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quinta-feira, outubro 31, 2024

A Face Racista da Bola

Na bola, já perdemos tanta coisa
Copas, competições, finais
Taças, amistoso, premiações
Nossos dribles eram diferenciais
O país do futebol perdeu o tempo da bola
O campo de terra não é mais escola
De improviso como era lá atrás
 
Num tapete preciso ninguém mais discute
Se saiu ou não nas laterais
A bola rola tanto fora do campo
Decisões, pra dizer pouco, imorais
Não importa mais o gol crucial
Nem títulos na galeria real
Outro degrau hoje importa mais
 
É claro, eles nunca dirão o motivo
Apenas preferências pessoais
Nem a camisa pesou o bastante
Com suas proporções mundiais
Há quem justifique comportamento
Que é violento, lacrador, mimizento
Esse negócio de pautas raciais
 
Só que vindo de onde vem
Socialmente em condições desleais
Aquela camisa 7 branca
Vista nos camelôs em varais
Era só sonho de criança
Hoje, seu nome a estampa
Nem assim, o branco é paz
 
Eu sei que na bola, já tivemos derrotas
Algumas até surreais
Temos perdido até nosso amarelo
A camisa se destacava das demais
É exatamente falando de cor,
Que a bola de ouro, a Balon D’Or
Armou seu time pra trás
 
Uma tática defensiva, conservadora
Num jogo de estratégias bem racionais
Como as seleções europeias antigamente
Tentavam copiar o que a gente faz
Ou fazia, em jogadas espetaculares
Mesmo ainda definindo placares
Nossos lugares não são iguais
 
São confederações, federações de toda Europa
Coniventes em esferas intercontinentais
Em plena Suíça, a FIFA se atrasa
Sob aplausos de eternos rivais
Sobrepõe-se um negócio que não se explica
Um sentimento como título que se unifica
E ninguém se prejudica nos tribunais
 
Realmente Vini, não é Junior o que você passa
Agressões, ofensas, ameaças verbais
Contra sua cor linda e retinta, que à camisa contrasta
Idêntico à letra preta que escreve brancos jornais
Só pra encerrar, era sua essa conquista
Marcou na bola, a face racista
Onde nessa estrofe, pus as letras iniciais

terça-feira, fevereiro 15, 2022

Balas Amargas

Mais um corpo preto assassinado
Mais um corpo preto assassinado
A cada dia, um novo caso
Sem A pra virar acaso
Não é acaso, é descaso

Ou melhor dizendo, tem causa
Só não tem pausa
É um atras do outro
Em comum, a cor do corpo

Dessa vez, um vendedor de balas
Das doces, não das amargas
De por na boca, não nas armas

Balas todos os dias são vendidas
Algumas saboreadas
Outras perdidas
Algumas encontradas
Após perdermos vidas

Uma é 3, duas é cinco,
É um racismo cínico
À luz do dia em Niterói
E o que mais me destrói
É que não acabou
Logo terá outro, sempre preto,
Que, no susto, a arma disparou
 
E não tem idade,
Menino de 9 anos, mesma do meu filho
Também virou alvo do gatilho
Pra ferir o pai, líder na comunidade

Disputas territoriais
Litígio agrário, áreas rurais
Anunciaram-se policiais
Invadiram a casa e sem menos nem mais
Pegaram o moleque embaixo da cama
E mataram na frente dos pais
Nesse caso, vingança, mais que desumana
mas, adivinhe a cor do rapaz
 
Esse, em Pernambuco, Barreiros
De criança, tinha uma charada que eu ouvia
Qual dos estados brasileiros
Com 10 letras e nenhuma repetia
O que de fato o estado brasileiro repete
É o R-A-C-I-S-M-O
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete

sexta-feira, fevereiro 11, 2022

Empatia Sem Empate

Congolês morto a pauladas
Ao cobrar duas diárias ao patrão
Outro, com 3 balas disparadas
Ao pegar a chave no próprio portão

Um comete crime em palavras
Que o nazismo deve ter seu quinhão
É um direito à opinião
Enquanto o presidente ameaça
Deputados envenenam nosso arroz com feijão

Só que a casa que preocupa é a da tela
De vidro mesmo é nosso telhado
Das paredes ao teto, apedrejado
Com nossa cara na janela

Aí surge a palavra empatia
Apelos e vídeos de arrependimento
Eu não me rendo a essa hipocrisia
De desconstruído e aprendendo

Juro, de boa, que eu até me esforçaria
Se houvesse humanidade aí dentro
Se não causasse ou vibrasse nossa agonia
Não empata, não dá harmonia, 
A fala vazia com o procedimento

terça-feira, fevereiro 01, 2022

Por Moïse Kabangabe

Quanto vale o seu dia?
É exatamente isso que eu ‘tô’ perguntando
Quanto vale seu dia?
É... custa quanto?
 
