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sexta-feira, agosto 20, 2021

Dog de Osasco

Papo bem reto e direto
Dog é com purê e isso não se discute
Ah, mas você é muito intransigente
Deixa cada um fazer como quiser
Em Oz, é dogão,
no máximo, chama de cachorro-quente
E o purê reboca na colher
Pra sustentar os ingredientes
 
Ah, mas vocês colocam milho
Repolho
Vinagrete
Diz aí meu filho
Se você não cresce o olho
Naquele no prato
Colorido de ketchup, maionese e cheddar
Até queijo ralado
 
Pra rebater umas ideia furada
Já vi quem faz dog de salsicha fatiada
Quem põe frango, carne moída, umas parada errada
Os dog de gringo, só pão, salsicha, ketchup e mostarda
 
Sem essa, somos a capital nacional
Nova Iorque tá na frente, mas logo ali
Aqui tem quem faz prensado, acrescenta catupiry
Prensar já é opção, não o tradicional
Aí, ok, você pode decidir
 
40 mil dogs por dia
600 carrinhos pela cidade
No calçadão da Antonio Agu, a maioria
Mas, opções tem à vontade
Tem uns ali na entrada da Primitiva Vianco
Tem na Praça Padroeira
Tem pra quem vem do centro, ali na Maria Campos
Aqui o dog é tão foda que a gente faz até feira
 
E tem quem ousa cometer a heresia
De dar pitaco, eu logo rebato
Meu argumento nem abre outra via
Pra contraponto sensato
 
Você, por acaso, vai pro Rio Grande do Sul
Ou pra Argentina
Chega num gaúcho e palpita como fazer churrasco
Não?
Então,
A mesma regra vale pro dog em qualquer esquina
Quando você está em Osasco
 
O papo tá dado e com purê

sexta-feira, dezembro 25, 2020

Desce a Primitiva


A Osasco que já pedalei
Que percorro em duas rodas
Tem em sua principal via
O caminho que corta
Que atravessa de São Paulo a Carapicuíba
Seja na volta ou na ida
Tudo está em volta, 
na saída da avenida
Autônomos, automóveis, Autonomistas
Automoças, se auto-vendendo, se auto-alugando
Autorizando serem conquistas

Viaduto, faculdade, shoppings, estação
Osasco é continental na sua união
A Câmara Municipal também está nessa direção
Sentido capital, lado direito da mão (e 'tá bem à direita lá dentro)
Tem o canteiro central, do outro lado o hospital
Cruzeiro é moeda antiga, não vale não

Ao lado, a Primitiva
Mais respeito
A "Dona" Primitiva Vianco
Rua que vende roupa, uns tecidos
E umas lojas de artigo santo
Tem umas lojinhas daqueles quase vencidos
Intercalando com uns bancos
Tem o Floresta, com seus históricos bailes
E pra quem toca, é o que tem por aqui como plano
Pra corda, palheta, que precise pra agora

Agora, lá no finalzinho, aí já se ouve
"Olha o Doutorzinho", "Suflair, 3 por 10"
Aquela fumaça deliciosa do churrasquinho
Caiu pra direita no farol, é mesa na calçada e barzinho

Pra esquerda, tem a estação, o bicicletário
Particularmente adoro quando ali na frente
Tem feira de artesanato, gastronomia ou stand literário
Ali também é contraditório
O quanto é precário

O guarda civil, sua viatura, sua base
Nesse mesmo ponto, fazem base
Quem anda sem base nenhuma
Quem o ponto de luz é uma ponta
Uma ponta baseada na fumaça
Que quem acende, se apaga
Apagados aos olhares de quem passa
Nunca passa dessa cena
Todo dia repete a mesma

Fardas, viaturas, uniformes, pressa, escada rolante
Trem, guarda-chuva, flores e balas
Pessoas que deixamos de enxergá-las
Em meio aos carrinhos de dog e refrigerante
Esperamos o tempo levá-las... valas
E no meio do caminho, no meio dos carrinhos, tem uma pedra
A sede e a fome que não podemos matá-las.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Paulista: avenida cruzamento da vida

