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segunda-feira, outubro 07, 2024

A Vida É Um Desequilíbrio

A vida é um desequilíbrio
Um descabido desacato
Descalabro é apelido
Desigual retrato

Era um equilibrista
Sobre um monociclo
No farol pra Autonomistas
O vermelho é o período

Era também malabarista
Girava um bambolê no pé
Embaixadinha, outra arte
Era tanta habilidade
Ainda vendo, não pus fé

O rapaz usava um chapéu
No amarelo se preparava
Fechou, começa o show
Que nenhuma palma escutava

Não sei se se virava nos trinta
Como no quadro da televisão
Não sei se o dia paga os 30
De trocado, mão em mão

A vida é um desequilíbrio, veio a frase
Eu olhando aquele artista
Na Salém Bechara com a Autonomista
Sem que ninguém se revoltasse
Sem que ninguém se perguntasse (ou orasse)
Pra que ele resista

Os temporais vão passar, eu já ouvi
Nesses dias, ele nem pode estar lá
Pode derrapar o pneu, o pino cair
O bambolê ou a bola na Primitiva rolar

Ah, mas, ele poderia estar num circo
Meu amigo, todos estamos e faz tempo
Sem essa de Respeitável Público
A plateia vive em sofrimento

Sem aplausos efusivos
Nem aos palhaços, gargalhada
A risada não tem sentido
Se nossa dor é a piada

A vida é um desequilíbrio
A gente arruma emprego, destrói o emocional
Física e mentalmente comprometidos
Corremos e vibramos positivos
Pra atrair o capital

Aí estabiliza no banco
Tá verdinho no aplicativo
Só que é no vermelho que se soma
Trocas, trocados e a vida truca!
Seis! Cês corre por juízo?
É do jogo o blefe, não a fuga
A vida é um desequilíbrio

sexta-feira, dezembro 25, 2020

Desce a Primitiva


A Osasco que já pedalei
Que percorro em duas rodas
Tem em sua principal via
O caminho que corta
Que atravessa de São Paulo a Carapicuíba
Seja na volta ou na ida
Tudo está em volta, 
na saída da avenida
Autônomos, automóveis, Autonomistas
Automoças, se auto-vendendo, se auto-alugando
Autorizando serem conquistas

Viaduto, faculdade, shoppings, estação
Osasco é continental na sua união
A Câmara Municipal também está nessa direção
Sentido capital, lado direito da mão (e 'tá bem à direita lá dentro)
Tem o canteiro central, do outro lado o hospital
Cruzeiro é moeda antiga, não vale não

Ao lado, a Primitiva
Mais respeito
A "Dona" Primitiva Vianco
Rua que vende roupa, uns tecidos
E umas lojas de artigo santo
Tem umas lojinhas daqueles quase vencidos
Intercalando com uns bancos
Tem o Floresta, com seus históricos bailes
E pra quem toca, é o que tem por aqui como plano
Pra corda, palheta, que precise pra agora

Agora, lá no finalzinho, aí já se ouve
"Olha o Doutorzinho", "Suflair, 3 por 10"
Aquela fumaça deliciosa do churrasquinho
Caiu pra direita no farol, é mesa na calçada e barzinho

Pra esquerda, tem a estação, o bicicletário
Particularmente adoro quando ali na frente
Tem feira de artesanato, gastronomia ou stand literário
Ali também é contraditório
O quanto é precário

O guarda civil, sua viatura, sua base
Nesse mesmo ponto, fazem base
Quem anda sem base nenhuma
Quem o ponto de luz é uma ponta
Uma ponta baseada na fumaça
Que quem acende, se apaga
Apagados aos olhares de quem passa
Nunca passa dessa cena
Todo dia repete a mesma

Fardas, viaturas, uniformes, pressa, escada rolante
Trem, guarda-chuva, flores e balas
Pessoas que deixamos de enxergá-las
Em meio aos carrinhos de dog e refrigerante
Esperamos o tempo levá-las... valas
E no meio do caminho, no meio dos carrinhos, tem uma pedra
A sede e a fome que não podemos matá-las.