O movimento dos lábios é lento
A língua umedece as palavras
A fartura e o traço que os desenham
E por mais que os meus se contenham
Eles parecem me convidar
A calar os versos que venham
E sem palavras, só penso
Imagino, viajo
Sem sair do lugar
Inclusive meu olhar
Fixados naquele seco salivar
E por mais molhado que seja o desejo
O que vem antes é deserto
O que antecede o beijo
É boca seca e olhar trocado
É prazer represado
Som rouco, nada suave
Tal qual pedras batendo
Se chocando, rangendo
Somos nós, nos segurando, nos contendo
Mas o ditado popular
Fala da água a pressionar
Se a barreira romper
Mergulho sem temer
Nos riscos da correnteza
Pra confirmar minha certeza
E molhar-me por prazer
quarta-feira, julho 22, 2015
domingo, junho 28, 2015
Os poemas que perdi
Os poemas que perdi
Em rascunhos rabiscados
Em memórias eletrônicas, virtuais
Esses já são passado
Esses não voltam mais
A poesia é o instante
Inspiração que flutua
Por vezes, me arrebata
Outras levo a jangada
Coadjuvante ou quem atua
Faço os dois papéis
E foram tantos que perdi
Fora os que eu não imprimi
Mas até os que voaram
Por ocasiões, deletaram
Fazem parte de mim
Não os verei à frente
Mas à frente tem tanta poesia
Não as que escrevi um dia
Tem outras tão presentes
Que hei de vê-las
Olhando as calçadas
Não as estrelas
Não é que não haja poesia na lua.
Pode até haver vida por lá
Mas a minha inspiração é na rua
Por onde eu consigo andar
E foi pelo chão que perdi alguns versos
Não no território lunar
Sendo assim, meus poemas
Passados e futuros
Estão nos dilemas
Livres ou entre muros
Com os passos no chão duro
Que eu posso encontrar
Em rascunhos rabiscados
Em memórias eletrônicas, virtuais
Esses já são passado
Esses não voltam mais
A poesia é o instante
Inspiração que flutua
Por vezes, me arrebata
Outras levo a jangada
Coadjuvante ou quem atua
Faço os dois papéis
E foram tantos que perdi
Fora os que eu não imprimi
Mas até os que voaram
Por ocasiões, deletaram
Fazem parte de mim
Não os verei à frente
Mas à frente tem tanta poesia
Não as que escrevi um dia
Tem outras tão presentes
Que hei de vê-las
Olhando as calçadas
Não as estrelas
Não é que não haja poesia na lua.
Pode até haver vida por lá
Mas a minha inspiração é na rua
Por onde eu consigo andar
E foi pelo chão que perdi alguns versos
Não no território lunar
Sendo assim, meus poemas
Passados e futuros
Estão nos dilemas
Livres ou entre muros
Com os passos no chão duro
Que eu posso encontrar
sexta-feira, maio 08, 2015
Sorriso da manhã
Ônibus lotado.
Temperatura já quente pela lotação.
Fora faz frio.
Devido ao calor, ja tirei o casaco e o carrego desconfortável no braço,
pelo aperto, pela bolsa que trago também
e pela mão esquerda que abre o livro que leio
(Jugo Suave - Ricardo Ap. Dias)
Sigo ali no canto com a musculatura doendo pela inércia.
Uma moça branca em minha frente tenta abrir a janela do meu lado.
Percebo o esforço e com certa facilidade, pego o puxador e de forma bruta escancaro a janela. Mostrei firmeza nesse simples gesto.
A moça que não me chamaria atenção no dia a dia, virou-se a mim, sem nenhuma palavra e sorriu como se dissesse obrigado.
Que sorriso simpático. Se ela sorriu só por eu ter aberto a janela, imagina se conversássemos...
a propósito, se nos falássemos mais, talvez fôssemos uma sociedade mais feliz
(in)Consciência
Conversando esses dias com um jovem aspirante a filósofo, discutimos superficialmente o existencialismo.
E em pressupostos, ele colocou o morador de rua como alguém que foi excluído da sociedade, espirrado mesmo.
Propus refletirmos sobre a chance de aquela realidade ser opção. Sempre haverá uma plena consciência em meio a um mundo paralelo.
Para ir a este lugar, não são aviões nem carros que nos levam.
E na luz da ideia e do sol, amanhecia. E a moradora de rua pergunta ao grupo: hoje e feriado?
O outro responde: É. Dia do Trabalho.
Ela: nem sabia.
Essa foi minha ida pela manhã. Na volta, a moça magra tal qual usuária passeava com um cão na coleira e reclamou do vizinho de calçada sobre qualquer agressão contra outro pobre cachorrinho que circulava sem coleira.
