quarta-feira, setembro 28, 2016

Lá Na Quebrada

Lá na quebrada, aonde eu colo e o couro come
É na batucada, a galera vai pro funk
E vai madrugada, tem os cara que faz rap
Dá as canetada, e no domingo, bate bola
Aquela, pelada, e logo mais eu falo mais do que tem

Lá na quebrada, passo na tia das marmita,
Quarta é feijoada, tem cada história de vida
Que é barra pesada, e tem orgulho das vitórias,
Lá na quebrada, sai bem cedo e volta tarde
Com noite fechada, busão lotado mó aperto

E toma encoxada, que sem noção esses Mané,
Vai tomar porrada, Sigo correndo contra o tempo
Atraso é mancada, que lá na firma é bate-ponto,
Hora descontada, e faz mó falta pra pagar,
Casinha alugada, vou fazer um bico, vender cerva,

Aqui nas balada, tirar um cachê com meu cavaco,
Em outra quebrada, é a mistura da semana
Que tá assegurada, é tanta treta, mas, a gente,
Tá na pegada, não esmorece o couro é grosso
Aguenta a parada, pra vida estabilizar,

Dar aquela ajeitada, só não esqueça que a urna
Não é privada, pois tem uns cara que nem sabe
O que é a quebrada, te considera só um voto
Gente favelada, vê se te enxerga seu safado,
Que cara lavada...

Naaa queeebraaadaaaa, somos seu melhor refém
Naaa queeebraaadaaaa, somos o que te convém
Naaa queeebraaadaaaa, por nós diz que vai lutar
No fundo só quer dominar

A quebrada

terça-feira, setembro 27, 2016

Manchas do pecado

Só com você, eu sinto bem mais que prazer
E pega fogo, a gente faz acontecer
Tanto desejo que não dá pra disfarçar
Quando te encontro, já começa a esquentar

A gente se encontra, dá um perdido que ninguém pode saber
A gente se encontra, é tão gostoso, é diferente o prazer
Com você é mais, é muito mais, um calor que é sem igual
O lençol nos denuncia, manchas do pecado mais carnal

Só com você, eu sinto bem mais que prazer
E pega fogo, a gente faz acontecer
Tanto desejo que não dá pra disfarçar
Quando te encontro, já começa a esquentar

A gente vai longe, voa na lua, amor sobre natural
A gente se esconde, na sua casa, em qualquer outro local
Só sei dizer que não sei mais, quando eu te vejo me conter
E cada vez eu quero mais, contigo não é só prazer

segunda-feira, setembro 26, 2016

Fé, força e foda

Tem um monte de "fita" na vida da gente
Que umas parecem ser provações
Vêm pra testar a fé, o quanto é crente
Crente não só evangélico, de várias religiões

E quem crê, seja no nome que quiser
Vê em cada treta, uma missão que justifica
Que só acontece porque Deus quer
E nessa hora, foda-se razão e justiça

Mas, a gente supera abusos físicos, morais
E ainda tem a ousadia de sonhar
Supera todos os ultrajes legais
Tomando no cu, ainda quer gozar

Porque a gente é foda e o couro é grosso
As batalhas nos congratulam no final
Depressão que rebaixa ao fundo do poço
Comigo não, surfo na onda em espiral

Espiral de um caderno que desabafei
Contei umas parada, umas barreiras que... já era
Uns B.O. que passei na alta, atropelei
Tem uns que quando vêm, nem pondera

Hoje gozamos na cama e no verso
Dois corpos revoltados se entregam
Vitoriosos, orgasmo denso, silêncio disperso
Repostos, vingativos, com força de novo se esfregam

sexta-feira, setembro 23, 2016

O guardanapo

Esses dias, numa conversa informal
Perguntaram como eu tinha inspiração
Eu disse que vem de forma natural
Mas, também escrevo sob pressão
Sobre alguma obrigação
Ou qualquer sentimento; sei lá, flui normal

E no meio desse papo
Eu disse que escreveria sobre mochila,
telefone, pessoas... ou até um guardanapo
Nessa hora, embarquei na ideia do tal guardanapo

Já pensou quanta história pode haver?
Um guardanapo? Sim, um guardanapo.
Ele pode ser a primeira atitude pra se conhecer
Tá ali, à mão, só pegar e escrever
Um chopp mais tarde, pode ser?

