quarta-feira, abril 22, 2015

Foi real?

Ela tem um quê que eu não sei explicar
Misteriosa que só ela
talvez ela nem exista
seja coisa da minha imaginação
mas penso que não
a minha não é tão fértil a ponto de desenhá-la como a vejo
como em sonhos passados, me esbaldei com desejo
não pode ser real
como dizem por aí: é muita areia pro meu caminhãozinho
mas como imaginar é permitido, quero acreditar que foi real
era tanto fluido...
corporal, espiritual, sentimental, carnal
era poesia pura, essências além do normal
eram olhos que me encaravam sem a doçura de amor,
tinha tudo menos ternura
Como disse, era poesia pura,
porém aguda, ofensiva, direta sem meneios
era pra frente pro ataque
e quando me atacou como presa fácil fui ao chão
sem acreditar no que sentia
nem havia bebido pra delirar tanto e viajar para aquele novo mundo
Tudo parecia novidade, tanto que nem soube direito o que fazer e assim aquele dia ganhou novos ares
apresentou um novo limite ao céu, que eu sequer conhecia
E a cada manhã que abre o próximo dia, visito meus sonhos,
Lá está o manto negro, misterioso, de silhueta definida,
para colocar em questão:
toda vez que te vejo é mais um sonho
ou o sonho ideal ganhou vida?

quinta-feira, março 19, 2015

O Camisa 10

E tava lá o camisa 10
Brasil no verde e amarelo
Bem preto no branco
Mexendo em papéis
Buscando um farelo

Revirando lixo
Camisa manchada
Suja e suando
Depois de algum bicho
Cata o resto do nada
Comemorando

E a sujeira no manto pirata
Deveria estar na original
Ao apito final, ainda intacta
Não sabe o valor de um real

Nem quanto vale um quilo de vida
Ou um tanto de horas
De interminável corrida
Em busca de sobras

E quanto vale ser reciclável
Coisas e pessoas
Achar no lixo a tal rotina
Ser, por essência, renovável
Ser via de fluxo intenso, e não esquina

terça-feira, janeiro 13, 2015

Já aviso


Já aviso

Minha poesia não é curta

Pois, curto não é meu pensamento

É profundo, vasto

Variado no sentimento

Por tristeza ou contentamento

E assim como aqueles avisos

O ministério disso e daquilo adverte

Minha poesia nem sempre agrada

Seu estado às vezes converte

Se feliz, embarcar, pode encontrar dor

Se a solidão te acompanhar, pode achar amor

Faço apenas o convite

Deixe-se embarcar

No balanço da marola

No sopro do ar

Minha poesia é assim

No caminho é que se descobre

Onde a gente pode chegar

Se é que chegar é o fim.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Dias Tristes

Nos dias tristes
Nada tristes são as rimas
Elas vêm
Ricas, abundantes
Chorosas, contínuas
Para a poesia, é a essência
Alma e versos se atinam
É a escrita sem ciência
Onde beleza e dor combinam

domingo, janeiro 11, 2015

Tô aí


Não é de propósito, nem opcional, é o que sinto, contra minha vontade, contra meu poder de reação nos dias de baixa. É algo que vem de dentro pra fora, mas, algo como a sensação de um problema no meu funcionamento. Não é descaso ou qualquer outra situação de desprezo ou o clássico “to nem aí”. Tô aí, cá, lá, aqui, e, por vezes, queria simplesmente não estar, não ser, muito menos existir.

Luz que Repousa


Quando a luz apaga

E o travesseiro aguarda o repouso

Nem sempre ele vem

 

Um turbilhão não se acalma

E num golpe do sono

Apago também

 

Sem ter qualquer certeza

Que correu tudo bem

A alma voa indefesa

E a seca de uma enorme represa

Vira um louco porém

 

Minha loucura

Minha falta de paz

Nessa conjuntura

Fico mais incapaz

 

De acender a luz

E o interruptor

É o que me conduz

Não interrompe a dor

 

E o meu total desconforto

Quando a luz apaga

Me acende a questão

Será que estou morto

Ou terei mais um dia

E em qual condição