Anunciou uma voz na estação
Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma
Enquanto, repetidamente a voz informa
Eu foquei exclusivamente no vão
Há uma queda boa dali pro chão
Ratos no trilho, a distância conforta
Não vai descer, não fica na porta
Outra sonora orientação
No trem, mercadorias sem nota que vão
Outras tantas não se sabem de onde vêm
"Não compre de ambulantes", ouço a recomendação
O rapa faz vista grossa se pinga aqueles cem
Allan da Rosa tem esse nome numa publicação:
VÃO, poesias que abrem feridas
Grafite e caligrafia na exata medida
Vão é vazio? Pra mim, não!
Há tantos vãos que nos levam a outra dimensão
O vão entre a corda e o braço do instrumento
Essa pressão faz expressão no movimento
Do rouco, do silêncio, do pulsar à vibração
Do sol que com uma mísera fresta, faz invasão
Vãos são as linhas que pulo, as vírgulas de um verso
O vão não é o nada, ele pode ser o inverso
Do vazio se cria um novo universo, às vezes, em vão.
O Metrô e a CPTM nunca vão
Entender o quanto é estressante
Viajar esmagado e ouvir que o problema é o ambulante
Nunca vão
Dar espaço à arte itinerante
Eles vão
Dar desculpa pra falha constante
Eles vão aumentar a passagem logo adiante
E adiante dos pés, o vão
Um passo, fecham-se as portas
Cheios vagões se vão
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sexta-feira, março 20, 2020
O vão entre o trem e a plataforma
Lembretes:
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quarta-feira, abril 29, 2015
Trilhos nos braços
Ao mesmo tempo que me fascina o fluxo das manhãs,
sinto-me como parte de uma boiada,
sendo tocada pelos apitos dos trens
e ruídos das escadas rolantes
Entre os pontos mais fascinantes
está a diversidade de fluxos
Não apenas as plataformas,
com ida e volta
São infinitas variantes
Uns indo amar, talvez com pressa.
Outros, voltando cansados de amar ou labutar
Há os que encontramos com ar de quem vai;
outros de quem vem, seja no ônibus, metrô ou trem,
(como esse, sentido Osasco, em que estou)
E eu ainda vou. Vou com o sol e volto sem ele
(que saudade do horário de verão)
Eu vou com um livro, olhos atentos e sempre aberto à poesia que
"está no ar, ao alcance de qualquer um" (como escreveu Ricardo Dias).
Nessa intersecção de destinos, cruzamos de tudo um pouco.
Tinha até um cara, de camisa, calça social, com seus 50 e alguma coisa,
e ele carregava, embalados em papel branco, dois braços de guitarra Dolphin (novinhos)
Como vejo poesia em quase tudo, fiquei pensando quanta história futura ele carregava ali
Quanto som, quanto bem aqueles dois singelos braços fariam a alguém, que faça o som ou o ouça.
E quantas horas cada músico leva pra aprender a tocar guitarra.
Que os dedos percorram mais linhas/ cordas que o trem que eu peguei outro dia,
com uma placa que datava 1997.
Quanta história e quanta poesia ele já carregou... caberia em um solo de guitarra?
sinto-me como parte de uma boiada,
sendo tocada pelos apitos dos trens
e ruídos das escadas rolantes
Entre os pontos mais fascinantes
está a diversidade de fluxos
Não apenas as plataformas,
com ida e volta
São infinitas variantes
Uns indo amar, talvez com pressa.
Outros, voltando cansados de amar ou labutar
Há os que encontramos com ar de quem vai;
outros de quem vem, seja no ônibus, metrô ou trem,
(como esse, sentido Osasco, em que estou)
E eu ainda vou. Vou com o sol e volto sem ele
(que saudade do horário de verão)
Eu vou com um livro, olhos atentos e sempre aberto à poesia que
"está no ar, ao alcance de qualquer um" (como escreveu Ricardo Dias).
Nessa intersecção de destinos, cruzamos de tudo um pouco.
Tinha até um cara, de camisa, calça social, com seus 50 e alguma coisa,
e ele carregava, embalados em papel branco, dois braços de guitarra Dolphin (novinhos)
Como vejo poesia em quase tudo, fiquei pensando quanta história futura ele carregava ali
Quanto som, quanto bem aqueles dois singelos braços fariam a alguém, que faça o som ou o ouça.
E quantas horas cada músico leva pra aprender a tocar guitarra.
Que os dedos percorram mais linhas/ cordas que o trem que eu peguei outro dia,
com uma placa que datava 1997.
Quanta história e quanta poesia ele já carregou... caberia em um solo de guitarra?
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