E vamos aqui fazer um trato?
Um guardanapo, você nunca quis ser?
Nem quando aquela mais linda
Dos lábios o aproxima pra poder limpar?
Vai dizer que nessa hora era má ideia
ocupar esse lugar

O guardanapo no colo, na boca,
na lembrança do batom que o manchou
Em todos esses, um coração se confortou
Seja no mais fino pano ou no fino papel
Nunca esteve no meu plano
Discorrer sobre um guardanapo num cordel

Mas... agora... viu que um simples "oi" rabiscado
Pode virar só um papel amassado
Uma história de amor, um amor desprezado...

"Garçom, você pode entregar isso aqui naquela mesa do lado?"

quinta-feira, setembro 22, 2016

Amigos de oposição

Ah, seu Luiz Inácio
Apesar de todo seu sucesso
Acreditar que você tá limpo é difícil
Que em alguma dessas você não é sócio
Ok, vamos protelando e protocolando recurso

Achar um limpinho não é fácil
Disseram que o mais sujo é o Aécio
Mas, vamos empenhar igual sacrifício
Pra não parecer que é só um negócio
Que só serve pra fazer parcial anúncio

Tenho tanto amigo político, apolítico
Crítico, místico, rítmico, cínico, clínico, até mímico
O que não tenho é amigo por causa de partido
Até porque não sou de nenhum

Então, não vai ser por esse motivo,
nem por sentido algum
Que a gente vai ficar tretando
Se um gosta de azul e amarelo
E outro do vermelho e branco
Não é por esse caminho nosso elo

Meus 'parça', como se diz hoje em dia
Vêm da época da escola
Que o assunto era prova
Pr'algumas matérias, cola
O time que torcia
Quando ganhava, alopra
Quando perdia, sofria

Uns gostavam de desenho
Outros dos cálculos complicados
Pras contas, eu precisava mais empenho
Pra arte, eu aprendia cavaco

Mas, era isso que unia a gente
Uns 'campeonatinho' no video game
Um churrasco no rateio
Uns pagode no sol quente
Uns 'teco' de lanche no recreio
Que a gente rachava
Mas não se rachava ao meio
O que hoje se faz por aí
Pensou diferente? Tem que destruir!

Gente, podemos sim divergir
No pen-sa-men-to! No argumento!
Tanta coisa que a gente combina
Futebol, música, a formosura das menina
Vale a pena um rancor que contamina
E guardar ressentimento?

terça-feira, setembro 20, 2016

A gente cresce...

Por que que a gente cresce
E deixamos de gostar de brinquedos
Esquecemos o colo da vovó, da mamãe
Ficamos todo evoluídos, 'cheios de dedos'

Quando a gente olha pra trás
A gente nem se reconhece
Vê esse carinho de mãe
E, às vezes, desmerece

Mas, no fundo, no fundo, temos os mesmos medos
Mudam os nossos segredos
Mudam os nossos desejos
Mas, um sentimento não padece

Não se adoece, somente cresce
O amor mais natural, sem razões
Quando somos um filho, uma filha
Não importam quais são nossas diversões
Bonecas, carrinhos ou carrões

Somos, fomos e seremos sempre um bebezinho
E estaremos amparados a cada trilha
Podemos percorrer infinitas milhas
Quando pequenos, colinho
Quando crescemos, a sombra ao lado no caminho

segunda-feira, setembro 19, 2016

Chegou domingo

Chegou domingo, hoje eu quero farrear
Hoje eu quero batucar
Hoje eu quero bater na mão

Chegou domingo, hoje é dia de pagode
Futebol, a galera explode
Nosso samba é campeão

