Chegou aquele dia
Que a galera pega o meme do Morgan e posta
Que é a favor da Consciência Humana
Consciência Negra é racismo reverso
Ô meu Deus, só uma coisa te peço
Dai-me sabedoria pra aguentar essa bosta
Na porra da bandeira, além de ordem, está escrito progresso
Até pokémon evolui e você nesse argumento
Ultrapassado é pouco, chegado
O racismo é enraizado
E não sai pelo esquecimento
Aliás, eu tenho uma sugestão
Se você acha que parando de falar de negritude
Vai acabar o racismo e mudar atitude
Comece por você, guarde seu meme lá
Imprime, enrola bem enroladinho
E se você já é bem resolvido
com a sua Consciência dos Seres Humanos
Saiba que criticar o 20 de novembro
Não passa de passar um pano
Ao preconceito violento
E a cor da paz ainda é o branco?
(texto feito em 20.11.2018) demorei pra publicar, mas, vale deixar aqui para leitura e views
Gente, imagine se tivesse dado Haddad
Da nossa parte, seria felicidade
Se bem que... não sei se seria assim
Imagine quanta coisa ruim
Eles teriam capacidade
Adversidade seria o estopim
Bom, se a eleição eles tivessem perdido
Seria a urna, a fraude, o motivo
E se já mataram na comemoração
Imaginem na frustração,
na aceitação de ser vencido
Não estaríamos em vibração
Proteção seria a palavra de ordem
Pra que em nossos livros não recortem
Os tempos hoje exaltados, pretérito sombrio
No país tropical, por Deus abençoado, está frio
Esperando que as tropas aportem
Mesmo vitoriosos, a sensação seria um vazio
Pois se viu que muito civil se revelou
À paisana que nunca de fato aceitou
Queria ostentar a farda racista
Não fazia pra não dar na vista
Que o politicamente correto cercou
Agora o retrocesso virou conquista
Essa gente de bem brincalhona que só ela
Quer definir o limite do que flagela
Isso é mimimi, não é pra levar na maldade
Estarão com dedo em riste pra impor a verdade
Ai de quem não se curvar nessa era
Ou sequer questionar autoridade
Eles desfilarão orgulhosos batendo no peito
Fala sério! Isso não é preconceito
Ou não temos direito à liberdade
Livres, pra declará-las à vontade
Mesmo que seja ódio
Imagine se desse Haddad
Saiba que a cada acorde que suas cordas executam, a cada ‘tum’
de sua percussão, você carrega com você o samba ‘do tempo que quem fazia corria
do camburão’. Se hoje você curte samba,
é porque muita gente plantou e hoje você só semeia e balança a bandeira num
ritmo diferenciado do que os pioneiros fizeram.
Muito antes do período de autoritarismo e bem pouco depois
do registro do primeiro samba, nos anos 1910 e 1920, o preconceito com nossa
música, com nossa dança, com nossa origem já eram tão presentes que calos nas
mãos e até vestimentas eram os crachás de músico, razão suficiente para
aprisionar um dos nossos como vagabundo.
Se você não sabe que sua música resistiu à ditadura, à
repressão policial e sua principal razão é denunciar nossas dificuldades e toda
a opressão que sofreu ao longo dos anos, militar ostensiva e política, por que
você faz samba?
Ser do samba é ser combate à repressão, combate ao
preconceito e acima de tudo, ser combatente. Contra quem queira diminuir nossas
origens territoriais, culturais e religiosas.
Quando você cita Bezerra da Silva, você trata de denúncia
das agruras do nosso povo. Zeca Pagodinho não fica atrás em seu microfone
aberto berrando ao mundo tudo o que passamos aqui. Nosso samba não é só ‘mania
da gente’. Invadimos os casarões, as avenidas e, a cada passo, repressão,
preconceito e luta. O espaço só foi conquistado assim. Ninguém saiu abrindo as
portas pra gente. Se não fossem os ‘números baixo’ meterem o pé na porta, ainda
estaríamos restritos lá nos quintais da casa-grande.
Hoje, você paga VIP pra ouvir um ‘pagodin’ e tomar suas
bebidas medidas em anos e energéticos. O Bar da Esquina não faz mais sentido
pra você, jovem sambista.
A cada samba que você ‘exalta’ (sem demérito na referência,
de verdade), lembre-se que, se não fosse Martinho, teríamos sido suplantados
pelo iê-iê-iê e pelas guitarras da década de 70. Ah, se não fosse a batida de
partido-alto e a resistência.
Se você diz que é do samba, você PRECISA saber que o samba ‘perdeu
sua voz de lamento’. Se você nem sabe do que se trata isso, todos esses trechos
em itálico contam um pouco do que me refiro. ‘Quem faz samba, faz a história de um lugar’. Se você só curte a
música pela festa com os ‘parça’, pela balada e por ser um som agradável num
churrasco com os amigos, você nunca vai entender que “NINGUÉM FAZ SAMBA SÓ
PORQUE PREFERE”.