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sexta-feira, junho 23, 2023

Culpas

Vamos metralhar a petralhada
"Ah, bobagem, figura de linguagem"

80 tiros num carro de família
"Ah, isso é culpa do presidente?"
Ele levou 5 dias pra dizer que foi incidente
E que o Exército era inocente

Veio a pandemia que ele chamou de gripezinha
Pra quem dizia que a família defendia
São quase 700 mil de luto
"Mas, morreu gente em todo mundo"

Sim, só que aqui se recusou vacina
Sabe quantos morreram na China?
Não deu 6 mil; aqui, 100 vezes mais
Mas, a culpa não é dele, não
Coitado, tão capaz

Da gripezinha pra outra 'inha', rachadinha
Mas, na real é tudo 'ão', tudo 'ona'
Um cheque de 89 mil é um checão
E 39 quilos num avião, é besteirinha
Daquela brancona
Sabe aquela farinha que curtia o Maradona?

Você já perdeu alguém?
Seu luto foi mimimi?
Alguém te perguntou: vai ficar chorando até quando?
Tudo bobagem, a gente que fica forçando

Agora, fala aí: já conheceu alguma tribo indígena?
Deve ser uma experiência bacana
Mas, olha, se te oferecerem pra comer carne humana
Talvez não seja de bom grado aceitar
Mesmo que servido com banana
Só acho que com princípios cristãos, não parece combinar

Ah, e quem diria, como chamar de pedofilia
Pintar um clima com uma menina de 14 anos
"Ele tinha outros planos
Averiguar o que acontecia"

Mas, aí o que ele fez?
Acionou a ministra dos Direitos Humanos?
Não, não fez nada, só falou num podcast
Ah, então ele entrou, viu meninas menores venezuelanas
Segundo ele, se prostituindo e não fez nada?
O que faltou pra fazer? Pintar um clima?

Ali no Complexo, só traficante
"Ah, ele só se expressa mal,
Fala sem pensar o que vem na cabeça"
É exatamente isso

Eu não quero pra me representar
Alguém que venha esse tipo de coisa na cabeça
Porque em quem vem esse tipo de coisa na cabeça
Não tem moral, só encontra gente igual
Que o escolhe pra vociferar seu preconceito
Racial, social, sexual, de tudo quanto é jeito
Eu não aceito esse tipo de sujeito
Eu não aceito estar sujeito ao seu normal
Ele não é nem singular, é um zero
Nem esquerdo, nem direito, só um zero
Enquanto nossa força é plural.



Poesias escritas em novembro ou dezembro de 2022

quinta-feira, junho 22, 2023

Vencemos

Sim, pode sorrir
Livres, libertamo-nos, liberdade
Lutamos pra atingir
Quem nos fez alvo pra ferir
Nossa sanidade

Sofremos pra resistir
À imensurável crueldade
Vendo gente nossa partir
Com eles a consentir
Sem qualquer piedade

Escolhemos o "L" da luta
Contra o "B" da barbárie
Vencemos a desigual disputa
Amigo, comemora, desfruta,
Antes que o outro lado dispare

Esse é o padrão de conduta
Do mau perdedor, repare
Armam-se em covardia absoluta
Só que nossa gente junta
Leva vantagem

Levamos vantagem sim, vencemos
Ganhamos, derrotamos a máquina
Do golpe pra cá, nada tivemos
Até sorrir, desaprendemos
Quase esquecemos
Desesperança trágica

Recuperar o que perdemos
De fé e amor, somos uma fábrica
Ao nosso lugar, voltaremos
Ao seu dispor, não estaremos
E é pra ontem, pra por em prática

Onde nos querem, nós não queremos
Não nos curvaremos ao que oferece
Nenhum passo atrás, não retrocedemos
Comemore, sobrevivemos
Cada um de nós, merece

Foram bilhões, mansões, bolsolões
Ônibus interceptados
Foram assédios pelos patrões
Pro passe livre, precisamos de ações
Pro cidadão ter votado

