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terça-feira, dezembro 07, 2021

Poesia e Pão

Poesia põe pra pensar
Pão põe de pé
Palavras a passear
Por pântanos
Por pânico
Pelo prazer, se puder

Percorrendo poemas
Provérbios, profecias,
Passo por padres, pastores,
Pela pretensa pregação
Palavreados plurais preteridos
Principalmente pretos
Pelo Pai proibidos
Pelo pai?
Permita-me
Puramente preconceito

Percebo pessoas
Piedosamente pedindo 
Pedem paz
Pedem pólvora
Pra proteger propriedade
Paralelamente, pobreza
Pedem prato
Pedimos pausa

Precisamos... pela pressão
Pai, peço permissão
Parece prático pintar, poetizar
A própria poesia
Parece,
Pensamento pequeno
Poetas perpassam períodos, planetas, personagens
Perdas, paixões, paisagens
No papel, pleno
Poesia e pão, pura política
Pro povo, politicagens

A escola abre o mural
Pra oportunidade
EMEF Manoel, arma o varal
Pendura o papel, estilo sarau

Cola, prega lá seu verso
Igual na rede social
É a rede de verdade
Marca lá o local
Jardim Bonança, Osasco
Na rua de cima do ponto final

Se você dança,
Ensaia o passo, treina, faz a sua
Se canta,
Esteja com o bloco na beira da rua
Se escreve,
Não se atreva a parecer que atua

O pão nosso de cada dia, como se reza
Tem fermento no fomento
Onde a fome se despreza
A massa, depois de apanhar, processa

E cresce
Conforme os ingredientes
Um pouco de força,
Um tanto da gente
Um tempo de forno
Um pouco de prece

Mal o sol aparece
Já tem pão
O aluno na sala, 1 pão
Mais 1 dia, mais 1 pão
Isso se chama processo de fermentação

A escola no topo mais alto
A comunidade subindo a ladeira
Reproduz o passo no asfalto
O corpo inclinado pra frente
Fazendo a padoca e a feira
Mais que legume e verdura
Alimento e cultura
Pão é pintura, é sustento
É literatura, é alimento

Com todo mundo chegando
Sempre sai pão quente
Sim, é seu moleque, sua menina
Tendo a poesia presente

Aqui na nossa quebrada
O relógio ainda nem marcou sete
Falta um tiquinho
Pro sinal que anuncia
Da esquina, sobe o cheiro da fornada
Do mercadinho, da padaria
Aquele saco marronzinho
Aberto pra não murchar, saiu quentinho
Não é só pão, é poesia.

quarta-feira, setembro 28, 2016

Lá Na Quebrada

Lá na quebrada, aonde eu colo e o couro come
É na batucada, a galera vai pro funk
E vai madrugada, tem os cara que faz rap
Dá as canetada, e no domingo, bate bola
Aquela, pelada, e logo mais eu falo mais do que tem

Lá na quebrada, passo na tia das marmita,
Quarta é feijoada, tem cada história de vida
Que é barra pesada, e tem orgulho das vitórias,
Lá na quebrada, sai bem cedo e volta tarde
Com noite fechada, busão lotado mó aperto

E toma encoxada, que sem noção esses Mané,
Vai tomar porrada, Sigo correndo contra o tempo
Atraso é mancada, que lá na firma é bate-ponto,
Hora descontada, e faz mó falta pra pagar,
Casinha alugada, vou fazer um bico, vender cerva,

Aqui nas balada, tirar um cachê com meu cavaco,
Em outra quebrada, é a mistura da semana
Que tá assegurada, é tanta treta, mas, a gente,
Tá na pegada, não esmorece o couro é grosso
Aguenta a parada, pra vida estabilizar,

Dar aquela ajeitada, só não esqueça que a urna
Não é privada, pois tem uns cara que nem sabe
O que é a quebrada, te considera só um voto
Gente favelada, vê se te enxerga seu safado,
Que cara lavada...

Naaa queeebraaadaaaa, somos seu melhor refém
Naaa queeebraaadaaaa, somos o que te convém
Naaa queeebraaadaaaa, por nós diz que vai lutar
No fundo só quer dominar

A quebrada