Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, outubro 18, 2024

Pra Que Tanta Foto?

Pra que tanta foto?
Ah, pra guardar a lembrança
Eu mesmo tinha na lembrança
Que tinha começado um poema assim:
Pra que tanta foto?
 
Mas, não achei
Não postei, não digitei
Mas, na minha lembrança
Eu tenho uma imagem
Num papel, de caneta azul escrito
Cheio de rabisco
Uma rascunhagem
 
Mas, a pergunta persiste:
Pra que tanta foto?
Pra fazer postagem
Os mais novos nem vão entender essa frase:
Lembra quando as fotos eram num filme?
12, 24, 36 poses
Era em pose a quantidade
Havia limite e autocontrole
 
Será que isso vale uma foto?
Hoje, tudo vale uma foto!
Sabe quando não se tira nenhuma?
Quando é algo de suma importância
E tão bom
Que nem vem na lembrança
Tirar foto alguma
Ninguém pergunta: vamos tirar uma foto?
 
Pra que tanta foto?
Se nem tem mais os albinhos da Kodak
Porta-retratos não têm mais lugar de destaque
Poses viraram Mega e Gigabytes
Pastas, microcards
Memórias quase infinitas
De tanta imagem que cabe
Nos celulares, fototecas e galerias
Ao encherem, viram links pro Drive
 
Fotos flutuam nas nuvens
Não olhamos nem uma nem outra
É tanta foto, de tanta coisa
Tremidas, desenquadradas
Na correria louca
Não vem na lembrança, apagá-las
 
Aí a gente abre
Arrasta, arrasta, arrasta
De tanto arrastar, dá tontura
Foto vídeo, download, captura
Você consegue organizar as pastas
E ter alguma ordem, estrutura?
Ou é só um monte de figura
Que essas, pelo menos,
o tempo não desgasta
 
Mas, também não bate sol
A gente mal bate o olho
Se de alguma foto bate saudade
A cansativa procura rebate
E nos perdemos no bolo
Nos perdemos no rolo (da câmera)
 
Não lembramos nem como procura...
Cronologicamente?
Pode ser, mas, logicamente, a gente se perde
É tanta foto e a gente nem percebe
A gente.
A lógica é que a gente não esquece
Os cliques da mente
Os cliques que as lentes não veem
Que as galerias digitais não têm
São as fotos que, de fato, duram pra sempre.

sexta-feira, novembro 11, 2022

Bolsonarismo

Como chama mesmo aquele negócio lá?
Aquele troço que dá na gente
Faz a gente se agoniar
Ter raiva do diferente
De odiar até parente
Mas, parente também, a gente não pode optar

É um tal 'dum' sentimento
Que o coração chega a ferver
Não tem aquele ar de lamento
É mais um negócio de arder
Queima, mas num chega a doer
A fervura que 'tá' por dentro

É uma mistura que tem quem acredita
Que é paz, chamam até de fé, boa postura
Que a palavra de Deus até explica
Como entenderam na escritura
Que, convenhamos, não é toda criatura
Que é de fato bendita

Sabe o "pegou pra Cristo"? É perfeito.
O povo de Cristo 'tá' louvando torturador
Pedindo matança em nome do respeito
Estão pegando DE NOVO pra Cristo o Senhor
Mata! Em nome do meu cristão valor
Que aí o doutor põe lá no B.O.: suspeito

Olha que eu nem falei o nome
Só pra quem tem visão apurada
Já sabe até o que ele come
Uma falta de empatia como entrada
Um rancor sangrando, uma alma gelada
Menu em branco não apaga fome

domingo, julho 26, 2020

Reflexão: Vaticano

O Vaticano apresentou manual para se combater a pedofilia nas igrejas. 
Leia essa frase 5x em voz alta que já vai entender o quanto é absurda.

Padres e líderes precisaram se reunir para elaborar um manual de como combater os crimes de pedofilia. Uma pergunta aqui (de boa mesmo, despretensiosa): não era só o padre ser padre, com aquele negócio de não transar com ninguém e muito menos com criança?


(notícia de uns dias atrás)

quinta-feira, setembro 28, 2017

Poesia no Horizonte



Certa vez, um poeta e professor
Ensinou, publicou
Que a poesia está no ar
Está no olhar,
no observar

Com pretensa ousadia
Digo que a poesia
Não apenas flutua
Esperando que a peguem crua
E em linhas, a molde
Isso não resolve
Sua definição

Poesia é sim, visão
Olfato, tato, paladar
Sistema nervoso, coração
Batimento e pulsar

A poesia não só não está presa em nós
Cegos, atados, em nós
A poesia é o outro,
o encontro

De se por no lugar
De se imaginar
Como se sente, se é que sente
Se contente, se consente, se ressente
Poesia não é só dentro da gente
É saber que o horizonte não está
somente à frente.

quinta-feira, setembro 08, 2016

Amor com Razão, Razão com Amor

Por que o amor e a razão falam idiomas diferentes?
Por que são órgãos independentes?
É uma explicação, na minha concepção, insuficiente
Queria entender, mas dependo da razão
E qual razão compreende as ações do coração?

