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sexta-feira, maio 07, 2021

Chão

Nosso chão
Além de grama e cimento
Traz nossa origem
O nascimento 

Você é de onde?
Pergunta frequente
O que importa saber 
Seu chão se faz presente
E geralmente
Diz um pouco de você 

Nosso chão Brasil
Tem sido pisado
O capacho, de verde
Pela bota, enlameado 

Sabe? Deve ser sangue
Nosso fertilizante do chão
Tanto, todo dia se derrama
Do mundo, o tal do pulmão
Sofre pela inalação
De tanta fumaça pela chama 

Chamas pela evolução? 
A terra queima e morre
A gente morre e queima
Nem morto, a terra cobre
Custa caro ter um lote
Na urna, cinzas do sistema

Nem só sangue indígena aduba a terra
Nessa hora, o sangue é igual
Então, tira de quem já tá na merda
Aí sobe a média do capital 

Olha a chacina do Jacarezinho
Não precisa pensar no meio
Os fins os justificam
No hino, ó liberdade, em teu seio
Porra nenhuma, tudo suspeito
Isso os Datenas ratificam 

Jacarezinho, chacina,
Jacaré na vacina
O que nos resta é sobreviver
Em meio a tanta crocodilagem 

quarta-feira, abril 28, 2021

É... Guedes

É... Guedes, a gente quer viver
Por isso que a gente tanto contraria
O seu trabalho pra gente morrer
Nossa ambição nos diferencia
 
Vocês nos calculam na economia
E a gente calcula os presentes
Os sobreviventes
Desse genocídio na pandemia
 
Nosso cálculo não é no Fundo de Garantia
É na garantia que no Fundo do coração
Não vamos perder um irmão
Seja de sangue, seja da vida
 
Guedes, sim, queremos saúde e chegar aos 100
Três dígitos na identidade
Um a menos do que vocês matam por dia
Sorrindo, zombando da saudade
 
Guedes, imagina bater 101, 102, 103
E ter quem nos ama agradecendo
Não, por você não terá tal intento
Pra você, o que conta é a Previdência
E sim, seremos sempre seu tormento
O pesadelo, se tiver uma consciência
 
Vocês nunca entenderão
Que são o mais tenebroso momento
Que matou uma multidão
 
O tempo os levará muito além da prisão
Seremos a assombração do seu pensamento
Sempre caminhando contra o vento
Vocês roubaram o documento da nossa nação
 
Nossa bandeira é o tecido que embrulha caixão
O verde e amarelo tão vivos
São a cor do luto pro mundo e nós sabemos a razão
Os culpados e os omissos
 
Pela vacinação, pelo pão, arroz e feijão, pela refeição
Sem fundos pra garantia no prato
Sem doses pra garantia no braço
Sem um verbo que seja exato
Só não digo que não tem verbo
Porque deixar morrer também é ato.

quinta-feira, janeiro 28, 2021

Até Onde Eu Sabia

Até onde eu sabia
Cada um tem sua função
A experiência lhe concedia
Habilidade na profissão

Até onde eu sabia
O cozinheiro cozinhava
A costureira cerzia
O professor ensinava

Até onde eu sabia
O mecânico consertava
Pintava na funilaria
Pneu, a borracharia arrumava

Até onde eu sabia
A carne, o açougueiro cortava
A atendente te recebia
E a caixa te cobrava

Digo "Até onde eu sabia"
Porque eu acho que eu não tô sabendo mais
Em 2021, numa pandemia global
Se questionam Órgãos de saúde mundiais

Até onde eu sabia e o Ministério da Saúde advertia
Em caso de necessidade, procure um médico
Não é por nada, não, 
mas, acho que esse é um caso de necessidade
Aí aquele tio do zap acredita no cap.
no mentecapto do capitão reformado
O mundo inteiro tem pesquisado, estudado
Mas, o certo é o presidente do Brasil
Não, porra! Cala a boca, imbecil!

Até onde eu sabia, a tia que via a receita da Ana Maria 
Só palpitava se no bolo vai coco ralado ou não
Agora, formada no whats, com pós no face
Sempre dá opinião

Até onde eu sabia
Quando se ia na oficina
O médico apontava
É a rebimboca da parafuseta
Não cabia discutir, se a peça era da China
Afinal, ele que manjava
Como tentou respeitar o Mandetta
Hoje, poderiam questionar
Pega seu carro então
E leva pro padeiro olhar
Até onde eu sabia
Padeiro fazia pão

IMUNOLOGISTAS
Esse é o nome da profissão
Com a missão de nos salvar
Estão com nossas vidas na mão
Eles, os médicos e os cilindros de ar
E devido à apatia
Um pouco de fé, não faz mal, não
Vale também se ajoelhar

Até onde eu sabia,
o mundo todo sabia
Que poeta faz poesia
Vacina combate pandemia
Sua pretensa sabedoria
Ignorante com valentia
Só deveria se calar