Cantores nas introduções
"Vamos falar de amor"
Ouvem-se melodias: teclas e violões
Repetitivos refrões
De um compositor
E quem nunca amou
Quem não sente saudade
Quem se decepcionou
Quem por paixão chorou
E ficou só na vontade
Os caminhos são conhecidos
Da nossa realidade
Peraí, realidade?
O que tem de realidade em apaixonar-se?
O olhar se... dilata
O chão parece que fica macio... cio...
A gente perde o fio da meada
E agora, por mais que eu dei pra falar disso,
Que nunca foi meu tema
Eu posso dizer
Eu falo só de passado, de anos
Talvez deles, mais que uma dezena
Mas, eu lembro de quando
Alguma vez eu olhava, desejava, pensava
E nada acontecia
Eu até me inspirava e escrevia
Sobre o desejo que aflorava
e logo arrefecia
Minha poesia foi ficando fria
Vazia de visões distorcidas
De amores, paixões, casais que se entreolham
No cruzamento de um trem
De prazeres que se forjam
Pensando no outro alguém
Senão o prazer não vem
Casais que se descobrem
Insaciáveis em dois corpos
Precisam terceiros, quartos, quintos, sextos
Todos em quartos distintos
Ou às vezes no mesmo
Prazer, paixão, ambos estão no olhar
Do ato do gozo que faz revirar
Na paixão, é o mundo que se põe a girar
A vista começa a embaçar
E a gente ainda nem saiu do lugar
Seja pernoite ou meia hora
O que importa é o compromisso
Esquece quem está fora
O compromisso do prazer combinado
Esse sim é proibido e liberado, tudo ao mesmo tempo
Pela pureza julgado
Os corpos jogados, acabados, extasiados, lambuzados
Com ou sem envolvimento
Eles se envolvem, se atritam
Dissolvem-se e gritam
Em ação, só fodem, se xingam
"Te amos" também podem, só não mintam
Com "te amo" não se brinca
Com desejo, orgasmo e cama
Pode ser pura diversão
A mais perfeita trinca
Melhor ainda quem se ama
Sem terceira relação
quinta-feira, maio 14, 2020
Na Paixão e no Tesão
Lembretes:
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quarta-feira, maio 13, 2020
Meu Paladar
Uma voz marcada por acentos regionais
Que eu já imaginei em impuras condições
Que eu nunca poderei dizer, confessar jamais
Você nunca poderá saber
O quão bem sua presença traz
Quase a relevar minhas convicções
Farei esse poema o mais curto que puder
Diferente do brilho do sol em teus fios
Nem imagino se um dia você souber
Os meus profanos desejos
Em descobri-la como prazer em mulher
Tem horas que duvido se não passa de delírio
Na real, eu acho que te inventei,
Em detalhes, desenhei a forma corporal
Na oralidade te declamei, seu orgasmo derramei
Meu paladar saboreando seu corpo,
Feminino, escultural, uma obra linda ao natural
E, de repente, satisfeito, acordei
Só um sonho, um encontro, nem um pouco formal
Que eu já imaginei em impuras condições
Que eu nunca poderei dizer, confessar jamais
Você nunca poderá saber
O quão bem sua presença traz
Quase a relevar minhas convicções
Farei esse poema o mais curto que puder
Diferente do brilho do sol em teus fios
Nem imagino se um dia você souber
Os meus profanos desejos
Em descobri-la como prazer em mulher
Tem horas que duvido se não passa de delírio
Na real, eu acho que te inventei,
Em detalhes, desenhei a forma corporal
Na oralidade te declamei, seu orgasmo derramei
Meu paladar saboreando seu corpo,
Feminino, escultural, uma obra linda ao natural
E, de repente, satisfeito, acordei
Só um sonho, um encontro, nem um pouco formal
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terça-feira, maio 12, 2020
A Não-Paixão
Agora dei pra falar de sentimento
Minhas linhas sempre foram duras
Como as notícias ou o que vi nas ruas
Que eu olhava e a inspiração chegava
Isso é só um exemplo
Agora, olhando mais pra dentro
Não posso dizer que já me entendo
Certamente, estou me reconhecendo
Sim, eu saí do automático
Buscando aprender o funcionamento
Por que no passado, amei tanto
E após um triste encerramento,
Triste pra mim, exclusivamente
Eu não consigo chorar lembrando
Eu não consigo chorar nem quando
Duvido se é pra sempre
“Que o pra sempre, sempre acaba”
E por falar em músicas românticas
Ou de fim ou de saudade
Nada, nenhuma, nem um pouco me abala
Sinto até inveja, sabe?
De quem ouve uma música de amor
E chora, seja qual motivo for
Pela lembrança do cheiro da flor
Pelo tempo que deteriora
Os acordes tocam alto
As vozes o procuram
Às vezes, se destoam
Se ajeitam, se desculpam
As canções então se afinam
Os versos se combinam
Ao fim, rimam?