Um gol, outro gol e a bola não para na televisão
Brasileiro, espanhol, o inglês, da Itália e até o alemão
Domingo, o quintal tá lotado, o samba é nosso esporte
Pra chegar, só a malandragem é que tem que ser forte
E depois um domingo fantástico, o pagode chega ao seu final
Mas, domingo que vem tá aí, vai ferver o quintal

Domingo bem cedo a galera se junta pra bola rolar
Eu sei, a noitada foi boa, no entanto, não posso atrasar
A chuteira já tá esperando, a camisa e o fardamento
O jogo acabamos ganhando, tudo isso foi o aquecimento
O que importa é a outra redonda, a mesinha no canto do bar
Onde a turma se une pós-jogo, prum samba cantar

Beijos de Amor

Quando te vi chegar
Pela primeira vez
Fez a minha vida revirar e eu me perder

Coragem pra me aproximar
Não foi tão fácil assim
É a mais perfeita inspiração que flui em mim

Você virou minha canção, minha razão para sorrir
Eu chego nos lugares, pensando se está por vir
É muita ansiedade quando vem pra me falar
Seus lábios dizem tanto, mas eu quero te calar

(Mergulhar nessa boca, te deixar sem ar)

Nos beijos de amor
Que eu sonho te dar
Mas não tomei coragem de pedir ou te roubar

Me faça um favor
Se for pra negar
Disfarça e deixa tudo como está

Nos beijos de amor
Que eu sonho te dar
Mas não tomei coragem de pedir ou te roubar

Perfume de flor
Encanto no olhar

Um beijo e meu amor te comprovar

Na Pegada

É... na pegada! O swing que agita a galera por toda madrugada
Vai... na levada! Puxe aquela gata sai dançando, ela não fica parada

Gira ela pra lá, pra cá
Faça ao seu balanço rodar
Vai dançar, Vai dançar

Gira ela pra lá, pra cá
Faça ao seu balanço rodar
Vai dançar, Vai dançar

Vem no samba rock malandragem e não mete cão, ÔÔÔ
Vem no estilo Originais, Jorge Benjor, vem negô, ÔÔÔ
Vem que vem gingando no passo, não pode vacilar, AAA
Solta aquele som do Bebeto, Segura a Nega, Segura a Nega

Segura a Nega A A A 

E quando juntarmos

Sinto o seu corpo a me incendiar
E eu pego fogo se estou com você
Nem durante os sonhos, posso apagar,
Já que eu quero lembrar, sorriso no olhar
Sabor do prazer

Pelas mais cinzas nuvens eu topo voar
Pilotando essa nave na primeira vez
Turbulências noturnas, pra gente enfrentar
Olha o céu, vai pousar, a vida a plainar
Num tom de talvez

Nosso amor é uma grande vitória
Não pode morrer em memória
A distância só vai nos unir
Não dá pra mentir, nós vamos sorrir
Juntos

E quando juntarmos esse amor
Nem o sol nem a lua vão se opor
E por mais tempestades que vão surgir
Nossa prova de amor é resistir

Meu samba

Dm                                                  Gm
Samba, amor primeiro desde a infância
                                A7
Infinito e com constância,
                                         Dm              A7
Quando ouço os bambas pra me espelhar

Dm                                                  Gm
Samba, esse som originário do Brasil
                                        A7
Tão aclamado, noutros tempos, arredio
                                         Dm              D7
Perpetuou e hoje é alto patamar

        Gm7
Meu samba (meu samba, meu samba)
         C7                              Am7
Não teria melhor vida sem você
            D7                                     Gm7
Um novelo que é sem fim pra aprender
            C7               Am5-/7        D7          
Tantas joias, tantas obras pra cantar


Meu samba (meu samba, meu samba)
Vai do gole de branquinha do celeiro
Ao mais chique dos requintes do estrangeiro
Esse tão singelo dom de batucar