E derrotado, o lado errado faz manifestações
Contra a democracia, contra a realidade
Em mente vazia, vozes de alucinações
É tanta vergonha, em tantas versões
Que a risada nem é por maldade

Teve o que se pendurou no caminhão
Teve choro no quartel e hino a um pneu
Teve um lado vitorioso na eleição
Ver quem se enxerga no capitão
E é tanta gente que, nem importa
Mesmo ganhando, enquanto gente, a gente perdeu



Poesias escritas em novembro ou dezembro de 2022

quinta-feira, outubro 27, 2022

Carta-Símbolo

Bom dia, tudo bem? Espero que sim. Bom, eu estou te escrevendo isso, pois, gostaria muito de sua atenção em alguns poucos minutos desta leitura. Como você está lendo, foi trazido até aqui por algum amigo, algum link, alguma pessoa da qual você tem um mínimo de consideração para que ela enviasse e você se desse ao trabalho de abrir. Obrigado desde já!

Queria muito só conversar contigo sobre esse momento de muita atenção e tensão que se aproxima. “Ah, mas, eu não ligo pra política”. Bom, eu tenho uma notícia triste pra te dar. Você ligando ou não, ela acontece e conforme acontece altera a sua vida e a minha. “Mas, pra mim, eu tenho que trabalhar pra ‘baralho’ do mesmo jeito, ganhe quem ganhar”. Sim, disso não estamos livres, afinal, estamos no mesmo grupo. Você pode ganhar 10, 50 vezes mais que eu ou metade, 1/3 do que ganho e, ainda assim, estamos no mesmo grupo. O dos pobres e trabalhadores. “Mas, eu tenho uma vida estável, casa própria, propriedades, carros, imóveis...” Enquanto você tiver que trabalhar para manter ou tudo isso não veio de herança, você está no mesmo grupo que eu e que muitos que ganham até menos. Mas, não é nisso que quero despender seu tempo.

Hoje, não vim aqui pedir voto, vim propor um papo, do qual estou inteiramente aberto a ouvir suas ponderações. Hoje, quero trazer pra conversa seu olhar mais crítico possível sobre nossa história. Não só do Brasil, mas, do mundo. Certa vez, aprendi no filme “V de Vingança” que um prédio, uma obra, uma construção, um monumento só têm importância pela sociedade que o cerca e o que ele representa pra ela. Por exemplo: imagine um atentado no Brasil. Se uma bomba ou um avião, como ocorreu nos Estados Unidos no 11 de setembro de 2001, atinge um monumento de uma praça qualquer em uma cidade qualquer. Para a população local, causa um impacto. Agora, imagine estes mesmos aviões atingindo o Cristo Redentor. Ambos são monumentos, ambos têm sua representatividade, no entanto, o ataque ao símbolo (talvez o mais) conhecido do Brasil tem outros olhares, e repito, quer você ligue pra isso ou não. Uma explosão ao Cristo Redentor simboliza um ataque à fé cristã, um ataque com o intuito de ferir a imagem do Brasil perante o mundo ou demonstrar nossa fragilidade em segurança, ou seja, há uma série de simbologias que cercam. Fosse uma obra qualquer em um canto qualquer, poderíamos até lamentar, mas, ok, bora pro próximo assunto, vida que segue.

Mas, o que isso tem a ver com a política e as eleições? TUDO, meu amigo, absolutamente tudo. Estamos vivendo um período em que as pessoas estão achando que um fato, uma fala, um ato ou negligência é só um fato, uma fala, um ato ou uma negligência. Tudo o que a gente faz simboliza algo. Aí, na sua família, sabe aquele cuidado em algum encontro de não fazer ou falar algo porque isso pode machucar a outra pessoa? Sabe quando você pensa 1000 vezes no que vai dar de presente para um irmão e pra outro para que não haja uma interpretação de preferência ou algo do tipo? Isso é política, meu amigo, quer você goste, queira ou não. Mas, meu foco não é um presente, nem a sua reunião familiar, mas, entendermos que qualquer ação vai além dela, tem continuidade, interpretações e desdobramentos.

