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quarta-feira, outubro 05, 2022

Poesia ao Moisés da Rocha

Não, não é só 'Questão de Opinião'
O samba é uma das mais autênticas formas de expressão
Da cultura da nossa nação
Quem não ama nem preza pela preservação
Contribui com quem nunca quis nossa libertação

Falo das amarras além das correntes
Que carregaram pedras e ninguém ouviu
O soluçar de dor da nossa gente
Hoje se escuta, nos fazemos presentes
Contra quem sempre nos omitiu

Não, nossa história é rocha de castelo
Tem alicerce, tem chão firme pra pisar
Nossa rocha, Moisés, é a voz que faz eco
Moisés, sem cajado, com mic ligado é o elo
Entre a história e quem há de chegar

O talento do músico brasileiro
E a música instrumental
A fonte de aprendizado e conhecimento
Deu passagem ao Fundo de Quintal
Nelson Gonçalves, o Sinatra nacional
E uma seleção pro amor tem seu momento

Olha aí, paixão
Rádios ligados geração pós-geração
Conscientemente apaixonados por sua missão
O samba ser preservado nossa identificação
O Samba Pede Passagem, mas arromba o portão

Moisés da Rocha, o samba de escuta
Do cambaraximbacam ao axé, minha gente, muito axé
Você lapida nossa arte mais bruta
Você é o próprio samba que dá passagem à luta
A resistência, por isso, o samba é o que é

segunda-feira, agosto 16, 2021

Samba com Um Bocado de Tristeza

“Pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza”

Vinícius compôs e cantou
Olha, sendo assim, certeza
Que na hora de fechar a conta e por na mesa
Inspiração não faltou
 
A gente anda triste
Luta, luta, luta e luto
Luta, luta, luta e luto
Não sei você, mas, fake News eu refuto
Tem umas e uns que nem discuto
 
Não vale a saliva do papo,
Valeria, como antes se dizia
Uns ‘catiripapo’
Mas, não é no sopapo, nem no tapa
Que a gente escapa da melancolia
A minha melhor forma
É a caneta que transforma
O que me transtorna, em poesia
 
Agora, me fala: haja samba pra fazer
Com tanta tristeza em volta
Nosso enredo anda sem revolta
Pouco ousa dizer
 
A gente anda triste
Você, eu, nossa gente
O medo é frequente
Cada vem mais presente, ele persiste
Pra ver se a gente resiste
 
Ele quer ver até onde vai, até onde vamos
Ver quem primeiro cai, quem não seguramos
Será que esse samba sai,
Se há muito tempo nem cantamos?

terça-feira, maio 14, 2019

Beth foi essa Voz


O samba perdeu sua voz de lamento
Compôs Paulo Cesar Pinheiro
Beth Carvalho foi essa voz
Das coisas da gente, cantava por nós
Cantava a vida do brasileiro
e apontava o algoz

Beth não se americanizou
Era Brasil inteiramente
Saco de Feijão, Corda no Pescoço, quando cantou
Ela ali denunciou
O que se vive diariamente

E ela, com sua humildade
Que tive a oportunidade
De conhecer e entrevistar
Dizia que o samba se perdeu no tempo
que pagode não era novidade
Ela havia empregado o termo
Pôs na capa pra mostrar,
a certa forma de usar

A mulher Beth Carvalho, sambista
Foi madrinha de nomes, grupos e da história
Se o samba vive ou viveu sua glória
Foi essa mulher nesse meio machista
Que abriu cada porta
Gravou disco só do samba paulista
Sem rixa, com seu sotaque carioca

Beth nos deixou Sem Defesa com sua partida
A madrinha que pelas Andanças empunhava um cavaquinho
E Nelson no peito
Levava Cartola e a Mangueira pra avenida
Isso, Beth, fique tranquila, não será desfeito
Seu legado foi perfeito
Obrigado por sua vida

quarta-feira, outubro 24, 2018

Quando você diz: “eu sou do samba...”

Saiba que a cada acorde que suas cordas executam, a cada ‘tum’ de sua percussão, você carrega com você o samba ‘do tempo que quem fazia corria do camburão’. Se hoje você curte samba, é porque muita gente plantou e hoje você só semeia e balança a bandeira num ritmo diferenciado do que os pioneiros fizeram.

Muito antes do período de autoritarismo e bem pouco depois do registro do primeiro samba, nos anos 1910 e 1920, o preconceito com nossa música, com nossa dança, com nossa origem já eram tão presentes que calos nas mãos e até vestimentas eram os crachás de músico, razão suficiente para aprisionar um dos nossos como vagabundo.

