A morte ser tão banal
terça-feira, novembro 18, 2025
Armas made in Rio
A morte ser tão banal
sexta-feira, outubro 18, 2024
Pra Que Tanta Foto?
Ah, pra guardar a lembrança
Eu mesmo tinha na lembrança
Que tinha começado um poema assim:
Pra que tanta foto?
Não postei, não digitei
Mas, na minha lembrança
Eu tenho uma imagem
Num papel, de caneta azul escrito
Cheio de rabisco
Uma rascunhagem
Pra que tanta foto?
Pra fazer postagem
Os mais novos nem vão entender essa frase:
Lembra quando as fotos eram num filme?
12, 24, 36 poses
Era em pose a quantidade
Havia limite e autocontrole
Hoje, tudo vale uma foto!
Sabe quando não se tira nenhuma?
Quando é algo de suma importância
E tão bom
Que nem vem na lembrança
Tirar foto alguma
Ninguém pergunta: vamos tirar uma foto?
Se nem tem mais os albinhos da Kodak
Porta-retratos não têm mais lugar de destaque
Poses viraram Mega e Gigabytes
Pastas, microcards
Memórias quase infinitas
De tanta imagem que cabe
Nos celulares, fototecas e galerias
Ao encherem, viram links pro Drive
Não olhamos nem uma nem outra
É tanta foto, de tanta coisa
Tremidas, desenquadradas
Na correria louca
Não vem na lembrança, apagá-las
Arrasta, arrasta, arrasta
De tanto arrastar, dá tontura
Foto vídeo, download, captura
Você consegue organizar as pastas
E ter alguma ordem, estrutura?
Ou é só um monte de figura
Que essas, pelo menos,
o tempo não desgasta
A gente mal bate o olho
Se de alguma foto bate saudade
A cansativa procura rebate
E nos perdemos no bolo
Nos perdemos no rolo (da câmera)
Cronologicamente?
Pode ser, mas, logicamente, a gente se perde
É tanta foto e a gente nem percebe
A gente.
A lógica é que a gente não esquece
Os cliques da mente
Os cliques que as lentes não veem
Que as galerias digitais não têm
São as fotos que, de fato, duram pra sempre.
terça-feira, outubro 15, 2024
Como se mede o tempo?
Pelo tempo que falta ou tempo vivido?
Há quem calcule em horas, minutos
Há quem nem calcula, pois é tempo perdido
Já que não se sabe o tempo restante
Põe na conta as fotos na estante
Cada sorriso, o tempo amarelou
As fotos de antes vão se embaçando
Nitidez e cores se misturando
O tempo exato ninguém marcou
Se nem o ano a gente consegue lembrar
Pra quê pressa pra tudo ser passado
Ao ponto de não poder escutar
A vida em velocidade real
A tecnologia nos fez achar normal
Acelerar vídeos e mensagens de voz
Ganha tempo, essa é a impressão
A fala perde toda inflexão
É um tanto faz tão atroz
Ninguém me diz como se mede
Como você repara que o tempo se foi?
Se nenhuma pausa se concede
Agora, eu vou te dizer como eu reparo
É pela mão do meu filho ao meu lado
Quando eu segurava aquela mãozinha
Ou ele a usava toda pra me segurar um dedo
Eu, ainda mais novo, morria de medo
De tudo que vinha
É quando se repara na diminuição
Da distância proporcional
Da dele na minha mão
Os tamanhos vão se igualando
E vai passar, está se aproximando
Isso vale também pra altura
Pra beijar sua cabeça, eu abaixava
De cima pra baixo, olhava
Ainda te beijo, sem baixar a postura
Do pai querer ser carinhoso
Não sei quando o tempo vira essa chave
Vai doer, mas, eu vou entender, meu garoto
Sabe como mais se mede o tempo?
Quando a roupa é no mesmo departamento
E minha gaveta, percebo defasada
Minhas meias brancas, encardidas
Quando crianças, as claras eram proibidas
Pra patinar andando pela casa
Você que está certo, fodam-se as meias brancas
Por mais que não vá esfrega-las no tanque
Meias nunca serão inteiras lembranças
O tempo, a gente não sabe o ponto final
Você já aprendeu sua conta ideal?
Afinal, cada um no seu tempo, mede o tempo pra si
Há tempos que queremos que dure uma vida, ou além
Há tempos que mostram quem é quem
Todo esse tempo me fez esse alguém que chegou até aqui
Nem são perdas usados em versos
Pauso
Encontros, áudios, cafés expressos
Expressos? Sentimentos ninguém expressa
A mais nenhum ouvido interessa
Tem tanta mensagem não dita
Em respiração, em silêncio
Fração de segundo, um tempo imenso
Se dor aflita grita e não se escuta... imagina escrita
segunda-feira, outubro 07, 2024
A Vida É Um Desequilíbrio
quarta-feira, outubro 02, 2024
Acontece Poesia
Não ando mais prevenido
Sempre tinha um caderno na bolsa
Pro caso d’um poema sentido
Quem os enxergar , que canete
Aí peguei a folha na impressora do trampo
Antes que a mente o mote disperse
Que botei papel e caneta pra conversar
Faz tempo e é curioso
Parecia que a poesia flutuava em outro lugar
E nem é porque eu não queria
Cheguei até pensar que era idade
Naturalidade, ah, o tempo distancia
De cabeça baixa, o raio é curto
Aí a poesia, mesmo ali em volta
E eu andando outro percurso
Não sente nem o cheiro, nem escuta
E poesia tem tudo isso?
