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quinta-feira, outubro 06, 2022

As Verdades

O que seria a verdade?
O que se acredita?
Cada um teria a sua, podemos dizer, realidade?
Nem o que se publica
Nem a intimidade
São a verdade absoluta
Há verdades ocultas
E muitas

Talvez a verdade mesmo nem exista
Qual a sua? A que se avista? A do insta?
Ou do travesseiro? Elas falam mesma língua?
Há verdades tão distintas, tão distantes
Seu idioma de antes já virou estrangeiro

Há verdades atualizadas
Que não eram até então
O sistema te obriga a aceitá-las
O sistema te impõe nova versão
O sistema nunca te dá opção

Você já parou pra pensar...
quantas novas verdades você tem?
Por amor, pressão ou necessidade
Qual sua melhor versão já mostrou a alguém?
Qual nunca escondeu de ninguém?
Fala a verdade!

Não é falta de personalidade, nem vaidade
Ver o que nossa alma contém
Com os dados que o mundo retém
Do convívio em sociedade
O saldo é liberdade ou refém?

Sim, você mudou, eu também
Tenho ainda mais à pele a sensibilidade
Só quero propor que repense
Que se lembre de alguém de quem sinta saudade

Saudade não escolhe quem
Ela dói sem piedade
Nem precisa responder
Talvez já esteja até respondido
Sua vida, a minha, a de um desconhecido, 
será que o mesmo preço têm?
Diz aí: sua verdade de hoje
De verdade, te faz bem?

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Nós por Nós Mesmos

Todos dizemos
Como tem filho da puta por aí
Nos surpreendemos
O que tem de pilantra, não está no gibi

Nossa... fui no arco da velha
Essa expressão não tá no gibi
É lá de outra era
Do tempo que o Dondon jogava no Andaraí

Mas, voltando à nossa visão
Que de sacanas estamos cercados
Se todos têm essa percepção
Estamos então todos errados?
Todos bons num convívio prejudicado?

Se somos bons e bondosos
E todos dizem ser
Se não colecionamos remorsos
Ou cruel maldizer

Se não poupamos esforços
Para o bem exercer
Onde estão os maldosos?
Eu bem queria entender...

Nós, tal qual um jogo da verdade
Sem qualquer fio ou aparato
Encare o espelho sem falsidade
Olho no olho e o seu relato

Seu mais confesso pecado
Sua mais pervertida vontade
Sua roupa de sair, seu traje guardado
Infinitas versões de realidade

Chaves da porta aberta e do cadeado
Sem polígrafo, se invade
E nesse cofre, está lá, trancado
O espelho embaçado
E o RG da sociedade

terça-feira, setembro 06, 2016

Poesia Pé Descalço

Há poemas e poemas
Não falo nem por qualidade
Mas por estilos, por verdade,
Não dizendo que alguém é falso
Mas meu poema é pé no chão
E pé descalço

Pra sentir as pedrinhas e o calor
Tem horas que sou mais trovador
Mais romântico, um poeta do amor
Mas, minha poesia, por essência
Tem outra cadência
E nessa outra tem até mais fluência

As linhas se preenchem
Com um quê de concorrência
É tanta ideia, são tantas palavras
Que nem sempre se acha uma certa sequência
O poema vai fluindo, vai se construindo

E conforme ele vai, ideias vêm
Mas, por bem, já falei do meu estilo
Não que eu não faça do outro, mas, essa rima em tom de proseado
É a que eu prefiro no palavreado

E, se por instante, me permite
Vou falar sobre a tristeza
Um assunto do qual, tenha certeza
Falo com propriedade, sem dúvida, acredite
Não quero um ai de piedade
Quero só mostrar que não só a felicidade
Nos faz um singelo convite

Por viagens e paraísos
Pra destinos imprecisos
Na seca do deserto
Na alucinação de um oásis
Assim como o amor, as relações
E a tristeza também têm fases

E a cada desafio, o anterior perde o sentido
Pois outro obstáculo é vivido
Ultrapassado, diminuído
Pelo menos no meu coração
Já 'tá' resolvido

Mas, a próxima missão
Tal qual nos games
Tem que enfrentar o chefão
Ele vinha pra destruir
Mas, não vou me diminuir
E pra concluir... resumir...

Vou direto nas raízes
Por que da tristeza?
Porque corações infelizes
Nunca estão juntos na hora da sobremesa

segunda-feira, julho 18, 2016

Sócrates + Windows

Hoje em dia, com as redes sociais sendo a única atividade (com todas as aspas do mundo) realmente “social” que muita gente tem, eis que me surge a seguinte ideia.

Você conhece a regra das 3 perguntas de Sócrates? Em determinada ocasião, um amigo procurou o filósofo para contar-lhe algo. Sócrates interrompeu antes de ouvir a novidade e fez três perguntas ao amigo: o que me dirá é bom? É verdade? É útil? Com a resposta negativa do interlocutor a cada uma das perguntas feitas, Sócrates conclui: se não é bom, não sabe se é verdade e pode não ser útil, por que vai me contar?


Já pensou se usássemos esse ensinamento integrado à tecnologia atual? Já imaginou se as redes sociais também se utilizassem desses 3 filtros, no formato daquela tela de “Deseja continuar” do Windows? Imagine como seria drástica a queda de publicações nas redes, porém, com mais reflexão e mais úteis. Como ainda não tiveram essa ideia, #ficaadica (que eu sei que não será aceita), no entanto, que tal se em nosso aplicativo chamado cérebro, tentássemos implantar esta ferramenta? Poderia ser bom, verdade e útil para nós mesmos, em primeiro lugar.

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Soneto da Madrugada

Procurei canções de madrugada
Que ilustraria a minha em claro
E não achei a adequada
Em nenhuma eu me deparo

Não vejo a minha verdade
Enquanto as horas passam
E as palavras de saudade
Nem ao menos se disfarçam

E sem parar os ponteiros
Antes que chegue o sol
Meus versos não inteiros

São então os prisioneiros
Sem mais luz ao seu redor
São tão vãos e justiceiros