Além dos exemplos explosivos ou familiares, poderia citar também simbologias e sinais de afetividade. Quando você vê um traje de um personagem do programa que adorava quando criança, você pode ter se tornado a pessoa mais fria e dura que há e respeito qualquer que seja o histórico de vida que te trouxe até isso, e, mesmo assim, essa memória, eu sei que dá aquele quentinho no coração de reativar lembranças afetuosas e agradáveis. Mas, no fundo, no fundo mesmo, é só uma roupa. Só que, pra você, não. Entende?

Isso vale tanto lá quanto cá. Se dá aquele conforto, pode dar angústia também. Se você tiver em algum cantinho da sua memória algum período de dificuldade financeira, de saúde, de uma saudade, qualquer situação que te destrave essa lembrança, você sentirá o amargor na boca. Você já pode ter perdido um familiar e lembrar quando passa em uma rua, quando sente um cheiro, pode ser até do hospital, enfim, esses gatilhos quando disparam dificilmente conseguimos conter a munição.

Hoje, vivemos uma série de símbolos todos os dias, de falas que vão muito além de um texto ou de uma voz que pronuncia. Eu, por exemplo, não vivi a ditadura, porém, sou jornalista e estudei o que foi feito. Quando ouço alguém falar em prol disso, o sangue ferve, o refluxo sobe e a boca é consumida por um péssimo sabor. Quando todos os símbolos de um movimento são copiados representa que você se identifica com ele. Vamos a mais um exemplo: (hoje eu tô cheio de exemplos, né?) quem gosta de rock, como identificamos? Claro, há uma série de estereótipos, porém, quando se vai a um show desse gênero musical, você entende aquela tribo, aquele grupo, pela cor preta das roupas, pelos gestos com as mãos, pelos cabelos ou pela falta deles. Sim, isso é um estereótipo, porém, dificilmente, veremos junto ao grupo de roqueiros, estilos muito destacados. O estilo faz parte do contexto, do pertencimento.

Como eu disse que a adequação aos símbolos de um estilo aproxima quem se identifica e nos insere em um grupo, isso também vale para o bem ou para o mal. Na história, temos simbologias ditatoriais, fascistas, nazistas, e todas elas têm seus códigos que aproxima os interessados a pertencerem ao cenário e contexto. Hoje, no Brasil, ainda vemos denúncias e prisões de grupos que se utilizam da suástica, símbolo do nazismo. Outros símbolos e estéticas do movimento foram reprisadas recentemente, como um cenário, o copo de leite e até a trilha sonora. “Ah, mas é só um copo de leite”. (volte ao início e leia até entender, obrigado)

Passeios de moto ou motociata, como chamam agora, fizeram parte de movimentos fascistas com Mussolini, na Itália. E seguem rememoradas, revisitadas e na versão brazuca. Ou seja...

À parte disso, se eu só propusesse que você pensasse no nazismo, no fascismo e na ditadura, eu te perguntaria: as pessoas que exaltam esses movimentos, se engajam a eles, votaria em quem? É do lado dessas pessoas que você quer estar?

Tem uma frase do Ernest Hemingway que diz: “- Mas, quem vai estar ao meu lado na trincheira? - E isso importa? – Mais que a própria guerra”.

É sobre pertencimento. Quem são os seus?

Olha só o que aconteceu com a camisa do Brasil, da Seleção Brasileira, em pleno ano de Copa do Mundo. Seria porque só esse grupelho defende e representa o Brasil? Não, houve um sequestro com essa finalidade. A de mostrar que o verde e o amarelo pertencem a eles. Não, não pertencem. As cores e nossa bandeira foram símbolos roubados, usurpados. "Ah, mas é só uma camisa amarela, qualquer um pode usar". Não mesmo. Quem opta por usar já é identificado como sendo de um bando. Entende o quanto um simples pano de uma simples camiseta não é só um tecido com uma mera estampa? Assim como o Monte Fuji, no Japão, a Torre Eiffel, em Paris, você pode simplesmente ignorar a existência e isso não ter valor pra você. PRA VOCÊ. O que não tira o valor real destes pontos turísticos que levam interessados do mundo inteiro a conhecerem e, simplesmente, chegar perto, tirar uma foto no local simboliza para cada ser a história que o levou até lá. Você pode desprezar o que cada símbolo representa e, mesmo assim, ele ainda representa.