Quando te chamam de amor, um aroma de flor
O sabor de uma pele, a língua desfruta
A todas essas delícias da vida
E esses dias, o que me lembrou de procurá-las
Foi uma bobagem assim percebida
Me passa a manteiga aí do seu lado
Meu filho, pela irmã acolhido
Amor, traz aquilo do mercado
Dos encontros que sempre tivemos
Do quanto ela me alivia
Da dor desses tempos modernos
Minha rima traduzida em ato
No dia, a situação corriqueira
Quase nunca se faz retrato
Do café, o cheiro e a fumaça
O simples dia que amanhece
O dia inteiro acontece
Poesia
Diante dos meus olhos, passa
Esquecido na caneca, o café esfria
Pro céu, nada muda se eu não olhar
O sol nunca será ou foi escuridão
Mesmo quando eu não o via
sexta-feira, fevereiro 23, 2024
Meu/ Teu Espelho
Meu rosto no espelho
O corpo traz um peso
O rosto também confirma
Que não desejo
Corre, visando dinheiro
Faz-se cego para vê-lo
Cego para além do vidro
No papel de espelho
Contínua, frustrante
Repetitiva, agoniante
Silenciosa de boca
De alma gritante
Tua imagem, teu semblante
Tua dor sufocante
Tem que esperar
Falar nem sempre é relevante
A imagem que está me obriga ver
Uma versão que eu não queria ter
Uma estrada cansada, esgotada
Dos passos em vão, não do ser
Da trinca, do azar que a maldição pode abater
Espelhos refletem sonhos que deixamos se esconder
Você, no teu espelho, tua alma te lembra
Reflexo é o que se perde, o que que morreu
E reflexão é o que ousou sobreviver
terça-feira, setembro 05, 2023
Repara Bem
quarta-feira, junho 21, 2023
Carta pra Deus
terça-feira, junho 20, 2023
Sorriso Sem Clique
sábado, outubro 08, 2022
Como é Grande meu Foda-se por Você
sexta-feira, outubro 07, 2022
Cores Mortas
quinta-feira, julho 14, 2022
O Último
quarta-feira, julho 13, 2022
Mais Difícil Falar da Alegria
sexta-feira, janeiro 14, 2022
Navegando...
sábado, setembro 25, 2021
Quando Eu Escrevo
De ser tudo o que eu escrevo
De ter vivido todas as cenas
Umas eu nem queria viver
Vivi algumas, apenas
Algumas que vejo
Outras, a empatia me faz supor
E passar por elas, não desejo
As de amor,
Aí que eu não quero mesmo
Imaginar que são amigos, namorados
Posso criar um personagem que atua
Ou de fora, assiste calado
Posso ser um terceiro
O amante,
o traído
Posso nem ser percebido
Como um mero figurante
Se eu quiser, posso ser
O par da atriz principal da novela das nove
No meu texto eu posso
Que só um lado sofre
Posso escrever, escrever
E às vezes, o enredo não desenvolve
Quando eu escrevo, eu posso hoje
Do ontem ser o inverso
E do amanhã, ser o avesso do avesso
Até os cadernos
Mas, pra um poeta
O que nos pauta é o universo.
sexta-feira, setembro 24, 2021
A Esperança é a Última
Aprendemos um ditado
Que a última que morre
É a esperança
Crescemos repetindo
Esse aprendizado
Deixamos nos levar
Porque só na frase se apegar
Cansa...
Aí a gente para e faz um repouso
Encontra um no ombro do outro
Onde se apoiar
Aí a gente avança
E pode estar em qualquer lugar
Podemos o mundo circular
Como quem dança ciranda
Sem nenhuma das mãos soltar
A última que morre é a esperança
Então, eu vou procurar
Por maior que seja a desconfiança
Nós vamos achar.
sexta-feira, setembro 17, 2021
Das Ideias Que Eu Queria Ter Tido
sábado, agosto 21, 2021
Perdida
Me achou, me confundiu, me perturbou
A bala, só costumamos citá-la
Se ela se alojou
geralmente,
quase sempre todos
Da mesma cor
O destino do seu feito
Recebe até flor
Quando se fala em vida
Pega a via em qualquer mão
Dizia que perdida era a da prostituição
Perdida? Como perdida?
