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quarta-feira, outubro 02, 2024

Acontece Poesia

Pra começar a contar
Não ando mais prevenido
Sempre tinha um caderno na bolsa
Pro caso d’um poema sentido
 
É... sentido... os versos estão aí pelo ar
Quem os enxergar , que canete
Aí peguei a folha na impressora do trampo
Antes que a mente o mote disperse
 
E, pensando agora, nem lembro da última vez
Que botei papel e caneta pra conversar
Faz tempo e é curioso
Parecia que a poesia flutuava em outro lugar
 
A gente não vinha se trombando
E nem é porque eu não queria
Cheguei até pensar que era idade
Naturalidade, ah, o tempo distancia
 
Mas, não era nada disso
De cabeça baixa, o raio é curto
Aí a poesia, mesmo ali em volta
E eu andando outro percurso
 
Sem visão panorâmica, periférica
Não sente nem o cheiro, nem escuta
E poesia tem tudo isso?
Quando te chamam de amor, um aroma de flor
O sabor de uma pele, a língua desfruta
 
Eu andava sem palavras
A todas essas delícias da vida
E esses dias, o que me lembrou de procurá-las
Foi uma bobagem assim percebida
 
Uma mesa pra família tomar café
Me passa a manteiga aí do seu lado
Meu filho, pela irmã acolhido
Amor, traz aquilo do mercado
 
A poesia ficou me lembrando
Dos encontros que sempre tivemos
Do quanto ela me alivia
Da dor desses tempos modernos
 
O buscar um pão é meu carinho
Minha rima traduzida em ato
No dia, a situação corriqueira
Quase nunca se faz retrato
 
Só que ao escrever, eternizo
Do café, o cheiro e a fumaça
O simples dia que amanhece
O dia inteiro acontece
Poesia
Diante dos meus olhos, passa
 
Às vezes, tudo bem, a gente não vê
Esquecido na caneca, o café esfria
Pro céu, nada muda se eu não olhar
O sol nunca será ou foi escuridão
Mesmo quando eu não o via

terça-feira, setembro 06, 2016

Poesia Pé Descalço

Há poemas e poemas
Não falo nem por qualidade
Mas por estilos, por verdade,
Não dizendo que alguém é falso
Mas meu poema é pé no chão
E pé descalço

Pra sentir as pedrinhas e o calor
Tem horas que sou mais trovador
Mais romântico, um poeta do amor
Mas, minha poesia, por essência
Tem outra cadência
E nessa outra tem até mais fluência

As linhas se preenchem
Com um quê de concorrência
É tanta ideia, são tantas palavras
Que nem sempre se acha uma certa sequência
O poema vai fluindo, vai se construindo

E conforme ele vai, ideias vêm
Mas, por bem, já falei do meu estilo
Não que eu não faça do outro, mas, essa rima em tom de proseado
É a que eu prefiro no palavreado

E, se por instante, me permite
Vou falar sobre a tristeza
Um assunto do qual, tenha certeza
Falo com propriedade, sem dúvida, acredite
Não quero um ai de piedade
Quero só mostrar que não só a felicidade
Nos faz um singelo convite

Por viagens e paraísos
Pra destinos imprecisos
Na seca do deserto
Na alucinação de um oásis
Assim como o amor, as relações
E a tristeza também têm fases

E a cada desafio, o anterior perde o sentido
Pois outro obstáculo é vivido
Ultrapassado, diminuído
Pelo menos no meu coração
Já 'tá' resolvido

Mas, a próxima missão
Tal qual nos games
Tem que enfrentar o chefão
Ele vinha pra destruir
Mas, não vou me diminuir
E pra concluir... resumir...