E seu dissesse que seu expediente vale uma vida?
Eu ouviria: como assim? Que exagero...
Pois, eu vivo no Brasil brasileiro
Onde um congolês fez cobrança devida
A grana de 2 dias de lida
Trampando no Rio de Janeiro
 
A cobrança não foi bem recebida
Ali mesmo fizeram o acerto
Espancaram até a morte um corpo preto
Em covardia mais descabida
Eram 5 na mesma batida
Sem prestações
Racismo aqui não é segredo
Ripa de madeira e bastões
15 minutos de agressões
Mataram sem medo
 
Naturalizou-se a tal ponto
Um imigrante morrer espancado
Ainda por cima, amarrado
Por alguns poucos contos
Que o país, mesmo noticiado
Não está em luto pelo rapaz do Congo
Nem se encontra inflamado
Pronto para o confronto
 
E olha que ironia
Quiosque Tropicália
Nem o movimento referencia
Nem o sentimento de um País Tropical
Abençoado por Deus
Ao contrário, parece que fomos abandonados
Cada um que se vire com os seus
 
Barra da Tijuca, 24 de janeiro
24 também a idade
De Moïse Kabangabe
Rio, do mês que ele morreu
Pra ele não será o Rio de fevereiro e março
Pra essa família, o Rio não continua lindo
Ele continua indo
Como se nada tivesse acontecido
Só que aconteceu, eu não disfarço
Meu verso grita escrito
Mas não faz estardalhaço

sexta-feira, dezembro 03, 2021

Primeiros Pretos

Ô, na moral, "cês" já repararam
Que "nóis tamo" em 2021
E ainda é bem comum
Ainda ontem publicaram

A primeira mulher a fazer isso
A primeira pessoa preta naquilo
Primeiro, primeira trans naquilo outro
Sabe de tudo isso o que é mais louco?

É que precisou tanto tempo
Pra um passo que ainda é pouco
Vozes que viraram silêncio
Além dos que seguem roucos

Claro, o passo merece aplauso
Palmas que deveriam ter batido
Seu avô ter ouvido
Ainda menino e descalço

Era pra ser como o carro voador
No passado, o previam
Nesse ar, que não congestionou
As frases que ouviam seu bisavô
Agora há pouco repetiam

Frases e comportamentos
Que o tempo não envelheceu
Vozes jovens as repetem
Com infeliz argumento
É um posicionamento
Direito meu
Ao crivo do crime não submetem

Tem um exemplo aqui
Você conhece Theodosina?
Theodosina Rosário Ribeiro
Esse nome foi o primeiro
Sabe como eu descobri
Primeiro ouvi,
Depois pesquisei e vi

Que, como vereadora, mulher preta
Foi precursora
Na Assembleia Legislativa também
Parece da hora, motiva
A voz preta ativa
Ali, representada, sendo alguém
Só que aí vem o porém

Ela só chegou lá em meia-oito
Em meio a ditadura
Quando o poder era ao meio
meio-censura, meio-tortura

Meio mundo sumiu
E depois da Theodosina
A próxima imagem preta feminina
Que o voto definiu
Exigiu 40 anos sem tanta melanina
Definindo o que é legal pro Brasil

De 83 a 2010
Nenhuma mulher preta botou os pés
A voz na tribuna, como eleita
Surge então, Leci Brandão
Sambista, cabeça feita, de posição

Que não seja mais preciso
Décadas de um intervalo nocivo
À nossa representação, miscigenação
Ao antirracismo
Pense nisso na eleição

Dizem... dizem...
Sabe o que não pode dizer?
Que não foi avisado
É triste a gente tão conectado
Sem nem se entender
Conectado, mas não 'tamo' ligado