Se você não sabe que sua música resistiu à ditadura, à repressão policial e sua principal razão é denunciar nossas dificuldades e toda a opressão que sofreu ao longo dos anos, militar ostensiva e política, por que você faz samba?

Ser do samba é ser combate à repressão, combate ao preconceito e acima de tudo, ser combatente. Contra quem queira diminuir nossas origens territoriais, culturais e religiosas.

Quando você cita Bezerra da Silva, você trata de denúncia das agruras do nosso povo. Zeca Pagodinho não fica atrás em seu microfone aberto berrando ao mundo tudo o que passamos aqui. Nosso samba não é só ‘mania da gente’. Invadimos os casarões, as avenidas e, a cada passo, repressão, preconceito e luta. O espaço só foi conquistado assim. Ninguém saiu abrindo as portas pra gente. Se não fossem os ‘números baixo’ meterem o pé na porta, ainda estaríamos restritos lá nos quintais da casa-grande.

Hoje, você paga VIP pra ouvir um ‘pagodin’ e tomar suas bebidas medidas em anos e energéticos. O Bar da Esquina não faz mais sentido pra você, jovem sambista.

A cada samba que você ‘exalta’ (sem demérito na referência, de verdade), lembre-se que, se não fosse Martinho, teríamos sido suplantados pelo iê-iê-iê e pelas guitarras da década de 70. Ah, se não fosse a batida de partido-alto e a resistência.

Se você diz que é do samba, você PRECISA saber que o samba ‘perdeu sua voz de lamento’. Se você nem sabe do que se trata isso, todos esses trechos em itálico contam um pouco do que me refiro. ‘Quem faz samba, faz a história de um lugar’. Se você só curte a música pela festa com os ‘parça’, pela balada e por ser um som agradável num churrasco com os amigos, você nunca vai entender que “NINGUÉM FAZ SAMBA SÓ PORQUE PREFERE”.

quinta-feira, setembro 14, 2017

Minha bagagem

Minha bagagem não tem
Os grandes clássicos da literatura
Assumo a falha, mas, não aceito porém,
Questionar minha cultura

Li alguns grandes autores
Na escola e algum tempo depois
Que me desculpem os mestres doutores
Sou bem mais Nei Lopes, D2

Sou Bezerra, Dicró, Morengueira
Sou João e seu Nó Na Madeira
Sou Cacique, a tamarineira
Rainha Leci, Clara guerreira

Sou Martinho, partido e pandeiro
O lamento de Paulo Cesar Pinheiro
Leva Meu Samba, meu mensageiro
Almir e Da Cruz; Beth, as damas primeiro

Minha poesia pode até ser rebuscada
Culpa de Um Homem Na Estrada
Ao ouvir, minha alma é elevada
Num sarau, poesia declamada

Foram essas raízes, minha influência
Aos poucos, adquiri a consciência
Que estes construíram minha essência
Minha poesia? Só quer dar sequência...

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Retorno Notório


Ao mesmo tempo que tudo parece revirado
Que tudo está voltando ao passado
E isso muito me desanima
Vejo que ganha espaço a rima
Quem está na classe que domina
Surta se eleva nossa autoestima

Ocupando espaços, posições
Chegando algo da periferia
Pra quem sempre a preteria
Nas mais diversas situações

Na TV, por exemplo, só porcaria
Mas, hoje tem até filosofia
Tem debates de opiniões
E as novas gerações
Da comunicação veloz e vazia
Não entendem as lições
Saem dando sentenças e visões
Cuja causa sequer conhecia

Bate o martelo, está julgado
Com tanto julgamento atravessado
Não dá tempo de reflexão
Então, mesmo com tanta informação
Com o controle na mão,
Você ter opção
Parecemos zumbis teleguiados
Por celulares controlados

Nas redes sociais, professores se destacam
Karnal, Clóvis, Pondé, Cortella disparam
Os views em cada guia ou janela
Não tanto quanto à telenovela
Nem aqueles hits padrões
Mas, colocam no foco da tela
Raciocínio, argumentações

Não imunes, são atacados
Por juízes supremos da rede
Pois se sentiram contrariados
Pra eles, define-se tudo em dois lados
O deles e os errados
Entre nós, uma parede.

