quinta-feira, junho 08, 2017

Unidade

Como é bom se inspirar por paixão
Sentir o peito daquele jeito, apertado
Como se a saudade tivesse tomado
Por inteiro o coração

Mas, paixão pode ser fogo de palha
Só um desejo momentâneo
Um prazer mais instantâneo
Pra se entregar, talvez não valha

Paixão também cresce e evolui
Sem proporção pra qual tamanho
O batimento fica estranho
E só aí que se conclui

O que poderia ser banal
Só um caso de momento
Abre então pro sentimento
O caso passa pra casal

E quando isso acontece
Sem motivo alheio
É tão bonito de se ver
Declarações, cartões, flores, corações
Bombons com recheio
E naquele meio, naquele espaço
Entre um beijo, um amasso
Um carinho
Ouve-se ao longe um compasso
Se for o caso, dão uns passos
De dança bem lentinho
Pra marcar aquela canção
Como o som da esperança
Um novo passo avança
Do que era só uma paixão

Não se pode tratar paixão como só
Ela nunca é só
A não ser amor platônico
Arranjo não sinfônico
Cordas musicais com nó

as, quando as cordas se afinam
Compõem a mais bela sinfonia
Seja ela erudita ou popular
Tem que ser bonita no cantar
Compreensível melodia
Pra qualquer um interpretar

Talvez esta minha canção
Pode um dia encontrar-se num tom
Pois foi feita como mero poema
Talvez alguém a coloque num som
Para algum casal vire tema

Mas, palavras de amor sempre rendem
Histórias, romances, livros, coleções
Personagens nos despertam emoções
Sensações que os amantes não entendem
Sentem
Às vezes, com todo o repertório não aprendem
Compreendem o que cabe em dois corações
E suas mais insanas razões atendem

Mas, amor de verdade é um pouco insanidade
Vontade, saudade, mais vontade que invade
Toma conta, atropela sem piedade
Mas, se eles assim se permitem
Não há forças que dividem
Não há forças que duvidem
Que paixão e amor
Podem sim ser felicidade e realidade
As duas, em dois, em duas, numa só unidade

terça-feira, junho 06, 2017

NÃO SOU DE AMORES

Não sou de escrever as palavras mais doces
Não sou daqueles que falam de amores
Não sou romântico, sou sentimental
Não escrevo sobre paixão; e sim, questão social
Não me inspira um cartão; e sim, o que sai no jornal
Não me encanto com ilusão, sou pé no chão, a real

Eu treino o fundamento pra não ser bla bla banal
Com tudo isso, eu não sou cinza, sou das cores
Nos muros, nas ruas, nos gestos, nas flores
Meus novos versos ainda um dia serão senhores

E mais ainda, pra fugir de ser igual
Trago referências, compositores
Sambistas, rappers, escritores
E insiro, entre as vírgulas, meu lado emocional

Eles prontos não vão pra casa de penhores
Eles mudos não provocam os sabores
Nem amargos, nem doces, nem apurados no sal
Eles não saem tais quais favores
Ah, até que saem, mas, só no racional
É tipo notícia só de rumores
É um B.O. sem prova cabal

Eu até que já fiz versos pra falar de casal
Tradicional, extra conjugal, homo, bi, heterossexual
Já falei das formas de amor, talvez todas
Falei de separações, de prateadas e douradas bodas

Mas, não é que hoje a inspiração me levou
Pra rota quase nunca habitual
Nem saquei qual start despertou
Nem sei porque começou
Ou melhor, porque comecei
Talvez, no inconsciente até sei
Mas, é tão fora do normal, do meu natural

Bom, seja qual for a onda que me puxou
O jeito agora é embarca-la
Coração duro no amor
Até permito e vou que vou

Mas nessas vibe eu vou sem mala
Pra voltar logo desse assunto
De poucas linhas, sem conforto
Hoje nem mais eu me pergunto
Porque tomei o rumo torto
De não pousar meu coração
Pra ser feliz em algum porto