Eu nem sei o que eu posso ser o 1º pardo a fazer
Se um dia chegar a ser, eu não queria
Preferiria ser o de número 100, mil
ou até cem mil
Eu queria menos estreito o funil

Pra que, em 2021
Não vire notícia capaz de surpreender
A primeira pessoa X, Y, Z
A alcançar tal desafio

É da hora a notícia da chegada
Mas notícia boa, boa mesmo
Não é notícia atrasada

sexta-feira, novembro 20, 2020

Preço da Promoção

Tem no mercado com a letra "S"

Sabonete, suco, sal, sangue

Tem no mercado com a letra "R"

Repolho, ralador, racismo, refrigerante


Já é um item comum, nem precisa procurar na prateleira

Está pelos corredores, no produto que corre a esteira

A carne mais barata também é a mais sangrenta

Preparada no soco, ela esfria, não esquenta


João Alberto Silveira Freitas, 40 anos

É preciso deixar o nome registrado

Hoje é 20 de novembro

Pra alguns, aquele papo de consciência dos humanos

Deixa esse negócio de racismo de lado

Que ele será esquecido e apagado


Carrefour, que ideia de promoção

Um dia antes da Consciência Negra

Estão em tudo quanto é mídia

Tempo de televisão

Sem gastar um centavo

O preço por tamanha divulgação?

1 João. 

sexta-feira, agosto 07, 2020

Sua Entrega de Racismo Chegou!

Não é coincidência
Nem lapso de inconsciência
É isso mesmo, assim que a banda toca
E toca alto saiu da toca
Toca na rua, condomínios, avenidas
A banda toca as notas que ficavam escondidas

Dó, ré, ra-cismo
Dó, ré, pré-conceito
Dó, ré, mi-soginia
Dó, ré, mi, fa, fobia

Fobia seria medo, mas, é ódio
E esse ódio está na cara
E no resto da pele
Por mais que pra respirar se apele
Que a internet cancele
Isso não para

Assim como o relógio bacana que o Matheus comprou
E em poucas voltas do ponteiro do segundo
O mundo girou e ele foi encurralado
Pelo racismo, cercado, humilhado
Queria que esse relógio pudesse voltar ao passado
Uns minutos atrasado
Nada disso ter acontecido

Atraso é palavra que pesa no vocabulário
e salário do Mateus entregador
Como o racismo não vê cara, mas, vê cor
Outro Matheus, também entregador, viu um racista se impor
O racista também era Matheus, só que contador

Aos 2 Matheus, sua entrega de racismo chegou!
Contou vantagem, que o entregador teria inveja, 
De sua casa, de sua pele, de sua grana.
Não se engane, não se inveja o que se enoja

sexta-feira, junho 05, 2020

Debates Atuais


Ligo a TV, o rádio, leio portais
Debate-se se militares podem tomar o poder por caminhos legais
Entra uma vinheta da programação
E a próxima pauta é racismo
Deputados eleitos chamam atos contrários de terrorismo
Uma publicidade corta a tela ao meio
Vamos falar agora da pandemia e dos números de mortes?
O presidente diz que lamenta, mas o destino está na sorte

Acaba um jornal, começa outro informativo
Esperança, a ciência estuda a eficácia de uma nova vacina
O presidente especialista em porra nenhuma, receita a cloroquina
Boletim Esportivo
Clubes debatem se voltam aos treinos e ensaiam retorno aos gramados
É gol contra atrás de gol contra, estamos cada vez mais rebaixados

Fake News

Notícia falsa e difamatória é liberdade de expressão?
Isso parece óbvio como o Gabinete dos robôs e do ódio
Mas, sim, em 2020, é um tema em discussão

Aliás, discute-se de que lado o nazismo era
Se a Terra é plana ou uma esfera
Discute-se levar em conta quem domina a medicina

Estamos no 3º ministro da Saúde, agora um general
E tem gente que pondera...

Laranjal, Queiroz, notas altas de gasolina
Avião com 39 quilos. Quem leva 39 quilos de cocaína?
Ou são 40 ou são 50, discute aí e me dá uma tubaína.