Tão achada e consumida
Por um troco de tostão
Perdida é a partida sem razão
Que poderia ser prevenida
Perdemos de um em um
Mais de meio milhão
A mensagem ficou perdida
Por omissão
GE-NO-CI-DA
Vidas que poderiam ser encontradas,
abraçadas, nem tiveram despedida
Aproximação proibida
Distâncias limitadas
Só que perdemos a medida
Entramos em ruas erradas
Contornamos pontes e avenidas
Os GPSs indicam
Recalculando
Para, encosta e retoma
O caminho ali se desenhando
A gente segue estudando
Se formando, trabalhando
Tudo em nome do futuro, inseguro
Construindo nosso chão
Mesmo com ele nos pisando
É vista como etapa
Que vai ser vencida
Na frase mais contraditória
Uma vitória perdida
E cai o salário
A gente ainda sonha, às vezes
E desperta pro mundo contrário
Quem levanta pra levantar o necessário
Faz da rotina seu pão,
O alimento diário
Matutino
E a palavra perdida, quando vai pro masculino
Ganha um tom intencional
Uma fuga pra não ser percebida
Por alguma ação escondida
No mundo filmado e transmitido
Em tempo real
Do perdido planejado
Ao nada plano, social
Pra não ser dividida
Duelo de mão contra espada
Arma contra alma, L ou R na parada
Para! Essa luta, só por existir já está definida
Engatilhada
Nem a bala nem a mira
Que deveria se chamar de perdida
quarta-feira, fevereiro 10, 2021
Você está no Presente?
Eu vivi muitos anos no tal saudosismo. Tudo isso que estou contando acontece dentro da minha cabeça, não é uma coisa de vivências, no mundo externo, visível a todos. É tudo aqui dentro. Parei! Parei mesmo. Não é fala emocionada de um dia qualquer. É fazer de um dia qualquer interessante o bastante pra ter o que falar com emoção. Hoje, eu não quero mais. Hoje, eu quero isso pra sempre. Sim, tudo hoje. Hoje mesmo. Dá pra gente acordar num dia qualquer, como hoje amanheceu com sol e falar: nisso eu quero ponto final. Nisso, eu quero reticências. E assim como o sol que clareou o dia às 6 da manhã, agora, 6h06 da tarde, ele ainda está lá, mas, totalmente escondido pelas nuvens escuras que já dão tom noturno aqui, na Zona Oeste de São Paulo e também, na minha querida Osasco, como informou um amigo poucos minutos atrás. Chove forte aqui, chove forte em Oz, chove forte em muitos olhos todos os dias.
As cidades alagam. Os travesseiros também. Corações flutuam. E quando o seu flutuar, você saberá de fato para que margem do rio irá. São muitas correntezas, o tempo todo. Mas, o remo está na sua mão e, por mais que a água tenha a sua força, você pode escolher se vai se permitir nadar, se molhar, se vai remar de cima da canoa ou se vai só ficar admirando a água passando com a correnteza.
Já fui mais contemplativo. Vi tanta água correr e eu seco, na beira, hoje, mergulho. Não imaginei que mergulharia novamente disposto a encarar a correnteza.
segunda-feira, fevereiro 08, 2021
Desisto... e tudo bem!
E é tão bom quando isso acontece
Não, não falo que é pra ser frouxo, sem revide
É só que às vezes não vale mesmo o estresse
A gente com tempo ganha maturidade
Que não é só o tempo que traz
É a vivência que dá essa liberdade
De só se afastar de quem nos tira a paz
Julgamentos sempre nos cercarão
Isso, te garanto, é inevitável
Mas, o poder que damos à opinião
Esse pode ser bem mutável
Quantas vezes nos magoamos por adjetivos
Que nem pedimos e recebemos
Administramos com nossas dores e crivos
E seguimos. Caminhemos!
A treta é sempre sobre tamanho e quantia
Tamanho dos óculos, da cabeça, do nariz
Quanto a gente se importa com o que o outro diz
quantia de coragem pra beijar qualquer gosto
Qualquer gênero ou letra que houver
E impede que a identidade se revele
Alguns preferem ocultá-las
Pra evitar a dor da rejeição que fere
Quando não se encaixa em si
É preciso reformar
Nosso espaço, que é o mundo
Ninguém virá medir
Onde eu devo me encaixar
Ou me delimitar o fundo
Pode ser que não dê pé
Farei dar
Megulhadas, braçadas, respiradas
Puxo todo ar que em meu peito couber
Mas, não deixarei sufocar
Pela água ou pelas paredes que me desenham em volta
O que me desdenham, isso que não tem volta
Tem revolta
E tem uma porta que quando se bate de fora
Tem aquele seu mundo em frente
E se você não o afronta e o desafora
Ele te encaixa milimetricamente
Dali em diante, nem tente.
Sim, a gente tenta, e vai na caruda
Mas a desistência também pode ser positiva
Um amor que com tempo muda
Deixa muda a relação, nada mais ativa
Permite que, jovem, a gente se iluda
Com toda a garra combativa
Mas, a vida te desperta e te imputa
Trilhas por onde sobreviva
São nesses caminhos que se abrem
Que antes a gente nem cogitava
Que nossos 'eus' se definem onde cabem
Onde faltam espaços, mesmo que nem internamente sabem
Onde se começa e onde se acaba
O que não acaba é o nosso espaço
Não importa onde comece
Ninguém me define,
Por mais que desenhe ou escreva meus traços
Nenhuma fórmula que se conhece
Mesmo que com expressões se combine
Os verbos, adjetivos, os sujeitos
Em Humanos, nem tudo são resultados
Entre os incertos, são todos aceitos















