sexta-feira, maio 19, 2017

Seu Arnaldo

Era uma vez, seu Arnaldo
Amava política e futebol
Discursava de Lula a Ronaldo
Assuntos variados no rol

Esse Arnaldo chamava atenção da galera
Era o tal Arnaldo falar e todo mundo ouvia
O pessoal acreditava, também pudera
E todo mundo comentava, repercutia

Ê seu Arnaldo, que gosta também de canções
Nesse tema, até bato palma pro Arnaldo
Nisso, ele manja bem quando faz seleções
Linhas boas, tipo aquela com o Rivaldo

Seu Arnaldo viu o tri, o tetra, o penta
E como eu disse: leva o povo na prosa
Sabe aquele papo na porta da venda
Que vai bem com a cachaça de roça?

Seu Arnaldo de terno tem toda pompa e estica
Vira outra pessoa, mas não perde o talento
O que ele fala, ‘é pouco’ os que duvida
Sabe dom de convencimento?

Você deve conhecer o Seu Arnaldo
Ele está sempre aí falando e falando e falando
Do que ele fala, eu não tiro um caldo
Eu só fico atento observando

O que o seu Arnaldo fala, o povo repete tipo escola
Tipo sala de aula, o que ele fala o povo cola
Mal aí a rima falha, o que ele fala em mim não cola
Esse seu Arnaldo... apita o jogo e mata a bola!

quarta-feira, maio 17, 2017

Panelistas


E as panelas continuam ecoando seu som de vazio...
Cheias, vão às mesas, enchem pratos e calam bocas
Nas varandas se batem, ouve-se o som do aço frio
Razões pra batê-las, pode crer, não são poucas

É tipo um alarme padrão, dado pelo pato de cor amarela
Vermelho na tela, janela; se a cor do discurso que antecede a novela for outra...
Mesmo que lhe tire a quirela
A batida vira palma ou silêncio e se afrouxa

E tudo se resume numa pessoa e sua imagem
Ao mesmo tempo, burro e mentor da sacanagem
Prendam-no e aos seus e tudo volta à calmaria

Águas límpidas e claras enfim navegaremos
Como sempre, até então, vivemos
E tudo voltará a ser bom, como já foi um dia

Panelas, ah... as panelas, saudade do tempo que eram apenas um utensílio doméstico
Se bem que... ainda são. Não saem mais de casa, nem batem que vão pra rua
Quando iam, modelito em dia com seu valor ético e na moda do padrão estético
Mas, não mais as ouço enquanto nos tiram as cobertas e nos deixam a pele nua

O país gira em torno de um só processo
Delatores libertos, levando tudo que o culpava
Ao final, a decisão nos trará o progresso
Uma única pessoa ameaçava

Era a ameaça que carecia nossa mais viril linha dura
Mas, diante de todo o desejo, cadê quem tem a dita dura
Pra batê-la na mesa e seguir adiante?

Faça o que se espera de sua moldura, de tudo que se espera de sua postura
Com candura, com bravura, de quem se espelha em sua figura
Te homenageia num quadro na estante

Eu queria ter deixado esse poema menor
Mas, precisei me estender um pouco mais
Afinal, diz aí, né, o país agora tá bem melhor?!

Reconquistamos nossos valores nacionais
Readotamos como comportamento a meritocracia
Equidade é uma porra, corre aí e faz o seu
Se você não teve o que merecia

É que não fez o corre, se fodeu
E esses protestos são tudo coisa de vagabundo sindicalista
Que não quer perder mamata e só fica gritando golpista
Mudando é melhor, vou economizar na diarista

Esses que no fundo no fundo, entra no grupo caviar esquerdista
Quando aguçar sua vista, direitista, esquerdista, centrista,
Não terá mais patrão, bem vindo (de novo) à era escravagista
Sugiro um nome à profissão
O que acha de PANELISTA?

terça-feira, abril 11, 2017

Respeita ‘as mina’

Respeita as mina, carai
Onde cê pensa que vai?
Num força, maluco, sai
Assim, a máscara cai

Os cara mete o loco e assedia
Ah, ela provocava; merecia
Mano, respeita todas Maria
A Ju, a Lu, a Pri, a Luzia

A culpa sobre elas recai
Assim a reação se esvai
Serás então marido ou pai?
Aí não é mimimi, aiaiai? Né?

É no ponto, ao sol do meio dia
É na volta da sofrida ralaria
É na festa, onde só se divertia
Que voltou numa culpa que agonia

Mano, na moral, respeita as mina
O que ela aceita, ela que defina
O que sempre encarou como sina
Agora, pro machismo, não afina!