Semana Tudo Menos Negra

Que semaninha filha da puta
Alguns diriam que são negros tempos
Nesta semana, os negros estiveram no topo
Mas, como sempre, de sofrimento

Começamos a semana, com a repercussão mundial
Daquele policial, que matou George Floyd,
por pura questão racial
Ele foi sufocado, cara no chão, rosto esmagado
Joelho pressionado, apagado
Uma pele escura em pleno claro dia
E assim que amanheceu, volta à pauta a pandemia

Às famílias de sentimento enlutado
O presidente diz: lamento é o destino
Lamentamos a sua existência, cretino
Muitas dessas mortes, você é o culpado

As pessoas foram às ruas pelo americano assassinado
Aqui, João Pedro há alguns dias, dentro de casa, foi baleado
Não houve nada nem parecido
Até porque aqui quem se opõe ao fascismo implantado
Vira alvo de Douglas Garcia, um deputado
Que listou quem deve ser perseguido

Sim, ele foi às redes sociais e pediu indicações de antifascistas declarados
Pediu aos seguidores, endereço, nome e fotos para serem fichados
Assim claramente?
Sim, claramente, desse jeito.
Deu o e-mail e pediu que listassem aqueles que discordassem
Aqueles que se posicionassem contra o livre preconceito.

Esta semana, ainda teve Sergio Camargo,
Escancarou seu lado capitão do mato
Vagabundos, escória maldita
Se você falar para qualquer cidadão do mundo
Que esse arrombado é o presidente da Fundação Zumbi
Aposto que ninguém acredita
Mas, não me espanta ele estar colocado ali
É a pessoa certa pra missão ser cumprida

Nas redes, hashtags e fotos de tela preta
Que falta fez uma tela
Mais uma criança preta, menos uma criança preta
O filho da empregada, Mirtes Renata

Ela saiu para passear com os cachorros da patroa
Sari Corte Real, esposa do prefeito de Tamandaré,
Nada vai sarar, a dor muito além do real,
que só ela sabe qual é
5 anos, nono andar, uma janela que deu pé
E ele de lá se pendurou
Quem devia não viu, a preocupação dispensada ao seu cão não retribuiu
Mais um luto
Mais um luto negro, que essa mãe desabafou

Se fosse ela a culpada pela criança que caiu,
Sua foto estaria estampada em todos os canais, jornais,
Na putaquepariu,
Mas, como foi com o filho dela,
A polícia não confirma a identidade da empregadora
E a fiança foi 20 mil
Agora fala: a Mirtes mentiu?

E ainda vai começar a sexta, ainda nem sextou
Nem sabadou
E deu tempo de jovens brancos racistas
Zombarem da morte
Fotos se espalharem com a nova brincadeira virtual
Reproduzir a cena do policial Derek Chauvin
Fizeram isso mesmo? Sim. Desse jeitinho que eu tô falando, assim.

Desafio George Floyd, mas com nome em inglês
Pra inglês ver os posts oportunistas
Que como se diz na rede, posta querendo biscoito
Mas, no fundo, ou melhor, no raso mesmo
Não passa de um bosta que apertou 17
ou lavou as mãos na bacia de sangue
Eu sei o que fez em 2018.

Eu sei quem é de fato antirrascista
Eu sei quem é de fato antifascista
Eu também tenho a minha lista

terça-feira, junho 02, 2020

De Joelhos





Geralmente cabeças ficam acima do joelho
Nesse caso, ficou bem embaixo
Ao ponto de nenhum apelo
Parar o esculacho

“Eu não posso respirar”
Vendo a cena, não sei quem pode
Não pôde o George Floyd
E o João Pedro, onde está?

Aqui, foi João Pedro, Ágata e outras várias
80 tiros num carro
Justificativas primárias
Aos corpos, um escarro
Um escárnio

Derek Chauvin matou ajoelhado
Não adiantou súplica
De joelho, Deus, também é pecado?
Ao lado da viatura, uma morte acústica

Só a voz sem amplificar
Depois virou mídia e correu mundo
Sem mãos ao alto
Não era um assalto
Era um asfalto,
Uma cabeça e um joelho
O joelho de um branco
A cabeça de um preto

Tudo isso a cores
Em mortes de guerra, usamos vermelho
Que cor se usa pra asfixia por joelho?
Uma farda? Por lá, o traje é preto.
Luto?