Pra alguns, eu estou morto
Por não deixar o amor ser solto
Eu o aprisiono entubado
No caninho da caneta

Ele fica represado
É a véspera da letra
E sempre sendo véspera
Sempre espera
Só espera
Quando escreve, o verso erra
E, nesse caso, ele se apaga
Aí já era

quinta-feira, junho 01, 2017

Café com mesóclises

Somos uma nação de 200 milhões
Um povo que desperta emoções
Ainda únicos, pentacampeões
Recentemente marcado por manifestações

Somos também um povo lutador
Hospitalidade, nosso grande valor
Há sim, frentes que tentam se opor
Nada que ofusque nosso fulgor
Mas, com tantos pontos a nosso favor
Quero ver quem aceita o que aqui vou propor

Não quero de forma alguma desafiar
Quero apenas questionar, pôr pra pensar
Quais próximos passos vamos andar?
Qual caminho tomar pro país não parar?

Recessão, crise, corrupção
População vive de enganação
Percepção permite reflexão
Televisão proíbe apuração
Em reunião, se define a posição

Caos se instalou, gigante acordou
E agora que a rua lutou
O poder mudou, objetivo alcançou
A presidenta tirou, o Brasil não parou (e nem pode)
o que faremos agora
Há tanta vida lá fora, Lulu Santos cantou
Bora continuar o que começou?

O discurso que o povo gritou
Era que despertou, se ligou
Que todo mundo que roubou
Pra esses acabou, o fim da linha chegou

Mas, sem defesa, sem um lado partidário
Eu só acho, agora estou retardatário
Cortaram-nos o salário, aumentaram o horário
Emolduraram-nos o vocabulário
Com mesóclises no plenário
Prejudica-lo-emos, operário
Nós nem sequer entendemos
Pois nem temos dicionário
Nem usar nós sabemos
Então, nem dá pra ser contrário
Sendo assim, aplaudi-lo-emos

Ou então nos revoltemos e continuemos
A rua está lá, o país continua
Ou vamos nos calar, mesmo com tanta falcatrua
Bora moralizar, pões hashtag vem pra rua

Que tal agora misturar o amarelo e o vermelho
Talvez num tom alaranjado
Não tão laranja quanto o Trump
Ou um laranja que te banque
Ele só quer que você trampe
O que é propina não estanque
Ele só quer o resultado
Igual a fruta, não pó Tang
Te espremer até o caldo

Quer a polpa, a pura nata
O cafezinho que é por fora
Na medida mais exata
Que você tão bem o trata
O seu bem ele destrata
E gentilmente ele te mata
Vai que você abre a boca e delata
No jornal não vai errata
O custo daquela capa
Chega uma grana, trinca, empata

Jogo rápido, bate-bola
O que o povo quer?
Diz aí, não enrola
Saúde, segurança, escola
E o que acontece que não rola?
Vixi, o dinheiro escapa em sacola
Em maleta, na cueca se embola
Sabe o esquema e ninguém cola
nesse cara e esfola?
Mas, são muitos, quase todos tem cartola?
Não dá mágica que sai coelho
É sem magia, é só dinheiro
Mas, o povo brasileiro
Não acaba com essa raça
Nada, a gente come o que ele amassa
Papel na carne também passa
Não os vê como ameaça
Não importa o que ele faça
E qual seria a solução?
Lembra do discurso inicial?
Da nossa indignação
Precisa agitar o pessoal
Pois na estagnação, antes tão habitual
Se aceita a condição
Tipo adestramento animal

Então, vai lá o que fazer?
- Tirar o presidente, explodir nosso Congresso
Botaram fogo, jogaram bomba, o povo ficou possesso
É vandalismo, é retrocesso
Queremos ver o progresso
Dessa forma, é sem sucesso
Enquanto você os defende
Quem jamais será réu confesso
Ladrão que é ladrão não se rende
Quer gritar do sofá? OK, não impeço!
Já que você não teve culpa e votou no Aécio
Bora unir e lutar pro país?
Pra não dar na mão de quem tem corrupção na raiz
É só isso que te peço
Vamos escolher, vamos ouvir o que o povo diz
Botar alguém que o povo quis
A meta é igual, o progresso
Senão fomos força motriz
O cafezinho segue no expresso.

