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terça-feira, outubro 15, 2024

Como se mede o tempo?

Como se mede o tempo?
Pelo tempo que falta ou tempo vivido?
Há quem calcule em horas, minutos
Há quem nem calcula, pois é tempo perdido
Já que não se sabe o tempo restante
Põe na conta as fotos na estante
Cada sorriso, o tempo amarelou
As fotos de antes vão se embaçando
Nitidez e cores se misturando
O tempo exato ninguém marcou
 
São fotos mais ou menos de tal ano
Se nem o ano a gente consegue lembrar
Pra quê pressa pra tudo ser passado
Ao ponto de não poder escutar
A vida em velocidade real
A tecnologia nos fez achar normal
Acelerar vídeos e mensagens de voz
Ganha tempo, essa é a impressão
A fala perde toda inflexão
É um tanto faz tão atroz
 
Atrás de otimizar o tempo
Ninguém me diz como se mede
Como você repara que o tempo se foi?
Se nenhuma pausa se concede
Agora, eu vou te dizer como eu reparo
É pela mão do meu filho ao meu lado
Quando eu segurava aquela mãozinha
Ou ele a usava toda pra me segurar um dedo
Eu, ainda mais novo, morria de medo
De tudo que vinha
 
Mas, sabe como se mede o tempo?
É quando se repara na diminuição
Da distância proporcional
Da dele na minha mão
Os tamanhos vão se igualando
E vai passar, está se aproximando
Isso vale também pra altura
Pra beijar sua cabeça, eu abaixava
De cima pra baixo, olhava
Ainda te beijo, sem baixar a postura
 
E digo ainda... até você ter vergonha
Do pai querer ser carinhoso
Não sei quando o tempo vira essa chave
Vai doer, mas, eu vou entender, meu garoto
Sabe como mais se mede o tempo?
Quando a roupa é no mesmo departamento
E minha gaveta, percebo defasada
Minhas meias brancas, encardidas
Quando crianças, as claras eram proibidas
Pra patinar andando pela casa
 
Você nem liga que eu dou bronca
Você que está certo, fodam-se as meias brancas
Por mais que não vá esfrega-las no tanque
Meias nunca serão inteiras lembranças
O tempo, a gente não sabe o ponto final
Você já aprendeu sua conta ideal?
Afinal, cada um no seu tempo, mede o tempo pra si
Há tempos que queremos que dure uma vida, ou além
Há tempos que mostram quem é quem
Todo esse tempo me fez esse alguém que chegou até aqui
 
Por fim, pra não perder mais tempo
Nem são perdas usados em versos
Pauso
Encontros, áudios, cafés expressos
Expressos? Sentimentos ninguém expressa
A mais nenhum ouvido interessa
Tem tanta mensagem não dita
Em respiração, em silêncio
Fração de segundo, um tempo imenso
Se dor aflita grita e não se escuta... imagina escrita

sexta-feira, agosto 13, 2021

Portões

Os portões do bairro onde cresci
Continuam os mesmos
Até a ferrugem nos cantos são as mesmas
Minhas lembranças de infância são poucas
Mas quando os revi
Revivi as vezes que subia aquela ladeira
Para pedir prendas pra festa junina 
Ao revê-los, tive a certeza
De que é uma pena nos dois sentidos
Um lamento e uma punição 
Na fase adulta, amadurecidos
Na infância, em evolução 
Não, não e não. 

Somos agora os mesmos portões
Outrora, vistosos, a referência da rua
Sabe aquela casa de portão de tal cor?
Com o tempo, a ferrugem atua

E somos os mesmos portões 
Nhec, nhec, soam as nossas dobradiças
Que tem sempre um jeitinho de abrir
Passaram-se várias vezes as 4 estações 
A rua continua a descer e subir

E nós não sabemos de fato nosso sentido
O que sabemos é que sentimos 
O tempo enferrujar nossos portões.

sexta-feira, março 29, 2019

POSTAGEM URGENTE!

Recentemente, usei uma das redes que percebo maior interação com o que posto, o Facebook, para perguntar: “Quais redes sociais vocês usam e por que escolheu essas?”


Antes de publicar esta pergunta, eu a fiz para mim mesmo. As respostas foram um tanto reveladoras. No perfil pessoal do Instagram, por exemplo, repensei o porquê de mantê-lo. Sou locutor e não será lá que arrumarei novos Jobs de locução. Há caminhos bem mais profissionais para essa demanda. Não sou um especialista em microfones, cabeamento e aparelhagem, logo, tenho pouco a acrescentar aos meus seguidores. Escrevo meus poemas. O insta também não é o melhor canal para vídeos e textos. Logo, não haveria porque usar este espaço com essa proposta e ainda mais com um nome (@) que não tem nada a ver com o tema. Gosto de pedalar, correr, mas, por puro prazer próprio, sem me aprofundar em tecnologias de roupas esportivas ou peças e acessórios para bikes. Dessa forma, não sou nem busco ser referência nesse tema. Dessa forma, repensei e entendi que era uma rede que apenas me consumia tempo e pouco tinha a me acrescentar profissionalmente. E antes da contra-pergunta:  não, eu não quero usar para exposição pessoal. Em nada me evolui.


