sexta-feira, março 29, 2019

POSTAGEM URGENTE!

Recentemente, usei uma das redes que percebo maior interação com o que posto, o Facebook, para perguntar: “Quais redes sociais vocês usam e por que escolheu essas?”


Antes de publicar esta pergunta, eu a fiz para mim mesmo. As respostas foram um tanto reveladoras. No perfil pessoal do Instagram, por exemplo, repensei o porquê de mantê-lo. Sou locutor e não será lá que arrumarei novos Jobs de locução. Há caminhos bem mais profissionais para essa demanda. Não sou um especialista em microfones, cabeamento e aparelhagem, logo, tenho pouco a acrescentar aos meus seguidores. Escrevo meus poemas. O insta também não é o melhor canal para vídeos e textos. Logo, não haveria porque usar este espaço com essa proposta e ainda mais com um nome (@) que não tem nada a ver com o tema. Gosto de pedalar, correr, mas, por puro prazer próprio, sem me aprofundar em tecnologias de roupas esportivas ou peças e acessórios para bikes. Dessa forma, não sou nem busco ser referência nesse tema. Dessa forma, repensei e entendi que era uma rede que apenas me consumia tempo e pouco tinha a me acrescentar profissionalmente. E antes da contra-pergunta:  não, eu não quero usar para exposição pessoal. Em nada me evolui.


E entre as respostas que obtive, houve quem optasse em algumas para postar, mas, pouco interagia. Em outras, mais para interagir e pouco posta. Houve também quem tenha bem definida uma ordem de prioridade e quem filtrou quais redes usa para cada fim. Essa disciplina não é tarefa fácil.

O Twitter, de longe, é minha rede favorita pela praticidade e informação que adquiro através dela. No entanto, reconheço que, nela, sou muito mais um receptor de conteúdo que alguém ‘interessante’ de ser seguido. No Facebook, que, recentemente dei uma boa afastada das minhas preferências, percebo que é uma das mais eficazes em interação de pessoas que realmente fazem parte do meu convívio. Nesse caso, ando repensando a dedicação de mais tempo ao bom e velho Face.
Para meu trabalho com os eventos, o Instagram - conta empresa já parece ser o mais interessante. O visual dos eventos impacta de forma mais positiva e os conteúdos que escolho apresentar são mais adaptados ao que é atrativo ao insta. Reavaliar se o seu conteúdo é visual e bonito ajuda muito a entender se esta rede social é a mais adequada para você.

Quando vamos para o LinkedIn, outro tabu para muita gente, inclusive pra mim (assumo), reveja seus contatos e os conteúdos que pretende publicar. Em sua carreira, você pode ter passado por diversas áreas e, certamente, nem todos os seus colegas de profissão vão se interessar por conteúdos que não se enquadrem em seu rol de atividades. No entanto, reavalie se esta é uma rede social interessante para você e se a resposta for sim, coloque na balança o tempo geral que dedica a redes sociais e calcule essa proporção referente ao LinkedIn. Você pode encontrar aí aquele ‘ladrão’. Sabe quando há um desvio ou um furo num cano e dizemos que a água está escapando pelo ladrão? Nesse caso, é o tempo que falta e você justifica com outras atribuições.

Em conclusão, elaborei este texto pela insatisfação pessoal com o consumo do meu tempo com as redes e quando fiz a reflexão sobre as razões aplicadas, estratégias e objetivos, descobri olhares ainda inéditos pra mim. Fazer esta revisão interna do porquê usamos redes sociais e por que escolhemos uma ou outra é, no mínimo, esclarecedor.