Ela passou o dia do trabalho olhando o movimento, sem nem saber que dia era.
quarta-feira, abril 29, 2015
Trilhos nos braços
Ao mesmo tempo que me fascina o fluxo das manhãs,
sinto-me como parte de uma boiada,
sendo tocada pelos apitos dos trens
e ruídos das escadas rolantes
Entre os pontos mais fascinantes
está a diversidade de fluxos
Não apenas as plataformas,
com ida e volta
São infinitas variantes
Uns indo amar, talvez com pressa.
Outros, voltando cansados de amar ou labutar
Há os que encontramos com ar de quem vai;
outros de quem vem, seja no ônibus, metrô ou trem,
(como esse, sentido Osasco, em que estou)
E eu ainda vou. Vou com o sol e volto sem ele
(que saudade do horário de verão)
Eu vou com um livro, olhos atentos e sempre aberto à poesia que
"está no ar, ao alcance de qualquer um" (como escreveu Ricardo Dias).
Nessa intersecção de destinos, cruzamos de tudo um pouco.
Tinha até um cara, de camisa, calça social, com seus 50 e alguma coisa,
e ele carregava, embalados em papel branco, dois braços de guitarra Dolphin (novinhos)
Como vejo poesia em quase tudo, fiquei pensando quanta história futura ele carregava ali
Quanto som, quanto bem aqueles dois singelos braços fariam a alguém, que faça o som ou o ouça.
E quantas horas cada músico leva pra aprender a tocar guitarra.
Que os dedos percorram mais linhas/ cordas que o trem que eu peguei outro dia,
com uma placa que datava 1997.
Quanta história e quanta poesia ele já carregou... caberia em um solo de guitarra?
sinto-me como parte de uma boiada,
sendo tocada pelos apitos dos trens
e ruídos das escadas rolantes
Entre os pontos mais fascinantes
está a diversidade de fluxos
Não apenas as plataformas,
com ida e volta
São infinitas variantes
Uns indo amar, talvez com pressa.
Outros, voltando cansados de amar ou labutar
Há os que encontramos com ar de quem vai;
outros de quem vem, seja no ônibus, metrô ou trem,
(como esse, sentido Osasco, em que estou)
E eu ainda vou. Vou com o sol e volto sem ele
(que saudade do horário de verão)
Eu vou com um livro, olhos atentos e sempre aberto à poesia que
"está no ar, ao alcance de qualquer um" (como escreveu Ricardo Dias).
Nessa intersecção de destinos, cruzamos de tudo um pouco.
Tinha até um cara, de camisa, calça social, com seus 50 e alguma coisa,
e ele carregava, embalados em papel branco, dois braços de guitarra Dolphin (novinhos)
Como vejo poesia em quase tudo, fiquei pensando quanta história futura ele carregava ali
Quanto som, quanto bem aqueles dois singelos braços fariam a alguém, que faça o som ou o ouça.
E quantas horas cada músico leva pra aprender a tocar guitarra.
Que os dedos percorram mais linhas/ cordas que o trem que eu peguei outro dia,
com uma placa que datava 1997.
Quanta história e quanta poesia ele já carregou... caberia em um solo de guitarra?
terça-feira, abril 28, 2015
Três pontos
Manhã comum como qualquer outra
Sol porém nem frio nem calor de arder logo cedo
Contudo, é apenas mais um dia
Rotina
E como gosto de transporte público...
Todo mundo estranha
Mas vejo no aperto tanta história que a curiosidade me fascina
Assim como a beleza feminina e sua variedade
A primeira a entrar foi uma negra escultural, cada curva do corpo desenhada à mão.
A pele chegava a brilhar, assim como os lábios, também desenhados,
contornados em um tom mais escuro que a pele.
Não sei seu nome, mas tem 'cara' de Regina. A primeira a entrar e a primeira a sair.
A blusa branca a contrastar, calça vermelha a colorir.
Uns 3 pontos depois, desceu uma jovem estudante.
Mochila nas costas, com quem por vezes já pouco conversei, se bem me lembro, de nome Bianca.
Deve ter seus 19. Jovem, rosto inocente e com jeito de guerreira.
Deve trabalhar, estudar, levar no peito a canseira.
Desceu, acho que hoje sem me ver por aqui.
E mais alguns pontos depois, desceu a que estava em minha frente.
E nessa altura do percurso, o sol entrava pela janela e nela brilhava.
No sorriso bonito, nos olhos amarelados como o sol que nasce,
nos cabelos cacheados nesta manhã sem vento que o balançasse
Usava tênis, calça colorida e uma mochila cinza estourando de tão cheia
Pela roupa parecia ir à academia, mas pela maquiagem, não.
Bem feita como quem vai ao trabalho ou a uma importante reunião.
A moça era bonita, talvez entre seus 28 e 32. Parecia tranquila e feliz.
É bom ver gente assim. E logo depois deu sinal e saiu.
O nome Não sei talvez Renata, Fernanda ou Marilia.