terça-feira, maio 23, 2017

Segunda à noite

A porta se abre, está na hora de ir
Junto à liberdade concedida
Para dar o próximo passo
O vento lhe bate na face
Pois nem viu a noite cair
A lua seguiu seu compasso
Subiu e não foi percebida
Há medo em todo pedaço
Mas não vá se deixar combalir

Combalir não é verbo que uso,
Não é verbo que ouso deixar existir
No meu vocabulário inserir
Pois combalido é aquele que declarou-se já vencido
E no meu raciocínio, nem se for derrotado
Eu terei desistido
O radical foi mantido, o final trocado

Prefiro sempre o combatente ao combalido, derrotado
E sou sim um combatente, que o frio não abate
Assusta, mas, não sou covarde
Só fico atento, pois não há alarde
Nem alarme, mesmo tarde
Vacilou, ele invade
Sua casa, sua cidade, sua privacidade
Sua estabilidade, sua coragem

Sua bravura de pisar na rua
Segunda-feira noturna
Gelada vazia, no rescaldo do dia
A marmita que cedo vai fria
Ondas quentes e vem caloria
Alimenta, volta leve e enxuta
Gasolina pra labuta, pra luta
Seja trampando usando a cuca
Ou então na força bruta
Injusta, disputa
E a rua à noite de segunda
É prova sem consulta

Abre a porta pra sair
E de cara vem pergunta
E parece que quando soma todo o frio, todo o medo
Na esquina, tem segredo
Que sem luz, não se aponta
Só se aponta, aquela ponta
Da faca mais pontiaguda
Te ameaça, num instante a vida passa
O seu medo não disfarça
Entrega o valor da conta
Da compra, que ainda não se fez
E mal começou o mês
Vida segue, vida longa
Vida longa e muito 'loca'
Louca, devastada, abandonada
Tipo noite de segunda
Com a sexta comparada
Rua cheia, pé na estrada
Parece até comemorada
Pois semana que se enfrenta
Merece até uma recompensa
Pois, pensa
Enfrentou segunda fria
Viela mais que sombria
A luz da rua não acendia
A um palmo da cara mal se via
A mão que te agredia, te açoitava, te feria,
A arma que carregava
Te furava ou te atingia
Mas, que tensão, mas, que agonia
Que início de semana mais hostil
Numa noite de segunda,
Meu pensamento se aprofunda
No deserto de cimento
Onde nem vejo o meio fio
Ao meu redor um sentimento
Parece que a qualquer momento
O que eu sinto é arrepio
Serei cercado pelo vento
Por um ato violento
E então nesse relento
É que enxergamos o Brasil

sexta-feira, maio 19, 2017

Seu Arnaldo

Era uma vez, seu Arnaldo
Amava política e futebol
Discursava de Lula a Ronaldo
Assuntos variados no rol

Esse Arnaldo chamava atenção da galera
Era o tal Arnaldo falar e todo mundo ouvia
O pessoal acreditava, também pudera
E todo mundo comentava, repercutia

Ê seu Arnaldo, que gosta também de canções
Nesse tema, até bato palma pro Arnaldo
Nisso, ele manja bem quando faz seleções
Linhas boas, tipo aquela com o Rivaldo

Seu Arnaldo viu o tri, o tetra, o penta
E como eu disse: leva o povo na prosa
Sabe aquele papo na porta da venda
Que vai bem com a cachaça de roça?

Seu Arnaldo de terno tem toda pompa e estica
Vira outra pessoa, mas não perde o talento
O que ele fala, ‘é pouco’ os que duvida
Sabe dom de convencimento?