Intransponível muro
Tal qual o sonho americano
Criamos um no convívio humano
Já que eu nada aturo
Quero aqui ficar seguro
Aqui nem me misturo

E com tanta barreira
Tem quem anda de bigorna e marreta
Pra quebrar trincheira
Cruzar fronteira
Com sangue na veia
Contar essas treta
Com microfone e caneta
Tinta no papel, preferencialmente preta

Tem cara bom demais na versada
Está mais que em alta na parada
A galera nova está ligada
Mas, de que adianta só ouvir
Decorar e repetir
Sem pensar e entender nada?

Tem que sacar a jogada
A rima bem casada
Do Braulio Bessa em seu cordel
Fabio Brazza, improvisa com moral
No samba, fez escola, o Martinho da Vila Isabel
No rap, Racionais, verso preciso sem igual
Trilha sonora do gueto, honroso papel
Voltando a tal da batucada
O Xande que foi revelação
Toca e versa com pegada

E tem os feras da nova geração
Emicida monstruoso nas batalhas
Trucida uns sem mostrar falhas
Tem o Projota que agita multidão
Sabe usar as palavras normais
Sem versos formais, nada banais
E com rimas leais

Então, tendo filosofia
Rap, samba e poesia
É, no mínimo, contraditório
Nosso retorno notório
Ao que já superamos um dia
Em tempos não tão lá atrás
Sem sair de casa, a atitude voraz
Desafiar o mundo, pregar ideais
Isso me apraz
Eu vou fundo, no meu sofá imundo
Guerrear pra defender minha paz.

terça-feira, novembro 22, 2016

Amor pra Casar

Solidão,
eu não sei o que dizer pro meu peito
Perdão

Coração
Se trancou nem se abre direito
Aprendeu com a ilusão

Quem se entregou o amor declarou
Pode ter se iludido e sofrido depois
Dizem que amor tem que ser pra valer
Que não é pra sofrer, é pra chuva de arroz

Alianças, o véu, o altar nosso céu
Uma lua de mel pra gozar
Quero andar de mãos dadas, minha namorada
E sempre... sempre vou te amar,

Pois o meu juramento, lá no casamento
Prometo cumprir até os dias finais
Eu te quero só minha a todo momento
O mais lindo exemplo pra outros casais

quarta-feira, setembro 28, 2016

Lá Na Quebrada

Lá na quebrada, aonde eu colo e o couro come
É na batucada, a galera vai pro funk
E vai madrugada, tem os cara que faz rap
Dá as canetada, e no domingo, bate bola
Aquela, pelada, e logo mais eu falo mais do que tem

Lá na quebrada, passo na tia das marmita,
Quarta é feijoada, tem cada história de vida
Que é barra pesada, e tem orgulho das vitórias,
Lá na quebrada, sai bem cedo e volta tarde
Com noite fechada, busão lotado mó aperto

E toma encoxada, que sem noção esses Mané,
Vai tomar porrada, Sigo correndo contra o tempo
Atraso é mancada, que lá na firma é bate-ponto,
Hora descontada, e faz mó falta pra pagar,
Casinha alugada, vou fazer um bico, vender cerva,

Aqui nas balada, tirar um cachê com meu cavaco,
Em outra quebrada, é a mistura da semana
Que tá assegurada, é tanta treta, mas, a gente,
Tá na pegada, não esmorece o couro é grosso
Aguenta a parada, pra vida estabilizar,

Dar aquela ajeitada, só não esqueça que a urna
Não é privada, pois tem uns cara que nem sabe
O que é a quebrada, te considera só um voto
Gente favelada, vê se te enxerga seu safado,
Que cara lavada...

Naaa queeebraaadaaaa, somos seu melhor refém
Naaa queeebraaadaaaa, somos o que te convém
Naaa queeebraaadaaaa, por nós diz que vai lutar
No fundo só quer dominar

A quebrada

segunda-feira, setembro 19, 2016

Chegou domingo

Chegou domingo, hoje eu quero farrear
Hoje eu quero batucar
Hoje eu quero bater na mão

Chegou domingo, hoje é dia de pagode
Futebol, a galera explode
Nosso samba é campeão

Um gol, outro gol e a bola não para na televisão
Brasileiro, espanhol, o inglês, da Itália e até o alemão
Domingo, o quintal tá lotado, o samba é nosso esporte
Pra chegar, só a malandragem é que tem que ser forte
E depois um domingo fantástico, o pagode chega ao seu final
Mas, domingo que vem tá aí, vai ferver o quintal

