Tá na reeedeee
A fome, a sede
Não elas, propriamente ditas
E sim, a fome e sede de vida
Uma copa no Brasil
Não o 7 a 1 que sucumbiu
Nossa amarela seleção
Copa dos refugiados da nação
No Pacaembu, o jogo decisivo
O futebol, suado lenitivo
Na final, Marrocos e Nigéria
A bola rola, é coisa séria
À Nigéria campeã, o respeito
Os sobreviventes do preconceito
Copa onde todos competidores
Driblaram a guerra, os goleadores
Os gols? Nesse caso sim, um mero detalhe
E o placar que de fato vale
É abrirmos nossa meta pro cobrador do penal
Que ele corra pro abraço mais natural
De quem vai pra rede, seja ou não a final
E que a gente o tratasse, o abraçasse
Feito um gol no mundial
A bola vai pra rede, o chutador vibra, o juiz apita
E também por uma rede, há uma dor que limita
Um disparo e o gol que a torcida grita
Campo de guerra ou campo de jogo
Todo mundo é igual. Reflita.
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terça-feira, setembro 26, 2017
Campos iguais
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segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Haiti
Demorei pra falar do Haiti
Mas pensei, refleti
E por fim, escrevi
Para assistirmos miséria
Não preciso fugir daqui
Nem visitar a Nigéria
Uma cidade em ruínas
Onde comida vale ouro
Milagres, ações divinas
Os salvam do matadouro
Tal como jaula e presa
Nesse caso, indefesa
A causa nem sempre a mesma
Terra chacoalha fortaleza
A via se torna represa
E a TV reprisa... reprisa...
Lá e cá, pode filmar
E claro, se desesperar
Pra você não inundar
Ponha bóia no seu lar
Reze e torça pra boiar
Enquanto o porto está morto
O príncipe espanca o plebeu
Esse arroz é meu! É meu!
Ações e canções para ajudar
Milhões vão arrecadar
Reconstruir, recomeçar
Mas fico a me questionar:
O Haiti sempre existiu
Só agora que tudo caiu
Que fomos olhar pra lá?
Só agora nos comovemos?
Antes não percebemos
Quantos de nós morremos
Nem notamos, nem sofremos
E não por tremer terrenos
No Haiti ou qualquer canto
Pode implorar ao santo
Para não chegar aqui
Esse é o nosso temor
De sofrermos desse pavor
Mas o Brasil já balançou
Não na alegria do gol
E olha que por aqui
O abalo foi bem levinho
E que parem por aí
Nem compare ao Haiti
Além de torcer pra cessarem
Terremotos se dissiparem
Temos que pedir ajuda
Senão, nada muda
Irmãos se vão aos milhares
Às toneladas, aos pares
Perdi a conta
Nem sei quantos mil
Perderam a felicidade
A nossa paz, tranqüilidade
E nossa solidariedade
Reformará a cidade
Mas não teremos saudade
Nem lembraremos mais tarde
O Haiti se abalou e ruiu
Apesar de tanta dificuldade
Podem contar com o Brasil
Mas pensei, refleti
E por fim, escrevi
Para assistirmos miséria
Não preciso fugir daqui
Nem visitar a Nigéria
Uma cidade em ruínas
Onde comida vale ouro
Milagres, ações divinas
Os salvam do matadouro
Tal como jaula e presa
Nesse caso, indefesa
A causa nem sempre a mesma
Terra chacoalha fortaleza
A via se torna represa
E a TV reprisa... reprisa...
Lá e cá, pode filmar
E claro, se desesperar
Pra você não inundar
Ponha bóia no seu lar
Reze e torça pra boiar
Enquanto o porto está morto
O príncipe espanca o plebeu
Esse arroz é meu! É meu!
Ações e canções para ajudar
Milhões vão arrecadar
Reconstruir, recomeçar
Mas fico a me questionar:
O Haiti sempre existiu
Só agora que tudo caiu
Que fomos olhar pra lá?
Só agora nos comovemos?
Antes não percebemos
Quantos de nós morremos
Nem notamos, nem sofremos
E não por tremer terrenos
No Haiti ou qualquer canto
Pode implorar ao santo
Para não chegar aqui
Esse é o nosso temor
De sofrermos desse pavor
Mas o Brasil já balançou
Não na alegria do gol
E olha que por aqui
O abalo foi bem levinho
E que parem por aí
Nem compare ao Haiti
Além de torcer pra cessarem
Terremotos se dissiparem
Temos que pedir ajuda
Senão, nada muda
Irmãos se vão aos milhares
Às toneladas, aos pares
Perdi a conta
Nem sei quantos mil
Perderam a felicidade
A nossa paz, tranqüilidade
E nossa solidariedade
Reformará a cidade
Mas não teremos saudade
Nem lembraremos mais tarde
O Haiti se abalou e ruiu
Apesar de tanta dificuldade
Podem contar com o Brasil
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