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segunda-feira, outubro 07, 2024

A Vida É Um Desequilíbrio

A vida é um desequilíbrio
Um descabido desacato
Descalabro é apelido
Desigual retrato

Era um equilibrista
Sobre um monociclo
No farol pra Autonomistas
O vermelho é o período

Era também malabarista
Girava um bambolê no pé
Embaixadinha, outra arte
Era tanta habilidade
Ainda vendo, não pus fé

O rapaz usava um chapéu
No amarelo se preparava
Fechou, começa o show
Que nenhuma palma escutava

Não sei se se virava nos trinta
Como no quadro da televisão
Não sei se o dia paga os 30
De trocado, mão em mão

A vida é um desequilíbrio, veio a frase
Eu olhando aquele artista
Na Salém Bechara com a Autonomista
Sem que ninguém se revoltasse
Sem que ninguém se perguntasse (ou orasse)
Pra que ele resista

Os temporais vão passar, eu já ouvi
Nesses dias, ele nem pode estar lá
Pode derrapar o pneu, o pino cair
O bambolê ou a bola na Primitiva rolar

Ah, mas, ele poderia estar num circo
Meu amigo, todos estamos e faz tempo
Sem essa de Respeitável Público
A plateia vive em sofrimento

Sem aplausos efusivos
Nem aos palhaços, gargalhada
A risada não tem sentido
Se nossa dor é a piada

A vida é um desequilíbrio
A gente arruma emprego, destrói o emocional
Física e mentalmente comprometidos
Corremos e vibramos positivos
Pra atrair o capital

Aí estabiliza no banco
Tá verdinho no aplicativo
Só que é no vermelho que se soma
Trocas, trocados e a vida truca!
Seis! Cês corre por juízo?
É do jogo o blefe, não a fuga
A vida é um desequilíbrio

quarta-feira, setembro 12, 2018

O Mau Dia do Artista

Vermelho, fecha o farol
Segundos que valem trocados
Era meio-dia, havia sol a pino
O sotaque sulamericano, colombiano
Peruano, chileno, uruguaio, argentino
Não sei definir

Sei dizer que era o mau dia do artista
Sua arte não correspondia
Aquele não parecia ser seu dia
Um trabalho burocrático qualquer
Aceitam-se externas questões pessoais
Trabalhos formais, horários normais

Não era um sábado ou domingo
Como nesse caso
Era o artista de rua gringo
Enfrentando descaso
Onde tem que ser impecável
Pras moedas receber no chapéu
Em um intervalo de sinal

Tentou uma, duas, atuar seu papel
Caracterizado em um simples visual
Aquele parecia, pro artista, um mau dia

Até a luz do sol pode ter sido o fator
Que o apagou ofuscando-lhe à vista
E sua arte, seu talento, sem se impor
Poderia até causar ferimento
Ao hermano malabarista
Farol verde, dispara o movimento
Acabou o tempo.
Dou 2 conto e...
Boa sorte, malabarista de facas