Domingo bem cedo a galera se junta pra bola rolar
Eu sei, a noitada foi boa, no entanto, não posso atrasar
A chuteira já tá esperando, a camisa e o fardamento
O jogo acabamos ganhando, tudo isso foi o aquecimento
O que importa é a outra redonda, a mesinha no canto do bar
Onde a turma se une pós-jogo, prum samba cantar

Meu samba

Dm                                                  Gm
Samba, amor primeiro desde a infância
                                A7
Infinito e com constância,
                                         Dm              A7
Quando ouço os bambas pra me espelhar

Dm                                                  Gm
Samba, esse som originário do Brasil
                                        A7
Tão aclamado, noutros tempos, arredio
                                         Dm              D7
Perpetuou e hoje é alto patamar

        Gm7
Meu samba (meu samba, meu samba)
         C7                              Am7
Não teria melhor vida sem você
            D7                                     Gm7
Um novelo que é sem fim pra aprender
            C7               Am5-/7        D7          
Tantas joias, tantas obras pra cantar


Meu samba (meu samba, meu samba)
Vai do gole de branquinha do celeiro
Ao mais chique dos requintes do estrangeiro
Esse tão singelo dom de batucar

Meu samba (meu samba, meu samba)
Teve a mineira, Clara Nunes, a rainha
Ivone Lara e a Joia Rara, Jovelina
Beth Carvalho e Leci a amadrinhar

Meu samba (meu samba, meu samba)
É mais que estilo, é transcendente ligação
Maior de todos, simples nome é João
Méier e os 2 da Vila a honrar

sexta-feira, setembro 16, 2016

Felicidade que se compare

Amar você
É dar sentido pro coração bater
Me faz, querer viver
Não tem sentido sem amar... sem amar

Mais que paixão
O tempo certo é Deus que tem razão
Pra reatar a nossa união
Irmos em busca da felicidade

Felicidade
Eu quero encontrar ao teu lado
Nossa verdade
Ao sair pro trabalho bem cedo
Sentir saudade
Nunca mais haverá a distância
Dor tão covarde

Felicidade
Nunca tive um amor nessa vida
Que se compare
Te amar, bem cedinho, de noite, meio da tarde
Nosso amor, a mais forte aliança, eternidade

terça-feira, setembro 13, 2016

Olha o ladrão (vem mais)

C             F7                    C
Olha o ladrão, alguém gritou
               A7                  Dm
Ninguém viu, nem escutou
                          A7                     Dm                  G7
Quem sabe em samba, a gente acorda e corre atrás

C             F7                    C
Falou... no rádio e na tv
               A7               Dm
Não dá mais pra esconder
                A7     Dm                  G7                     C        C7
Assume o erro,......... olha pra frente que vem mais

       F7+                G7
Vem mais, papo furado
           Em              A7
Vem mais, lá do senado
       D7/9               G7             C
Vai mais, nosso dinheiro desviado

       F7+                G7
Vem mais, um aliado
           Em              A7
Vem mais, voto trocado
       D7/9               G7             C          
Vem mais e o nosso povo tá lascado
Bb7    A7         Dm             G7
                Vem mais povo zuado,
         C                 Bb7      A7
Vem mais, rosto marcado
         Dm                   G7                C
Apanhamos e ainda damos o outro lado
Bb7    A7         Dm             G7
                 Vem mais, mesmos safados
         C                 Bb7      A7
De terno engomado
               Dm                 G7                C
Pisa no esgoto, preocupado com o sapato

segunda-feira, setembro 12, 2016

Ela é outro esquema

(C7     F7)

Sabe aquela menina que chega e passa
A gente fica sem ar, tenta respirar fundo
(Fm     Bb7)
Como já disse Jobim, ela é cheia de graça
                                                                Fm         G7         
O seu doce balanço faz parar o mundo

(C7     F7)
É um sorriso que se abre e me hipnotiza
Imagina o feitiço então se ela te olhar
(Fm     Bb7)
Ela é daquela que atropela e nem avisa
                                                             Fm         G7------C7
Que rua o quê? Ela faz tudo parar

(Fm7/9     Bb7)
Que Mané calçadão de Ipanema
Ela tem muito mais charme, é outro esquema
(Gm7/9     C7)
Se já tem compromisso, ela é o problema
                                                                           C7-----F79
Que não tem outra igual, outra fita, outra cena

