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quinta-feira, julho 29, 2021

Frio

Está frio, bem frio
Acusam meus pés, mesmo aquecidos
Ou tentando
Em meias de não tão grossos fios
Congelando
 
Claro, tem aí certo exagero
Força de expressão
Não é pra tanto
O frio dos pés não é o primeiro
Que incomoda a sensação
 
Há os sem meias, sem blusas, sem teto
Sem calças, descalços nos concretos
O que não é nada abstrato, nem arte
É na esquina de uma cidade
Chão áspero que arde
Uma criança ao relento,
Desse cenário ser parte
 
Campanhas do agasalho
Campanhas de inverno
Sem colcha de retalho
Sem apoio, sem trabalho
Sem ambiente interno
É tudo, tudo externo
De tudo está fora ao extremo
 
O teto é o invariável breu
Luzes de faróis e da lua
Das estrelas e do poste da rua
E o que aconteceu
Antes de amanhecer
Só quem sub-viveu ou sobreviveu
Que pode dizer
 
Está frio e à noite, aperta
O tempo espaça, passa lento
Será que o sol de manhã conserta
Esse clima de frio (e) violento?

segunda-feira, maio 02, 2011

Será a paz?

Pronto, enfim matamos
A paz, agora sim, reinará
Prendemos, capturamos
Será o fim? Será?
De todo o mal nos livramos
Repito a pergunta. Será?

Vamos à rua comemorar
O assassinato do mal
De hoje em diante, tudo normal
O inimigo morreu
Então vencemos
Não nos enganemos...

Osama não é/era só terrorista
Era uma ideia, um símbolo
Assim como as torres de lá
Que feriram não só pessoas
Mas uma alma nacional
Que preparou seu rival

Para o ataque, para o combate
Quem vier, “mate”
Sem essa de empate
Somos a ostentação do poder
A nos atacar, quem ousará?
Se ousar, em breve morrerá
Ninguém se atreverá

Somos evoluídos, democráticos
Democráticos ou demagógicos?
Questionamentos enigmáticos
Sobre pensamentos tão lógicos

Como sonhar democracia
Se à nossa revelia
Atacamos quem contraria
Não somente ataque, revidamos também

Afinal, matamos pelo bem
Pelo nosso bem
Somos o bem
Gera dúvida de alguém?
Se sim, cuidado
Pode ser o próximo assassinado
Não pode ser apoiado
Quem está do outro lado
Outro lado: traduzindo, o mau

Já que o mal se foi
Também vou sair
Vou saltar pelas ruas
Quero me divertir

Ouvir o quase xará
O que ele pronunciará
O assunto é segurança
Fizemos vingança

Usamos a própria mão
Para o deleite da nação
Fez-se a lei de talião
Resolvida a questão

Soma mais este na lista
Bin Laden: terrorista
No décimo aniversário
Pra salvar nossa gente
Vai no dente por dente
Só aqui morre inocente
Nosso ataque é consciente

Vou rumo ao bi da conquista
Cabeça com cabeça
Algumas perfuradas
Outras, desmotivadas
Generalizadas, vingadas
Ensanguentadas

Mas, como disse, o bi é nosso
Sempre faço o que posso
No combate ao terror
Pelo Nobel da paz universal
Mesmo que o meu rigor
Seja proporcional
À violência a nós imposta
Ou em caso de resposta
Deixo aqui a minha aposta

O terror não era um
Um indivíduo qualquer
Não aceita jejum
Acredita quem quer

Sempre haverá mais um
Enquanto o sentimento houver
Use a arma que tiver
Nenhuma bala matará
Será?


sexta-feira, abril 09, 2010

Intolerância, violência, ignorância...

Recentemente percebo mudanças
Uma intempestiva intolerância
Reagimos na ignorância
Em fatos de pouca importância

Perdemos o controle de situações
Em meras e pífias ocasiões
Cada vez mais, afloradas emoções
Enervam-nos a ponto de explosões

Nosso limite está mais restrito
Por nada, me estresso, me irrito
Depois de tudo, paro e reflito
Que extrapolei, admito

Tal qual uma química reação
Nosso poço de solitária lotação
Na cidade que já foi a solução
Hoje, iminente risco ao coração

Ataque, derrame, disritmia
Precisamos sobreviver o dia a dia
Num inferno onde impera hipocrisia
Mortes banais à revelia

Ignorância leva ao fato violento
Armados pra qualquer contratempo
O vier e bater, eu enfrento
Mato e bato sem ressentimento

Um fato qualquer faz reagir
Ofendo, agrido, até ferir
Da guerra, não vou fugir
Sou forte, se me atingir

Também rotulo-me intolerante
Preparado a qualquer instante
Um arsenal auto-falante
Palavras, metralhadora possante

Precisamos discutir a violência
Muitas vezes é a penitência
Por ações de inconveniência
É a devolutiva, a resistência


Talvez esse desabafo vá resolver
Toda ira que eu possa trazer
E fui obrigado a conter
Em poesia, prefiro dizer

Sei que só há de piorar, encurtar
Nossa gota a se derramar
Mas, a vida não dá pra voltar
E a fórmula da paz criar

Revolta, intolerância, violência, resultado
De cada cidadão iludido, indignado
Crimes impunes, e o governante safado
Dão-nos a sensação que está tudo liberado

A raiva e o ódio estão mais aparentes
Na rua, em bares, com nossos parentes
Sistemas mais nervosos e até doentes
Mas ainda sorrimos, mesmo sem dentes.