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terça-feira, maio 04, 2021

O Voto

O que diz seu voto?
Sim, começo assim, direto
Pergunto no ato
 
Sim, eu me importo
Pode ter mais de um correto
Há também um pior, é fato
 
Eu friamente anoto
Quem votou no abjeto
Pra cobrar o pato
 
Hoje pago em mortos
Num futuro incerto
Ou um plano exato
 
Seu voto significa
O que interfere
O que te atinge
O que te fere
 
Seu voto também diz
Quais pessoas verbais
Além das primeiras
Seu intuito traz
 
O que diz seu voto
Quando nenhum te representa
Há lutas que se discorda
Há monstros que se enfrenta
 
Sabe o que também diz seu voto?
Qual bandeira você agita
Se os seus, ela acolhe
Diz o que tu acreditas.
 
Seu voto também fala de você
Não se isente, por favor
Não é cochicho, nem fofoca
É o que te dói pra se opor
 
Seu voto diz onde te dói
E o que tanto faz
Seu voto pode não querer guerra
Mas não primar pela paz

sexta-feira, dezembro 25, 2020

Papai Noel Cientista


Não quero nem começar
Falando o número do ano
Matematicamente par
Só que ímpar o que passamos

Não passamos ainda de fato
No horóscopo chinês, é o ano do rato
Contrariando a asquerosidade do roedor
O ano do rato era pra ser a favor

Oportunidades, abundâncias e bons projetos
Nada disso, falta de humanidade,
excesso de ignorância
e permaneçam sob seus tetos

De seus lares
A quem tem onde morar
E a moral da história
É que agora
A gente ainda tenta evitar
Que o vírus nos atinja
Com máscaras como ninja
Contra a crueldade, de uma certa autoridade
Que, por mais que finja
Não esconde a vivacidade
A cada morte em larga escala

Mesmo com toda essa dor
A gente sente que ela invade
Mas, não podemos deixá-la
Se instalar com propriedade
E fazer da nossa alma
O conforto de sua sala

Precisei de muitas linhas
Pra construir um pensamento 
Com ar esperançoso
Vem uma virada de ano novo

Que o Papai Noel virou cientista
Pois, só se pede a vacina
Bicicleta, boneca, carrinho de pista
Esse ano, não tem mesmo
presente de menino e menina

O bom velhinho de vermelho
Vai ter que superar o mau
de verde e amarelo
Não adiantou conselho
Não levamos a sério
Os que usam branco
Por isso, tanta roupa preta, de luto
Mas, eu sei, e não sou só eu, não
Que junto com o bater do coração
Algo me fala de longe e eu escuto
Que a cura está na razão

Na consciência que ecoa...
ciência... ciência... ciência...
Paciência
ciência... ciência... ciência...
E ela nos prove
Que o bom som ressoa
Saiu a notícia!!!
Vacina, liberada, aprovada, pronta pra ser aplicada
Unidades médicas preparadas, abastecidas
Causa resolvida!!!
vida... vida... vida...

terça-feira, julho 28, 2020

Choro Vingado

Homem não chora
Chora sim, ô se chora
Chorei quase agora há pouco
No outro dia e naquele outro também

O homem que chora
Tem uma dor que berra
Por dentro, já ficou rouco
Voz acaba, lágrima vem

Chorar não é nem de longe fraqueza
É materializar emoção
É de um sentimento fazer água salgada
Marejar a visão

Homem chora e eu sou desses
Choro numa canção, numa cena
Numa poesia, numa saudade
Choro escrevendo frases

E às vezes, escrevo frases pra chorar palavras
Porque palavras me fazem chorar
Sinto-me vingado
Quando choro, não sei quando vou parar

Já quando me ponho a escrever
O poder está do meu lado
Em quantas linhas, ideias e versos
Faço o meu desabafo
Eu decido, ponho ponto final
E caso encerrado.

segunda-feira, julho 27, 2020

Atrás da Máscara

Por trás daquela máscara
Não sei o que havia
O olhar não contava
Se atrás do pano, sorria

Por trás daquelas máscaras
Havia gente de todo jeito
Havia gente bem triste
De luto, em respeito

Por trás da máscara
Há gente que nem é tão gente
A máscara é um mero detalhe
Que só se esconde a frente

Por trás de cada máscara
Há uma vida cercada de vidas
Que máscaras não escondem
Lágrimas escorridas

Por trás da máscaras
Há um trabalhador comum
Que tenta proteger a casa
Reparte pra cada um

Por trás daquela máscara
A moça negra passava o café na padaria
Além da máscara, a fumaça
O rosto dela escondia

Retira-se a máscara
Um gole no café da moça que não vi o rosto
Tem tanta máscara com sorriso estampado
E acima, no olhar, vejo tamanho desgosto

segunda-feira, maio 18, 2020

Onde quer ir?


Boa noite, começa o jornal
Fim da pandemia,
tudo liberado para voltar ao normal
Qual a primeira coisa que faria?
Quem primeiro abraçaria?
Para quem primeiro ligaria e combinaria um café?
Um chopp, sem aquele papo de “vamos marcar um dia”
E esse dia nunca chegava
Vamos ligar, marcar
e, na hora mesmo sair
Ouvir canções que gostava
Brindar, celebrar, se divertir

Só espero que tenhamos aprendido
Que relógios de pulso nos tiram a pulsação
Que esse tempo que ficou lá esquecido
A bateria pode até ter arriado
Ele no pulso ficava bonito
Do tempo te dava noção
Mas, fala se agora não é bem esquisito
Deixar ponteiros que giram
Serem os responsáveis por sua direção

Que os abraços sejam mais fortes, mais longos e apertados
Que os encontros, ao contrário, sejam mais folgados de horário
Que sua liberdade faça sentido
Onde quer ir? Onde apenas ia sem querer?
Quem você nem tinha percebido
Que a quarentena fez sentir
Fez você não esquecer

Reveja seu amor, sua mãe, pai,
Reveja-se no espelho
Faça a barba, as unhas, corte o cabelo
E, simplesmente, livremente vai!

domingo, maio 17, 2020

Não foi sonho


Sonhei que estava todo mundo em casa
Num tormento de uma pandemia
Quem dependia do que no dia ganhava
Estava com a geladeira vazia

As panelas frias, sem gás no fogão
Sem grana pra padaria, faltava até pão
E quando acordei desse sonho insano
Fui ler o jornal e vi que não sonhei
Tudo aconteceu
E a gente conheceu o ser humano

Quem ignorou e permaneceu
Como se nenhuma morte o abalasse
Quem contribuiu e engrandeceu
Pra que a comida não faltasse

Ao amigo que o sustento perdeu
Ao desconhecido de outra classe
11 mil, salvar a economia venceu
Como seria se a gente acordasse?