Talvez, não é certeza
O que é certo é que tanto tempo só vivendo
Parece que eu esqueci, perdi um vocabulário
Paixão é uma
Parece que fui esquecendo
Significados se perdendo
Se tudo isso,
Se o amor fosse um livro
O que teria no glossário?
Paixão, como eu falei, teria que ter
Ligações no horário mais alternativo
Parece que o tempo roda ao contrário na ânsia de rever
Aquele comportamento primário
Adolescente, incendiário
Em que tudo é pra vida
O grande amor da juventude
No mais perfeito cenário
Nessa idade, a intensidade convicta
Num tempo nada sedentário
Ilude, agora me fala
Você pode nunca mais se iludir
Mas, nunca mais se apaixona
Sinto, como se um dia, escolhi
Você nem precisa me ouvir
A não-paixão não decepciona
Isso eu posso te garantir
Mas, olha, tenho percebido que não vale a pena
Se apaixonar-se é um problema
Muito pior, o vazio de nada sentir
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segunda-feira, maio 11, 2020
A Luz do Amor que é Cega
Eu nunca fui de falar de amor nos meus versos
Ultimamente, tenho usado minhas linhas
Até pra refletir, debater comigo
Se queremos nos sentir completos
Ou buscamos só reflexos
A luz é quem dá o sentido
De quem vem em sua direção
Se vem com nitidez e perfeita
Ou só silhueta
Ou a luz ilumina a partida
O adeus, a despedida
Fica a reflexão
A decepção
A ilusão repetida
Parece refrão de sucesso
Todo mundo canta e se emociona igual
E parece que a gente não aprende
Que o coração, é na invasão o acesso
O batimento debilita o racional
E com isso, a luz que define se é partida ou chegada
Deixa a gente cego
Será que aquela frase conhecida
Que o amor é cego pode ser repensada?
Há sempre aquela pessoa convencida
Que diz: à paixão não me entrego, me nego
Pego e não me apego
Essa, quando se vê apaixonada
É a mais, digamos assim, perdida, pra não falar palavrão
Pois, a cegueira na visão
É por essa luz encontrada
Numa trilha que estava e nem sabia
Numa contínua escuridão
Nem breu nem luz em demasia
“É preciso amaaaar”
Sabendo que tem amanhã
A mente precisa estar sã
Senão o que de melhor aconteceria
Pode apostar, o pior traria
A estrada apagada, de repente iluminada
Confunde a mão da via
Pode amar, até deve eu diria
Mas amar é saber olhar
Um simples farol não pode ofuscar
Enquanto guia
Sem rota ensaiada
Numa BR perigosa
Infinitos retões
Velocidade aumenta
Tempo diminui
Falo de retas e curvas sinuosas?
Estou falando de paixões
Antes de envolver corações
Deleitam-se em colchões
Os corpos, acalenta
O prazer flui
E fui ou ela foi
E fim.
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domingo, maio 10, 2020
Virgínia
Tempo não te faltou
Pra nos ensinar
E agora que o tempo acabou
Não deixemos o tempo levar
As memórias do seu sorriso
De sua gargalhada
O tempo ideal é impreciso
Deus quem define a data
2020, 20 de abril
Mais uma manhã dolorosa
Sempre de manhã
Com mãe, soube de manhã
Que a noite não chegaria
Nunca uma manhã chuvosa
Deixaram a chuva pros nossos olhos
Contrariando a manhã que nascia
Despedimos com flores vistosas
Você, vó, foi nossa flor, foi o jardim inteiro
De sabedoria, de amor, primeiramente, à vida
Nessas ocasiões, vemos o quanto é costumeiro
Mesmo uma floricultura, sempre colorida
Ser muito mais procurada, quando é pra despedida
Dê mais flores nos vasos, por favor
Pois, assim estão vivas
Na terra, podem florescer
Precisam de sol e calor
Como as minhas manhãs tão sofridas
Nutridas de chuva ou do regador
Presentes em vida que possam viver
Meus avós e minha mãe, 3 almas unidas
Pelo menos nos meus sonhos, prometem vir me ver?
Protejam o Artur, pra evitar minha partida
Antes da gente se encontrar,
Esperem-no, pelo menos, crescer.---------------------------------------
Publico este poema no Dia das Mães,20 dias após a despedida de minha 'vózinha'.
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sábado, maio 09, 2020
Azar no Jogo, o Amor é um Jogo
Azar no jogo, sorte no amor
Fiquei pensando nessa frase
Não sou exímio jogador
Em qualquer modalidade
Bom, pra falar a verdade
Nem de jogo eu gosto
Tira a Dama de Copas na sorte
Em ambos corações não aposto
A dama manilha, o rei é mais forte
A mentira é o gol desse esporte
Caiu na blefada eu não mostro
Foi o tempo que me ensinou o macete no corte
Sinto como se tivesse escolhido
Deixar o amor no “a gente pcisa marcá”
E sabe aquele “claro, vamos” que nunca vai chegar?
