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segunda-feira, agosto 30, 2021

Feijão, Fuzil e Violão

Com os punhos se ergue uma guerra
Se faz um gesto, se empunha um fuzil
Ou violão 

Quando esse mesmo punho se cerra
Em postura e protesto não mais servil
Revolução 

Esse mesmo punho se solta e circula
Vai mexendo, remexendo, temperando
O caldeirão 

Esse mesmo punho é quem mistura
Sentimento, escrevendo, musicando
O feijão 

A rigidez ou leveza
Está em como se senta à mesa
Se a faca é para refeição
Ou para agressão 

O punho posicionado
Dedilhar ou engatilhado
Diz se é capaz de fazer melodia 
Ou só entoar agonia 

Então, peço a sua gentileza
Feijão e violão de sobremesa
Fuzil não tem afinação
Só produz choro sem canção 

Já tem ferro no feijão preparado
Pro nosso povo esfomeado
Desse alimento já se fez tanta poesia
Agora, posar de arma um violão, 
É desarmá-lo, desarmonia

quarta-feira, maio 25, 2016

O rato comeu meu ovo

O rato comeu meu ovo
Gritaram no meio do povo
O cara de olho roxo
Falava e falava, de novo

Ele assim que acordou
Foi na panela e encontrou
O rato que o trairou
Chegou primeiro e devorou

Ao redor dele, gente brasileira
Que vive à margem, à beira
Do esgoto e chuva traiçoeira
E ele lá, carregava uma bandeira

Esperando ter moradia
O que todo mundo queria
Mas, esperando chegar o dia
A fome lhe invadia

Inconsciente, quase perdido
Por um ônibus, foi atingido
Isso foi ontem, problema vencido
Só queria meu ovo que o rato comeu

Podia ser, tanto faz, se frito ou cozido