Seria muito legal saber se você já tomou essa iniciativa antes, quais resultados ou respostas obteve e quais foram os passos dados para mudar. E lembre-se de duas coisas:


  1. Ninguém está nem aí pro que você posta da sua vida.
  2. Não entregue sua felicidade ao número de curtidas ou à atenção que conseguiu atrair na timeline das pessoas.

quinta-feira, março 28, 2019

O Ponto Final

Sempre o ponto final
É. Não é. Foi ele. Não foi.
O moleque armado que invade a escola
É esse ponto. Letal. Mortal.
E ele pôs vários pontos
Reticências não. Pontos finais
Que encerram a oração
Subordinada à oração

Ora-se pra pedir ou até por gratidão
E a cada oração, ponto final, amém
O ponto é quem lotou a Febem
O ponto é a pausa, respiração
O ponto é a decisão, a explicação
Que se dá pra julgar alguém à sua visão

Orações a tantos pontos perdidos
Em orações esquecidos
Pontos que se perderam
Frases que não construíram
Houve quem perdeu o ponto
Chegaram a um ponto que se destruíram
E sequer refletiram
Apenas não pontuaram
Sendo eles, os próprios pontos
Mas, ponto que é ponto mesmo
Carrega em seu passado, uma série de vírgulas.

sexta-feira, março 01, 2019

Mal Começou o Ano

Jornal do dia anterior
Sinto-me atrasado
Num ano que mal começou
Mal começou e começou mal
Reporto em versos a dor
Um pesadelo contínuo acordado
Destroçado num lamaçal

E a lama que desabrigou
Fez Brumadinho, um canal
Pôs Brumadinho no canal
Nos canais
Nos banais fatos; às vezes, normais
Normal mesmo é o relato
Do Zé no anonimato

Que, na real, na real mesmo
Ele vale o que Vale o contrato
Contratos... promissores...
Jogadores?
Nem são deles que trato

Prometiam adequadas instalações
Administram agora indenizações
Contêiner nas construções
Nem todas as permissões
Nem venha com condições
Milhões para medalhões e figurões

Vermelho é cor quente
O preto é cor luto
O branco do escudo
É a paz tão ausente
Em um Rio absurdo

Depois, Boechat se vai
O helicóptero no ar, cai
A rádio do ar, sai

E, por aí, só se ouve: pai, pai, pai
Papai precisa cuidar do garoto
Dos garotos: do municipal ao federal
Do modesto custeio eleitoral

Lustra-móveis num pano
DesMOROna a cara-de-pau
E o foro, um privilégio insano
Até então, benefício imoral
Não, não estava nos planos
Mal começou o ano
Já gastar com Queiroz e explicar laranjal

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Poesia em Papel e Gavetas

Tenho deixado pra amanhã
Decorar o que escrevo
E o que eu escrevo
É sobre hoje

Um hoje que é hoje há tanto tempo
Eu escrevo sobre o Brasil
Sobre Osasco, sobre sentimento
Eu escrevo sobre o frio, o fuzil
E um Estado violento

O que eu escrevo está em papel
E memórias online, digitais
Sobre o que vi nos jornais
Sobre o que eu li no cordel

Slam, sarau, e a poesia segue no ar
Pronta pra ser encontrada bruta; e lapidada,
Às vezes, curta e enxuta, às vezes, encharcada
Salgada de lágrimas, que fazem borrão da caneta
Por vezes, azul; raramente, vermelha; por vezes, preta

O papel manchado e a mancha do passado
Que me fez sentar e escrever de veneta
Mas, escrever pra que, se não decoro pra dizer?
Pra publicar? Onde? Pra quê que alguém vai ler?

Quando ouvir este, que eu tenha decorado
Que eu tenha declamado
Pois, pra quê poesia?
Se rimar é por si, rebeldia
É transcrever gritaria

Na gaveta, trancado
É só mais um verso, disperso, calado.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Fala de Mim

Eu tenho tanto pra te falar
Eu tenho tanto pra te dizer
Só que às vezes, prefiro calar
E em outras, escrever

Eu preciso me comunicar
Eu preciso me expressar
Nem sempre foi assim
Teve vez que eu queria gritar
O que iriam pensar de mim?