Bb7+                     C7          Am7      F7/9           Bb7+
Mas ela deve ter alguém ou vários a seus pés
                C7        Am7           F7/9           Bb7+
Ela é a sorte, é o bem, dependendo é o revés
Fm7/9   Bb7                Eb7+     F7/9            Bb7+
Ela perturba minha mente, ela causa, mó stress
Fm7/9   Bb7      Eb7+        A7/4                                     G7

Ela sabe seu poder, ........................ e nós ficamos de manés

segunda-feira, junho 06, 2016

Homenagem a Mario Sérgio

















Quantos morros já subi
Pra samba aqui e ali
Tocar, ver o povo feliz
Quintal cultivando a raiz

Da raiz, a caneta vira nota
Vira som que a gente exporta
Cavaco pequeno, gigante voz
Mais um gol, vitória pra “nós”

Nós, nossa luta e resistência
Sem frasco pequeno. Tão grande essência
Ser samba, na veia e no sangue
Perder Mario Sérgio, não há o que estanque

O show continua, segue a aconselhar
Engrandece, sem menosprezar
Fazer toda uma roda batucar e cantar
Um prazer que poucos irão gozar

O samba cumpre a razão de lamento
Nossa história em partido tem sofrimento
Não é falsa alegria que passa com vento
É palma da mão, mas hoje é silêncio... silêncio...

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Sem Fantasia

Desse quase um quilômetro
Pouco mais da metade
Onde existe vida e vive
Onde o mundo convive
Numa identidade

De um fatal encontro
De humanidade
Uma hora tão livre
Sem que ninguém pedisse
Se fez comunidade

Cabelos raspados, unhas compridas
Corpos pelados, roupas floridas
Sambas cantados, unhas roídas

São cantos sentidos, com muito a dizer
O simples motivo pro povo se ver
Um abraço de amigo é mais que vencer

E o 10 na vitória aponta seu mérito
O trabalho então ganha crédito
Traz o adversário pra perto
Unidos, mais um 10 é certo

Tem sapatos, paetês e regatas
Tem bolsa, penteado e gravata
Tem gente como é sem bravata
Tem muito passo, muito samba
Só a fantasia é de pirata

sexta-feira, setembro 04, 2015

Jóia Rara

De repente, um surdo
Tuumm, tum, tuumm, tum
Nessa hora não há peito algum
Em lugar nenhum
Que não o sinta bater
Que não o faça tremer
Nessa hora, um descompasso
Sem sair do tempo
Cada um da seu passo
No apito ou contratempo
Eis que nesse momento, o coração se desdobra, se triplica
Quando ao fundo da quadra
Um garoto repica
A caixa, o repilique
O tamborim segue o pique
Tão pequeno e imponente
Mostra-se tão presente
É cara de pau, sai na frente
Faz seu xaveco, sua bossa mais quente
E quentes ficam o sangue, as cordas e palhetas
Em notas velozes de infinitas facetas
Todo esse cenário no palco começou na calçada
Nota por nota, letra por letra
Seguindo a diretriz, o enredo que diz
Se é pra falar de dança, dancemos
Faça com que nos lembremos
Que a melodia preencha a quadra
E cante numa voz
Que a preciosidade sejamos nós
Em cores e luz, vermelhas, azuis
Enquanto o estandarte gira, conduz
Por uma hora e cinco mais apuração
A cada 10, a vibração
uma única sensação
Única, rara e especial
Como a jóia que nos representa
Preta, como nossa essência
Coloridas pela festa
E antes que ela se acabe
E aí, a quarta cinza que resta
Nosso respeitado manto
Vai lutar tanto
Vai gingar, dançar
E levar esse canto
Mais do que aos corações
Às cordas e percussões
Para o grito tão preso
Da Vila Madalena, onde voce verá que vale a pena
Sermos Pérola Negra
enfim campeões

quarta-feira, outubro 24, 2012

Música (fórmulas e essências)

Lamentavelmente, nossa música tem perdido a essência, o porquê. Isso acontece com o rock, que ganhou cores e apagou um pouco a luz ideológica que representa. Ainda temos os movimentos e bandas resistentes, mas são a exceção. Hoje é tudo enlatado, padrão, igual, nojento, vazio.

