terça-feira, julho 05, 2011

Mundo Virtual

Como seria um mundo virtual
Aplicado em realidade
Como seria se o normal
Fosse interatividade
Seja no mundo real
Não existisse outro igual
Fosse tudo conectividade

A interação entre os humanos
Apesar de mais distantes
Seria mais veloz
Será que entre nós
Nossas vidas, nossos planos
Seriam importantes
Sem ouvirmos mais a voz?

Teclas, siglas e texto
Toda história sem contexto
Na eficiência indiscutível
De relatar ao seu futuro
Ter vivido um passado
Sem conhecer esse aí ao seu lado
Nas fotos da sua tela
E ao abrir essa janela
Tantos rostos maquiados
Escolhidos, selecionados
Escondendo tantas guias
Abas cheias de erros
Muitos deles não informados

E a cada página deste book
Conhecemos o impossível
O que há de mais incrível
Nesta imagem, neste view
Que o avatar produziu
Onde buscamos mil
Milhares, milhões de alguéns
Pra nos dar parabéns
Pela beleza, pela pretensiosa qualidade
Que sempre julgamos ter

O mundo insiste em não ver
Mas isso é fácil resolver
Algumas teclas e clicadas
Informações de status alteradas

Seu novo perfil: alguém
A virtualidade tem esse poder
De na distância, unir perfis
Sou quem eu quero ver
Sigo o que você diz

Como seria ter códigos mágicos
Que tudo solucionaria
Bloquear os passos trágicos
Melhorar o quadro estético
Estreitar protestos críticos
Fim do trânsito caótico
Será que o mundo virtual
Seria menos neurótico
Mais honestos os políticos
Ou seja, pelo menos éticos
Como seriam mais práticos
Os encontros íntimos
Em salas particulares
Em sites, não em bares
Já que ainda não é real
Resta viver o convívio
De um mundo semi-virtual
Com uma breve perspectiva
Que a imagem que mantém viva
É a sua imagem ideal

sexta-feira, junho 17, 2011

Conhecendo e me conhecendo...


Há quase um ano longe da cidade-natal, amigos, família e tudo o mais, sigo me adaptando a novas realidades. Dentre elas, certamente estão os vales e montanhas que cercam e encantam cada canto que se olha. E em cada olhar, percebo que já vi tanta coisa e poucas vezes olhei. Não sou muito a favor da máxima que diz que uma imagem vale mais que mil palavras, até porque esta própria oração não se faz em forma de figura. Mas, hoje, reparo o quanto poder tem a imagem. Tola visão suburbana eu tinha que as palavras tudo explicavam. Nem sempre. Muitas vezes, acontece exatamente o inverso. Assim como a imagem também pode fazer com a geração de uma expectativa de algo que sequer exista.

Levando um pouco ao lado prático da história, como bom brasileiro que sou, e acreditem (coincidência), estou com a famosa amarelinha número dez, com cinco estrelas no peito no momento que descrevo esta percepção de um inovador auto-conhecimento, sou mais um dentre os quase 200 milhões que adoram futebol. Pena não ter sido privilegiado com a inteligência e habilidade de um craque, mas arrisco minhas caneladas e chutes nos mais longínquos rincões. 


Um deles, é este que ilustra cada palavra utilizada nesse novo e complexo estudo: conhecer a si próprio, nas mais variantes circunstâncias... e condições. 

segunda-feira, maio 09, 2011

Não dá

Sonhos e desejos, só imaginação
Difícil ter controle da situação
Razão que prevalece, consigo escapar
Não sei o que acontece, nem quero pensar

Meus olhos não se prendem
Os outros não entendem
Que nem tudo tem a ver com amor
Que o pecado pode ter sabor

Mas eu fujo no meu consciente
De um desejo que é tão presente
Por alguém quem eu amo mais
E esse alguém, tanto bem me faz

Mas não dá, não posso esconder
A vontade de outro prazer
Mas, respeito dá a quem se tem
E eu não quero machucar ninguém

Minha atração eu não posso mentir
Posso negar, posso tentar fingir
Mas falo apenas pra não me entregar
Meu corpo pede, mas pra mim, não dá

segunda-feira, maio 02, 2011

Será a paz?

Pronto, enfim matamos
A paz, agora sim, reinará
Prendemos, capturamos
Será o fim? Será?
De todo o mal nos livramos
Repito a pergunta. Será?

Vamos à rua comemorar
O assassinato do mal
De hoje em diante, tudo normal
O inimigo morreu
Então vencemos
Não nos enganemos...