Quando você se junta a um grupo pela fé, há uma série de representações, seja pelas roupas, pelas palavras ou expressões do vocabulário que te incluem ali. E você pode, mesmo sendo de um determinado perfil, conviver, respeitar e até amar ao próximo, mesmo que o vocabulário, trajes e expressões sejam diferentes do seu. Sim, isso é possível e até permitido. Pode parecer ridículo o que escrevo, mas, não, no Brasil de hoje, não é, se faz necessário reforçar, escrever, deixar claro. Seguindo este conceito de amar ao próximo, quem você tem visto fazer exatamente o contrário? “Ah, mas tem dos 2 lados”. Sim, pode haver, mas, você sabe que não é na mesma proporção, você sabe. Outra coisa que você sabe é que Deus, Jesus, ou o nome que der para seu ser superior que acredita, é que ele era a imagem da bondade, da essência da expressão compartilhar (muito antes do uso atual). Hoje, se ataca quem combate a fome, quem defende o amor, quem aponta e critica o ódio. Que Deus é esse que você cultua? Será que se ele voltasse, vocês andariam juntos? Você o seguiria? Ou daria hate?

Hoje, não estamos defendendo ‘o nosso’. Estamos tentando defender “os nossos”. Mas, está bem difícil de mostrar aos nossos que estamos no mesmo bote salva-vidas, não é nem um barco, não. Parece que quem pensamos ser os nossos, no fundo, almejam nos derrubar do bote, isso sim. Só esquecem que, se houver um remo e precisar remar, é melhor não estar sozinho se quiser ir mais longe. E mais, é melhor a remada ser coordenada para não andarem em círculos sem sair do lugar.

Ah, e cuidado, se aparecer um transatlântico, ele nem vai te ver ou ouvir. Só vai passar por cima. Vocês não estão no mesmo barco.


segunda-feira, outubro 10, 2022

Nem Só Uma Segunda, Nem Só Uma Letra

É uma segunda-feira
Como qualquer outra
Uma manhã costumeira
Em que toca o despertador
E a gente se apronta
Pra luta diária, semanal, mensal...
Pra cair aquele valor
Que a gente ajeita a conta
Pra zerar no final

Só que hoje, essa segunda
Não é primeira, nem terceira,
Nem a última de luta
É uma segunda corriqueira?
Também não, de forma alguma

É uma segunda diferente
Pra alguns, pode estar alegre
Em outras expressões se percebe
A tristeza mais presente

Pode ser decepção, ter sido ilusão
Pode não ser nada disso
Pode estar indiferente
Mas, aquele com sorriso
Pode estampar estar contente

Minha estampa hoje é com letra
Feita à mão, na caneta, na sulfite
E acredite, ou não, a letra que faço
Em palavras não se omite

Sim, é o caso, faço questão
A letra que minha mão esquerda redige
Começa com L: luta como se exige
Liberdade, sim, mas antes,
Libertação!


(escrito dia 03.10.2022 - 1 dia depois do 1º turno)

sexta-feira, setembro 15, 2017

PPP: Perguntas Político-poéticas

O que você quer de verdade?
Acabar com a corrupção?
Vamos prender o ladrão?
O quê? Tem uma infinidade?

Até onde vai sua vontade?
Até todos estarem presos?
Ou quer alguns ilesos?
Quem não merece liberdade?

O ex-presidente?
O atual?
O concorrente?
É tudo igual?

O que temos na mão pra prisão?
Gravações de delação?
Qual delas é real?
Quem está com a razão?
Quem mente na cara-de-pau?

Qual dos companheiros mente?
Vai acreditar em qual petista?
Não era tudo vigarista?
Você fica com qual versão dos 'Batista'?
Na gravação entregue ao jornalista?
Ou na recuperada, já que deixou pista?