Meu samba (meu samba, meu samba)
Teve a mineira, Clara Nunes, a rainha
Ivone Lara e a Joia Rara, Jovelina
Beth Carvalho e Leci a amadrinhar

Meu samba (meu samba, meu samba)
É mais que estilo, é transcendente ligação
Maior de todos, simples nome é João
Méier e os 2 da Vila a honrar

Não isso, não aquilo

Não é de propósito, nem opcional, é o que sinto. Contra minha vontade, contra meu poder de reação nos dias de baixa. É algo que vem de dentro pra fora; algo como a sensação de um problema no funcionamento interno. Não é descaso ou qualquer outra situação de desprezo ou o clássico "tô nem aí".

Tô aí, cá, lá, aqui, acolá; e, por vezes, queria simplesmente não estar, não ser, não existir.




(esse é um texto que quem alguns anos. Revirando escritos antigos, encontrei...)

Outro pôr-do-sol como aquele

Longe, lá no alto, mais perto do sol
Uma tarde se pondo e o dia partiu
Crio imagens reais, virtuais, na tela de um PC
Imagino a visão perfeita, a miragem que sonhei
Ao olhar a rua de novo, era real o que eu sonhava
Nada a contrapor às telas, as mais belas; no som, o samba de JN
Ao prazer de um por-do-sol, minutos voaram e a lua nascia

Agora, dias se foram e a estrada me afasta
Nem aquela tarde, nem sonho, nem canção, nada 'in'
Aniquilam a saudade do mar, de quem eu nem conhecia
Inspiração, instantes inesquecíveis, viajei
Cada segundo, hoje lembranças, SMS, MSN, eu e vc
Um dia, após o perdão, em outra nação, verá que não sou mau
Lembre da tarde, do sol, de nós, hoje em mundo virtual

Sinta no peito o que sinto há dias
Esqueça pormenores entre o que já disse
Lembrei um segundo, numa eternidade irreal
You and I, won't be enough, all night long, one more day
Missing, saudade intraduzível, nem no inglês universal, nem no mandarim
Espero outro sol que divide a semana e nos una como aquele
Sem o relógio, sem hora pra se apagarem as estrelas.

sexta-feira, setembro 16, 2016

Felicidade que se compare

Amar você
É dar sentido pro coração bater
Me faz, querer viver
Não tem sentido sem amar... sem amar

Mais que paixão
O tempo certo é Deus que tem razão
Pra reatar a nossa união
Irmos em busca da felicidade

Felicidade
Eu quero encontrar ao teu lado
Nossa verdade
Ao sair pro trabalho bem cedo
Sentir saudade
Nunca mais haverá a distância
Dor tão covarde

Felicidade
Nunca tive um amor nessa vida
Que se compare
Te amar, bem cedinho, de noite, meio da tarde
Nosso amor, a mais forte aliança, eternidade

quinta-feira, setembro 15, 2016

PROVA E CONVICÇÃO



Sempre haverá eles contra nós
Muita coisa nos diferencia
É uma diferença atroz
Estamos desatando os nós
Da corrente que te protegia
E nos prendia

Nossas diferenças estão nos objetivos
Pra conseguir, faz uns de nós acreditar
Que nossos anseios estão unidos
Que ‘tamo’ junto, ‘cê’ tá comigo
Aí arrasta uns de nós pra lá

Aqui não, parceiro
Pensamos de forma oposta
Não mete essa de unir o povo brasileiro
Sem mais essa nas minhas costas, vai

Meu país, oceano de corrupção
Quero ver um por um na grade
Sem distinção de cor, partido, religião, idade
Vocês não visam à mesma missão
Controle remoto é veracidade

Não tem como provar, mas temos convicção
Que a panela de tão cara, nem amassou
Não tem como provar, mas temos convicção
Que as máscaras do Joaquim, do Cunha e do japa, você guardou
Não tem como provar, mas temos convicção
Dado o golpe, pra você tá bom, já amansou

