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segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Desisto... e tudo bem!

Às vezes, a gente só desiste
E é tão bom quando isso acontece
Não, não falo que é pra ser frouxo, sem revide
É só que às vezes não vale mesmo o estresse

A gente com tempo ganha maturidade
Que não é só o tempo que traz
É a vivência que dá essa liberdade
De só se afastar de quem nos tira a paz

Julgamentos sempre nos cercarão
Isso, te garanto, é inevitável
Mas, o poder que damos à opinião
Esse pode ser bem mutável

Quantas vezes nos magoamos por adjetivos
Que nem pedimos e recebemos
Administramos com nossas dores e crivos
E seguimos. Caminhemos!

A treta é sempre sobre tamanho e quantia
Tamanho dos óculos, da cabeça, do nariz
Quanto a gente se importa com o que o outro diz

Quantia de grana, na conta e no bolso
de liberdade pra ser quem quiser,
quantia de coragem pra beijar qualquer gosto
Qualquer gênero ou letra que houver

Quantia de melanina na pele
Não só repele, como expele as palavras
E impede que a identidade se revele
Alguns preferem ocultá-las
Pra evitar a dor da rejeição que fere

Quando não se encaixa em si
É preciso reformar
Nosso espaço, que é o mundo
Ninguém virá medir
Onde eu devo me encaixar
Ou me delimitar o fundo

Pode ser que não dê pé
Farei dar
Megulhadas, braçadas, respiradas
Puxo todo ar que em meu peito couber

Mas, não deixarei sufocar
Pela água ou pelas paredes que me desenham em volta
O que me desdenham, isso que não tem volta
Tem revolta

E tem uma porta que quando se bate de fora
Tem aquele seu mundo em frente
E se você não o afronta e o desafora
Ele te encaixa milimetricamente
No que ele permitiu: até aqui você explora
Dali em diante, nem tente.

Sim, a gente tenta, e vai na caruda
Mas a desistência também pode ser positiva
Um amor que com tempo muda
Deixa muda a relação, nada mais ativa

Um sonho de uma profissão
Permite que, jovem, a gente se iluda
Com toda a garra combativa
Mas, a vida te desperta e te imputa
Trilhas por onde sobreviva

São nesses caminhos que se abrem
Que antes a gente nem cogitava
Que nossos 'eus' se definem onde cabem
Onde faltam espaços, mesmo que nem internamente sabem
Onde se começa e onde se acaba

O que não acaba é o nosso espaço
Não importa onde comece
Ninguém me define,
Por mais que desenhe ou escreva meus traços
Nenhuma fórmula que se conhece
Mesmo que com expressões se combine

Será o seu eu, sempre serão escassos
Os verbos, adjetivos, os sujeitos
Em Humanos, nem tudo são resultados
Entre os incertos, são todos aceitos

terça-feira, abril 14, 2020

Isolamento

Só se fala em isolamento
Vertical, horizontal, social,
Ou da atração global
É um intenso movimento
Militante e virtual

O mundo já traçou diretriz
Pediu comprometimento
Veio da Organização Mundial
O que a ciência diz
Tem caído em descrédito
Tem gerado discussão
E discursos desconexos

Do Palácio da Alvorada
À casa mais vigiada
A conversa quando atravessa
Fica tão desencontrada
Que, no fim, o que resta
É a confusão implantada
Que a ordem mais expressa
Toma a rota inversa
Na desordem calculada

O ministro da Saúde
Está em quadro instável
Sem nenhuma ironia
A quem está dia após dia
Enfrentando uma batalha
Pela vida

A luta de Mandetta é pela sobrevida
No cargo, no ministério
Em que o necrotério,
Crematório, cemitério, velório
São palavras mais no páreo
Pelo pódio

Aqui não se fala em sobrevivência
Aliás, como falar em sobreviver
Se gente vai morrer, paciência
Morre, bota a culpa na China e já era
Só o robô que abraça
E reverbera
Os robôs das redes sociais
São os únicos conectados nesse tempo
Pra gente, é distanciamento

Gente, que eu falo, é humano
Quando eu digo humano, não é só biologia
É a parada da humanidade
De querer preservar
A vida antes da economia
Sem focar na letalidade
Da idade que vai pegar
Se pela idade morreria

Acredite, o vírus não para no blindado
Isso serve pra tiros, não pro coronavírus
Na lotérica, ele entra muquiado
Lança sua sorte a algum premiado
Dois podem ser contami... contemplados
Saindo dali, os valores são multiplicados

E quando ele falou da escola?
Tinha que estar tudo liberado
Um ponto a favor tem que ser destacado
Ele confia no inspetor que controla
Vírus aqui não entra, não ‘tá’ uniformizado

Naquele balança caixão
Tipo o meme do velório ganês
O Mandetta parece treinador que tomou três
E veio alguém da diretoria
Garantir a permanência
Não dura um mês
Com tanta inconsistência,
Desobedecendo a presidência
Nem essa madrugada, talvez

O gráfico em cada país
Conversa plenamente com as ações tomadas
Em algumas, o choque foi necessário
As que começaram despreocupadas
Com o índice primário
Foram logo despertadas
Mortes em subidas inclinadas
De menos mil em menos mil, diário
Pergunta lá se a economia foi preservada
Nossas relações abaladas, cortadas
Nossas mortes exportadas, noticiadas
Caixão em 6 aceita crediário?
Pra quem não sabe, a Terra não é plana
E como esfera, gira
Só a gente que está ao contrário