Osama não é/era só terrorista
Era uma ideia, um símbolo
Assim como as torres de lá
Que feriram não só pessoas
Mas uma alma nacional
Que preparou seu rival

Para o ataque, para o combate
Quem vier, “mate”
Sem essa de empate
Somos a ostentação do poder
A nos atacar, quem ousará?
Se ousar, em breve morrerá
Ninguém se atreverá

Somos evoluídos, democráticos
Democráticos ou demagógicos?
Questionamentos enigmáticos
Sobre pensamentos tão lógicos

Como sonhar democracia
Se à nossa revelia
Atacamos quem contraria
Não somente ataque, revidamos também

Afinal, matamos pelo bem
Pelo nosso bem
Somos o bem
Gera dúvida de alguém?
Se sim, cuidado
Pode ser o próximo assassinado
Não pode ser apoiado
Quem está do outro lado
Outro lado: traduzindo, o mau

Já que o mal se foi
Também vou sair
Vou saltar pelas ruas
Quero me divertir

Ouvir o quase xará
O que ele pronunciará
O assunto é segurança
Fizemos vingança

Usamos a própria mão
Para o deleite da nação
Fez-se a lei de talião
Resolvida a questão

Soma mais este na lista
Bin Laden: terrorista
No décimo aniversário
Pra salvar nossa gente
Vai no dente por dente
Só aqui morre inocente
Nosso ataque é consciente

Vou rumo ao bi da conquista
Cabeça com cabeça
Algumas perfuradas
Outras, desmotivadas
Generalizadas, vingadas
Ensanguentadas

Mas, como disse, o bi é nosso
Sempre faço o que posso
No combate ao terror
Pelo Nobel da paz universal
Mesmo que o meu rigor
Seja proporcional
À violência a nós imposta
Ou em caso de resposta
Deixo aqui a minha aposta

O terror não era um
Um indivíduo qualquer
Não aceita jejum
Acredita quem quer

Sempre haverá mais um
Enquanto o sentimento houver
Use a arma que tiver
Nenhuma bala matará
Será?


segunda-feira, abril 25, 2011

Futuro?

Algo me causa muita estranheza
O que parece óbvio, reina incerteza
O mais importante sofre descaso
E não se isola num fato, nada de acaso
A desculpa se esvai, digna do vaso
Corrupção, pilantragem, safadeza

Pensar num país e ter esperança
Começa por pensar na criança
Desprezamos desde o nascituro
E orando, vislumbramos futuro
Respiraremos o ar mais impuro
Pagaremos a mais cara fiança

Se bem que deveria ser impossível
Livrar-se de crime tão incabível
Destruir, poluir a água nascente
Assim como o rio, se polui a corrente
Que poderia matar sua sede à frente
Ato nada inteligente, quase auto-destrutível

Como se planejar uma nação potência
Se o futuro, hoje pede clemência
É humilhado e nivelado ao nada
O que se planeja para a criançada
É ser conivente a palhaço em bancada
E crer no protesto, na consciência

E do lixo, sagra-se heróico resgate
Não quero matar, que o tempo mate
Eis que surge surpreendente salvação
Já que sobreviveste a este mundo cão
Saiba, que nesta terra só se dá razão
Pra quem pouco busca o combate

Não falo de lutas com armas, guerrilhas
Falo de bandidos, que destroem famílias
Assassinos que não portam escopetas
Apenas ternos, cargos, poder e canetas
Sem índole, escondem falcatruas, mutretas
Assinam e acenam ao futuro, cruéis armadilhas

quarta-feira, abril 20, 2011

Cada dia mais, quero menos...

A cada dia que passa
Fico mais reflexivo
É claro o motivo

Ao se ver tanta desgraça
Nada feito que desfaça
A tristeza que ataca

Na escola, na rua, em casa
Se nem na escola se tem paz
Como é que faz?

Pra se criar a esperança
Pra educar uma criança
Se nem pra isso há segurança?

Como gostar do estudo
Não aprendo, nada entendo,
Mudo

Calo-me à ordem do medo
Da reprovação, do mundo, de tudo
Do temor que é tão presente

Que ocupa o futuro
E vale muito analisar
O que há de vir pela frente

Que a fé está para amparar
Em ocasiões até escorar
Um pobre infeliz doente

Que na vã esperança
Ainda é crente
Vê futuro a essa gente

Acredita vagamente
Ser um cara inteligente
Esperto e coerente

Outra viagem
Crê na sua vasta bagagem
Não vê a um palmo a sacanagem

Que suas escolhas impuseram
Na imensa ignorância, lhe couberam
Dar continuidade ao que disseram

Crie, procrie, recrie, copie
E viver a real sobrevida
Sem lamentações, “é a vida”

Perde a graça, se não é sofrida
Quem disse isso?
Quem acredita nisso?

Pense no sentido de viver
Se crês que sofrer é preciso,
Por favor, me ajude entender
Por que só se conhece o paraíso
Depois que o corpo morrer

Por que procriamos?
Colocar quem amamos
No inevitável sofrimento
Egoísta, esse sentimento

Pensar no seu bel-prazer
Sem sequer importar-se
Se outro alguém vai sofrer

Cada dia mais, quero menos
Apatia
Alienação
Conformismo
Tensão

Cada dia menos,
temos o que precisamos mais
Paz

Leitura
Cultura

Evolução
Educação