Temos como provar e temos convicção
Que o “Vem Pra Rua” na Paulista acabou
Temos como provar e temos convicção
Contra quem teve seu voto, não protestou
Temos como provar e temos convicção
Que seu medo é o poder que a gente ocupou
Desculpa, só você era merecedor

Temos como provar, eles não têm convicção
Que não é o partido que define o ladrão
Temos como provar, eles não têm convicção
Que pedalada e metrô têm sim conexão
(e nem é por bilhete!)
Temos como provar, eles não têm convicção
O mesmo “crime”, do seu bando é gatinho, de outro bando é leão

Pedalada, metrô, tudo isso é mobilidade
Deveria ser na nossa cidade
É... o fluxo é grande, mas não de trajeto
Tem ramificações, mas, cai na conta direto
Quem reconhece os modais em variedade
Dança funk enquanto toca bolero

Uma hora, a gente vai entender
Que a prova já tem, falta a convicção
A aceitação
Que se você não observa além
Alguém pode ter percepção
E vontade
Depois das 4, das, 5, o trânsito lota
Pisa, acelera, ‘soca a bota’

Aí depois, pode ser tarde!

Amar é dor frente a frente

Era pra ser um dia legal
Estava indo tudo bem
Até que sofro um golpe fatal
Aquele que fere e vai além

Machuca, assim como qualquer amor
E amar não faz bem
Pra quem discorda, faça um favor
Ame sem sofrer com desdém

Amor incondicional, infinito
Irracional, nada normal
O peito arde, grande conflito
Eu não acredito que alguém sofre igual

Com decepções, a vida que segue
Mas, cada uma, com seu canto triste
às vezes, que o silêncio prevalece
O som das lágrimas, não existe

Não se cria nos gritos valentes
Nem nas batidas do coração
Entre esse amor, dor frente a frente
Todos, invariavelmente
São resultados da paixão
Nada saudáveis, deixam doentes
São combatentes, vão contra a razão

quarta-feira, setembro 14, 2016

Silêncio Gritante

Tem dias como hoje
Que o silêncio
É como se fosse
Um grito em mim

Preciso ficar calado
Na minha cabeça, uma algazarra
Estou transtornado
Uma balbúrdia me atordoa

Ao meu redor, não ecoa
Um som sequer
Mas, é perturbador o que ouço
E pior, sem ouvir nada

Barulho, ruídos sem sentido
Não consigo entender
Decifrar a gritaria e todo o caos
Tapando os ouvidos

Buscando em meu interior
Momentos vividos, bons ou maus
Decisões que tomei
Horas, acho que acertei
Mas, penso mais que errei

Não me vejo em jardins floridos
Mas, no asfalto quebradiço
Esfarelante, esfumaçante
Fumaça silenciosa, que lentamente evapora
Se espalha no ar, um tanto escaldante

Por dentro, um tumulto... por fora
Bem... por fora,
Um silêncio gritante
Que o relógio da vida não atrase
Menos ainda, adiante

Frustrante
Decepcionante
E o curso do rio, da vida, da poesia
Não sabemos se flui o bastante

terça-feira, setembro 13, 2016

PREVISÍVEL BRASIL BRASILEIRO




Nem coxinha, nem mortadela
Nem elite, nem favela
Só estou, de fato, bem perdido
Pelo que eu tinha entendido
Já que tá tudo fudido
Tinha que começar tirando ela
E fazer o mesmo com outros partidos

Eu não sou João Bidú, nem Mãe Dinah
Mas eu já imaginava o que ia rolar
Assim que tirassem a presidenta
Com toda mídia empenhada na contenda
Toda essa paudurescência
(expressão dita certa vez por Sandra de Sá)
Ia amolecer, esfriar

Dito e feito, impeachment consumado
O foco dos jornais foi pra outro lado
Não se fala mais em lava-jato
Quem não queria a Dilma, votou num outro
Que continua lá no Senado
Pra você tá tudo bem? Vai ficar calado?
A não ser que você tenha anulado
Mas, nesse caso, você abriu mão do seu direito conquistado

Agora, já que o presidente já dá o tom do futuro: Têmer ou temêr.
(sei que nenhum dos acentos é adequado, mas ajuda pra ser declamado)
Ele mesmo que disse pra gente se unir
Se dizem que o objetivo é a corrupção extinguir
Vamos entrar num consenso?
Vamos continuar o combate, mesmo com diferentes pensamentos?