Mano, na moral, olha no espelho pra se ver
Você se acha o foda e ela que tem que ceder
Se ela quiser, não é agindo assim que vai ser
Ela faz o que ela quer, e só não quer te obedecer

Mano, na moral, ela não mais se reprime
Ao seu abuso que no trem a comprime
Num aperto que te justifica o crime
Num B.O. que quase nunca se imprime

Mano, na moral, ela não é obrigada
A aceitar seu machismo calada
Recado dado, respeita elas camarada
Sem mais. Obrigado. De nada.

quinta-feira, março 23, 2017

Manifestações / Temer / Espelhos / Funcionário da Fábrica de Panelas

Ainda ontem, chorei de saudade... não, não é a música sertaneja clássica ocupando espaço neste humilde blog. É sim, um sentimento de muitos que ontem viram seus direitos conquistados com tanta luta, com tantos protestos e há tanto tempo serem reduzidos a pó em menos de um ano. Nesses 7, 8 meses de governo Temer, o trabalhador que manipulado foi às ruas e gritou por tudo isso ainda não assimilou o que está acontecendo. Nem sei se alcançará esse ponto, mas, vai perceber na conta final que perdeu alguma coisa, mesmo sem entender o porquê e exatamente o que.

Nem adianta gastar algumas linhas explicando o porquê ele perderá, pois, a TV diz que está tudo bem e que, na verdade, ele não está perdendo nada; e, claro, ele acredita muito mais na TV que em qualquer outra coisa. Mas, hoje, deveria ser um dia triste para o trabalhador brasileiro, mas, para isso, ele precisaria entender o que está acontecendo. O que não é um fato neste momento. E pra coroar a diversão nacional, hoje, o Brasil pode se garantir na próxima Copa do Mundo, na Rússia. Brasil x Uruguai, isso que importa.

Eu gostaria muito de ver um repórter chegar no jogador que diz ser um representante do país e perguntar: - Como você avalia a aprovação da proposta que permite a terceirização em todas as categorias de trabalho?

Eu aposto o que quiser que nenhum deles seria capaz de responder minimamente com fundamento em 2 frases, pra não ser muito exigente de pedir mais. Nós não entendemos quem somos, porque fazemos as coisas e por quais razões escolhemos quem ilustra nossa cara. Em nosso sonho individual, somos um povo que sonha em ser o 10 da seleção, um BBB ou um ser rebolante e cheio "dos glamour" na TV, não importa em qual papel. Esses são os nossos espelhos, os nossos ideais de sucesso.

Os veículos de comunicação, predominantemente sediados em grandes e nas mais importantes capitais divulgou o discurso que a população brasileira queria o impeachment de Dilma Roussef, queria tirá-la do poder e tudo mais. Que fosse assim, mas, o discurso adotado de "a maioria quer" só tem uma forma de ser consolidado: eleições. De resto, é parecer, chute, pesquisa por amostragem e bla bla bla.

A maioria destes Estados onde estão as mídias poderosas realmente estavam contra o atual governo e disseram isso nas urnas, mas, o Brasil não é formado somente por estas capitais e grandes cidades, nem temos um sistema de votação como o estadunidense, em que Hillary Clinton teve mais votos no cômputo geral, mas, perdeu pro Trump, que venceu em estados mais fortes. Nosso sistema eleitoral é baseado em todo voto ter peso igual.

São Paulo, palco das maiores manifestações, fez prevalecer sua vontade através do convencimento da mídia sobre a população que o país inteiro queria tal mudança, o que numericamente não se pôde confirmar irrefutavelmente. Mas, no fim, prevaleceu o grito do mais forte e o bater de panelas. Panelas estas que prometeram ser ensurdecedoras com todos, que era só o começo. As fabricantes que comemoravam, pois, devem até ter aumentado a linha de produção, pois panela amassada não faltaria. Lamentemos nós e os fabricantes que contrataram mais gente em vão.

Só deixo aqui meu boa sorte para que esse funcionário que será dispensado da fábrica de panelas consiga se recolocar logo pra dar tempo de se aposentar e torço ainda mais que na próxima jornada, seu próximo patrão ainda lhe solicite a carteira de trabalho.

Papelão sem Providência



Parcialidade Geral #Greve15deMarço


quarta-feira, março 08, 2017

Mulheres
















Mulheres
Juntas
Nas lutas
Conectadas
Amadas
Armadas
Da garra, vitória
Raiz da história
Da semente à rosa
Sem igual
Coragem gloriosa
Dia Internacional