Roxo, branco, preto e cinza. Jaqueta com tênis e calça com mochila. Na ideia de iniciar a leitura de um livro de poesias de Fernando Pessoa, abri-o, mesmo ainda em pé no ônibus.
Opa, surgiu um lugar pra sentar. Última fileira. Banco do meio. Ombros largos que tenho, dificilmente me acomodo bem neste lugar. E desta vez, não foi diferente. Segui a leitura, de corpo inclinado para frente. Ao distrair a atenção ao livro, percebi a moça que usava os trajes que citei na primeira linha deste texto.
Tinha um corpo de chamar atenção. Não de parar o trânsito, mas, de fazer inveja às mulheres e de muitos homens virarem o pescoço para seguí-la quando passa. A combinação das cores, percebi primeiro pelas estampas de preto, branco e cinza da calça e mochila. Formas geométricas formavam imagens dispersas, como que pixeladas. Será que ela reparou a combinação da calça com a mochila? Eu sim.
As unhas pintadas de branco complementavam. Parecia estar a caminho da academia, pelos trajes que usava. Segui minha leitura, intercalando a atenção com outros detalhes que fui percebendo. Cabelos longos, alaranjados, uma aliança de espessura média (talvez igual a minha), prateada, na mão direita. Dois brincos delicados e dourados em cada orelha.
O rosto? Vi de perfil. De ambos. Mas, de frente, não. Rosto cravejado de espinhas, parecia bonita. Nariz um pouco mais saliente (talvez deu essa impressão de perfil). E um sorriso... esse mesmo de lado, visto pela metade já bastou, era bonito, com certeza. Segui lendo... em frente a prefeitura, ela e a amiga que conversavam, desceram. A amiga, de jeans e blusa rosa, aparentava estar a caminho do trabalho. Ouví-la dizer RH (deve ser a ocupação da moça). As duas saíram e eu continuei em minha leitura. Ah, só mais um detalhe: a moça de rosa usava um elástico preto no cabelo e ostentava um rabo de cavalo de significativo balanço nos movimentos.
Por esses dias, reconheci (após uns 8 meses) a moça da mochila preta no ponto de ônibus. E reconheci pela mochila, confesso. Com minha curiosidade jornalística incessante, aproximei-me, sem pretensão alguma para perguntar se por acaso, ela esperava o Osasco Centro há muito tempo. "uns 10 minutos, respondeu". Repliquei grato a resposta e perguntei o nome, por pura curiosidade. Karen, foi a resposta que obtive. Sabe quando dizemos que fulano tem cara de tal nome? Pois é, até nisso ela combinou. Tinha 'cara' de Karen mesmo.
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quarta-feira, novembro 19, 2014
quarta-feira, abril 14, 2010
Fórmula poética
A mim foi proposto um desafio
Explicar meu gosto por poesia
Como escrevo e me inspiro
Como cada ideia surgia
Só aí que me atentei
Tentei chegar à conclusão
Tem horas que eu nem sei
Às vezes, vem da sensação
Tudo que me causa efeito
Em palavras, é o desabafo
E cada verso alivia o peito
À angústia ponho fim, acabo
Temas, fatos, sonhos, loucura
Viagens físicas, imaginárias
Tudo em minha mente conjura
Para fluírem, sem rotas contrárias
Principal mote para escrever
É olhar a fundo a vida da gente
Cada detalhe e seu redor perceber
Frustrações, prazer ou meio ambiente
É desenvolver um simples relato
De amor, solidão ou revolta
É captar no momento exato
E expor o que está a sua volta
É rimar (ou não) acontecimentos
Observar o cenário das cenas
Românticos ou até violentos
Rimas quentes, até obscenas
Improvisações se formam poemas
Canções são poemas na memória
O poeta é um transmissor apenas
Um redator conhecedor de histórias
Essa é a forma que serve pra mim
Tentar destrinchar com primazia
E a poesia não pode ter fim
Pois amanhã começa outro dia...
Explicar meu gosto por poesia
Como escrevo e me inspiro
Como cada ideia surgia
Só aí que me atentei
Tentei chegar à conclusão
Tem horas que eu nem sei
Às vezes, vem da sensação
Tudo que me causa efeito
Em palavras, é o desabafo
E cada verso alivia o peito
À angústia ponho fim, acabo
Temas, fatos, sonhos, loucura
Viagens físicas, imaginárias
Tudo em minha mente conjura
Para fluírem, sem rotas contrárias
Principal mote para escrever
É olhar a fundo a vida da gente
Cada detalhe e seu redor perceber
Frustrações, prazer ou meio ambiente
É desenvolver um simples relato
De amor, solidão ou revolta
É captar no momento exato
E expor o que está a sua volta
É rimar (ou não) acontecimentos
Observar o cenário das cenas
Românticos ou até violentos
Rimas quentes, até obscenas
Improvisações se formam poemas
Canções são poemas na memória
O poeta é um transmissor apenas
Um redator conhecedor de histórias
Essa é a forma que serve pra mim
Tentar destrinchar com primazia
E a poesia não pode ter fim
Pois amanhã começa outro dia...
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