Muitos queriam Dilma fora.
Pra iniciar a caçada aos ladrões
E agora? As próximas missões?
Cunha? Temer? Aécio? Ou o mais esperado, Lula?
Ah, esquece, deixa isso pra lá... pula

Voltando ao ponto da discordância
Há quem queria tirá-la pelos escândalos da Petrobrás
Ok, não tem corrupção mais?
Merenda, metrô, mensalão... vamo lá!
Ou vamos deixar os políticos em paz?
Já ta tudo certo e resolvido?
Favorável e tranquilo? Ah, então tá!!!

Se sim, sinto-lhe informar que sua briga era só contra um partido
Isso porque seu candidato foi vencido
Não adianta ficar puto comigo, com o que eu digo

Se as panelas, os protestos eram contra a corrupção
Bora continuar? Era pro bem da nação.
Os vermelhos já estão fora. Discordam da sua decisão
Mas continuam protestando. Dilma não volta mais
Vamos continuar em ação, em prol do país

Se o seu discurso, sua ação contradiz
Faço outra proposta, quem sabe você gosta
Se o Temer, quem pôs lá foi o petista
Bora de novo pra Paulista

Sobre isso, só um quê explicativo
Quando você vota, você elege um partido
Um projeto, um objetivo
Abrem-se exceções pra conseguí-lo
Concessões em determinadas situações
Alianças pra algumas funções
Com projetos de outro estilo
Mas, como aceitaram as posições
Tá firmado, não se fala mais naquilo
Seria a toa que era só decorativo?

No segundo turno, votei nela
Nem pleiteio quirela
Pra mim, era melhor que o concorrente
Não fui pra Paulista, nem bati panela
Não tô na Rouanet, nem pleiteio bolsa daquela
E também não estava contente

E continuo insatisfeito
Quero que o país tome jeito
Políticos e população, que não tá isenta, não
Quero que vá preso quem for ladrão

Torço pros protestos e notícias, como prometido, continuarem
Mas, parece que já acabou toda a revolta
Bom, fico por aqui, antes de me calarem
Hoje virou bomba, o que até pouco tempo era gentil escolta




Vamos continuar debatendo política?

Olha o ladrão (vem mais)

C             F7                    C
Olha o ladrão, alguém gritou
               A7                  Dm
Ninguém viu, nem escutou
                          A7                     Dm                  G7
Quem sabe em samba, a gente acorda e corre atrás

C             F7                    C
Falou... no rádio e na tv
               A7               Dm
Não dá mais pra esconder
                A7     Dm                  G7                     C        C7
Assume o erro,......... olha pra frente que vem mais

       F7+                G7
Vem mais, papo furado
           Em              A7
Vem mais, lá do senado
       D7/9               G7             C
Vai mais, nosso dinheiro desviado

       F7+                G7
Vem mais, um aliado
           Em              A7
Vem mais, voto trocado
       D7/9               G7             C          
Vem mais e o nosso povo tá lascado
Bb7    A7         Dm             G7
                Vem mais povo zuado,
         C                 Bb7      A7
Vem mais, rosto marcado
         Dm                   G7                C
Apanhamos e ainda damos o outro lado
Bb7    A7         Dm             G7
                 Vem mais, mesmos safados
         C                 Bb7      A7
De terno engomado
               Dm                 G7                C
Pisa no esgoto, preocupado com o sapato

segunda-feira, setembro 12, 2016

Ela é outro esquema

(C7     F7)

Sabe aquela menina que chega e passa
A gente fica sem ar, tenta respirar fundo
(Fm     Bb7)
Como já disse Jobim, ela é cheia de graça
                                                                Fm         G7         
O seu doce balanço faz parar o mundo