Quem merece crédito quando delata?
Por que o delator lá está?
Por questões morais?
Pra que o mal combata?
Quem ousa acreditar?

A palavra desses merece crédito?
Pela idoneidade, algum mérito?
Vamos falar de um recente pretérito?
Posso repetir o questionamento?

O que você quer de verdade?
O que fez pra essa meta?
Manifestou-se pela cidade?
Optou pela passividade?

Ou vai esperar ano que vem?
Ano que vem tem eleição, né?
Vai votar em quem?

Por favor, pode não me dizer?
Mas você votou na anterior?
Em quem ganhou o poder?
Ou em quem tomou ao se impor?

Absteve-se na hora H?
Por que não quis se posicionar?
Nenhum merecia te representar?

Agora merece?
Não? O que fez pra mudar?
O que mudou pra agora?
Não vai mais lá fora manifestar?

Todo político é bandido?
Bandido bom é bandido morto?
Numa sociedade cristã?
Quer matar, mas, punir o aborto?

Quer desabafar no divã?
Pode me explicar esse afã?
Quer uma sociedade justa?

De fato?
Me ajuda a entender seu relato?
Quer vingança por assassinato?
Quer o filho cristão, sensato?
Mas só espalha ódio... e esse hiato?

Esse ato é condizente?
Ao princípio moral de sua fé?
A propósito, qual é?

Pode, de novo, por favor, não me contar?
Posso te pedir pra repensar?
Religião é pra unir e amar?
O que tem feito pra melhorar?
Tem se posicionado pra opinar?

Posso aqui propor?
Antes de se declarar, pode avaliar?
Há base pra falar?

Esta semana você viu o furor?
Aquele da exposição sobre sexualidade?
A quantas exposições tem ido?
Terias deveras propriedade?

E o assunto da escola sem partido?
Acredita em imparcialidade?
Sendo bovinamente conduzido pela Globo e sua grade?

Sério mesmo que sobre tudo opina?
Votou em qual dos que recebeu propina?
No PT onde corrupção é sina?
Ou no do helicóptero cheio de ... declina

Você sabia que essa poltrona reclina?
Vai respondendo... me ensina?
Quer condição que conjumina?
Será que refletindo a gente atina?
Sabia que silêncio também combina?
Ódio em plena valorização divina?
Por favor, responde aí e assina!

sexta-feira, maio 19, 2017

Seu Arnaldo

Era uma vez, seu Arnaldo
Amava política e futebol
Discursava de Lula a Ronaldo
Assuntos variados no rol

Esse Arnaldo chamava atenção da galera
Era o tal Arnaldo falar e todo mundo ouvia
O pessoal acreditava, também pudera
E todo mundo comentava, repercutia

Ê seu Arnaldo, que gosta também de canções
Nesse tema, até bato palma pro Arnaldo
Nisso, ele manja bem quando faz seleções
Linhas boas, tipo aquela com o Rivaldo

Seu Arnaldo viu o tri, o tetra, o penta
E como eu disse: leva o povo na prosa
Sabe aquele papo na porta da venda
Que vai bem com a cachaça de roça?

Seu Arnaldo de terno tem toda pompa e estica
Vira outra pessoa, mas não perde o talento
O que ele fala, ‘é pouco’ os que duvida
Sabe dom de convencimento?

Você deve conhecer o Seu Arnaldo
Ele está sempre aí falando e falando e falando
Do que ele fala, eu não tiro um caldo
Eu só fico atento observando

O que o seu Arnaldo fala, o povo repete tipo escola
Tipo sala de aula, o que ele fala o povo cola
Mal aí a rima falha, o que ele fala em mim não cola
Esse seu Arnaldo... apita o jogo e mata a bola!

quarta-feira, maio 17, 2017

Panelistas


E as panelas continuam ecoando seu som de vazio...
Cheias, vão às mesas, enchem pratos e calam bocas
Nas varandas se batem, ouve-se o som do aço frio
Razões pra batê-las, pode crer, não são poucas

