sexta-feira, julho 06, 2012

Imediato


Roleta.
Russa?
Talvez...
Gira rápido,
Sem porquês,
Sem vez pra calma

Aponta
Dispara
Não pára
Voa
Veloz
Direto
Incerto
Fatal
Ponteiros
Contínuos
Marcando
Agora
A hora
Seguimos
Girando
Opostos
História
Quem sabe?
Já
Memória
Roleta
Russa
In memorian

sábado, junho 30, 2012

Sabe aquela história?...

Tenho uma teoria seriíssima quanto a um time que queira disputar (realmente) um campeonato como o Brasileirão, no sistema de pontos corridos (o que não acredito ser o caso do São Paulo). Para alcançar a taça, uma equipe precisa dos "pontos improváveis" ou "pontos surpresa", como queiram. Novamente explico: são aqueles jogos que o torcedor não espera um resultado positivo. Exemplo: Inter, fora; Grêmio, fora; Flamengo, fora; Vasco, em casa ou fora; e os clássicos.

Nestes casos, uma derrota não surpreende. Hoje, o São Paulo conseguiu um resultado positivo, não tão inesperado, pelo retrospecto muito favorável contra a raposa de Minas. Mesmo com a vitória, os dois gols cruzeirenses não são dignos de serem sofridos nem por time de várzea. E este setor é exatamente o que descredencia o São Paulo nesta disputa. A zaga horrorosa, a la Jean-Emerson-JulioSantos, a pior que já vi, descaracteriza os elencos campeões pelo tricolor, quando tivemos Valber, Ronaldão, Lugano, Miranda, Alex Silva, Breno, entre outras formações.

Quanto ao "falso-ídolo" Luís Fabiano, sou muito criticado por todos ao comentar este assunto. Apenas um bom atacante, nada mais. Além de não ser o cara que decide - e nunca foi - agora decidiu se poupar a cada três jogos com as punições por cartões. Quando o São Paulo enfrenta os rivais mesmo? Três jogos antes, comece a colecionar cartões, matador! Elabore bem sua tabela pra não dar errado e você ter que jogar contra os rivais e não decidir a favor do Tricolor como sempre.

segunda-feira, junho 11, 2012

Distâncias e Voltas



Quilômetros
Medida cruel
Para quem ama
Quem gosta, quem deseja,
Que se inflama
Por um telefonema que seja

Quem espera o sol sair
Pra calorosamente pedir
Para adentrar a janela
Ou convidá-la a abrir

Nestas distâncias,
Sejam medidas ou pessoais
Cada ponto deste espaço
Os corações com este traço
Querem beijos reais
Fantasias carnais

Querem voar sem hora
Sem check-in, sem demora
Eu sei que amor espera
Mas, a vida não
A ausência se supera
se predomina a razão

Se o coração bater mais forte
Não se adia ocasião
Faça a Terra tal um globo
Girar na sua impulsão
Num segundo, Brasil, Japão

Vivo a ânsia de te buscar
E não esqueço o teu rosto
E eu de algum lugar distante
Só espero que até lá
Nas voltas que o mundo dá
Já tenha girado o bastante.

quarta-feira, junho 06, 2012

Carrossel


Depois de longo tempo
Embarco em giros e voltas
Revejo a infância
Sem muitas lembranças
Mas, com sentimentos

Com “ser criança”
Com inocência
Sem a interferência
Que a TV nos impõe
Tantas cenas de indecência

Não existia o nome bullying
Não havia tanta maldade
Hoje o controle é covarde

Prende, cerca, encurrala
Mas, na tela,
Ecoa o sinal da escola
A lágrima rola

Por ver e ouvir o que deveria
Ser visto e ouvido todo dia
Mensagens e ensinamentos
Chico, Toquinho, poesia

Em disputas desleais
Disparadas na audiência
Com romances, casos e tramas
Esquemas, crimes e camas