(C7     F7)
É um sorriso que se abre e me hipnotiza
Imagina o feitiço então se ela te olhar
(Fm     Bb7)
Ela é daquela que atropela e nem avisa
                                                             Fm         G7------C7
Que rua o quê? Ela faz tudo parar

(Fm7/9     Bb7)
Que Mané calçadão de Ipanema
Ela tem muito mais charme, é outro esquema
(Gm7/9     C7)
Se já tem compromisso, ela é o problema
                                                                           C7-----F79
Que não tem outra igual, outra fita, outra cena

Bb7+                     C7          Am7      F7/9           Bb7+
Mas ela deve ter alguém ou vários a seus pés
                C7        Am7           F7/9           Bb7+
Ela é a sorte, é o bem, dependendo é o revés
Fm7/9   Bb7                Eb7+     F7/9            Bb7+
Ela perturba minha mente, ela causa, mó stress
Fm7/9   Bb7      Eb7+        A7/4                                     G7

Ela sabe seu poder, ........................ e nós ficamos de manés

sexta-feira, setembro 09, 2016

Amor contradição

Amor deveria ter pedágio
Barreiras diplomáticas
Vacina anti-contágio
Variações idiomáticas

Qualquer fobia também poderia
servir de tática
Pois quem ama alguém
Que o corpo pede e não se tem

Pela distância ou algo além
Sofre na mais pura mostra de sofrer
E sofrer porque ama
É contradição e não convém

E dizem que cupido é um anjo
Será que todo anjo e toda flecha é do bem?

quinta-feira, setembro 08, 2016

Amor com Razão, Razão com Amor

Por que o amor e a razão falam idiomas diferentes?
Por que são órgãos independentes?
É uma explicação, na minha concepção, insuficiente
Queria entender, mas dependo da razão
E qual razão compreende as ações do coração?

E isso vale pro amor e pra outras coisas, como o trabalho, por exemplo
Dizem que se aprende com o tempo
Amar o que faz; e não, fazer o que ama
É consequência ou motivo?
No meu caso, o que no fundo do peito eu cultivo
É a razão da ação e não a aceitação
Sabe aquele jargão? Não se julga a capa pelo livro...

E se nós pensarmos no livro?
Há quem escreve o que é preciso
E há quem precisa escrever
Não sei você, mas, acho que 'tá' claro o que eu ia escolher

Sou motivo, causa, força motriz
Sou o que vai pra lousa com giz
Pra ensinar? Não! Pra dizer o que me faz levantar
É saber que a lousa lá permaneceria,
se não fosse uma inocente ousadia

Enfrentar o quadro,
Enorme; pra uns, o fardo
Mas, não me permita perder o rumo,
o prumo e os traços na estrada
ou na lousa esverdeada

Como disse, preciso fazer acontecer,
Antes que a vida me devore,
me engula, me corroa
e vazio meu corpo chore
a lágrima impura que um tanto me doa

Por amar intensamente
o que seria presente
se eu tivesse sido presente
para que lá na frente
quando eu me deitasse
e a sombra da paz me encontrasse
Ela não hesitasse
Em dizer que se a razão amasse
E o coração pensasse

Nós viveríamos plenos de amor e razão
Resta apenas um impasse
Quem abriga a paixão?
Com desejo, consciência e emoção?

terça-feira, setembro 06, 2016

Poesia Pé Descalço

Há poemas e poemas
Não falo nem por qualidade
Mas por estilos, por verdade,
Não dizendo que alguém é falso
Mas meu poema é pé no chão
E pé descalço

Pra sentir as pedrinhas e o calor
Tem horas que sou mais trovador
Mais romântico, um poeta do amor
Mas, minha poesia, por essência
Tem outra cadência
E nessa outra tem até mais fluência

As linhas se preenchem
Com um quê de concorrência
É tanta ideia, são tantas palavras
Que nem sempre se acha uma certa sequência
O poema vai fluindo, vai se construindo