As três partiram, eu segui com um livro de poemas
e inspirado, por agora, pelo menos, esqueci os problemas
e os dilemas que em vez de inspiração têm me trazido agonia.
Mas não da tempo pra isso desci do ônibus, peguei trem, metrô e assim continua o dia.
E ainda são 8h13 da manhã...
Sol porém nem frio nem calor de arder logo cedo
Contudo, é apenas mais um dia
Rotina
E como gosto de transporte público...
Todo mundo estranha
Mas vejo no aperto tanta história que a curiosidade me fascina
Assim como a beleza feminina e sua variedade
A primeira a entrar foi uma negra escultural, cada curva do corpo desenhada à mão.
A pele chegava a brilhar, assim como os lábios, também desenhados,
contornados em um tom mais escuro que a pele.
Não sei seu nome, mas tem 'cara' de Regina. A primeira a entrar e a primeira a sair.
A blusa branca a contrastar, calça vermelha a colorir.
Uns 3 pontos depois, desceu uma jovem estudante.
Mochila nas costas, com quem por vezes já pouco conversei, se bem me lembro, de nome Bianca.
Deve ter seus 19. Jovem, rosto inocente e com jeito de guerreira.
Deve trabalhar, estudar, levar no peito a canseira.
Desceu, acho que hoje sem me ver por aqui.
E mais alguns pontos depois, desceu a que estava em minha frente.
E nessa altura do percurso, o sol entrava pela janela e nela brilhava.
No sorriso bonito, nos olhos amarelados como o sol que nasce,
nos cabelos cacheados nesta manhã sem vento que o balançasse
Usava tênis, calça colorida e uma mochila cinza estourando de tão cheia
Pela roupa parecia ir à academia, mas pela maquiagem, não.
Bem feita como quem vai ao trabalho ou a uma importante reunião.
A moça era bonita, talvez entre seus 28 e 32. Parecia tranquila e feliz.
É bom ver gente assim. E logo depois deu sinal e saiu.
O nome Não sei talvez Renata, Fernanda ou Marilia.
As três partiram, eu segui com um livro de poemas
e inspirado, por agora, pelo menos, esqueci os problemas
e os dilemas que em vez de inspiração têm me trazido agonia.
Mas não da tempo pra isso desci do ônibus, peguei trem, metrô e assim continua o dia.
E ainda são 8h13 da manhã...
quarta-feira, abril 22, 2015
Foi real?
Ela tem um quê que eu não sei explicar
Misteriosa que só ela
talvez ela nem exista
seja coisa da minha imaginação
mas penso que não
a minha não é tão fértil a ponto de desenhá-la como a vejo
como em sonhos passados, me esbaldei com desejo
não pode ser real
como dizem por aí: é muita areia pro meu caminhãozinho
mas como imaginar é permitido, quero acreditar que foi real
era tanto fluido...
corporal, espiritual, sentimental, carnal
era poesia pura, essências além do normal
eram olhos que me encaravam sem a doçura de amor,
tinha tudo menos ternura
Como disse, era poesia pura,
porém aguda, ofensiva, direta sem meneios
era pra frente pro ataque
e quando me atacou como presa fácil fui ao chão
sem acreditar no que sentia
nem havia bebido pra delirar tanto e viajar para aquele novo mundo
Tudo parecia novidade, tanto que nem soube direito o que fazer e assim aquele dia ganhou novos ares
apresentou um novo limite ao céu, que eu sequer conhecia
E a cada manhã que abre o próximo dia, visito meus sonhos,
Lá está o manto negro, misterioso, de silhueta definida,
para colocar em questão:
toda vez que te vejo é mais um sonho
ou o sonho ideal ganhou vida?
Misteriosa que só ela
talvez ela nem exista
seja coisa da minha imaginação
mas penso que não
a minha não é tão fértil a ponto de desenhá-la como a vejo
como em sonhos passados, me esbaldei com desejo
não pode ser real
como dizem por aí: é muita areia pro meu caminhãozinho
mas como imaginar é permitido, quero acreditar que foi real
era tanto fluido...
corporal, espiritual, sentimental, carnal
era poesia pura, essências além do normal
eram olhos que me encaravam sem a doçura de amor,
tinha tudo menos ternura
Como disse, era poesia pura,
porém aguda, ofensiva, direta sem meneios
era pra frente pro ataque
e quando me atacou como presa fácil fui ao chão
sem acreditar no que sentia
nem havia bebido pra delirar tanto e viajar para aquele novo mundo
Tudo parecia novidade, tanto que nem soube direito o que fazer e assim aquele dia ganhou novos ares
apresentou um novo limite ao céu, que eu sequer conhecia
E a cada manhã que abre o próximo dia, visito meus sonhos,
Lá está o manto negro, misterioso, de silhueta definida,
para colocar em questão:
toda vez que te vejo é mais um sonho
ou o sonho ideal ganhou vida?
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