Vou direto nas raízes
Por que da tristeza?
Porque corações infelizes
Nunca estão juntos na hora da sobremesa

quinta-feira, julho 28, 2016

Poesia pra quem achar

Um poeta, ator, diretor, um talento
Já escreveu em determinado momento
Que a poesia está solta no ar
E qualquer um pode alcançar

Ricardo Dias escreveu isso e concordo plenamente
A poesia não é um fato, é o que cada um sente
E pra sentir, precisa estar de peito aberto pra ver
Se permitir abduzir, fazer a mente transcrever

Quando o sol se põe, elas então alumiam
Focos de luz, enquanto todos dormiam
Elas procriam sem chance de escapar
Me cerca, quando eu queria repousar

Às vezes, ela volta quando amanhece
Às vezes se perde, desaparece
Pode ter virado sonho e eu nem lembrar
Ou uma poesia pra quem achar

É questão de olhar e chamar atenção
Você pode ignorar ou fazer canção
Talvez o que me fere não te agonia
Pra você, dia a dia; pra mim, melodia

sexta-feira, julho 08, 2016

Insônia poética

Poesia é pra tirar o sono mesmo
De quem escreve, de quem ouve,
De quem fala, declama, canta
De quem vive a esmo

De quem se incomoda e se levanta
De quem só faz algo hoje
Amanhã ou ontem, num adianta

Este poema que hoje lês,
Fiz há sei lá quanto tempo
Passou 5 de julho, 2016
O bom da poesia é ser atemporal
Pode ter ano, dia, hora, mês
Mas não requer data formal

Sua principal razão, digamos assim, social
É ter força e sentido
Vetorial
E "sentido" no sentido mais literal
De sentir, da pele eriçar
De causar emoção, do corpo excitar

Por ira, doçura
Por versos que transbordam paixão,
tesão, bravura

Por rimas pra se revoltar
E o ato de pegar caneta e papel
É uma das formas de me rebelar
Inspirado na cultura de cordel
Sem a pretensão de ser um menestrel

Pois esses que são cantadores
Poetas, versadores, trovadores
Têm toda uma história de luta, de vitória
Que minha poesia tão solitária, tão urbana, tão simplória
Não levo na cabeça, na cachola, na memória
Nem no pandeiro, nem na viola

Eles sim, não escrevem só desabafo
É relato
Com sabedoria de academia
Pra alguns, bicho do mato

Antes eu fosse
Sou do asfalto, só do asfalto
Duma fervura escaldante
Da quentura angustiante

Dum café sem 'doce'.
Que voltando ao começo
Pago o preço
Flutuante que ela trouxe

Da poesia, o sonho perturbar
A cama parece que tem prego
Pontiagudo, perfurante,
um espinho
e chega a hora de acordar
De uma vez, num rompante
Café de roça, c'aquele cheirinho
Quer amargo, açúcar ou adoçante?
Adoce este poema ao seu paladar...

sábado, janeiro 10, 2015

Folha de agenda


Numa folha de agenda

Encontro barreiras

Não das horas e dias

Mas, das linhas frias

Finas e firmes

Que impõem limites

Por vezes bons

Pra fugir dos convites

A viagens em vão

Há quem contrarie

Com argumentos de liberdade

Mas a mais pura verdade

É que a inspiração

Te leva aonde queira

E por maior que seja a fronteira

Ela inexiste no abstrato

Neste mesmo que relato

Que as linhas se aproximam

Do metrô, de um caderno, da agenda

E antes que os versos comprimam

Faço apelo a que eles se exprimam

E que os limites jamais os oprimam

Se expressem, por vezes imprimam

No rodapé de cada folha

Reticências

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Voe, poesia

Que tal se inspirar?
Deixar o que puder sentir
Enfim te guiar

Que tal poder voar
Basta só se permitir
Vá pras nuvens flutuar

É lindo quando o vento sopra a favor
Só que esse movimento
sem o puro fundamento
Perde essência de compor

E não deve ser à toa
Que a rima assim floresça
Não importa aonde for

Se aprisioná-la lhe atordoa
Deixe então que ela aconteça
E voe igual pólen de flor

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Deixe, permita

Que tal se inspirar?
Deixar o que puder sentir
Enfim te guiar

Que tal poder voar?
Basta só se permitir
Pra nas nuvens flutuar

É lindo quando o vento
Vem soprando a favor
Só que esse movimento
Sem um puro fundamento
Perde essência de compor

E não deve ser à toa
Que a rima assim ressoa
Não importa aonde for

Não permita que ela doa
Permita-se. Ela ecoa
Voa igual pólen de flor