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quinta-feira, abril 02, 2020

A Canção que eu nem Ouvia

Eu nem sei explicar
Tem horas que quero fugir
Deixar o barco navegar
Outros mares conhecer
Em cada um me banhar

Mas, cada vez que isso acontece
Basta eu lembrar de você
Tudo em volta se enternece
A canção que eu nem ouvia
Repetiria se pudesse

Ela toca no rádio e eu procuro
Nos aplicativos musicais
Sinto tipo adolescente imaturo
Num sazonal amor pra valer
Que nem dá tempo de escrever futuro

Quando eu penso aonde quero ir
Eu te vejo na chegada
Se eu imaginar me divertir
Sua presença é confirmada
Só não quero a cortina fechada
E a luz apagada após aplaudir

Cortina fechada, só numa condição
Pra te ver dormir, sem claridade
Até o sol pra te alcançar, precisa permissão
Ele não precisa decifrar sua noite
Éramos só nós, ele estava ocupado no Japão

domingo, outubro 28, 2018

O Olhar ao Sol

Olhar o sol nos fere
A vista, e com tempo, a pele
Acostumamos estranhá-lo
Escuridão prevalece
Quando se ousa encará-lo
Ao invés de luz, escurece

O olho estranha claridade
Luz que nos mostra verdade
Porque o escuro é o natural
Luz? Artificial, digital
Nosso olho se torna covarde
Retraído no mundo real

Encolhe-se ao sol, conforta-se à luz
À noite, o que aflige é o temor na rua
Cruel rotina que nos blinda do sol
Faz de nós escondidos, um figurante que atua
Ofuscados no holofote, ou no caso, um farol
O breu nos rende da forma mais crua; e nua

Mãos formam aba ou sobem em proteção
Espalmadas ao alto, têm maior dimensão
Perspectiva que o sol dá pra segurar
Nem na mão, nem no olhar cabe a imensidão
Nem o sol, nem o mundo podem se limitar
Se optar pela luz que se acende em botão

segunda-feira, setembro 19, 2016

Outro pôr-do-sol como aquele

Longe, lá no alto, mais perto do sol
Uma tarde se pondo e o dia partiu
Crio imagens reais, virtuais, na tela de um PC
Imagino a visão perfeita, a miragem que sonhei
Ao olhar a rua de novo, era real o que eu sonhava
Nada a contrapor às telas, as mais belas; no som, o samba de JN
Ao prazer de um por-do-sol, minutos voaram e a lua nascia

Agora, dias se foram e a estrada me afasta
Nem aquela tarde, nem sonho, nem canção, nada 'in'
Aniquilam a saudade do mar, de quem eu nem conhecia
Inspiração, instantes inesquecíveis, viajei
Cada segundo, hoje lembranças, SMS, MSN, eu e vc
Um dia, após o perdão, em outra nação, verá que não sou mau
Lembre da tarde, do sol, de nós, hoje em mundo virtual

Sinta no peito o que sinto há dias
Esqueça pormenores entre o que já disse
Lembrei um segundo, numa eternidade irreal
You and I, won't be enough, all night long, one more day
Missing, saudade intraduzível, nem no inglês universal, nem no mandarim
Espero outro sol que divide a semana e nos una como aquele
Sem o relógio, sem hora pra se apagarem as estrelas.

sexta-feira, julho 15, 2016

Sol ou prédio?

Foto: Diego Machado
Já pensou como coisas tão pequenas podem esconder outras tão maiores? Um sol atrás de  um prédio ou de uma árvore só nos possibilita ver os raios ao redor e deduzirmos sua presença. Que tal se a gente comparar essa visão do sol com nossas vidas? Estamos sendo sol ou sendo prédios com tudo o que está à nossa volta?

Provavelmente, você responderá: sol. Às vezes, nossa gana de ser sol nos torna uma barreira pra quem quer brilhar ao redor. E nem percebemos isso, assim como o prédio que não tem consciência de estar lá. Reflita, pelo menos, um pouquinho mais. Espero que após isso, realmente confirme que és sol mesmo.

É importante refletirmos que somos, por natureza, sol. E igualmente ao astro rei, temos dias de nuvens. Não é que esfriamos, assim como o Sol não esfria nos dias mais gelados. Temos nuvens que se sobrepõem à nossa luz, unidas e fortes. E mesmo assim, em cada buraquinho desta força contrária, lá está ele, mandando meus feixes de calor e luz, mostrando que está lá, brilhando, buscando seu espaço.

Que tal reconhecermos que nossa essência é de sol e não pode ser dirimida por um simples prédio? Identifiquemos nosso potencial de brilhar e procuremos desviar de coisas pequenas que podem ofuscar nosso brilho ainda maior.

Ser sol pode ser pra todos, mas, tem tanta gente que prefere ser prédio.

Faça dos seus sonhos os raios de sol. Mesmo sem vê-los, escondidos, sabemos que lá estão, pois transcendemos nossos anseios e energia (quase que solar) em nosso sorriso, em nosso caráter e personalidade. Estas características definem se somos e temos força pra insistir em ser sol ou se nos rendemos e nos contentamos em não termos nosso brilho próprio, sermos duros e frios e querermos manter nosso perfil de edifício.