Você deve conhecer o Seu Arnaldo
Ele está sempre aí falando e falando e falando
Do que ele fala, eu não tiro um caldo
Eu só fico atento observando

O que o seu Arnaldo fala, o povo repete tipo escola
Tipo sala de aula, o que ele fala o povo cola
Mal aí a rima falha, o que ele fala em mim não cola
Esse seu Arnaldo... apita o jogo e mata a bola!

quarta-feira, maio 17, 2017

Panelistas


E as panelas continuam ecoando seu som de vazio...
Cheias, vão às mesas, enchem pratos e calam bocas
Nas varandas se batem, ouve-se o som do aço frio
Razões pra batê-las, pode crer, não são poucas

É tipo um alarme padrão, dado pelo pato de cor amarela
Vermelho na tela, janela; se a cor do discurso que antecede a novela for outra...
Mesmo que lhe tire a quirela
A batida vira palma ou silêncio e se afrouxa

E tudo se resume numa pessoa e sua imagem
Ao mesmo tempo, burro e mentor da sacanagem
Prendam-no e aos seus e tudo volta à calmaria

Águas límpidas e claras enfim navegaremos
Como sempre, até então, vivemos
E tudo voltará a ser bom, como já foi um dia

Panelas, ah... as panelas, saudade do tempo que eram apenas um utensílio doméstico
Se bem que... ainda são. Não saem mais de casa, nem batem que vão pra rua
Quando iam, modelito em dia com seu valor ético e na moda do padrão estético
Mas, não mais as ouço enquanto nos tiram as cobertas e nos deixam a pele nua

O país gira em torno de um só processo
Delatores libertos, levando tudo que o culpava
Ao final, a decisão nos trará o progresso
Uma única pessoa ameaçava

Era a ameaça que carecia nossa mais viril linha dura
Mas, diante de todo o desejo, cadê quem tem a dita dura
Pra batê-la na mesa e seguir adiante?

Faça o que se espera de sua moldura, de tudo que se espera de sua postura
Com candura, com bravura, de quem se espelha em sua figura
Te homenageia num quadro na estante

Eu queria ter deixado esse poema menor
Mas, precisei me estender um pouco mais
Afinal, diz aí, né, o país agora tá bem melhor?!

Reconquistamos nossos valores nacionais
Readotamos como comportamento a meritocracia
Equidade é uma porra, corre aí e faz o seu
Se você não teve o que merecia

É que não fez o corre, se fodeu
E esses protestos são tudo coisa de vagabundo sindicalista
Que não quer perder mamata e só fica gritando golpista
Mudando é melhor, vou economizar na diarista

Esses que no fundo no fundo, entra no grupo caviar esquerdista
Quando aguçar sua vista, direitista, esquerdista, centrista,
Não terá mais patrão, bem vindo (de novo) à era escravagista
Sugiro um nome à profissão
O que acha de PANELISTA?

terça-feira, abril 11, 2017

Respeita ‘as mina’

Respeita as mina, carai
Onde cê pensa que vai?
Num força, maluco, sai
Assim, a máscara cai

Os cara mete o loco e assedia
Ah, ela provocava; merecia
Mano, respeita todas Maria
A Ju, a Lu, a Pri, a Luzia

A culpa sobre elas recai
Assim a reação se esvai
Serás então marido ou pai?
Aí não é mimimi, aiaiai? Né?

É no ponto, ao sol do meio dia
É na volta da sofrida ralaria
É na festa, onde só se divertia
Que voltou numa culpa que agonia

Mano, na moral, respeita as mina
O que ela aceita, ela que defina
O que sempre encarou como sina
Agora, pro machismo, não afina!

Mano, na moral, olha no espelho pra se ver
Você se acha o foda e ela que tem que ceder
Se ela quiser, não é agindo assim que vai ser
Ela faz o que ela quer, e só não quer te obedecer

Mano, na moral, ela não mais se reprime
Ao seu abuso que no trem a comprime
Num aperto que te justifica o crime
Num B.O. que quase nunca se imprime

Mano, na moral, ela não é obrigada
A aceitar seu machismo calada
Recado dado, respeita elas camarada
Sem mais. Obrigado. De nada.