E conforme ele vai, ideias vêm
Mas, por bem, já falei do meu estilo
Não que eu não faça do outro, mas, essa rima em tom de proseado
É a que eu prefiro no palavreado

E, se por instante, me permite
Vou falar sobre a tristeza
Um assunto do qual, tenha certeza
Falo com propriedade, sem dúvida, acredite
Não quero um ai de piedade
Quero só mostrar que não só a felicidade
Nos faz um singelo convite

Por viagens e paraísos
Pra destinos imprecisos
Na seca do deserto
Na alucinação de um oásis
Assim como o amor, as relações
E a tristeza também têm fases

E a cada desafio, o anterior perde o sentido
Pois outro obstáculo é vivido
Ultrapassado, diminuído
Pelo menos no meu coração
Já 'tá' resolvido

Mas, a próxima missão
Tal qual nos games
Tem que enfrentar o chefão
Ele vinha pra destruir
Mas, não vou me diminuir
E pra concluir... resumir...

Vou direto nas raízes
Por que da tristeza?
Porque corações infelizes
Nunca estão juntos na hora da sobremesa

quinta-feira, setembro 01, 2016

Pretérita Democracia


Meu 1º poema em vídeo aqui no blog. Vou tentar fazer alguns outros. Obrigado aos que curtiram e apoiam essa minha empreitada como escritor. Grato mesmo.

TRANSCRIÇÃO:

Você lembra a última vez que votou?
Não perguntei pra quem. Só se lembra...
Não leva na grosseria o que escutou
Falei na moral, me compreenda

Só perguntei porque seu ato de votar é fruto de luta
E por mais irônico o verbo, tem quem reluta
E, nesse caso, relutar é exatamente ir contra o combate
Ir contra o que o combate conseguiu
Ironias desse nosso "português" do Brasil

Seleção lexical a parte...
Sabe seu título de eleitor? Guarde!
Quando lembrar pra quê, um dia, ele serviu
Não vai ficar com saudade

Ele já foi sua liberdade
De escolha, seu crachá
De quase uma "otoridade"
Sua autonomia
Ah, quem se lembra de um troço chamado democracia?

Assim funcionava:
Os cara e as mina 'se candidatava'
O tribunal ia lá e escolhia um dia
Todo mundo ia lá e votava
Quem tinha mais voto ganhava
E tinha uns que, dificilmente, 'perdia'

E quem perdia, num aceitava
Mó fuá, os cara 'arrumava'
Pra mudar quem ganharia
Mas, quase nunca rolava
O voto democrático resistia

Mas, já era essa parada
Se quem 'ganhava', eles num 'queria'
Entre eles se ajeitava
Quem governaria
O voto não mais importava
Nem sempre ele valia

O povo se manifestava,
fechava uma 'pá' de via
Ia lá, protestava, pedia
E esse povo encontrava
Mó respaldo quando a avenida ocupava
Um monte de gente seguia

O governo? O povo criticava
E merecia, viu?! Me-re-ci-a!!!

Mas, como a gente falava
Depois que o país escolhia,
4 anos, o eleito ficava
E não era 5% que gritava
E o porquê, às vezes, nem sabia
Que ia lá e tirava
O voto era soberania

Na conta, na escola que eu estudava
54, que fosse contra 10, era maioria
Essa conta não alterava
Mas, esses 10, hoje em dia...

A máscara de igualdade que ocultava
Agora se revelava, sem a porra da hipocrisia
Então? Lembra aí quando sua opinião importava?
A não ser que você 'tá' nesses 10, no topo da escadaria
Nesse degrau aí em cima, não é porque você apoiava
Que sua vaga te esperaria
Eu nem tive essa ousadia

Fiquei aqui embaixo, escrevendo o que eu sonhava
Que o voto tinha peso que se igualava
Que já fomos irmãos, brasileiros
Uma nação que nascia, que crescia
Mas, hoje, vivemos a angústia de um fim:
DA DEMOCRACIA!