No samba, do qual tenho maior conhecimento e propriedade para discorrer, camisas justinhas e óculos caracterizam o novo pagodeiro, além do sorriso à toa. Quem ri tanto assim passa do status de simpático ao nível bocó. Paulo Cesar Pinheiro e Nelson Cavaquinho que o digam, quando cantaram a tristeza. Samba pode ser feliz, mas com essência, com verdade. E poucos a têm. Samba é algo que vai além de uma preferência, já dizia Nogueira. O samba saiu da cadeira e mesa de ferro dos botecos para luxuosos palcos.

Agora, pegando a estrada (de terra), vamos ao sertanejo. Acho até estranho o termo sertanejo em alguns casos. Sertanejo vem de sertão. Certo? Qual a ligação que hoje se ouve entre as músicas de 'banheiro', 'pega aqui, pega ali', tchererês, lelelês e afins com a terra, com o fogão de Lenha de Chitãozinho e Xororó, por exemplo?

Felicidade e alegria demais na música, muitas vezes, estraga. Quem aí que gosta de sertanejo ainda ontem chorou de saudade? 

Outros gêneros sofrem com o mesmo problema. Cabe a quem percebe essa visão, se esforçar contra a tendência e tentar expandir essa sensação de sermos exceção ao nosso redor.

Se é que me entendem, música não é apenas um gosto ou preferência para entretenimento. Ela é responsável também pela formação da personalidade, caráter e cultura das pessoas. Se essa formação é integralmente vazia, o que fazer?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Carnaval

Que porre é o carnaval
A festa do bacanal
Pra mim, é tudo igual
Curtir carnaval?
Nem a pau...
Fico até mal
Nem é pela questão moral
Não sou mais um moralista
Mas, tô fora dessa pista
Não dá pra correr
Não dá pra escapar
É difícil ver TV
E rádio escutar
Não sei o que tem de legal
Nessa época de carnaval
Ser quem você não é
Na sua vida normal
Cara se fantasia de mulher
Paga mico, é um mane
E foge da vida real
Mascara-se de falsidade
E usa o traje de covarde
E como um pierrot
Ou melhor, como um palhaço
Veste-se de coragem
E sob toda essa plumagem
Sabe tirar vantagem
E culpa o lado selvagem
Aflorado pela festança
Sabe entrar na dança
E até fazer criança
Que de nada tem culpa
Em novembro começa a luta
Pela dura sobrevivência
Ato da sua sapiência
E claro, muuuuuuuuuita inteligência
Mas, voltando à festa do povo,
(Cá pra nós, nada de novo)
Só o hit do momento
Que apaga o sofrimento
E finge estar tudo bem
Pula, bebe e fala amém

Depois, não há de reclamar
Que a vida está dureza
Esqueça, pense na beleza
Do carro da escola
Do país da bola
Só nisso mesmo
Esse é o nosso enredo
A evolução que dá medo
De destruir a harmonia
E o que vier pela frente
Desmascarar a fantasia
De encharcar a alegoria
Sem falar que o dia a dia
Que a nossa vida dá samba
Mas a letra só protesta
O clima não é de festa
É um samba canção
Melodia de violão
No bom estilo chorão
E bateria é trovão
Raio, inundação
Mas, CAI NO SAMBA, nação!!!

Nada contra o samba
O amo mais que tudo
Bem baixinho, quase mudo
Violão, cavaquinho
Pandeiro e surdo
Admiro a ação social
Que esses grêmios de carnaval
Têm na sociedade
Ensaio, aula, atividade
Com crianças da proximidade
Unem garra e vontade
Em prol da comunidade
Festas e mais ações
Para arrecadações
Para manter-se e sobreviver
Mas a questão a se fazer
É por que sobra pra essa escola
o que a outra não fez?

Pode ser um incentivo
Ou até ser o motivo
A questão fundamental
Já que a ação governamental
Só colabora com carnaval

Poderia ter só o social
E não esse festival
O prostíbulo mundial

Alô povo festeiro
Quando chega fevereiro
Iria até pro estrangeiro
Dá vergonha de ser brasileiro...

domingo, dezembro 13, 2009

Ela cai no pagode

De pandeiro na mão
Fiquei sem reação
Quando ela chegou

De vestido ou de saia
Um tomara que caia
Calça jeans que abalou

Miudinho ou enredo
No partido rasgado
Ela quebra sem medo
Samba aqui do meu lado

Ela cai no pagode
Com o seu rebolado
Ela dá um sacode
Seu ataque é pesado

É na pele escura
Que está seu poder
A mais forte mistura
Só olhar, dá pra ver

Quero ver seu gingado
O suingue maneiro
Ninguém fica parado
Com o som do pandeiro