Tem gente na rua, sim senhor
Tem música também, sim senhor
Tinha tanta atração
Interpretada e humana
E tudo sem confusão
Tinha show, muita dança
Tinha rock, tinha samba
Um trio a la Gonzagão
Reggae, blues e axé
Tinha casal sem homem
Tinha casal sem mulher
Tinha bicicleta, skate, patinete
Tinha uns motorizados criativos
Uns dançavam na chuva
Outros sem buscar motivos
Por lá, se vendia muita coisa
Guarda-chuva, arte e livros
Tinha sotaques e idiomas
Vizinhos e distantes
Se cruzavam paredes brancas
Outras repletas de diplomas
Nenhuma se fez mais pujante
A mão de volta e de ida
São grandes o bastante
Para a intersecção da vida
Em pedra crua ou diamante
Dessa São Paulo aniversariante
Dessa Paulista tão pulsante
Que há pouco tempo, não muito antes
Oscilava só no vermelho
Ou amarelo piscante
Pro ciclista, pro caminhante
Hoje, pode olhar confiante
Imaginar adiante
Relatar relutante
Como nossos avós no Tietê
- Neto, sabe a Paulista? Eu passeava no meio da rua
Aquele papo saudosista
Ele vai perguntar: e os carros na pista?
A pista, meu neto, tinha dia pra diversão
Ele verá fotos com desconfiança
Vai falar que eu tô de zoação
Mas o que eu vi hoje
Não dá pra enumerar, descrever, detalhar
Eram galáxias numa avenida
Intensa, cinza, pesada
Sem gasolina queimada
Terra da garoa, chuva pesada
Tinha suor de pedalada
E a pé, vida corrida.

segunda-feira, maio 17, 2010

Virada, cultura, show e o que quiser

Milhões de pessoas na rua. Avenida São João lotada, em pleno domingo. Lentidão, na velocidade de um passo. E é isso mesmo, a pé. Não era nenhum protesto, passeata ou coisa do tipo. Era a Virada Cultural.

Esses milhões estavam em bandos, excursões, grupos, tribos casais ou até... sozinhos (?!). Em cada palco, uma arte. Algumas delas, reconheço, sou ignorante no assunto, mas a Virada é isso mesmo, cultura pros mais diversos gostos. Também tinha tanta coisa!

Quando soube da Virada, não hesitei. Recorria à programação do site, destaquei minhas preferências e fui me juntar a esses milhões. A minha, foi bem eclética, garanto. Programação em mãos, roupa leve e tênis confortável para aguentar as caminhadas de um palco para outro e assim cumprir o cronograma de acordo com as atrações que escolhi. Deu tudo certo, como planejei. Vi tudo o que eu queria. Pena que algumas eram no mesmo horário e em palcos diferentes. Pena mesmo.

Diversidade de estilos, acessórios das roupas, tribos, características físicas, nacionalidades, cores, opções sexuais e de gostos artísticos, claro. Todos num mesmo espaço, curtindo a mesma música, o mesmo som, o mesmo ambiente. Curtindo a Virada Cultural.

A principal conclusão que cheguei foi que, apesar de sermos a cidade com maior diversidade cultural e artística, ainda somos carentes nesse quesito, visto que em um evento como este, milhões de pessoas foram ao encontro de tudo isso, só que de forma gratuita. Não somos uma população desinteressada; sem condições, talvez. No entanto, não pode haver prova maior que cultura e arte está no nosso sangue, só falta ser mais acessível.

Foi indescritível o prazer que senti em caminhar no meio da rua em uma das maiores e mais importantes e movimentadas avenidas dessa grande metrópole. São Paulo mostra ao mundo nesse evento que tem, não só durante a Virada, um rosto, um sotaque, um Estado, um país em cada esquina.

Parabéns, São Paulo e Obrigado pela Virada Cultural. Até a próxima.