Não sei se os Estados
Estão realmente Unidos
Mas, as ruas denunciam, se revoltam
No Brasil, é frescura racismo
Fascistas aqui, policiais escoltam
Nas redes, mimimi ou coitadismo
Não me omito: #VidasNegrasImportam

O racista no jornal virou supremacista branco
Vamos chamar só de racista que todo mundo entende?
Infelizmente
Melhor seria se ninguém tivesse ideia do que estou falando

Mas, tem.
Ninguém pode pisar-te ao ponto
De abaixar seu olhar
Pra que um joelho ou uma sola
Fique acima do seu pensar

Sim, o asfalto esfola
A nota preta dá desconto
A pele preta, o encontro
Do preconceito e uma pistola

No dicionário, alvo é branco
Pra polícia, é preto
Não só em Mineápolis, Minesota

E notícia de última hora

Teve choque pra abordagem
Não é só pré, é conceito
Os racistas estão de passagem
Passando... e passando
É preciso parar
Ruas, avenidas, é preciso falar
Racistas estão se armando,
Amando ver isso multiplicar
Se nesse estado de ódio ficam unidos
Já sabemos o que, pra quem e que cor vai dar

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Di(mimimi)nuir

Como eu odeio o termo mimimi
porque, geralmente
Minimiza
Um preconceito

Como eu odeio quando alguém diz mimimi
Porque geralmente
Vem de um me-me-merda
Que quer ter seu "direito" de diminuir
Quem é diferente

É quem diz que é mimimi
Repara, geralmente
É alguém aceito

Mimimi
O feminismo, o anti-racismo,
O anti-fascismo, o anti-nazismo

Olha bem contra quem o mimimi se aponta
E se levar em conta
Outras razões encontra
O mimimi vem de quem 'tá' na outra ponta

Pode me chamar de mimizento,
Dizer que é vitimismo
Mas esses seus "ismos"
No fundo (e você sabe) gera um ato violento

Como eu odeio ouvir que é mimimi
Quem o define é o atingido
Mimimi pra você é reagir
Ao ataque proferido

Vou te explicar o que é mimimi
Limpa bem o ouvido
Mimimi é o caralho
E tá entendido?

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

Novo Passo pra Trás

Dois mil e dezenove,
O ano então começou
Dia 1 do 1 chegou
A esperança que se renove
Nesse discurso que cansou

Parem, por favor, de fingir
Só a virada de calendário
A contagem de 3, 2, 1, no horário
Não diz que o mundo vai evoluir
Muito, muuuito pelo contrário

Nós buscamos no passado, o futuro
Pelo aprendizado, pela história?
Antes fosse, mas, pela opressão da escória
Que se impôs, deixando claro que o escuro
Tomou seu lugar no pódio da glória

E nem precisou ser goleador
Ou ouvir: “esses negros cantam demais”
Ele só mostrou que seu muro desfaz
Como um sopro na casa de Heitor
E nem somos lobos correndo atrás

Foi madeira pra tudo que é lado
Madeira, matéria-prima de construção
Os tocos que alicerçam no chão
Mesmo num morro dependurado
Foi nosso passo pra impulsão

E o passo que já foi dado
Não recua NEM FO-DEN-DO!
Pode ser até o Coiso dizendo
O futuro é inesperado?
Não acho, mas, o meu passo
Pelo menos, desse não me arrependo

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

O Meme do Morgan


Chegou aquele dia
Que a galera pega o meme do Morgan e posta
Que é a favor da Consciência Humana
Consciência Negra é racismo reverso
Ô meu Deus, só uma coisa te peço
Dai-me sabedoria pra aguentar essa bosta
Na porra da bandeira, além de ordem, está escrito progresso

Até pokémon evolui e você nesse argumento
Ultrapassado é pouco, chegado
O racismo é enraizado
E não sai pelo esquecimento

Aliás, eu tenho uma sugestão
Se você acha que parando de falar de negritude
Vai acabar o racismo e mudar atitude
Comece por você, guarde seu meme lá
Imprime, enrola bem enroladinho

E se você já é bem resolvido
com a sua Consciência dos Seres Humanos
Saiba que criticar o 20 de novembro
Não passa de passar um pano
Ao preconceito violento
E a cor da paz ainda é o branco?


