedrejado
Entenda o que escrevi
Ele pode ter vendido bem o perfil
O que eu realmente não entendi
É quando e onde foi qualificado
Pra governar (como diz a música) a porra do Brasil
E mais: estamos sob a gestão (ou indigestão) de Jair
Isso não significa que vou secar, agourar,
Nem tampouco, consentir
Que Ustra seja brilhante ou livro de cabeceira
Você consente ou leva na brincadeira?
Eu lembrarei se algo assim te atingir
Não desejo nada, nem o mal, nem o bem
Estou só de butuca, a olhar o que vem
Torcer? Não é futebol que a bola pega um vento
Caprichosamente, vai na trave
Rebate e vai fora, ou mata e vai dentro
Na cara bate o sol, meu nove se aproveita
E a torcida comemora
Ou num chute que desvia e pega efeito
O goleiro já saía, a bola entra e não tem jeito
Isso cabe torcida
Todo mundo lado a lado, gente unida, camisa igual
Sentimentos movidos por um ideal
Gritar ‘é campeão no final’
Não vou ficar de boa
Com quem acha de boa ser fã de torturador
Ser opressor por essência e com consciência
Nós, rivais, eles chamam de defensor de ladrão
Do cara que está na prisão
Não, você não entendeu sua condição
Um pouco acima da facada do #EleNão
segunda-feira, outubro 29, 2018
Vários Nãos
Não queria começar esse poema