É tipo um alarme padrão, dado pelo pato de cor amarela
Vermelho na tela, janela; se a cor do discurso que antecede a novela for outra...
Mesmo que lhe tire a quirela
A batida vira palma ou silêncio e se afrouxa

E tudo se resume numa pessoa e sua imagem
Ao mesmo tempo, burro e mentor da sacanagem
Prendam-no e aos seus e tudo volta à calmaria

Águas límpidas e claras enfim navegaremos
Como sempre, até então, vivemos
E tudo voltará a ser bom, como já foi um dia

Panelas, ah... as panelas, saudade do tempo que eram apenas um utensílio doméstico
Se bem que... ainda são. Não saem mais de casa, nem batem que vão pra rua
Quando iam, modelito em dia com seu valor ético e na moda do padrão estético
Mas, não mais as ouço enquanto nos tiram as cobertas e nos deixam a pele nua

O país gira em torno de um só processo
Delatores libertos, levando tudo que o culpava
Ao final, a decisão nos trará o progresso
Uma única pessoa ameaçava

Era a ameaça que carecia nossa mais viril linha dura
Mas, diante de todo o desejo, cadê quem tem a dita dura
Pra batê-la na mesa e seguir adiante?

Faça o que se espera de sua moldura, de tudo que se espera de sua postura
Com candura, com bravura, de quem se espelha em sua figura
Te homenageia num quadro na estante

Eu queria ter deixado esse poema menor
Mas, precisei me estender um pouco mais
Afinal, diz aí, né, o país agora tá bem melhor?!

Reconquistamos nossos valores nacionais
Readotamos como comportamento a meritocracia
Equidade é uma porra, corre aí e faz o seu
Se você não teve o que merecia

É que não fez o corre, se fodeu
E esses protestos são tudo coisa de vagabundo sindicalista
Que não quer perder mamata e só fica gritando golpista
Mudando é melhor, vou economizar na diarista

Esses que no fundo no fundo, entra no grupo caviar esquerdista
Quando aguçar sua vista, direitista, esquerdista, centrista,
Não terá mais patrão, bem vindo (de novo) à era escravagista
Sugiro um nome à profissão
O que acha de PANELISTA?

quinta-feira, setembro 22, 2016

Amigos de oposição

Ah, seu Luiz Inácio
Apesar de todo seu sucesso
Acreditar que você tá limpo é difícil
Que em alguma dessas você não é sócio
Ok, vamos protelando e protocolando recurso

Achar um limpinho não é fácil
Disseram que o mais sujo é o Aécio
Mas, vamos empenhar igual sacrifício
Pra não parecer que é só um negócio
Que só serve pra fazer parcial anúncio

Tenho tanto amigo político, apolítico
Crítico, místico, rítmico, cínico, clínico, até mímico
O que não tenho é amigo por causa de partido
Até porque não sou de nenhum

Então, não vai ser por esse motivo,
nem por sentido algum
Que a gente vai ficar tretando
Se um gosta de azul e amarelo
E outro do vermelho e branco
Não é por esse caminho nosso elo

Meus 'parça', como se diz hoje em dia
Vêm da época da escola
Que o assunto era prova
Pr'algumas matérias, cola
O time que torcia
Quando ganhava, alopra
Quando perdia, sofria

Uns gostavam de desenho
Outros dos cálculos complicados
Pras contas, eu precisava mais empenho
Pra arte, eu aprendia cavaco

Mas, era isso que unia a gente
Uns 'campeonatinho' no video game
Um churrasco no rateio
Uns pagode no sol quente
Uns 'teco' de lanche no recreio
Que a gente rachava
Mas não se rachava ao meio
O que hoje se faz por aí
Pensou diferente? Tem que destruir!