(texto feito em 20.11.2018) demorei pra publicar, mas, vale deixar aqui para leitura e views

quinta-feira, novembro 08, 2018

E se desse Haddad

Gente, imagine se tivesse dado Haddad
Da nossa parte, seria felicidade
Se bem que... não sei se seria assim
Imagine quanta coisa ruim
Eles teriam capacidade
Adversidade seria o estopim

Bom, se a eleição eles tivessem perdido
Seria a urna, a fraude, o motivo
E se já mataram na comemoração
Imaginem na frustração,
na aceitação de ser vencido
Não estaríamos em vibração

Proteção seria a palavra de ordem
Pra que em nossos livros não recortem
Os tempos hoje exaltados, pretérito sombrio
No país tropical, por Deus abençoado, está frio
Esperando que as tropas aportem
Mesmo vitoriosos, a sensação seria um vazio

Pois se viu que muito civil se revelou
À paisana que nunca de fato aceitou
Queria ostentar a farda racista
Não fazia pra não dar na vista
Que o politicamente correto cercou
Agora o retrocesso virou conquista

Essa gente de bem brincalhona que só ela
Quer definir o limite do que flagela
Isso é mimimi, não é pra levar na maldade
Estarão com dedo em riste pra impor a verdade
Ai de quem não se curvar nessa era
Ou sequer questionar autoridade

Eles desfilarão orgulhosos batendo no peito
Fala sério! Isso não é preconceito
Ou não temos direito à liberdade
Livres, pra declará-las à vontade
Mesmo que seja ódio
Imagine se desse Haddad

segunda-feira, outubro 31, 2016

Mimimi é o C...


Hoje, tem muita gente que acha tudo mimimi
Falar de orgulho negro, orgulho gay é mimimi
Falar de bullying, classe rica e pobre é mimimi
Compensação histórica então: também mimimi

Mimimi é o caralho, mimimi é meu ovo,
Quando falam: “não sou tuas nega”,
Ok, sempre foi dito assim, não tem nada novo
Quando falam, “não sou tuas brancas”
É mimimi, para com isso, chega?!
Expressões dessas são tantas
Resumindo: é um mimimi besta

Esses dias, uma menina negra exibiu um cartaz
Não me vejo, não compro; na frente da loja
Mochilas da Barbie, princesas loirinhas, atrás
Cai na rede, o povo sem dó, vai lá e alopra

Links e fotos pra mochilinhas de macaco
É sério! Não é brincadeira inocente
Já aguentei zueira, não aguenta quem é fraco
Disse aquele honrado valente
Só não ligar, só afeta quem se ofende

Tem que punir igual: crime é crime
Punição sim, nem essa se aplica
Classe, cor, ou orientação define
É mimimi, o valente critica

Vamos fazer o orgulho heterossexual
Os gays fazem essas paradas aí
Querem obrigar todo mundo a ser igual
É babaquice, um puta mimimi

Seu merda, não te matam por gostar do sexo oposto
Seu bosta, não te matam há séculos pela cor do seu rosto
Seu imbecil, não te tratam diferente na escola por ser bolsista
Seus escroto, não é mimimi, é cultura homofóbica e racista

Isso vale pro pobre, pro gay, pro preto
E vale também e muito contra a mulher
Propagam que não há preconceito
Elas recebem 30% menos, isso você quer?

Quer ser parado e já ser visto como suspeito
Sem nem antes ter apresentado o documento
Quer sem qualquer motivo carregar no peito
Um peso histórico de rebaixamento

Não sou tuas nega, a coisa ta preta
Viado, bicha, obra do capeta
Gordo, bola, apelidos sentidos
Mais que o próprio peso, oprimidos
Pela imagem, fé, sexo, pobreza
Pela dor, pelo choro escondido

A tal meritocracia, tratamento igual
Mas, com percursos variados
Branco, com grana, heterossexual
Com escola, comida, trabalho formal
E quem não conseguiu? São uns relaxados!
Eita que aquele valente é um cara esforçado!

É mimimi de vagabundo quem não consegue emprego
Quem não chega onde eu chego, disse o valente
É mimimi desses viado, sempre chamamos de bicha
Não é pra ficar revoltado com a gente

Vixi, na escola já fui muito zuado e superei to aqui
Mas você nunca esteve do outro lado
De falarem do que você é, no tom de ser xingado
Você pode dizer: já fui, mas nem senti
Que bom que pra você foi superado
Muitas lágrimas podem ter rolado
Muita revolta e ódio já foi gerado
Alguns, segurados, outros derramados
Pra você, é só mimimi