Em tempos de plataformas digitais
Só ouve música merda quem quer
Nem vou me concentrar
Em dizer o que é ruim e o que não é
Sua consciência, eu creio, é bem capaz
E foi ouvindo Gabriel, o Pensador
Que então me dei conta
Do papel que desempenhou
Quebra cabeça. 23 anos e ainda não se monta
Olha que nem foi peça que faltou
Falava de aborto, violência, saúde, quero mais
Fez uma festa com som de tudo quanto é jeito
Mostrou a guerra que há contra o cachimbo da paz
O índio quer apito, não quer bala no peito
E hoje, eu confesso, meu verso tem das suas digitais
As linhas tortas no caderno que carrego
É porque escrevo num bloco não pautado
Mas há um bloco de assuntos que me apego
E não me entrego se o som não sai rimado
É 35. A lavagem? Não, o poder da viagem
E essa não tem fiado nem se põe no prego
Tem o nome de um grande amigo
Sua obra, Pensador, formou uma legião
Aprendi a ouvir o que não era dito
Nas palavras repetidas em refrão
Fui aprendendo a dizer o não escrito
Pensador, minha reverência sem a continência
À indecência militar que tá na moda
É a tendência da milícia à presidência
Bala perdida por aqui tem boina e rota
O povo ainda diz: hoje eu tô feliz
Acabou a previdência
Estupidez em evidência
E a ditadura está de volta
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terça-feira, fevereiro 18, 2020
Ainda Quebra-Cabeça
Lembretes:
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terça-feira, novembro 27, 2018
Ao Entregar Uma Rosa
‘Buquês são flores mortas, num lindo arranjo’
Aí eu me pego pensando
Ao entregar uma rosa
Eu sei que a atitude é generosa
É boa de coração
Mas, voa comigo na reflexão
Ao entregar uma rosa
Presenteamos em botão
Por vezes, nascente
Alguns decadentes
Na boa intenção
Ao entregar uma rosa
Embalamos.
Os espinhos? Retiramos
Depois que da terra arrancamos
Começa a contagem regressiva
O vaso com água amortiza
Mais um tempinho de sobrevida
Até secar a conexão
Com a natureza e seu habitat, o chão
Onde, por dias, cresceu
Até ser arrancada, toda lapidada
Pra ser entregue
Esperando retorno
O sorriso no rosto
De quem recebe
Ao entregar uma rosa
Será, de fato, que a intenção, por melhor que seja
Não vale que a gente reveja
Que, ao entregar uma rosa
Presenteamos-na morta
Toda emperiquitada, artificial
Artificializada, nem sei se essa palavra existe
Ao entregar uma rosa,
Começa a contagem do quanto ela resiste
E a gente insiste entregar uma rosa
Já sem coração, sem terra e pulsação, sem veias
Ao entregar uma rosa
Sejamos viscerais, integrais no ato
Entreguemos com vaso e tudo
Terra, semente e adubo,
Pra que ela floresça
Não padeça sem futuro
Ao entregar uma rosa
Deseje vida e continuidade
Não, o sorriso em troca para sua vaidade
Entregar uma rosa ou um buquê
Não faz o menor sentido
Se desejamos vida
Com tempo pra morrer
Em poucos dias definido
Ao entregar uma rosa
Não é essa a proposta
Seja rosa ou qualquer flor que ela gosta
Entregamos num gesto lindo, como o arranjo
Mas, será que ao entregar uma rosa
Entregamos em essência?
Essência do perfume e a nossa
Ou disfarçamos nossos espinhos e origem
Não são todos que se exibem
Nus, sem poupar imperfeições
Sua beleza e a de entregar uma rosa
Estão mais na terra e na história
Que no buquê de enfeitados botões
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quinta-feira, setembro 14, 2017
Minha bagagem
Minha bagagem não tem
Os grandes clássicos da literatura
Assumo a falha, mas, não aceito porém,
Questionar minha cultura
Li alguns grandes autores
Na escola e algum tempo depois
Que me desculpem os mestres doutores
Sou bem mais Nei Lopes, D2
Sou Bezerra, Dicró, Morengueira
Sou João e seu Nó Na Madeira
Sou Cacique, a tamarineira
Rainha Leci, Clara guerreira
Sou Martinho, partido e pandeiro
O lamento de Paulo Cesar Pinheiro
Leva Meu Samba, meu mensageiro
Almir e Da Cruz; Beth, as damas primeiro
Minha poesia pode até ser rebuscada
Culpa de Um Homem Na Estrada
Ao ouvir, minha alma é elevada
Num sarau, poesia declamada
Foram essas raízes, minha influência
Aos poucos, adquiri a consciência
Que estes construíram minha essência
Minha poesia? Só quer dar sequência...