Gente, podemos sim divergir
No pen-sa-men-to! No argumento!
Tanta coisa que a gente combina
Futebol, música, a formosura das menina
Vale a pena um rancor que contamina
E guardar ressentimento?

quinta-feira, setembro 15, 2016

PROVA E CONVICÇÃO



Sempre haverá eles contra nós
Muita coisa nos diferencia
É uma diferença atroz
Estamos desatando os nós
Da corrente que te protegia
E nos prendia

Nossas diferenças estão nos objetivos
Pra conseguir, faz uns de nós acreditar
Que nossos anseios estão unidos
Que ‘tamo’ junto, ‘cê’ tá comigo
Aí arrasta uns de nós pra lá

Aqui não, parceiro
Pensamos de forma oposta
Não mete essa de unir o povo brasileiro
Sem mais essa nas minhas costas, vai

Meu país, oceano de corrupção
Quero ver um por um na grade
Sem distinção de cor, partido, religião, idade
Vocês não visam à mesma missão
Controle remoto é veracidade

Não tem como provar, mas temos convicção
Que a panela de tão cara, nem amassou
Não tem como provar, mas temos convicção
Que as máscaras do Joaquim, do Cunha e do japa, você guardou
Não tem como provar, mas temos convicção
Dado o golpe, pra você tá bom, já amansou

Temos como provar e temos convicção
Que o “Vem Pra Rua” na Paulista acabou
Temos como provar e temos convicção
Contra quem teve seu voto, não protestou
Temos como provar e temos convicção
Que seu medo é o poder que a gente ocupou
Desculpa, só você era merecedor

Temos como provar, eles não têm convicção
Que não é o partido que define o ladrão
Temos como provar, eles não têm convicção
Que pedalada e metrô têm sim conexão
(e nem é por bilhete!)
Temos como provar, eles não têm convicção
O mesmo “crime”, do seu bando é gatinho, de outro bando é leão

Pedalada, metrô, tudo isso é mobilidade
Deveria ser na nossa cidade
É... o fluxo é grande, mas não de trajeto
Tem ramificações, mas, cai na conta direto
Quem reconhece os modais em variedade
Dança funk enquanto toca bolero

Uma hora, a gente vai entender
Que a prova já tem, falta a convicção
A aceitação
Que se você não observa além
Alguém pode ter percepção
E vontade
Depois das 4, das, 5, o trânsito lota
Pisa, acelera, ‘soca a bota’

Aí depois, pode ser tarde!

quinta-feira, setembro 01, 2016

Pretérita Democracia


Meu 1º poema em vídeo aqui no blog. Vou tentar fazer alguns outros. Obrigado aos que curtiram e apoiam essa minha empreitada como escritor. Grato mesmo.

TRANSCRIÇÃO:

Você lembra a última vez que votou?
Não perguntei pra quem. Só se lembra...
Não leva na grosseria o que escutou
Falei na moral, me compreenda

Só perguntei porque seu ato de votar é fruto de luta
E por mais irônico o verbo, tem quem reluta
E, nesse caso, relutar é exatamente ir contra o combate
Ir contra o que o combate conseguiu
Ironias desse nosso "português" do Brasil

Seleção lexical a parte...
Sabe seu título de eleitor? Guarde!
Quando lembrar pra quê, um dia, ele serviu
Não vai ficar com saudade

Ele já foi sua liberdade
De escolha, seu crachá
De quase uma "otoridade"
Sua autonomia
Ah, quem se lembra de um troço chamado democracia?

Assim funcionava:
Os cara e as mina 'se candidatava'
O tribunal ia lá e escolhia um dia
Todo mundo ia lá e votava
Quem tinha mais voto ganhava
E tinha uns que, dificilmente, 'perdia'

E quem perdia, num aceitava
Mó fuá, os cara 'arrumava'
Pra mudar quem ganharia
Mas, quase nunca rolava
O voto democrático resistia

Mas, já era essa parada
Se quem 'ganhava', eles num 'queria'
Entre eles se ajeitava
Quem governaria
O voto não mais importava
Nem sempre ele valia

O povo se manifestava,
fechava uma 'pá' de via
Ia lá, protestava, pedia
E esse povo encontrava
Mó respaldo quando a avenida ocupava
Um monte de gente seguia

O governo? O povo criticava
E merecia, viu?! Me-re-ci-a!!!

