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quarta-feira, novembro 11, 2020

Sinto

A gente não pode ser
de jeito algum
A gente não tem nada a ver
Talvez algum gosto em comum

Prefiro escrever que dizer
Pois não saberia falar
Você nunca, nunca iria me ver
Não seria capaz de enxergar

Quando meu olhar não encontra o seu
Cala algumas coisas que eu nem posso acreditar
Ele prefere assim, pois pra que falaria
Se não vê o desejo meu
Algo que em voz alta eu jamais ousaria
Será que em meu silêncio me ouviria?

Eu sinto você no ar, mesmo distante
Flutuo buscando encontrar seu perfume
A distância não é infinita, só o bastante
Pra olhar na janela tornar-se um costume

Vê-la na lua crescente, tê-la, uma esperança minguante
Sob o breu da lua nova, não se assume
Brilha como a fase cheia, excitante

E tanto que meu verso não resume
Não reúne condições de sua voz não inebriar
O som harmoniza no ouvido
Melodias e refrões que levam a te achar
Em mim, dão e fazem sentido
E eu sinto... 
Que jamais a sentirei

segunda-feira, setembro 19, 2016

Outro pôr-do-sol como aquele

Longe, lá no alto, mais perto do sol
Uma tarde se pondo e o dia partiu
Crio imagens reais, virtuais, na tela de um PC
Imagino a visão perfeita, a miragem que sonhei
Ao olhar a rua de novo, era real o que eu sonhava
Nada a contrapor às telas, as mais belas; no som, o samba de JN
Ao prazer de um por-do-sol, minutos voaram e a lua nascia

Agora, dias se foram e a estrada me afasta
Nem aquela tarde, nem sonho, nem canção, nada 'in'
Aniquilam a saudade do mar, de quem eu nem conhecia
Inspiração, instantes inesquecíveis, viajei
Cada segundo, hoje lembranças, SMS, MSN, eu e vc
Um dia, após o perdão, em outra nação, verá que não sou mau
Lembre da tarde, do sol, de nós, hoje em mundo virtual

Sinta no peito o que sinto há dias
Esqueça pormenores entre o que já disse
Lembrei um segundo, numa eternidade irreal
You and I, won't be enough, all night long, one more day
Missing, saudade intraduzível, nem no inglês universal, nem no mandarim
Espero outro sol que divide a semana e nos una como aquele
Sem o relógio, sem hora pra se apagarem as estrelas.

sábado, março 30, 2013

Inteira

Ouça o poema na voz de Diego Machado

Sob a lua quase inteira
A vida quase inteira
A noite quase inteira
Reflexo quase inteiro

Sob a lua em fase cheia
A vida quase cheia
A noite quase cheia
O amor é quase cheio

Na lua quase inteira
Faltava um pedaço
Na vida em poesia
Sempre falta um traço

Falta a rima perfeita
Na palavra inesperada
Plena e falsa ilusão
ao dizer que falta nada

Sob a lua quase inteira
A poesia quase inteira
A mentira quase inteira
Em um copo quase inteiro

Nesse copo, tem a noite quase inteira
Na mentira, uma vida quase inteira
Na poesia, a ilusão quase inteira
E eu vivo quase inteiro

Quase, pois sempre falta alguém
Quase, pois o passado nos traz alguém
Quase, pois o futuro reserva alguém
Nesse mundo quase inteiro

No mundo, no fundo, no peito quase cheio
No amor, no sonho, no desejo quase cheio
No verso, no encanto, em tudo quase cheio
Percebemos que, na real, não passamos de meio.

(acordei hoje com esta poesia"quase inteira" pronta na cabeça. Precisava transcrevê-la imediatamente. Boa poesia e bom dia aos leitores.)

sexta-feira, março 22, 2013

Lua minguante

A lua não mais refletia
Sua imagem
Teu rosto já foi luz do dia
Paisagem

Hoje, com nuvens no céu
O sol logo se acinzentou
O sonho passou pro papel
O brilho, enfim ofuscou

A luz que já fez lua cheia
Tão minguante, e em passado, crescente
Lua nova se apaga na areia
Sem mais ondas, maré que rebente

O beijo de olhos fechados
Enxerga no fundo o que é solidão
E os batimentos acelerados
São controlados na dura razão



(esta é a postagem 200 no blog)