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domingo, fevereiro 23, 2020

Se do Carnaval pegasse a alegria

Fico pensando como seria
Se do Carnaval pegasse a alegria
Se não fosse apenas fantasia
Nos 4 dias de folia

Máscaras na identidade
Gente usando o que tem vontade
No tumulto normal da cidade
A alegoria do enredo é a realidade

É cada fantasia... um disfarce divertido
Um homem grande, de amarelo, vestido
O cabelo era verde, bem forte, tingido
Uma tiara de coroa, um abacaxi, ultra mega servido

Fico pensando como seria o metrô
Trajes curtos, parecendo um maiô
Sendo a roupa adequada ao calor
Sem nenhum insaliente invasor

Se a alegria carnavalesca fosse permanente
Virasse lei federal daqui pra frente
A rede social morreria como indigente
Todo mundo sairia, é tanto ódio ali: notificação pendente, notificação pendente

Se fantasia não fosse só vestes de Carnaval
As pessoas brilhariam num dia normal
Um dia, herói; no outro, vilão. Bom, isso é igual.
Quer disfarce melhor que um traje social?

Os 4 dias de momo, de avenidas
Paulistas, cariocas, comunidades reunidas
Harmonia e evolução são o que se busca na vida
E o cinza da quarta, discrição garantida

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Sem Fantasia

Desse quase um quilômetro
Pouco mais da metade
Onde existe vida e vive
Onde o mundo convive
Numa identidade

De um fatal encontro
De humanidade
Uma hora tão livre
Sem que ninguém pedisse
Se fez comunidade

Cabelos raspados, unhas compridas
Corpos pelados, roupas floridas
Sambas cantados, unhas roídas

São cantos sentidos, com muito a dizer
O simples motivo pro povo se ver
Um abraço de amigo é mais que vencer

E o 10 na vitória aponta seu mérito
O trabalho então ganha crédito
Traz o adversário pra perto
Unidos, mais um 10 é certo

Tem sapatos, paetês e regatas
Tem bolsa, penteado e gravata
Tem gente como é sem bravata
Tem muito passo, muito samba
Só a fantasia é de pirata

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Opinião: Carnaval

Apesar de não ser um grande entusiasta do "maior espetáculo da terra", o que aconteceu no sambódromo paulistano revoltou não apenas os diretores e representantes das escolas, mas toda a população brasileira com a vergonha que alguns bandos (independente da cor da agremiação) fizeram o país passar com os atos ridículos de vandalismo na tarde da apuração. Vergonha esta que já sinto naturalmente durante o carnaval que, apesar de ser considerada uma grande festa, linda, maravilhosa, que atrai milhares de estrangeiros, enfim, a visão que tenho nesse período é que meu país se torna o "prostíbulo" do mundo para os gringos e para o povo brasileiro, a alienação que já é bem comum, se torna ainda mais estimulada. "Ah, 'esquece' isso, agora é carnaval; depois a gente resolve"; ou o clássico "o ano só começa depois do carnaval". Pra quem? Pra mim, não.

Durante a confusão no Anhembi, acompanhei as redes sociais debatendo o tema. Opiniões parciais a favor ou contra determinadas agremiações específicas. Algumas cabiam. Outras, desinformadas, ridículas, sem nexo. O que sobra de toda a confusão é um anúncio de título do carnaval sem aquele "NOTA DEZ" final que faz a quadra da escola explodir de felicidade. O carnaval paulista perde e cada vez parece mais distante do carioca nesse aspecto.

Quanto às punições, já que algumas escolas dizem representar times de futebol, faça-se o mesmo que para os clubes quando seus torcedores lançam objetos ao campo ou arrumam confusão. A punição é para o clube, não para os indivíduos. Seja com o impedimento por um ou dois anos de desfilar ou qualquer outro julgamento que realmente não deixe a sensação de impunidade. Infelizmente a maioria sempre paga pela minoria e o ser humano se torna cada vez  mais imbecil com o passar do tempo. É a 'evolução' da espécie...  

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Carnaval

Que porre é o carnaval
A festa do bacanal
Pra mim, é tudo igual
Curtir carnaval?
Nem a pau...
Fico até mal
Nem é pela questão moral
Não sou mais um moralista
Mas, tô fora dessa pista
Não dá pra correr
Não dá pra escapar
É difícil ver TV
E rádio escutar
Não sei o que tem de legal
Nessa época de carnaval
Ser quem você não é
Na sua vida normal
Cara se fantasia de mulher
Paga mico, é um mane
E foge da vida real
Mascara-se de falsidade
E usa o traje de covarde
E como um pierrot
Ou melhor, como um palhaço
Veste-se de coragem
E sob toda essa plumagem
Sabe tirar vantagem
E culpa o lado selvagem
Aflorado pela festança
Sabe entrar na dança
E até fazer criança
Que de nada tem culpa
Em novembro começa a luta
Pela dura sobrevivência
Ato da sua sapiência
E claro, muuuuuuuuuita inteligência
Mas, voltando à festa do povo,
(Cá pra nós, nada de novo)
Só o hit do momento
Que apaga o sofrimento
E finge estar tudo bem
Pula, bebe e fala amém

Depois, não há de reclamar
Que a vida está dureza
Esqueça, pense na beleza
Do carro da escola
Do país da bola
Só nisso mesmo
Esse é o nosso enredo
A evolução que dá medo
De destruir a harmonia
E o que vier pela frente
Desmascarar a fantasia
De encharcar a alegoria
Sem falar que o dia a dia
Que a nossa vida dá samba
Mas a letra só protesta
O clima não é de festa
É um samba canção
Melodia de violão
No bom estilo chorão
E bateria é trovão
Raio, inundação
Mas, CAI NO SAMBA, nação!!!

Nada contra o samba
O amo mais que tudo
Bem baixinho, quase mudo
Violão, cavaquinho
Pandeiro e surdo
Admiro a ação social
Que esses grêmios de carnaval
Têm na sociedade
Ensaio, aula, atividade
Com crianças da proximidade
Unem garra e vontade
Em prol da comunidade
Festas e mais ações
Para arrecadações
Para manter-se e sobreviver
Mas a questão a se fazer
É por que sobra pra essa escola
o que a outra não fez?

Pode ser um incentivo
Ou até ser o motivo
A questão fundamental
Já que a ação governamental
Só colabora com carnaval

Poderia ter só o social
E não esse festival
O prostíbulo mundial

Alô povo festeiro
Quando chega fevereiro
Iria até pro estrangeiro
Dá vergonha de ser brasileiro...