Mas, como a gente falava
Depois que o país escolhia,
4 anos, o eleito ficava
E não era 5% que gritava
E o porquê, às vezes, nem sabia
Que ia lá e tirava
O voto era soberania

Na conta, na escola que eu estudava
54, que fosse contra 10, era maioria
Essa conta não alterava
Mas, esses 10, hoje em dia...

A máscara de igualdade que ocultava
Agora se revelava, sem a porra da hipocrisia
Então? Lembra aí quando sua opinião importava?
A não ser que você 'tá' nesses 10, no topo da escadaria
Nesse degrau aí em cima, não é porque você apoiava
Que sua vaga te esperaria
Eu nem tive essa ousadia

Fiquei aqui embaixo, escrevendo o que eu sonhava
Que o voto tinha peso que se igualava
Que já fomos irmãos, brasileiros
Uma nação que nascia, que crescia
Mas, hoje, vivemos a angústia de um fim:
DA DEMOCRACIA!

quarta-feira, outubro 10, 2012

Polícia x Bandido / Valdivia / Corrupção (Lula)

Até quando o governador Geraldo Alckmin e o secretário de segurança de São Paulo vão dizer que não têm ligação os casos de ataques a policiais que a cada dia aumenta? É zombar da nossa cara mesmo. Esses aí já fizeram isso desde muito tempo. Pensam que somos burros. E tem hora que eu até acredito, pois ainda insistimos neles...

Trégua e lei. Duas palavras fundamentais. A polícia deveria prender por mais que fiquemos mais felizes quando eles matam e, por consequência, a matança de um lado gera matança do outro.

VALDIVIA
A torcida do Palmeiras o idolatra pela conquista do Paulistão 2008. Depois disso, um jogador comum, com qualidade, mas não corresponde ao status de "craque que resolve" a ele atribuído. 

Guardadas as devidas comparações e proporções, compare a segunda estada de Valdivia no Palmeiras com a passagem do Adriano no Corinthians. Um gol importante. O chileno, contra o Grêmio, na semifinal da Copa do Brasil. E o Imperador no alvinegro, contra o Galo na conquista do Brasileirão 2011.

MENSALÃO
Como para alguns a corrupção começou há dez anos, quando o Lula entrou, e antes, era tudo perfeito, até que começamos a agir logo. Nunca se roubava antes... A educação era para todos. Nossa economia, uma belezura e nossa participação econômica em outros países era melhor que agora... Saúde então, éramos exemplo. Se o assunto fosse segurança, não havia lugar melhor que nossa pátria amada. Aqui era o paraíso. Corrupção era palavra que nem existia no dicionário. Desconhecíamos este significado.

Como a corrupção foi um invento do PT, criação de Mr. Lula, começou agora também a se realizar o desejo de punição a estes caras que representaram muito mal o PT e tantos outros partidos. Mas, como para muitos, só tem bandido no PT, do PT e do povo também partiu a investigação, queda de ministérios, e o início de uma impunidade. 

Falta ainda a cena de ver estes aí trancafiados na cadeia. Mas já é um primeiro passo. Antes não havia tanta corrupção como agora ou não se divulgava tanta corrupção como agora? E quem lidera as acusações, divulgações e notícias (merecidas e justas) dessas falcatruas? Quais meios de comunicação? Ah tá, beleza. Saquei.

Mas, para um país que a corrupção começou há apenas 10 anos, repito, até que tomamos uma atitude rápida para resolver os problemas. 

Não me valho do discurso político de "gestão anterior", mas, fico impressionado com a capacidade do brasileiro de sempre escolher o culpado em tudo. Foi o Zico, em 82; foi o Felipe Melo, em 2010. Futebol é apenas um exemplo dessa nossa arte de apontar o errado da história. E por falar em história, ela não é feita de fatos isolados, e sim de uma sequência em que um fato surge em decorrência do outro. E todos que a constituem, tem seus bons e ruins. Em qualquer grupo, há vilões e mocinhos. Como prega a lei, que se prendam os vilões e que a ordem e dignidade dos mocinhos sempre prevaleça, seja ele quem for, use roupas vermelhas, amarelas ou azuis.