E não cola nem desculpa de “tinha esquecido”
Nunca fiz questão de estar amando
De sentir aquele nervoso de paixão
Eu sei que isso não é da gente calculando
Planejando, dá uns ‘estralo’ na visão
Palpitação e os cambau
O que eu quero dizer
É que nem lembro se já fiz questão de ter
Aquele amor, com musiquinha do casal
Sabe... acho que só nesse caso
Quis ser jogador profissional
A sorte não me acompanhou
Mas, deveria
Não me fez parcerias
Nas cartas ou no gol
Na caçapa cairia
A tacada é calculada
A jogada é fria
Diferente do amor
Eu escrevo poesia,
Mas, esse tema
Eu temo
E é um tipo de temor
Como uma precaução
Como se fosse possível prever
Mas, eu, se pudesse escolher
Não teria indecisão, e você?
Um amor de valor, o valor do sifrão
Qual pode mais te prender?
E o mais intrigante: sem qual preferia viver?
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sexta-feira, maio 08, 2020
Fortalecidos Por Quê?
Vamos sair fortalecidos
Dessa pandemia
O que vier depois, será pequeno
Aprendemos a ser mais unidos
Em meio à agonia
E com isso, crescemos
Será mesmo?
Fortalecidos?
Sairemos em frangalhos
Alguns subnutridos
Muitos sem trabalho
O momento é decisivo
O isolamento necessário
Primeiro tento ficar vivo
Depois penso proletário
Eu, como jornalista, reflito
Meu verso noticiário
Quase sempre opinativo
É limitado ao temporário
O caos não é contemplativo
Faz mais sentido
Literal ou literário
Escrevo inspirado em jornal
Poesia do factual?
Estão na rede social
Os bolos de aniversário
Ninguém em volta
E assim será por um tempo
Sei lá quanto
Mas, pensei quando vi aquele bolinho
Em tudo o que diminuiu
O bolo, a festa, as reuniões
Os encontros, o preço da gasolina, do
etanol
Em geral, do combustível
Nem tudo que pensávamos
era tão imprescindível
Enquanto se aguarda vacina
Se fotografa o por do sol
E aquele alaranjado incrível
No status do Whats ficou mais visível
Menores os bolos
Guardadas as roupas de sair
Pijamas na moda
Fome o dia todo
O sono parece fugir
Tá tudo, tudo mesmo, bem foda
Nem gosto de dizer que tá foda
Que foda é bom, tá uma merda
Dizia um amigo meu
Aprendi com ele essa forma
De dizer que tá ruim à beça
Foda não é a palavra certa
Mas vale dizer que FODEU!
Fodeu muito
Comecei falando que sairíamos
fortalecidos
Todo mundo pensando que o pessoal está
aproveitando
Pra fazer cursos, ler livros
O tal ócio criativo
Parece uma obrigação
Você só ter como objetivo
Seu ser profissional
Você pode ter seu ócio pra vida
Fazer nada, não ficar se cobrando,
pensando
Peguei essa ideia com o Emicida
Em vez de criativo, o recreativo
Leia o livro se você quiser de fato
Só relaxa um pouco, vive o dia
Olha pro relógio se tiver vontade
Faz o curso na sua velocidade
E a hora que ele marca
Agora, tanto faz se atrasa,
se é a prova d’água
Não temos nenhuma garantia
Os casacos ficarão ainda mais
com cheiro de guardados
As etiquetas, ainda mais escondidas
As grifes ostentadas
Por pijamas preteridas
Sairemos mais duros de grana
Sabendo que precisamos de menos
Menos coisas, menos roupas, menos marcas
Mas, sairemos marcados
E marcaremos de nos ver
E nossa marca será a principal
Quem você quer realmente ser?
Essa marca vai te descrever
Esquece a Ralph, seja inteiro
Sem GAPs na personalidade
Nada Supreme o bastante pra te vender
Não deixe que e’lacoste’, que ela custe
sua verdade
Feliz quem teve o bolo
Ao lado, um refrigerante
E compreendeu que o importante
Tem que agora estar distante
Pra preservar do contágio
Tenho muita fé que a diante
Será bem mais contagiante
O nosso reencontro
Tenha bolo ou não
Tenha samba, esse eu faço questão
Tenha álcool gel, água e sabão
Tenha abraço e aperto de mão
Teremos aprendido
Que ser forte não é a razão
E sim a consequência
De termos entendido
Que nossa homo sapiência
Andava em caminho perdido
Tipo trilho esquecido
Que
não leva a nenhuma estação
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