Mas, prefiro as travessuras
De uma reedição
Da novela e da televisão

Um dos raros momentos
Em que realmente
É livre a classificação

sexta-feira, abril 27, 2012

Ondas do Jequi


Nos pés que se vão, a sandália de couro
Feita a mão, com mãos desta terra
Onde a cultura, um conhecido tesouro
Espalha-se nos palcos, na voz do poeta

Araçuaí, Jequitinhonha, Vale, Minas,
Na ausência do sal nas ondas, o suor
Muitos preferem a seca nas rimas
Prefiro falar do aconchego ao redor

Do café e biscoito sempre à mesa
Das expressões, do requeijão
Da cachaça e da esperteza, uai
Da calorosa e que calor na recepção

A estrada estará lá quando eu voltar
As ondas que estive, talvez flutuem
Boas lembranças que levo, espero deixar
Nosso futuro? Que nossos destinos atuem.

quinta-feira, abril 05, 2012

Invasão

Cala a boca, não perguntei se você quer
Não me interessa o que você gosta ou não
Fica quieto, senta todo mundo no sofá
Eu que mando; você não tem opinião

Que parte do cala a boca você não entendeu?
Acabou seu direito, sua liberdade
Tomei a propriedade, agora tudo é meu
Você vai agir contra a vontade
Quem manda aqui sou eu

Vontade? Que ironia...
Esse direito você não tem mais
Já te prendo em janelas e celas por insegurança
Tirei o direito ao seu filho de poder ser criança

Já era seu direito de abrir a porta
Eu invado mesmo, arrombo a fechadura
e seus miolos; sem direito à defesa
Como uma inofensiva presa, seus direitos violo
Devoro

Junto meu charme mais esbelto, mais atraente
Com sua fragilidade, você tão carente
Eu domino facilmente
Abuso da sua pouca consciência, da sua nula combatividade

Empurro todo meu lixo
Na sua goela abaixo
E você mastiga... com o tempo, saboreia
Digere e engole

Ao dividir o prato com a prole
Acostuma-se ao sabor e se delicia
Nem mais te agonia, pede outro gole

A mesa em minha frente
Hipnótica visão, reflexão
e a revolta se volta em calmaria
Em mais uma tragédia que se noticia
Você assiste o que transmite
Não resiste
E nas infinitas cores que não refletem,
não se vê.

Lápis por tinta

Ouve-se um choro; mais um
Nada anormal, muito comum
Natural, em toda a vida
Da saudade da mãe à juventude perdida
Da dor de crescer, da palavra sentida

Desse choro, desses olhos, dessas lágrimas
Nascem versos, rimas, páginas,
O ‘beabá’, as expressões, as emoções
Neste caderno, desde as letrinhas do cabeçalho
Escritas a lápis e com borrões

Faço dele um diário
Repleto de sonhos e pretensões
E tal qual o enunciado
Enfrento o mesmo questionário
E desenho as opções

Bombeiro, polícia, cantor ou boleiro
Qual garoto não teve esse ideal?
Assim como o choro normal
Não sou o único, nem primeiro

Primeiro, toda a criança quer ser
A chegar na escola, a pegar a fila
A ser escolhida, na nota que tira

Longe disso, nem zero nem dez
Nesse meio termo, um seis talvez
E nesse meio tempo, acaba o recreio
Hora de aprender, não tem revés

E na sala, ao olhar a janela
Queremos passar por ela
Fugir dali, encarar o mundo
E quando bate o sinal
O som da liberdade, sabemos tudo

A aula acabou
Mal dormimos na volta pra casa
E o que era um desenho, o choro manchou
E agora, o empenho
O sonho acordou


E aquele sinal que a escola soava
Até hoje mantenho,
ai como eu sonhava
Na lembrança de um tempo
em que a hora durava

E hoje, em rascunho
Troco lápis por tinta
Borracha, por rabiscos
A criação que não pinta

Em minhas mãos, transformo aquarelas
Sem as cores tão belas de outras eras
Em letras, versos e riscos