Os grandes clássicos da literatura
Assumo a falha, mas, não aceito porém,
Questionar minha cultura
Li alguns grandes autores
Na escola e algum tempo depois
Que me desculpem os mestres doutores
Sou bem mais Nei Lopes, D2
Sou Bezerra, Dicró, Morengueira
Sou João e seu Nó Na Madeira
Sou Cacique, a tamarineira
Rainha Leci, Clara guerreira
Sou Martinho, partido e pandeiro
O lamento de Paulo Cesar Pinheiro
Leva Meu Samba, meu mensageiro
Almir e Da Cruz; Beth, as damas primeiro
Minha poesia pode até ser rebuscada
Culpa de Um Homem Na Estrada
Ao ouvir, minha alma é elevada
Num sarau, poesia declamada
Foram essas raízes, minha influência
Aos poucos, adquiri a consciência
Que estes construíram minha essência
Minha poesia? Só quer dar sequência...
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quinta-feira, dezembro 01, 2016
Retorno Notório
Ao mesmo tempo que tudo parece revirado
Que
tudo está voltando ao passado
E
isso muito me desanima
Vejo
que ganha espaço a rima
Quem
está na classe que domina
Surta
se eleva nossa autoestima
Ocupando
espaços, posições
Chegando
algo da periferia
Pra
quem sempre a preteria
Nas
mais diversas situações
Na
TV, por exemplo, só porcaria
Mas,
hoje tem até filosofia
Tem
debates de opiniões
E
as novas gerações
Da
comunicação veloz e vazia
Não
entendem as lições
Saem
dando sentenças e visões
Cuja
causa sequer conhecia
Bate
o martelo, está julgado
Com
tanto julgamento atravessado
Não
dá tempo de reflexão
Então,
mesmo com tanta informação
Com
o controle na mão,
Você
ter opção
Parecemos
zumbis teleguiados
Por
celulares controlados
Nas
redes sociais, professores se destacam
Karnal,
Clóvis, Pondé, Cortella disparam
Os
views em cada guia ou janela
Não
tanto quanto à telenovela
Nem
aqueles hits padrões
Mas,
colocam no foco da tela
Raciocínio,
argumentações
Não
imunes, são atacados
Por
juízes supremos da rede
Pois
se sentiram contrariados
Pra
eles, define-se tudo em dois lados
O
deles e os errados
Entre
nós, uma parede.
Intransponível
muro
Tal
qual o sonho americano
Criamos
um no convívio humano
Já
que eu nada aturo
Quero
aqui ficar seguro
Aqui
nem me misturo
E
com tanta barreira
Tem
quem anda de bigorna e marreta
Pra
quebrar trincheira
Cruzar
fronteira
Com
sangue na veia
Contar
essas treta
Com
microfone e caneta
Tinta
no papel, preferencialmente preta
Tem
cara bom demais na versada
Está
mais que em alta na parada
A
galera nova está ligada
Mas,
de que adianta só ouvir
Decorar
e repetir
Sem
pensar e entender nada?
Tem
que sacar a jogada
A
rima bem casada
Do
Braulio Bessa em seu cordel
Fabio
Brazza, improvisa com moral
No
samba, fez escola, o Martinho da Vila Isabel
No
rap, Racionais, verso preciso sem igual
Trilha sonora do gueto, honroso papel
Voltando a tal da batucada
Voltando a tal da batucada
O
Xande que foi revelação
Toca
e versa com pegada
E
tem os feras da nova geração
Emicida
monstruoso nas batalhas
Trucida
uns sem mostrar falhas
Tem
o Projota que agita multidão
Sabe
usar as palavras normais
Sem
versos formais, nada banais
E
com rimas leais
Então,
tendo filosofia
Rap,
samba e poesia
É,
no mínimo, contraditório
Nosso
retorno notório
Ao
que já superamos um dia
Em
tempos não tão lá atrás
Sem
sair de casa, a atitude voraz
Desafiar
o mundo, pregar ideais
Isso
me apraz
Eu
vou fundo, no meu sofá imundo
Guerrear
pra defender minha paz.
Lembretes:
Homenagens,
improviso,
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