Ah, se eu nem me preocupasse
Se eu nem ligasse
Que alguém me julgasse
Falem bem ou falem mal, falem de mim

Não, não mesmo!
Já pus muito na frente o silêncio
Pra não entrar no rol do ruim
É uma necessidade vital, saca?

Penso muito, tenho altas viagens
Minha opinião não emplaca
Eu calculo a dosagem
Da hora de estampa-la na placa
Da hora de guardá-la em bagagem

Hoje, sou MC
Nem de rap, nem de funk
Preparo e faço cerimônias por aí
De bodas, casório e debutante
Bem diferente de antes
Que, diante de outros estudantes
Recolhia-me insignificante
Gordo, baleia, elefante

Tá aí, coisa que nunca aceitei
Sentia, sofria, calei
Guardei no quarto solitário
Onde tanto me esquivei

Entrei, tranquei, horas e dias, passei
Desabafei, foi necessário
Muitas, muitas vezes, pensei
Eu e a vida, eu e a morte, belo páreo
Seja qual for sua dor, sua chaga
A ferida que traga
Você vai superar, eu sei

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

Novo Passo pra Trás

Dois mil e dezenove,
O ano então começou
Dia 1 do 1 chegou
A esperança que se renove
Nesse discurso que cansou

Parem, por favor, de fingir
Só a virada de calendário
A contagem de 3, 2, 1, no horário
Não diz que o mundo vai evoluir
Muito, muuuito pelo contrário

Nós buscamos no passado, o futuro
Pelo aprendizado, pela história?
Antes fosse, mas, pela opressão da escória
Que se impôs, deixando claro que o escuro
Tomou seu lugar no pódio da glória

E nem precisou ser goleador
Ou ouvir: “esses negros cantam demais”
Ele só mostrou que seu muro desfaz
Como um sopro na casa de Heitor
E nem somos lobos correndo atrás

Foi madeira pra tudo que é lado
Madeira, matéria-prima de construção
Os tocos que alicerçam no chão
Mesmo num morro dependurado
Foi nosso passo pra impulsão

E o passo que já foi dado
Não recua NEM FO-DEN-DO!
Pode ser até o Coiso dizendo
O futuro é inesperado?
Não acho, mas, o meu passo
Pelo menos, desse não me arrependo

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Torcida e efeito

Chegamos ao governo Bolsonaro
O mito como foi designado
Tem muito pouco ou quase nada
A se orgulhar por ser “culpado”

Antes de eu ser apedrejado
Entenda o que escrevi
Ele pode ter vendido bem o perfil
O que eu realmente não entendi
É quando e onde foi qualificado
Pra governar (como diz a música) a porra do Brasil

E mais: estamos sob a gestão (ou indigestão) de Jair
Isso não significa que vou secar, agourar,
Nem tampouco, consentir
Que Ustra seja brilhante ou livro de cabeceira
Você consente ou leva na brincadeira?
Eu lembrarei se algo assim te atingir

Não desejo nada, nem o mal, nem o bem
Estou só de butuca, a olhar o que vem
Torcer? Não é futebol que a bola pega um vento
Caprichosamente, vai na trave
Rebate e vai fora, ou mata e vai dentro

Guardo a torcida pro futebol
Que o goleiro adversário sobe pra tirar a bola
Na cara bate o sol, meu nove se aproveita
E a torcida comemora
Ou num chute que desvia e pega efeito
O goleiro já saía, a bola entra e não tem jeito
Isso cabe torcida
Todo mundo lado a lado, gente unida, camisa igual
Sentimentos movidos por um ideal
Gritar ‘é campeão no final’

Não vou ficar de boa
Com quem acha de boa ser fã de torturador
Ser opressor por essência e com consciência
Nós, rivais, eles chamam de defensor de ladrão
Do cara que está na prisão
Não, você não entendeu sua condição

Quer arma e munição?
Sentirá no peito, a perfuração
Um pouco acima da facada do #EleNão