E entre as respostas que obtive, houve quem optasse em algumas para postar, mas, pouco interagia. Em outras, mais para interagir e pouco posta. Houve também quem tenha bem definida uma ordem de prioridade e quem filtrou quais redes usa para cada fim. Essa disciplina não é tarefa fácil.

O Twitter, de longe, é minha rede favorita pela praticidade e informação que adquiro através dela. No entanto, reconheço que, nela, sou muito mais um receptor de conteúdo que alguém ‘interessante’ de ser seguido. No Facebook, que, recentemente dei uma boa afastada das minhas preferências, percebo que é uma das mais eficazes em interação de pessoas que realmente fazem parte do meu convívio. Nesse caso, ando repensando a dedicação de mais tempo ao bom e velho Face.
Para meu trabalho com os eventos, o Instagram - conta empresa já parece ser o mais interessante. O visual dos eventos impacta de forma mais positiva e os conteúdos que escolho apresentar são mais adaptados ao que é atrativo ao insta. Reavaliar se o seu conteúdo é visual e bonito ajuda muito a entender se esta rede social é a mais adequada para você.

Quando vamos para o LinkedIn, outro tabu para muita gente, inclusive pra mim (assumo), reveja seus contatos e os conteúdos que pretende publicar. Em sua carreira, você pode ter passado por diversas áreas e, certamente, nem todos os seus colegas de profissão vão se interessar por conteúdos que não se enquadrem em seu rol de atividades. No entanto, reavalie se esta é uma rede social interessante para você e se a resposta for sim, coloque na balança o tempo geral que dedica a redes sociais e calcule essa proporção referente ao LinkedIn. Você pode encontrar aí aquele ‘ladrão’. Sabe quando há um desvio ou um furo num cano e dizemos que a água está escapando pelo ladrão? Nesse caso, é o tempo que falta e você justifica com outras atribuições.

Em conclusão, elaborei este texto pela insatisfação pessoal com o consumo do meu tempo com as redes e quando fiz a reflexão sobre as razões aplicadas, estratégias e objetivos, descobri olhares ainda inéditos pra mim. Fazer esta revisão interna do porquê usamos redes sociais e por que escolhemos uma ou outra é, no mínimo, esclarecedor.

Seria muito legal saber se você já tomou essa iniciativa antes, quais resultados ou respostas obteve e quais foram os passos dados para mudar. E lembre-se de duas coisas:


  1. Ninguém está nem aí pro que você posta da sua vida.
  2. Não entregue sua felicidade ao número de curtidas ou à atenção que conseguiu atrair na timeline das pessoas.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Resiste ao tempo

Será que o amor resiste ao tempo?
E também às circunstâncias
Em mim, é forte o sentimento
Resistente às distâncias

Em quilômetros e história
Pelo passado, pelas estradas
Não apenas na memória
Na certeza das vidas cruzadas

Não à toa, por coincidência
Nos encontramos e nos amamos
E que o mundo tenha influência
Pra acontecer o que esperamos

Mas não nos basta esperar
Precisamos manter nossa união
Sei que vamos superar
A presente condição

Você pode confiar
Vive aqui no coração
Não te esqueço um momento
Você e mais do que paixão
É meu amor, minha razão

sexta-feira, julho 06, 2012

Imediato


Roleta.
Russa?
Talvez...
Gira rápido,
Sem porquês,
Sem vez pra calma

Aponta
Dispara
Não pára
Voa
Veloz
Direto
Incerto
Fatal
Ponteiros
Contínuos
Marcando
Agora
A hora
Seguimos
Girando
Opostos
História
Quem sabe?
Memória
Roleta
Russa
In memorian

segunda-feira, março 29, 2010

Ter Tempo

Hoje tive tempo de ver o sol
Mas, às vezes, não dá tempo
ou o tempo não colabora,
porque fecha o tempo
e o sol vai embora.
O tempo é a hora,
que às vezes demora a passar;
em outras, parece voar.
Às vezes, nos perdemos no tempo;
outras, perdemos tempo
Tem horas que nem dá tempo
de fazer essa reflexão
Pra falar bem a verdade,
quase nunca dá tempo
Mas, para certas coisas,
arrumamos tempo,
não porque o multiplicamos,
mas porque o administramos
e controlamos nosso tempo e nossos planos
Priorizamos.
Às vezes, erramos na prioridade
Quando percebemos,
lamentamos os minutos que perdemos

Não consegui terminar esse texto no mesmo dia que comecei. A partir desse parágrafo escrevi em outro dia. Por quê? Simples, não deu tempo.

Um seriado de TV me fez refletir sobre o tempo. Como é viver o dia inteiro e tudo o que fazemos em função do tempo? Até nossa diversão é cronometrada, tal como uma competição olímpica, quando milésimos de segundos fazem a diferença.

Separamos horas ou quartos delas para nosso lazer
e consideramos esse tempo gasto à toa, em vão
Discordo da denominação,
julgar que tempo de diversão
não é tempo útil
e chamar de tempo em vão
Prefiro chamar de tempo de realização
Ou melhor, tempo de vida;
e não hora perdida, como dizem.

Esse é o tempo ganho, vivido
Tempo com trabalho é tempo vendido.
E baratinho, baratinho...
Tempo, minutos, hora,
pra ontem, pra já, para agora
Tudo é assim,
parece que a corrida contra o tempo não tem fim
Mas tem sim, quando o tempo acabar pra mim...