E isso vale pro amor e pra outras coisas, como o trabalho, por exemplo
Dizem que se aprende com o tempo
Amar o que faz; e não, fazer o que ama
É consequência ou motivo?
No meu caso, o que no fundo do peito eu cultivo
É a razão da ação e não a aceitação
Sabe aquele jargão? Não se julga a capa pelo livro...

E se nós pensarmos no livro?
Há quem escreve o que é preciso
E há quem precisa escrever
Não sei você, mas, acho que 'tá' claro o que eu ia escolher

Sou motivo, causa, força motriz
Sou o que vai pra lousa com giz
Pra ensinar? Não! Pra dizer o que me faz levantar
É saber que a lousa lá permaneceria,
se não fosse uma inocente ousadia

Enfrentar o quadro,
Enorme; pra uns, o fardo
Mas, não me permita perder o rumo,
o prumo e os traços na estrada
ou na lousa esverdeada

Como disse, preciso fazer acontecer,
Antes que a vida me devore,
me engula, me corroa
e vazio meu corpo chore
a lágrima impura que um tanto me doa

Por amar intensamente
o que seria presente
se eu tivesse sido presente
para que lá na frente
quando eu me deitasse
e a sombra da paz me encontrasse
Ela não hesitasse
Em dizer que se a razão amasse
E o coração pensasse

Nós viveríamos plenos de amor e razão
Resta apenas um impasse
Quem abriga a paixão?
Com desejo, consciência e emoção?

sexta-feira, julho 15, 2016

Sol ou prédio?

Foto: Diego Machado
Já pensou como coisas tão pequenas podem esconder outras tão maiores? Um sol atrás de  um prédio ou de uma árvore só nos possibilita ver os raios ao redor e deduzirmos sua presença. Que tal se a gente comparar essa visão do sol com nossas vidas? Estamos sendo sol ou sendo prédios com tudo o que está à nossa volta?

Provavelmente, você responderá: sol. Às vezes, nossa gana de ser sol nos torna uma barreira pra quem quer brilhar ao redor. E nem percebemos isso, assim como o prédio que não tem consciência de estar lá. Reflita, pelo menos, um pouquinho mais. Espero que após isso, realmente confirme que és sol mesmo.

É importante refletirmos que somos, por natureza, sol. E igualmente ao astro rei, temos dias de nuvens. Não é que esfriamos, assim como o Sol não esfria nos dias mais gelados. Temos nuvens que se sobrepõem à nossa luz, unidas e fortes. E mesmo assim, em cada buraquinho desta força contrária, lá está ele, mandando meus feixes de calor e luz, mostrando que está lá, brilhando, buscando seu espaço.

Que tal reconhecermos que nossa essência é de sol e não pode ser dirimida por um simples prédio? Identifiquemos nosso potencial de brilhar e procuremos desviar de coisas pequenas que podem ofuscar nosso brilho ainda maior.

Ser sol pode ser pra todos, mas, tem tanta gente que prefere ser prédio.

Faça dos seus sonhos os raios de sol. Mesmo sem vê-los, escondidos, sabemos que lá estão, pois transcendemos nossos anseios e energia (quase que solar) em nosso sorriso, em nosso caráter e personalidade. Estas características definem se somos e temos força pra insistir em ser sol ou se nos rendemos e nos contentamos em não termos nosso brilho próprio, sermos duros e frios e querermos manter nosso perfil de edifício.

domingo, junho 28, 2015

Os poemas que perdi

Os poemas que perdi
Em rascunhos rabiscados
Em memórias eletrônicas, virtuais
Esses já são passado
Esses não voltam mais

A poesia é o instante
Inspiração que flutua
Por vezes, me arrebata
Outras levo a jangada
Coadjuvante ou quem atua

Faço os dois papéis
E foram tantos que perdi
Fora os que eu não imprimi
Mas até os que voaram
Por ocasiões, deletaram
Fazem parte de mim

Não os verei à frente
Mas à frente tem tanta poesia
Não as que escrevi um dia
Tem outras tão presentes
Que hei de vê-las
Olhando as calçadas
Não as estrelas

Não é que não haja poesia na lua.
Pode até haver vida por lá
Mas a minha inspiração é na rua
Por onde eu consigo andar
E foi pelo chão que perdi alguns versos
Não no território lunar
Sendo assim, meus poemas
Passados e futuros
Estão nos dilemas
Livres ou entre muros
Com os passos no chão duro
Que eu posso encontrar