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segunda-feira, outubro 07, 2024

A Vida É Um Desequilíbrio

A vida é um desequilíbrio
Um descabido desacato
Descalabro é apelido
Desigual retrato

Era um equilibrista
Sobre um monociclo
No farol pra Autonomistas
O vermelho é o período

Era também malabarista
Girava um bambolê no pé
Embaixadinha, outra arte
Era tanta habilidade
Ainda vendo, não pus fé

O rapaz usava um chapéu
No amarelo se preparava
Fechou, começa o show
Que nenhuma palma escutava

Não sei se se virava nos trinta
Como no quadro da televisão
Não sei se o dia paga os 30
De trocado, mão em mão

A vida é um desequilíbrio, veio a frase
Eu olhando aquele artista
Na Salém Bechara com a Autonomista
Sem que ninguém se revoltasse
Sem que ninguém se perguntasse (ou orasse)
Pra que ele resista

Os temporais vão passar, eu já ouvi
Nesses dias, ele nem pode estar lá
Pode derrapar o pneu, o pino cair
O bambolê ou a bola na Primitiva rolar

Ah, mas, ele poderia estar num circo
Meu amigo, todos estamos e faz tempo
Sem essa de Respeitável Público
A plateia vive em sofrimento

Sem aplausos efusivos
Nem aos palhaços, gargalhada
A risada não tem sentido
Se nossa dor é a piada

A vida é um desequilíbrio
A gente arruma emprego, destrói o emocional
Física e mentalmente comprometidos
Corremos e vibramos positivos
Pra atrair o capital

Aí estabiliza no banco
Tá verdinho no aplicativo
Só que é no vermelho que se soma
Trocas, trocados e a vida truca!
Seis! Cês corre por juízo?
É do jogo o blefe, não a fuga
A vida é um desequilíbrio

quarta-feira, maio 20, 2020

Novo Caderno

Não é por acaso que começo esse poema
Na 1ª folha de um novo caderno
Justo esse, justo hoje
De quinta pra sexta, madrugada
E justo nessa 1ª página pautada
Externo

Um conflito interno
Que quase me interna
Não foi preciso
A angústia que me consterna
Travou minha perna

Já depois do meio fio
Na rua, na beirada
Pouco passei da calçada
Via movimentada

E nada do transporte chegar
Pra me levar ao céu
Ou inferno
Nem sei onde ia parar

E parei

Quando lembrei do meu filho em casa
Chorei e retomei a caminhada
2019, era dezembro
Mal sabia o que me esperava
A saudade de mãe doía, machucava
E quando relembro
Sinto como se tivesse sobrado só eu

Não deu 10 meses
Mais um pouco de mim morreu
Quando o câncer venceu
Minha mãe deixou seu jeito alegre e extrovertido

Com minha vó, a despedida se avisava
E nada mais deu pra fazer
Só agradecer por tudo o que ensinara
Ensinara, no pretérito mais que perfeito
Mais que perfeitas elas foram
E com elas aprendi o melhor que posso ser
Até um cara boa gente
Mas, diferente do que cada uma esperava
Não é só metáfora, não
O caderno que usava, terminei
Este, onde crio estes versos
Começaram sem introdução
Mas, o que eu quero começar, eu sei

Como dizia Nelson Gonçalves
Não quero a tristeza cantando
“Aqui me tens de regresso”
Quero chegar no meu auge
Pra que eu me salve
Eu estava me entregando
Querer viver já é um puta sucesso

Que as próximas linhas tragam
Novas linhas de pensamento
Linhas de coletivos, de conduções
Ao conhecimento, ao reconhecimento
Às vezes afagam, às vezes esmagam
As nossas convicções
O nosso sentimento.

segunda-feira, abril 06, 2020

Seu Hélio e João Pedro

Já não bastava a tensão habitual
Esse aprisionamento fragiliza
Situa, atualiza
Do que é bom dar mais moral

Em um dia, senti a lágrima chegar
Por uma via de duas mãos
O fim de uma geração, o último irmão
E um novo João a estrear

27, 28, termina e começa
Seu Hélio, o irmão mais velho, uma peça
Falava tanto palavrão, brincalhão
Que nem lembro seu jeito sério
De irmão, tinha ele, o Nininho, o Dalton
E meu avô era o Célio
Eram os Machado da Silva
Quando revir seu irmão
Fala da minha saudade, seu Hélio

Um papo aqui, em particular
Depois de mamãe, meu maior apoiador
Como poeta e escritor
Dizia: cabecinha boa tem esse menino, grande valor
Estou no quase pro novo livro publicar
E desde o primeiro rascunho, fiz questão de te entregar
Agradeço cada minuto como leitor

Falei da saudade, da fase que finda
Falei de partida, falo agora de vinda
Falo de vida que finaliza
Falo de vida que se realiza
Votos à família que se edifique, frutifique, multiplique
Bem vindo, João Pedro, Maiza e João Henrique

O discurso é clichê e padrão
Sei que a vida ainda está contada em horas ou por dia
Na ordem progressiva
Só desejo sabedoria, inclusive a emotiva
E mais pra frente, bons resultados na educação

Não haverá outra data tão expressiva
Desejo que vocês estejam sãos
Vão lembrar dessa pandemia
Pois, se fosse a gente e pudesse escolher
Lá de dentro, não sairia
Sobrenome aqui é valentia
E o nome herdado é João.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Acordamos


Lentamente, inconsciente, acordamos

Levantamos

Pra não atrasar

Paloma, Artur e eu

E nem bem sol nasceu

Ouvi: abraço no papai

E assim aconteceu

E assim a hora esvai

Não lentamente como acordamos

Parece que das seis às sete

Cada minuto compete
Pra ser mais veloz

E parece pular os segundos

E antes de partir pr’outros mundos

Despertos ou de sonhos

Por vezes profundos

Preciso acordar

Levantar

Pena que pra isso

Tive que largar aquele abraço

Dar outros passos

E ao fim do dia, recebê-lo de novo

Pra confortar-me o cansaço

E antes que a noite me desfaça

Te beijo te abraço

E é uma pena que a hora passa

É o único lamento que faço

domingo, janeiro 23, 2011

Escassa Coragem

Decisões
Dizem que a vida é feita delas
Concordo. Agir ou chorar mazelas?

Opções
Temos infinitas, estas, aquelas
Mais invernos ou primaveras?

Realizações
Ação da opção para então conseguir
Senão não há. Fazer ou sucumbir

Reações
Possíveis, cômodas, pra não desistir
Insistir, persistir ou esperar o dia cair?

Missões
Metas e retas que visamos vencer
Resta a escassa coragem de viver

E fazer acontecer.